terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Os Instrumentos Mágicos


"O Meu Cálice bebe e embebe a vida.
O Caldeirão é o Meu útero vivo de regeneração.
E inspiração, capaz de tudo transformar.
Eu os presenteio a você.
O importante no ritual e encantamento é sua intenção.
Não é o instrumento que faz de você um Bruxo."

Nós, Bruxos, lançamos mão de alguns utensílios em nossos rituais que são chamados genericamente de Instrumentos Mágicos, Armas Mágicas, Ferramentas Mágicas e inúmeros outros nomes.
Os Instrumentos Mágicos utilizados na Bruxaria têm sido inúmeros ao redor do mundo, por milhares de anos. Aqui são apresentados os fundamentos dos principais instrumentos.
Há muitos sistemas, Tradições e caminhos na Bruxaria, por isso as descrições apresentadas aqui refletem as interpretações mais usuais. Existem centenas de Tradições na Arte e muitas delas utilizam Instrumentos Mágicos não descritos na presente obra, outras fazem uso de parte deles e algumas não utilizam nenhum deles.
Na Bruxaria há o fator diversidade, por isso, muitos Pagãos trabalham com rituais elaborados, enquanto outros apenas meditam e fazem suas invocações junto à luz da Lua.
Os Instrumentos Mágicos são utilizados apenas para facilitar o desempenho ritual e focalizar nossa concentração e intenção. Com o passar do tempo, você irá diminuir, e muito, o uso dos Instrumentos até conseguir realizar um ritual sem o uso de nenhum deles.
A Bruxa - Nós somos a maior e melhor ferramenta criada pela Deusa e pelo Deus. Nossos corpos e mentes são capazes de fazer a melhor de todas as Magias sem a utilização de um único Instrumento Mágico. São nossas intenções e energias que conduzem qualquer tipo de trabalho mágico. Existem inúmeras Bruxas que optam por não usar nenhum aparato ritualístico, utilizando sua própria energia como fonte de poder. É necessário salientar que nossos corpos são constituídos pelos quatro elementos da Natureza:

TERRA:
AR:
FOGO:
ÁGUA:
Uma Bruxa deve treinar seu corpo e mente a fim de trabalhar positivamente um encantamento, um sortilégio e a realização de um ritual. Nunca se esqueça de que você é a maior ferramenta mágica entre todas e que é seu enfoque e concentração, intenções e desejos, que produzem a verdadeira Magia. É muito importante para um para um Bruxo vivenciar e sentir a força dos elementos dentro de si. Isso constitui uma regra básica para qualquer prática mágica ser bem-sucedida. Uma Bruxa deve aprender a escutar a voz que reside em seu interior e sentir o pulsar da Terra, as batidas do coração da Grande Mãe, a fim de que esteja em unidade com a Natureza e com o Universo. Somente a partir disso a vida de um Bruxo realmente irá tornar-se mágica e, integrado com a Natureza e com o Cosmo, ele poderá seguir rumo à sua evolução.
O Athame - No trabalho mágico o Athame assume um papel fundamental. Ele é um Punhal com dois gumes que assume uma função nos rituais. Assim como todas as ferramentas rituais, o Athame é um artigo mágico, talvez o mais importante de todos, e deve ser escolhido com cuidado. A primeira regra na escolha de um athame é que ele se ajuste bem e confortavelmente em sua mão de poder (a mão que você escreve). Em segundo lugar, tradicionalmente a lâmina de um Punhal tem a mesma medida que vai do pulso de sua mão de poder até o dedo médio. Antigamente o Athame era confeccionado pelo próprio Bruxo, levando em consideração a fase lunar, os dias mais propícios, as horas e as posições planetárias. Hoje em dia isso se tornou um pouco difícil, pois não são todos que possuem dons artísticos e habilidade para confeccionar um. Por isso, tornou-se mais comum "personalizar" o Athame, gravando nosso nome mágico com letras rúnicas, ou outro alfabeto mágico, e símbolos sagrados em sua lâmina. Isto é uma forma de transmitir nossa própria energia e magnetismo para que ele se torne um Instrumento Mágico pessoal e intransferível. Tradicionalmente um Athame deve ter cabo negro e lâmina dupla, mas existem muitos outros modelos que podem ser utilizados. Hoje encontramos Athames de bronze, cobre, prata e vários outros metais ou até mesmo esculpidos em pedra. Siga sempre a sua intuição, não existe regra básica na escolha de um Athame, ele deve ser aquele que chame sua atenção. O Athame é usado para traçar o Círculo Mágico, invocar os quadrantes e elementos e sempre está presente em todos os rituais como Handfasting, Iniciação, Grande Rito, etc. É associado na maioria das Tradições com o elemento Ar e com o ponto cardeal Leste; porém em outras Tradições está ligado ao elemento Fogo e ao ponto cardeal Sul.

É habitual em algumas Tradições ganhar o Athame na cerimônia de Iniciação. Nessa ocasião, após ser purificado e sacralizado pelo Iniciador, ele é dado de presente ao Iniciando, que, a partir daquele momento, tem autorização, conhecimentos e capacidade necessários para fazer uso dele. As vertentes mais tradicionais da Wicca concordam que instrumentos Mágicos não deveriam ser usados para nenhum outro propósito que não fosse ritualístico. Freqüentemente a lâmina de um Athame permanece embainhada até ser usada em um ritual. Por causa disso, outra faca, o Bolline, que possui o cabo branco, às vezes é usada para colher ervas ou esculpir símbolos em amuletos, talismãs e velas. Muitos discordam dessa teoria, acreditando que, quanto mais um Instrumento for utilizado, mais poderoso ele se tornará. O Athame é usado no "Grande Rito", cerimônia onde à união da Deusa e do Deus é representada simbolicamente, quando sua lâmina toca a água ou o vinho que se encontra dentro do Cálice. Ele também é utilizado para direcionar o poder e traçar símbolos sagrados no solo ou no ar.
O Bolline - O Bolline é uma faca com o cabo branco. Ele é utilizado na colheita de ervas, na construção de talismãs e amuletos mágicos. Existem alguns modelos de Bolline na forma de uma pequena foice, totalmente de prata, em alusão ao antigo Instrumento dos Druidas para a colheita de ervas que possuía esta forma. Ele é um Instrumento opcional, visto que muitos Bruxos usam o Athame para desempenhar a função de colher as ervas e construir talismãs.
O Cálice - O Cálice ou Taça é utilizado no Altar para representar o princípio Feminino da Água e fica no ponto cardeal Oeste. Muitas vezes são colocados dois Cálices sobre o Altar, um para água outro para vinho. O Cálice junto com o Athame, ou o Bastão, são Instrumentos modernos utilizados para representar o "Grande Rito" - a união do princípio feminino (Deusa) com o masculino (Deus) - do qual toda vida surge. Cálices podem ser de qualquer material. Muitos usam prata ou estanho (tenha cuidado com metais sem banho de aço inoxidável quando servir vinho), mas os de cerâmica, cristal e até mesmo os de vidro podem ser usados. Alguns Bruxos possuem Cálices diferentes para diferentes rituais. Geralmente o Cálice é passado ao redor do Círculo enquanto cada participante toma um gole do líquido contido em seu interior, fazendo os seus pedidos e agradecimentos.
O Bastão - O Bastão representa para a maioria das Tradições o elemento Fogo, e é posicionado no ponto cardeal Sul, Porém, alguns o associam ao elemento Ar e ao ponto cardeal Leste. Você pode comprar um pronto ou fazer um com galhos de árvores ou um cano de cobre. Assim como o Athame, o Bastão também está relacionado ao Deus Cornífero, no seu aspecto de Grande Fecundador, pois é um símbolo fálico por excelência. O Bastão pode ser usado para lançar um Círculo ou direcionar as energias na realização de feitiços e encantamentos. Há Bruxos que preferem lançar o Círculo com um Bastão em vez de utilizar o Athame. Há Bastões de vidro, cobre, prata e outros metais, mas o "material clássico" ainda é a madeira. Várias madeiras têm diferentes usos e associações mágicas e as melhores para a confecção do seu Bastão são a macieira, o loureiro, o freixo, o teixo, o carvalho, a goiabeira, a figueira ou o salgueiro.
O Caldeirão - O Caldeirão de ferro, com tradicionalmente três pés, sempre representou a generosidade e as bênçãos dos Deuses. Tido como símbolo de abundância, fertilidade e detentor de todos os conhecimentos do Universo, em algumas Tradições célticas, é associado com Deuses como Bran, o Abençoado, Dagda e a Deusa Cerridwen. Baseada nesses mitos, o Caldeirão também representa o conceito de reencarnação e os ciclos de nascimento, morte e renascimento. Simboliza o ventre da Deusa Mãe do qual surgem e surgirão todas as coisas. Os Pagãos sempre acreditaram que o mundo era semelhante a um grande Caldeirão, onde a Deusa preparava suas poções, governando o destino dos homens. Quando empunhamos nossas colheres de pau e nossos Caldeirões nos tornamos semelhantes à Deusa e assim somos capazes de criar, moldar e dobrar o nosso destino e a nossa vida. Os Caldeirões podem ser utilizados para representar o elemento Água e para perscrutar. Às vezes é associado ao elemento Fogo e é na maioria das vezes utilizado para fazer pequenas fogueiras em seu interior, com álcool de cereais e ervas sagradas, ou queimar incenso. Em tempos modernos e urbanos, pular sobre um caldeirão em chamas substitui o tradicional "pulo da fogueira". Dependendo da intenção e do uso ele pode ser colocado em direção ao Oeste, representado as energias femininas da Deusa, ou ao Sul, representando as energias masculinas, ao realizarmos rituais para antigos Deuses como Dagda e Bran. Muitos Bruxos têm Caldeirões de vários tamanhos, para diferentes funções e propósitos. Com o passar do tempo você vai perceber que isso é necessário, pois um Caldeirão utilizado para servir de receptáculo de uma fogueira jamais deve ser usado para a preparação de um óleo ou banho mágico, por exemplo, devido ao fato de ficar extremamente oxidado com o uso excessivo do fogo e dar uma pigmentação escura ao óleo que é preparado. Os caldeirões variam de tamanho e vão desde os pequenos modelos para Altar até o antigo e enorme caldeirão de chão. Escolha aquele que melhor atender às suas necessidades.
O Livro das Sombras - O termo "Livro das Sombras" vem do inglês Book of Shadows (BOS), um utensílio muito importante e que faz parte do arsenal de todo Bruxo. O Livro das Sombras é um caderno com a capa e a contracapa na cor preta, no qual registramos toda a nossa evolução na Arte. É nele que guardamos todos os encantamentos que aprendemos, as analogias entre elementos e planetas, os sortilégios, as invocações e todas as informações que julgarmos importantes, relacionadas à Bruxaria. É muito comum anotarmos nele os nomes de Bruxos que conhecemos, onde e em que circunstância se deu o encontro. O Livro das Sombras é como um Diário Mágico, em que você registrará os seus sonhos e os possíveis significados destes, os seus rituais e resultados, etc. Com o passar do tempo você terá de dar início a outros Livros das Sombras; guarde-os com carinho, tendo o cuidado de não deixar que outra pessoa o leia, pois eles são a sua essência e o resultado de seu estudo e empenho.
A Vassoura - A vassoura tem sido associada com a Magia há muito tempo, provavelmente devido à sua forma. É utilizada em ritos de purificação e é parente do Bastão. É comum uma nova casa ser consagrada com ela. Também é utilizada para a purificação de um local carregado. A Vassoura Mágica ou Besom, como também é chamada, muitas vezes é utilizada para limpar a área ritual antes de uma cerimônia começar. É com ela que geralmente "se faz uma varredura", como costumamos dizer. A Vassoura passou a ser utilizada na Bruxaria a partir da Inquisição como forma de camuflar o Bastão Mágico, cuja ponta ficava escondida entre as cerdas da Vassoura. Ele é um símbolo feminino de poder e, por isso, em muitas Tradições da Wicca somente as Bruxas fazem uso de uma. As vassouras devem ser confeccionadas pelos seus próprios donos. Basta termos um cabo de vassoura, várias galhos secos e um barbante com o qual possamos amarrar os galhos em volta de uma das extremidades do cabo. Os galhos de plantas mais utilizados na confecção são os de: manjericão, a árvore símbolo da Deusa; bétula, que representa o nascimento, o renascimento e é uma erva ótima para proteção; teixo, a árvore da morte e da reencarnação; Artemísia, pois afasta a negatividade, além de ser uma das ervas sagradas da Deusa; sabugueiro planta relacionado à Lua; salgueiro, outra planta relacionado à Lua e à Deusa. Símbolos mágicos podem ser gravados no cabo da Vassoura para que ela se torne ainda mais poderosa. A Vassoura não deve tocar o chão durante a varredura. Deve-se varrer a área desejada acima do solo, no ar, enquanto visualizamos a limpeza energética do local. Coloque sua Vassoura de ponta-cabeça na porta de entrada de sua casa e assim seu lar, assim como todos os seus habitantes, serão protegidos de qualquer mal. Muitos Bruxos optam em colocar a Vassoura pendurada na posição horizontal sobre a porta de entrada com a mesma finalidade. Um portal entre o Círculo Mágico no perímetro do Círculo, a qual se pula quando é necessário sair do Círculo no decorrer do Ritual. Dessa forma, os que precisarem abandonar a área do ritual poderão fazê-lo livremente, sem que haja a necessidade de abrir uma porta mágica imaginária com o Athame. No Handfasting, a parte mais característica e tradicional é aquela em que o casal pula a Vassoura, representando assim a união através das bênçãos dos antigos Deuses
Bola de Cristal - Cristais de quartzo são extremamente populares hoje, mas a bola de cristal de quartzo é um antigo instrumento mágico. É extraordinariamente caro, variando de vinte a milhares de dólares, dependendo do tamanho. A maioria das bolas de cristal no mercado atualmente são de vidro, vidro temperado ou mesmo plástico. Bolas de cristal de quartzo genuínas podem ser identificadas por seu alto preço e por incrustações ou irregularidades.

O cristal vem há muito sendo utilizado na adivinhação contemplativa. O adivinho encara fixamente a bola até aflorarem as suas faculdades psíquicas, e imagens, vistas mentalmente ou projetadas no interior do cristal, revelam a informação necessária.

Em rituais os cristais são por vezes posicionados no altar para representar a Deusa. Sua forma (esférica) simboliza a Deusa, assim como todos os círculos e circunferências, e sua temperatura fria (como nodo de detectar cristal genuíno) simboliza as profundezas do mar, o domínio da Deusa.

Assim, o cristal pode também ser utilizado para receber mensagens dos Deuses, ou para armazenar a energia gerada no ritual. Alguns Wiccanos olham fixamente para o cristal para atrair imagens da Deusa ou de vidas passadas. É um objeto mágico tocado pelo divino. Se encontrar uma, guarde-a com cuidado.
Sua exposição periódica à luz da lua, ou o ato de esfregar Artemísia fresca em sua superfície aumentará sua habilidade de ativar nossos poderes psíquicos. Bolas de cristal podem ser o centro de rituais de Lua Cheia.

A bola de cristal é um instrumento das artes adivinhatórias, muito popular entre os videntes. A cristalomancia é também muito praticada pelas bruxas, mais com um propósito maior, mergulhar no cosmo profundo e infinito da Grande Mãe, recebendo mensagens e descobrindo mais sobre o nosso mundo interior, que é o mundo da Deusa refletida na bola de cristal. Veja a seguir alguns exemplos básicos da interpretação de figuras na cristalomancia:
Nuvens Violetas: harmonia e tranquilidade
Nuvens Azuis: conquista e felicidade
Nuvens Verde: lucro e prosperidade
Nuvens Amarelas: duvidas esclarecidas em breve
Nuvens Laranjas: decisões difíceis definitivas
Nuvens Vermelhas: obstáculos e agitação
Manchas Claras: pequenos problemas
Manchas Escuras: grandes problemas
Estrela: sonhos impossíveis
Coração: vivência de um grande amor
Serpente: cuidado com a saúde
Pássaros: surpresas
Olho: siga mais a sua intuição
Espada: desarmonia
Balança: recompensa justa
Imagem Interior a Bola de Cristal: presente ou futuro imediato
Imagem Posterior a da Bola de Cristal: passado que exercera influencia sobre o presente
Imagem a Direita da Bola de Cristal: boas influencias
Imagem a Esquerda da Bola de Cristal: más influencias

O Sino - O sino é um instrumento ritual de inestimável antiguidade. O toque de um sino libera vibrações com efeitos poderosos de acordo com seu volume, tom e material utilizado.

O sino é um símbolo feminino e, portanto, normalmente utilizado para invocar a Deusa em rituais. É também tocado para afastar encantamentos e espíritos malignos, para interromper tempestades ou para evocar energias positivas. Sobre estantes ou acima da porta, eles protegem a morada. Sinos são por vezes tocados em rituais para assinalar seções diversas ou marcar o início ou o fim de um encantamento. Qualquer tipo de sino pode ser utilizado.
Roupa - Vestir-se é "opcional" para muitos Bruxos. Existem algumas Tradições em que os Bruxos praticam seus rituais "Vestidos de Céu" (nus). Os que assim o fazem alegam que a roupa impede que a energia criada pelos nossos corpos circule corretamente e que o ato de trabalharem nus coloca todos iguais perante a Deusa. Outras Tradições utilizam mantos, túnicas e jóias ritualísticas em suas cerimônias, normalmente só dedicados a esse uso. Muitos utilizam as vestes cerimoniais como forma de separar simbolicamente o trabalho ritual da vida cotidiana e assumir uma nova personalidade. Muitas Tradições utilizam roupas que refletem o fundo étnico daquele Caminho Mágico. Tradições Escocesas podem usar "kilts", e Tradições voltadas ao Druidismo podem usar batas cobertas, etc. Muitos bordam símbolos mágicos na roupa ou usam pequenos objetos mágicos pendurados nela para agir como talismãs protetores. O uso ou não de roupas nos rituais é algo muito pessoal, por isso o melhor a fazer é trabalhar magicamente como você se sentir mais confortável. As cores são também utilizadas por suas vibrações específicas.
Amarelo: É uma cor excelente para aqueles envolvidos em adivinhação.
Roxo: É favorável aos que trabalham com poder divino puro (ou que desejam aprofundar sua consciência espiritual acerca da Deusa e do Deus.
Azul: É indicada para curandeiros e para os que trabalham com sua consciência psíquica ou para sintonizar-se com a Deusa em seu aspecto oceano.
Verde: Fortalece os herbalistas e os ecologistas mágicos.
Marrom: É usado por aqueles com ligações com os animais ou que lançam encantamentos por eles.
Branco: Simboliza a purificação e a espiritualidade pura, sendo também perfeito para a meditação e rituais de purificação. É utilizado ainda em rituais da Lua Cheia, ou para acessar a Deusa.
Laranja ou Vermelho: Utilizados em sabás, para ritos de proteção ou sintonizar-se com o Deus em seu aspecto solar.
Preto: É uma cor popular. Ao contrário das crenças populares, o preto não simboliza o mal. É a ausência de cor. Simboliza a noite, o universo e a ausência de falsidade. Quando um bruxo veste um robe preto, ele está vestindo a escuridão do espaço simbolicamente, a fonte suprema de energia divina.
Prato de Sal - Simboliza o elemento terra e é usada para purificação. Você pode espalhar o sal pela área para ser purificada ou misturar com água e borrifar a área e o círculo e as pessoas que participaram. Pode ser colocado no altar para representar o elemento terra.
Vela - Representa o elemento fogo. Eles são usados para aumentar a energia de um feitiço ou ritual ou para influenciar um poder em particular. Elas simbolizam a transformação da sua vontade em energia que é levada para o self.

Cristais - O cristal tem o poder de armazenar energia, filtrar ambientes, e é sempre interessante usá-lo seu altar. Eles são usados para curar pessoas, existe uma polemica entre as cores das pedras muita gente diz que cada cor e que cada pedra serve para um fim, mais tem pessoas que dizem que não se podem limitar as pedras só pelas cores e suas propriedades. A também um cuidado quando for comprar sua pedra você tem que saber de onde elas foram tiradas, pois se desmatarem alguma floresta para retirá-las eu acho que essas pedras não são muito úteis, pois não tem energia suficiente.

Ervas - Podem ser incluídas para emprestar suas tradicionais energias ao rito ou encantamento a ser praticado. Representam as Deidades Vegetais e frutificação da terra. Elas representam o elemental terra, e podem também ser usadas para curar pessoas em forma de remédios, mais cuidado com que erva você mexe, pois existem ervas venenosas.
Espada Cerimonial - A espada representa o elemento fogo é o símbolo da força do Bruxo. Em certas tradições wiccanas, a espada é usada no lugar do punhal para traçar círculos e apagar. A espada pode ser usada para controlar e banir espíritos elementais e para guardar e direcionar energia, durante um ritual. A um mito sobre a espada, muitas pessoas não gostam de utilizá-la porque dizem que quem usa espada é mago. Creio eu que a espada entrou na wicca no tempo da inquisição onde os bruxos precisavam se defender dos ataques dos inquisidores. Por isso muitas pessoas discordam do uso da espada.

Chave Mágica - Para fazer uma chave mágica recorra aos materiais que a Natureza oferece, como gravetos, folhas etc. Faça a chave mais bonita que puder. Com ela você será capaz de abrir todas as portas. Pendure-a na entrada do seu quarto; sempre que tiver um desejo profundo, pegue a chave sem sua mão e com sua imaginação abra a porta que esconde seus desejos.

Colher de Pau - A colher de pau da cozinha pode transformar-se num instrumento mágico. Adquira uma colher nova e passe-a nove vezes pelo fogo, mergulhe-a na água e por fim jogue sobre ela três pitadas de sal. Use-a no dia-a-dia da cozinha, impregnando seus alimentos com amor.


Consagrando os Instrumentos Mágicos
Material necessário:

• Um pires com sal
• Três incensos de cravos-da-índia
• Uma vela vermelha
• Um copo com água e sal
Procedimento: Acenda os incensos e a vela. Feche os olhos e visualize um Circule de luz ao seu redor.

Diga então: "Que este Círculo de luz esteja ao meu redor durante o decorrer deste rito de consagração. Eu invoco a Deusa Mãe e o Deus Pai para que se unam a mim e abençoem os Instrumentos que será consagrados e dedicados ao Trabalho da Arte neste dia. Eu invoco a magia dos quatro elementos da Natureza para que tragam as suas forças e o seu poder a estes utensílios mágicos."

Toque o Instrumento a ser consagrado no sal que se encontra no pires e diga:
"Pelo poder da Terra eu o consagro, abençôo e purifico. Que sua memória passada seja anulada, para que você seja dedicado aos trabalhos sagrados da Grande Mãe. Que assim seja e que assim se faça."

Passe o Instrumento na fumaça do incenso e diga:

"Pelo poder do Ar eu o consagro, abençôo e purifico. Que sua memória passada seja anulada. Eu o dedico à Grande Deusa do Círculo do Renascimento a ao Deus Fertilizador. Quem assim seja e que assim se faça. "

Passe o Instrumento na chama da vela e diga:

"Pelo poder do elemento Fogo eu o consagro, abençôo e purifico. Que sua memória passada seja anulada, pois a partir de agora você é um Instrumento de força e poder da Senhora e do Senhor. Que assim seja e que assim se faça. "

Respingue um pouco de água no Instrumento, enquanto diz:

"Pelo poder do elemento Água eu o consagro, abençôo e purifico. Que sua memória passada seja anulada, pois agora você é um instrumento dedicado a Arte da Deusa e carrega o poder e a magia. Que assim seja e que assim se faça."

Eleve o Instrumento e diga: Pelos poderes do alto e dos céus resplandecentes de luz eu o consagro e o dedico a serviço da Grande Mãe.

Toque o instrumento no chão, dizendo: Pelos poderes de baixo e do submundo eu o consagro e o dedico a Arte Antiga.

Sopre no seu Instrumento, dizendo:

"Pelo meu próprio poder eu o consagro e lhe dou vida com este sopro para que você responda só a mim, me ajude e me proteja. Que assim seja e que assim se faça. "
Trace um Pentagrama Invocante com o dedo médio sobre o Instrumento, dizendo:

"Pelos Poderosos da Arte você foi abençoado. Que assim seja e que assim se faça. "

Feche novamente os olhos, visualize o Círculo de luz inicial ao seu redor e então diga:

"Que este Círculo de luz e poder retorne ao seu local de origem. Eu agradeço à Deusa, ao Deus e aos elementos na guarda, proteção e bênção deste rito. Que assim seja e que assim se faça."

Veja o Círculo de luz aos poucos desaparecer. Pronto, o seu Instrumento Mágico está devidamente consagrado e carregado de poder. Agora você poderá montar um altar com eles.

Observações:

Todos os Instrumentos Mágicos devem ser consagrados.

Depois que seus Instrumentos forem consagrados, só você poderá tocá-los. Caso outras pessoas os toquem, você deverá reconsagrá-los.

Para um verdadeiro Bruxo, seus instrumentos representam a sua essência, o seu ser, a sua alma e possuem vida. Por isso, devem ser respeitados e guardados com cuidado e carinho.

Fonte - Wicca, A Religião da Deusa de Claudiney Prieto.

Como usar as fases da Lua a seu favor


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A Senhora do Mar

“...Sou a estrela que surge do mar, o mar do crepúsculo,
Trago aos homens os sonhos que regem os seus destinos
Trago as marés do sonho às almas dos homens
As marés que fluem e refluem e tornam a fluir,
As silenciosas marés íntimas que governam os homens;
Elas são o meu segredo e pertencem a mim...”

A sacerdotisa do mar – Dion Fortune
O mar engloba as misteriosas origens da vida, que, após inúmeras transmutações e percursos, para ele volta no final do seu ciclo. Desde o instante em que nascemos do líquido salgado do ventre materno, até quando os nossos pulmões se preenchem com os fluidos corporais no momento da morte, somos um receptáculo para o caminho da água, o nosso mais precioso e sagrado presente. Desde a antiguidade o mar simbolizou vida, magia e mistério, sendo o berço da própria vida, pois ele existiu desde o começo dos tempos, antes que a terra fosse formada.
Em muitas culturas a primeira imagem do mundo era de um oceano, ilimitado, indefinido e eterno, pleno de energias que podiam criar as variadas formas da vida. O primeiro estágio do mundo era descrito como uma massa aquática inerte, da qual emergiram a Terra, o céu e todos os seres. O mar primordial, informe, escuro e silencioso representava um modelo para o caos, que existia antes da criação e uma metáfora para o líquido amniótico que sustentava a vida.
Os povos antigos respeitavam o mar como uma força criadora e nutridora, mas também temiam o seu poder destruidor. O mar detinha segredos e mistérios, suas profundezas ocultavam seres sobrenaturais - benéficos ou não - e divindades que moravam em palácios repletos de riquezas e tesouros. As lendas sobre os tesouros enterrados no fundo do mar na realidade são as reminiscências das antigas lendas sobre as divindades que governavam a fertilidade representada pela riqueza da fauna e flora aquáticas.
A Deusa se manifesta em todos os elementos, Ela é a Mãe Terra, o Sopro da Inspiração, a Senhora das Chamas, mas o elemento em que A encontramos mais facilmente é a água, pois assim Ela está presente em todos nós. A vida começou no mar e o nosso corpo guarda esta lembrança no líquido amniótico, nas lágrimas, no sangue, nas células e nos fluidos corporais. Nossos ventres e nossas emoções respondem ao chamado das marés e da Lua e retornaremos ao ventre primordial seguindo o eterno fluir do tempo, do seu inicio até o fim. A Grande Deusa é a quintessência fluida formada das águas, as celestes e as subterrâneas (onde pertencem os córregos, riachos, rios, cachoeiras, fontes, lagos, mares), em cujo ventre a vida se formou como se fosse um peixe. 
A Mãe do Mar aparece de várias formas, às vezes Ela é escura e profunda como o vazio primordial onde a vida apareceu primeiramente. Outras vezes Ela brinca e ri com as ondas na areia, brilha com a luz do Sol ou da Lua ou se enfurece e rodopia com o rugido da tempestade. A sua presença foi louvada e honrada em inúmeras canções e poemas, apareceu em mitos, histórias, contos e lendas em vários lugares do mundo. Dion Fortune - escritora, ocultista e sacerdotisa da Deusa - vê o mar como “origem de todos os seres, a vida nela aparecendo como uma onda silenciosa que segue seu rumo e volta para recolhê-la no final.”
Ao longo dos milênios a Mãe do Mar recebeu muitos nomes e representações, Ela era a Grande Deusa cujas marés seguiam as fases da Lua e que foi vista como Tiamat, o dragão das profundezas, Atargatis e Derceto, deusas sírias com caudas de peixe e regentes da fertilidade, equivalentes das deusas venusianas Astarte e Ishtar, Ísis e Maria adoradas como Stella Maris, a Estrela do Mar ou Iemanjá, a nossa Mãe das águas.
A Mãe do Mar como “Senhora dos peixes” tem uma origem muito antiga, foram encontradas esculturas de uma deusa–peixe datadas de 6000 a.C. no sitio arqueológico de Lepenski Vir na antiga Iugoslávia, indicando um culto exclusivo de moças, que nos períodos de seca ou enchente se ofertavam à Deusa - deixando-se levar pelos redemoinhos do rio Danúbio - para implorar Sua benevolência.
Na Grécia existiam antigos cultos da Senhora da navegação e da Mãe das criaturas marinhas que tinham vários altares. A Mãe do mar é um emblema universal do nascimento e renascimento, reproduzido nas religiões patriarcais de maneira oculta e simbólica pelo batismo e a pia batismal. O peixe é totem da Deusa Mãe e aparece como sua montaria ou emblema, estilizado como yoni, símbolo do órgão sexual feminino, uma imagem central do ventre nos mitos de fertilidade e renascimento, adotado depois como símbolo cristão (por ter sido considerado Cristo o pescador das almas).
No mito babilônio da criação o primeiro ser foi Tiamat, Mãe de todos os deuses e detentora das tábuas dos destinos, que se apresentava como uma grande serpente – ou dragão- e regia as águas salgadas dos mares. Fecundada pelas águas doces pertencendo ao seu amado Apsu, do seu imenso ventre nasceram todas as formas de vida, perfeitas e monstruosas, até que no final nasceram os deuses. Após um tempo, os filhos divinos se revoltaram contra seus pais, mataram Apsu e o primogênito Marduk despedaçou Tiamat, criando das metades do seu corpo o céu, a Terra e todas as águas.
Mari significava mar e ventre na tradição suméria, Afrodite Mari era conhecida como a Mãe de todos, nascida do mar e Criadora da essência da água. Como
Afrodite Pandemos é representada cavalgando um golfinho e foi reverenciada na Síria como Atargatis. A Mãe primordial grega era Rhea, que separou os elementos sólidos e líquidos do abismo primordial e criou assim a Terra e o mar. Tetis, descrita como a Grande Rainha grega do oceano, filha de Gaia e Urano, chamada de Mare Nostrum pelos romanos, era mãe de 6000 filhos, suas 3000 filhas sendo as Ocêanides. Depois da revolta e vitória dos deuses olímpicos sobre as divindades pré-helênicas, a regência do mar foi conferida a Posêidon. Para poder governar ele teve que casar-se com a regente ancestral do mar, a deusa Anfitrite, que continuou governando as profundezas do mar, enquanto Posêidon dirigia sua carruagem na superfície das ondas, acompanhado pelas ninfas marinhas, as Nereidas.
Na mitologia celta a deusa Fand também regia as profundezas do mar, enquanto seu marido Manannan Mac Lyr navegava na superfície. O casal de gigantes nórdicos Ran e Aegir era temido pelos navegantes, que lhes pediam proteção fazendo oferendas e orações, para evitar que as tempestades levassem seus barcos para as moradas divinas do fundo do mar. Suas filhas, as Donzelas das Ondas em número de nove eram as mães do deus Heimdall, o guardião de Bifrost, a ponte do arco-íris da mitologia nórdica. Temu era o nome egípcio do vazio uterino cósmico e primordial, do qual foram criadas as divindades e os mundos.
Na China existe a lenda de uma moça - Lin Mo Ning - cujas qualidades extraordinárias de devoção a Kwan Yin, a sua bondade e as curas milagrosas por ela realizadas lhe permitiram a iluminação e ascensão. Aos 28 anos ela foi elevada para o céu em uma nuvem dourada e se transformou em um arco-íris, equivalente chinês do dragão e símbolo de cura e boa sorte. Ela foi deificada e tornou-se Mat-su ou Mazu, a deusa do mar reverenciada até hoje em inúmeros templos a Ela dedicados, como protetora dos barcos nas tempestades e das pessoas nas inundações.
O mito de Sedna, deusa do mar dos inuits - Senhora dos animais marinhos, Doadora da fertilidade - retrata a trajetória mítica de uma jovem mortal passando por decepções afetivas e filiais. Ao ser sacrificada pelo seu pai (para ele se salvar) representa o caos seguido pela abundância, pois ao mergulhar nas profundezas do mar, a jovem Sedna se transformou na mãe arquetípica fornecedora do alimento para o seu povo.
Na África a regência do mar é dividida entre Olokun (que aparece ora como orixá masculino, ora como feminino) e Yemayá ou Iemanjá, também honrada como Iyá Mo Ayé, a Mãe dos mundos, Criadora do céu e do mar. Originariamente Iemanjá era divindade das águas doces, regente do rio Ogum, associada à fertilidade das mulheres, maternidade, criação do mundo e continuidade da vida. Por ser regente do plantio e colheita (dos inhames) e da pesca, seu nome ficou Yeyé Omo Ejá, a “Mãe dos filhos peixes”. Nas representações míticas e nas várias imagens seus poderes - gerador e nutridor - são revelados pelos seios fartos e as ancas largas. Nos mitos Ela aparece como uma Grande Mãe, protetora das cabeças dos mortais, generosa nas suas dádivas e representando os diversos papéis da mulher: mãe, filha, esposa, irmã.
Na transposição para o Brasil foi transferido para Iemanjá a regência do mar, que na África pertencia a seu pai ou mãe, Olokun, pois segundo conta uma lenda “ as lágrimas derramadas pelos escravos na travessia do oceano salgaram as águas doces de Iemanjá”. Mas mesmo considerada orixá do mar, Iemanjá continua sendo saudada no Candomblé como Odo Iyá, Mãe do rio, da qual sua filha Oxum herdou o domínio das águas doces. Outro aspecto de Iemanjá no Brasil é relacionado à sua denominação de Rainha do mar, que a associa à figura da sereia, de origem africana (as três sereias de Angola: do mar, do rio e da lagoa) e européia (dos mitos gregos, celtas, e nórdicos). Como divindade marinha Iemanjá tem um papel duplo: de mãe que controla as marés e propicia a pesca, e também de sereia sedutora e sensual que atrai o pescador ou o navegante para as profundezas do mar.
Concebida popularmente como a Mãe propiciadora de saúde, prosperidade e boa sorte, além de garantir sanidade, equilíbrio e clareza mental como “dona das cabeças”, Iemanjá aos poucos foi perdendo seus atributos originais de divindade guerreira e mulher sensual dos mitos africanos e foi sendo ampliado o seu papel de deusa mãe. À medida do fortalecimento do seu papel materno, Iemanjá foi sendo aproximada da figura de Nossa Senhora com quem Ela é sincretizada em Cuba e Brasil e suas festas comemoradas de acordo com o calendário católico (como Nossa Senhora das Candeias na Bahia, do Carmo no Recife, dos Navegantes no Rio Grande do Sul, da Conceição em São Paulo).
Aos poucos Ela foi assumindo novos aspectos iconográficos trocando seus traços africanos por características européias e sendo retratada como uma mulher branca, com longos cabelos negros e lisos, de vestido azul com cauda, caminhando sobre as ondas do mar, espalhando rosas brancas e usando uma tiara em forma de estrela, aparecendo assim como a própria Stella Maris. Na Umbanda foi atribuída à Iemanjá a chefia de falanges de “caboclos e caboclas do mar”; associada a diferentes Mães d’Água indígenas foi sendo chamada de Iara, a Mãe d’Água ou Senhora Janaina. Seus atributos de sedução e sensualidade foram transferidos para uma entidade complexa e controvertida - Pomba Gira - e realçados apenas os atributos maternos e protetores. Na Santeria cubana Iemanjá é sincretizada com La Virgem dela Regla e retratada como uma Madona Negra, protetora dos navegantes.
A crescente participação da população nas Suas festas nas praias brasileiras - principalmente nos dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro - tornou Iemanjá o orixá mais popular e reverenciado no Brasil, não somente pelos adeptos de Candomblé e Umbanda, mas pela sociedade como um todo.
Transcendendo as tradições afro-caribenhas que deram origem aos cultos modernos, Iemanjá é cultuada atualmente pelos círculos sagrados femininos, os adeptos dos grupos da tradição Wicca e neo-pagãos, nos Estados Unidos e no Brasil, como uma Deusa Mãe. Apesar das suas modificações ao longo do tempo e espaço, os atributos de amor e nutrição que Iemanjá traz para seus adeptos são prova do seu poder milenar como protetora das crianças, mulheres e famílias. Enquanto Olokum detém os poderes de destruição subindo enfurecida das profundezas do mar, Iemanjá rege em contrapartida a superfície e a calmaria. A suavidade da filha pode acalmar a fúria da mãe, pois ambas representam os ciclos de mudança: dar a vida, proteger, abrigar, nutrir, transformar ou dar-lhe o fim. Com a ajuda de Iemanjá podemos superar as marés e mudanças na nossa vida e buscar a tranqüilidade mesmo no meio da tempestade.
Os mitos da Mãe do Mar refletem o mundo natural ao nosso redor e principalmente o poder do oceano, que inspira respeito e medo pela sua força destruidora como vemos nos tsunamis, tufões e maremotos. A mutabilidade do mar nos ensina como buscar o equilíbrio e a conciliação dos opostos na nossa própria natureza, alternando a ação e a quietude, a aceitação da dor e da alegria, as fases de tumulto ou de estagnação. 
Ao longo dos séculos os seres humanos lidaram com os desafios do mar e por isso o reverenciavam por saberem que estavam à mercê das suas forças. Mas agora, pela primeira vez na história da humanidade, os homens têm o poder de envenenar as suas águas, de matar sem discernimento ou necessidade os seres vivos que nele habitam. Para continuarmos a receber as bênçãos e dádivas da Mãe do Mar precisamos nos envolver em alguma atividade ecológica para impedir a destruição dos recifes de corais, a extinção das espécies marinhas, a poluição pelos resíduos industriais e domésticos. Precisamos honrar a Mãe do Mar e lhe pedir compaixão e generosidade para o nosso renascimento, nos elevando da cobiça, violência, falta de respeito e compaixão com os outros seres para a harmonia, o convívio pacifico e a serenidade, exterior e interior.
“Devemos nos lembrar de que o nosso espírito nos leva de volta para a água, pois ele flui no pulsar do rio e retorna para o mar onde a vida começou. Nossas almas são pesadas com tanta dor e decepção e difíceis de carregar, mas nós pediremos ao rio levar nosso peso para o mar e oraremos ao mar lavar e renovar os nossos espíritos. Nossas lágrimas de dor e tristeza lavam nossas almas e nos libertam de tudo o que nos atordoa, removendo as marcas de sofrimento. Levantemo-nos radiantes e sigamos em paz, pois o nosso espírito foi lavado pelas ondas do mar e por elas renovado”.
Adaptado do “Book of Daily Prayer for Today’s Changeable World” 
Mirella Faur

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Mulheres Curadoras



Erveiras, raizeiras, benzedeiras, mulheres sábias que por muito tempo andaram sumidas, ou até mesmo escondidas. Hoje retornam com um diploma de pós-graduação nas mãos e um sorriso maroto nos lábios. Seu saber mudou de nome. Chamam de terapia alternativa, medicina vibracional, fitoterapia, práticas complementares… são reconhecidas e respeitadas, tem seus consultórios e fazem palestras.
As mulheres curadoras fazem parte de um antigo arquétipo da humanidade. Em todas as lendas e mitos, quando há alguém doente ou com dores, sempre aparece uma mulher idosa para oferecer um chazinho, fazer uma compressa, dar um conselho sábio. Na verdade, a mulher idosa é um arquétipo da ‘curadora’, também chamada nos mitos de Grande Mãe.
Não tem nada a ver com a idade cronológica, porque esse é um arquétipo comum a todas as mulheres que sentem o chamado para a criatividade, que se interessam por novos conhecimentos e estão sempre a procura de mais crescimento interno. Sua sabedoria é saber que somos “obras em andamento’, apesar do cansaço, dos tombos, das perdas que sofremos… a alma dessas mulheres é mais velha que o tempo, e seu espírito é eternamente jovem.
Talvez seja por isso que, como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma mulher retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.
Por isso entendem as mulheres de plantas que curam, dos ciclos da lua, das estações que vão e vem ao longo da roda do sol pelo céu. Elas tem um pacto com essa fonte sábia e misteriosa que é a natureza. Prova disso é que sempre se encontra mulheres nos bancos das salas de aula, prontas para aprender, para recomeçar, para ampliar sua visão interior. Elas não param de voltar a crescer…
Nunca escrevem tratados sobre o que sabem, mas como sabem coisas! Hoje os cientistas descobrem o que nossas avós já diziam: as plantas têm consciência! Elas são capazes de entender e corresponder ao ambiente à sua volta. Converse com o “dente-de-leão” para ver… comunique-se com as plantas de seu jardim, com seus vasos, com suas ervas e raízes, o segredo é sempre o amor.
Minha mãe dizia que as árvores são passagens para os mundos místicos, e que suas raízes são como antenas que dão acesso aos mundos subterrâneos. Por isso ela mantinha em nossa casa algumas árvores que tinham tratamento especial. Uma delas era chamada de “árvore protetora da família”, e era vista como fonte de cura, de força e energia. Qualquer problema, corríamos para abraçá-la e pedir proteção.
O arquétipo de ‘curadora’ faz parte da essência do feminino, mesmo que seja vivenciado por um homem. Isso está aquém dos rótulos e definições de gênero. Faz parte de conhecimentos ancestrais que foram conservados em nosso inconsciente coletivo.
Perdemos a capacidade de olhar o mundo com encantamento, mas podemos reaprender isso prestando atenção nas lendas e nos mitos que ainda falam de realidades invisíveis que nos rodeiam. Um exemplo? Procure saber mais sobre os seres elementais que povoam os nossos jardins e as fontes de águas… fadas, gnomos, elfos, sílfides, ondinas, salamandras…
As “curadoras” afirmam que podemos atrair seres encantados para nossos jardins! Como? Plantando flores e plantas que atraiam abelhas e borboletas, gaiolas abertas para passarinhos e bebedouros para beija-flores.
Algumas plantas convidam lindas borboletas para seu jardim, como milefólio, lavanda, hortelã silvestre, alecrim, tomilho, verbena, petúnia e outras. Deixe em seu jardim uma área levemente selvagem, sem grama, os seres elementais gostam disso. Convide fadas e elfos para viverem lá.
Mani  Alvarez

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Lua de Sangue



"Lua de Sangue" - Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019
- Aproveitar a Lua para deixar para trás tudo aquilo que tem nos feito mal, doenças e energias ruins, e meditar para absorver os poderes da Lua de sangue para que possamos enfrentar os obstáculos com sua força e luz.
- Aproveite para fazer magias de crescimento, purificação.
- Tome um banho de banimento e purificação, limpe sua casa e altar com uma vassoura mágica, faça uma roda de velas vermelhas, escreva num papel tudo o que você quer banir de sua vida, queime os papéis no fogo das velas e deixe-as queimar até o fim.
- Medite sob a luz da Lua e repita as rimas para absorver seu poder:
"LUA DE SANGUE, ANCIÃ DE CORAGEM
FAÇA DE MIM A SUA IMAGEM.
QUE O MAL OCULTO EU POSSA VER,
E ENFRENTA-LO VOU COM SEU PODER."

- Deixe uma oferenda, um banquete, um símbolo, algo que você mesma fez, em troca desse poder. Dedique esses dias anteriores para preparar suas energias. Não esqueça de agradecer.

Ritual para Lua de Sangue



Entrada de Lua cheia 21 janeiro 2019 às 03:17:10
Lua de Sangue - 21 de janeiro 2019

Ritual para Lua de Sangue

O Rito básico para a lua de Sangue consiste em um processo de meditação e reflexão e posteriormente o ato ritualístico para a determinada finalidade que o praticante desejar.
Lembrando que a lua de Sangue é propícia para quase todo tipo de finalidade como:
- Cura
- Fertilidade
- Banimento
- Amor
- Enfim há muitas formas de aproveitar este acontecimento

O Rito Básico
- Caldeirão
- Frutas da estação
- Pão
- Carne (de preferência vermelha, mas se você for adepto do veganismo ou vegetarianismo não há necessidade, mas procure uma representação similar) – este é um ingrediente de simbolismo, portanto não há necessidade de muita quantidade, sem exageros ok?.
- Incensos amadeirados e cipestres
- Cristal ou pedra de sua preferência
- Velas (brancas, laranjas e vermelhas)
- Ervas de banimento
- Sal Grosso
- Vinho ou água para aqueles que não podem beber bebidas alcoólicas.

Abra o circulo como de costume, coloque o caldeirão no centro, e acenda as velas e incensos, medite sobre tudo o que já aconteceu até o momento, os ciclos de vida e morte, reflita sobre qual o ciclo que sua vida esta no momento, enfim, é um momento de aproveitar toda essa energia para a mudança que você tanto procura. Peça a presença dos deuses, peça iluminação e reflita sobre tudo o que há em sua vida, e perceba o que não mais serve para você e na sua vida, então é hora de queimar, banir e se despedir… dar lugar ao novo.
Escreva em um papel os seus tormentos, e angustias, e jogue no caldeirão para queimar com as ervas de banimento e sal grosso.
Consagre os alimentos, a bebida e a carne (se houver)
Neste momento você pode ligar pequenos feitiços mais específicos a você como os que mencionei (CURA, BANIMENTO, AMOR, FERTILIDADE, DINHEIRO, enfim há várias opções, inclusive a confecção de amuletos, e até o Sal negro que é utilizado para banimento)
Após o ritual escolhido, agradeça a Deusa e beba um pouco do vinho (este lhe fortalecerá a alma), coma um pouco dos alimentos ali que lhe fortalecerão o corpo.
Aproveite o tempo em que as velas queimam para realizar exercícios de meditação e concentração.
Deixe a pequena ceita até que as velas e os incensos se apaguem. Feche o circulo, enterre o restante dos alimentos, descarte as cinzas e restos de velas no seu jardim ou outro local (nunca no mesmo local que enterrou os alimentos).