sábado, 9 de dezembro de 2017

A Roda do Ano nos Hemisférios Norte e Sul


A Roda do ano representa o ciclo da natureza, do começo até o fim para então recomeçar tudo novamente. É o ciclo natural de todas as coisas no planeta: natureza (fauna e flora) e homens.

A Roda do Ano é um calendário místico espiritual que tem origem nos antigos povos pagãos (o termo “pagão” diz respeito à religiosidade do homem do campo). É utilizada para comemorações sociais até hoje, independente da religião professada, na maioria das vezes de forma equivocada. A grande maioria das pessoas nem sabe a real origem da Páscoa ou do Natal, por exemplo. Antes de qualquer religião existir no planeta Terra, a natureza já existia em seu ciclo perfeito. Pensar que A Roda do Ano vem de alguma religião, é um equívoco, pois ela representa apenas uma lei natural.

Todos os povos antigos, celtas, egípcios, gregos, africanos e indígenas de qualquer lugar do planeta, entre tantos outros, sempre comemoravam a Roda do Ano. Atualmente muitos povos e pessoas ainda comemoram da forma certa. Entre certo ou errado, você que vive no meio social, quer queira ou não, goste ou não, está inserido na natureza e seus ciclos, bem como participa das comemorações sociais à eles relacionados. O problema é que a verdade se fragmenta de acordo com a moda ou o marketing, perdendo assim o seu valor e a tradição. Agora vamos para as explicações sobre a Roda do ano.

Onde é o hemisfério do planeta no qual você se encontra? Se estamos abaixo da linha do Equador (divisão imaginária do planeta, é a parte de baixo) você vive a roda dos ciclos da natureza relativa ao Sul (outono, inverno, primavera, verão). Se está acima da linha do Equador, você vive conforme os ciclos do norte (quanto é verão no hemisfério Norte, é inverno no hemisfério Sul). Devemos seguir a natureza, pois esses festivais são ritos da natureza, ou seja, da Terra.

Podemos viver no sul e “rodar” pelo norte nas comemorações (comemorar como se estivéssemos no norte)? Sim podemos, se desejarmos apenas a energia social que fica mais forte, a egrégora, como exemplo é o caso do Natal. O Natal é uma comemoração típica de Solstício de Inverno. O nosso natal é comemorado no início do verão. Então por que nosso Papai Noel não vem de sunga, debaixo do sol tropical? 
No Brasil seria ideal então um Papai Noel sem renas, trenó e bonecos de neve. Já parou para pensar que não tem nexo a árvore de natal de pinheiro com neve no verão? Pois é, comemoram errado, a comemoração religiosa correta do Natal deve ocorrer na entrada do inverno. Devemos seguir o curso correspondente da natureza que nos cerca. Observemos, por exemplo, quando o milho cresce, quando a colheita chega, quando as flores desabrocham, quando o sol esquenta ou quando chega o frio e as folhas caem secas.
Por que então as comemorações do Hemisfério Sul seguem a Roda da Natureza do Norte? Percebendo e sabendo da evidência de que a Roda do Norte é oposta à Roda do Sul, porque muitos estando no Hemisfério Sul insistem em seguir a Roda da Natureza relativa ao Hemisfério Norte?
Possivelmente temos duas grandes e simples explicações para esta questão: primeiro porque as pessoas não se perguntam acerca da origem de muitos fatos e, segundo, por o marketing norte americano e europeu (EUA e Europa estão no Hemisfério Norte) é fortíssimo. O resultado é que as antigas tradições são esfaceladas em benefício do comércio e a Festa da Colheita acaba sendo comemorada na época do plantio.
Quem está certo? Olhemos a natureza, observemos os pássaros e os animais e saberemos o que é certo em termos de Ciclos da Natureza. É uma questão de opção do que se prefere seguir, o que existe é a energia das pessoas (social) ou a energia da natureza (fauna e flora). Você escolhe a energia que quer sintonizar. O ideal é que sigamos o Ciclo da Natureza conforme o local onde estamos, em benefício do que se objetiva. Sempre digo às pessoas que me perguntam: O que eu faço então? Respondo: “Observe o milho, observe as estações!”.

Na tradição antiga o Ciclo da Natureza também é chamado como “Roda do Ano”, que por sua vez é composta pelo que chamamos de os oito Sabás (festivais) do ano.  Temos que levar em conta a posição da Terra com relação ao Sol. O Sol é o nosso Astro-Rei, o amante, pai e filho, a figura central de toda essa roda que nos alimenta, nos sustenta e nos traz a vida na Terra através das estações perfeitas dos Equinócios e Solstícios.
O termo “Sabá” significa simplesmente “dia de descanso” ou, principalmente, “dia de adoração” (espiritual). Vem do hebraico e foi usado primeiramente no Gênese, mais especificamente no sétimo “dia”. “Guardar” ou respeitar o Sabá é um dos Dez Mandamentos católicos. Nos rituais da Roda do Ano são homenageadas duas divindades principais: a Grande Deusa que simboliza a própria terra, e o Deus Cornífero, protetor dos animais, dos rebanhos e da vida. Esotericamente, há milênios, a humanidade comemora os equinócios e solstícios, o início das estações da natureza. É uma oportunidade de sintonia com as verdades cósmicas dos ciclos de vida em nosso planeta.

 Solstício: Significa o início do Verão ou do Inverno. É a época do ano em que o Sol incide com maior intensidade em um dos dois hemisférios. Isso ocasiona a diferença tanto de temperatura quanto de duração do dia e da noite.
Equinócio: Momento em que o Sol, em seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e a noite tenham igual duração (Primavera ou Verão).

A Roda do Ano e as Festas Católicas

O catolicismo por séculos esteve intimamente ligado com as conquistas militares, reinados e política expansionista. Ele adotou o nome de doutrinação ou catequização para justificar sua estratégia de conquista e domínio.
Uma das formas de doutrinação era justamente se apoderar de templos e celebrações dos povos e culturas conquistadas. Isso porque ir contra tradições seculares, arraigadas nas culturas, era algo impossível de obter sucesso. Simplesmente mantinham muito das tradições originais mudando apenas nomes e divindades. Assim, o povo continuava com suas tradicionais comemorações, porém cultuando o que o catolicismo indicava.
O exemplo mais flagrante e evidente é o caso do Natal. No paganismo o Natal (Solstício de Inverno) no Hemisfério Norte é época de se comemorar o Nascimento do Menino Deus. A Igreja Católica então, que não sabe até hoje quando de fato Jesus nasceu, resolveu divulgar que o Cristo havia nascido na mesma época. Pronto, trocou-se então o culto pagão do nascimento do Deus Menino, filho da Deusa Natureza e do Deus Fecundador, pelo nascimento de Jesus. Assim procederam com as outras datas religiosas antigas.

Samhain: 31 de Outubro (Hemisfério Norte) e 1° de Maio (Hemisfério Sul).

Este Festival marca o Ano Novo ou o início de uma nova Roda do Ano. Samhain é o festival dos mortos, hoje rotulado como Halloween ou Dia das Bruxas. Também é Dia dos Mortos cristão que na verdade é uma celebração de origem indígena (pagã), atualmente o catolicismo tem esse festival como o “finados”. De uma forma ou de outra os antigos comemoravam, visitavam os túmulos, alguns deixavam comidas e outros levavam flores. É uma época de meditação e reflexão sobre os ciclos da natureza, da vida e da morte. Época de conexão com os ancestrais que semearam a Terra no passado, como nós fazemos agora.

Todos os povos, seja no oriente ou no ocidente, no Hemisfério Norte ou Sul, no passado ou no presente possuem um dia para comemorar os mortos. Seja com festas, rituais, fantasias, flores e comidas nos túmulos, leituras de oráculos, missas ou mesmo um domingo de reclusão. O Dia dos Mortos é sagrado para todos os povos, comemorado ou não todos acabam entrando nessa egrégora. É momento de respeito por aqueles que semearam o passado e construíram o que está presente em nossa Terra.
Muito diferente de se celebrar os mortos como verdadeiros zumbis que apavoram, este é o momento de se celebrar as origens, a sabedoria antiga, nossas raízes. Também é momento para se refletir sobre o Ciclo da Vida de nascimento, crescimento, apogeu, fenecimento e morte. Aqui a morte é uma etapa intermediária entre uma vida e outra, assim como uma fruta apodrece e morre para servir de adubo para que sua semente brote e cresça viçosa.
Para as bruxas o Sanhaim é o dia em que o véu que separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos fica mais tênue.

Yule: 21 de Dezembro (Hemisfério Norte) e 21 de Junho (Hemisfério Sul).

Yule é a época do Solstício de Inverno que marca a noite mais longa do ano. O festival de Yule celebra o renascimento do deus Sol. Yule é denominado o Natal pagão, já que se comemora o renascimento de Deus Solar e a chegada do inverno. Em Yule celebra-se o amor, a união da família e as realizações do ano que passou. É tempo de reencontrarmos nossas esperanças, obter o coração rejuvenescido, se libertar das coisas antigas e desgastadas, renascer com a criança interior trazendo a pureza e a alegria.
O Natal cristão tem suas origens nessa antiga celebração pagã de Yule, o qual sempre é comemorado no início do inverno. Os costumes como a decoração da árvore de Natal, pendurar uma guirlanda na porta e mesmo o Papai Noel são adaptações de símbolos pagãos do inverno. O Pinheiro, o azevinho e outras árvores utilizadas no Natal são árvores de folhas duradouras e sempre verdes simbolizando a continuação da vida. Os sinos são símbolos femininos de fertilidade e anunciam os espíritos que possam estar presentes.
É desta antiga celebração pagã (Yule) que se originou o Natal Católico. A maioria das pessoas do hemisfério sul comemora o natal em dezembro, mas em nossa Roda do Ano o inverno começa em junho e não em dezembro. É incoerente ir contra as estações da natureza e comemorar o Natal com neve e pinheiro em pleno verão. As pessoas vão se adaptando as festividades sem saber a sua origem.
O tender (carne de porco) que é costume se comer na ceia de Natal, é uma oferenda antiga onde sacrificava um javali para obter a prosperidade para a família no novo ano em nome da Deusa e do Deus. 
Se pararmos para pensar nosso Papai Noel invernal deveria vir em junho, na entrada do inverno, juntamente com os pinheiros e o frio, as lareiras e as comidas típicas de tempo frio, quando aqui se comemora o “Dia de São João”.
Interessante se lembrar que na Maçonaria se celebram dois rituais de Banquete Ritualístico, justamente nos dois solstícios, os dias dos São Joães ou deus romano Jano (Janus). O deus Jano tinha duas faces, uma olhando para trás e outra para frente, uma voltada para o passado e outra para o futuro. Os maçons afirmam que as duas colunas conhecidas como “J” e “B” estão relacionadas com os signos zodiacais de Câncer e Capricórnio, justamente o passado e o futuro e daí a relação com os solstícios que ocorrem no início destes signos. No Banquete Ritualístico maçônico se fazem sete libações em homenagem aos sete planetas esotéricos. Tudo isso muito semelhante às tradições mais antigas e que os atuais maçons não se apercebem.

Imbolc: 1º de Fevereiro (Hemisfério Norte) e 31º de julho (Hemisfério Sul).

Imbolc, também chamado Oilmec e Candlemas ("Candelária ou festival das Luzes"). Celebra o despertar da terra e o crescente poder do Sol. A Deusa é venerada em seu aspecto de Virgem da Luz.
Imbolc é o festival das luzes do fogo. Um Sabá de purificação e de boas-vindas às primeiras manifestações da primavera. Época na qual celebramos as bênçãos da Deusa, a família e o retorno do Sol que volta a crescer, mas que ainda não ganhou força suficiente para banir de vez o frio do inverno.
A Deusa é representada por três mulheres, a poetisa (arte), a médica (cura), e a ferreira (magia), sendo conhecida como a deusa da Tríplice Chama ou Deusa Luminosa. É benfeitora da cura interna e da energia vital.

O festival de Imbolc tornou-se Candlemas (Candelária) nos tempos modernos com o Dia de Santa Brígida (Nossa Senhora da Luz ou Nossa Senhora da Candelária) e a Festa da Purificação de Maria, sendo celebrados durante este período. A deidade dos Celtas chama-se Brigith (deusa do fogo e da sabedoria) e a deidade dos católicos é a Santa Brígida. A versão cristianizada da procissão de círios (candeias) honra purificação da Virgem Maria e no México ela corresponde ao Ano Novo Asteca.
O Imbolc irlandês deriva do antigo irlandês imbolg "na barriga". Isso se refere à amamentação de ovelhas, pois nesse período as ovelhas, vacas e cabras entravam em seu período de lactação e começavam a produzir leite. Isso era um indício claro da proximidade da Primavera (adolescência ou de reprodução), é a celebração da Grande Mãe que dá seu leite sagrado, alimenta a nova vida. Em Imbolc podemos ver claramente a participação dos animais e sua época de lactação na natureza.

Ostara: 21 de Março (Hemisfério Norte) e 21 de Setembro (Hemisfério Sul).

Em Ostara o Sol aumenta e a terra começa a florescer, é comemorado o Equinócio de Primavera. Na Antiga celta/druida de Ostara também recebia o nome de Festival Luz da Terra. Ostara é ainda conhecida como Eostre ou Oster (Deusa da Aurora) ou Easter (Pascoa, em inglês). A deusa da primavera, da fertilidade, da ressurreição e renascimento tem como símbolo o coelho (um dos animais mais férteis da natureza e o primeiro a sair da toca após o longo inverno). Foi desse antigo festival que teve origem a Páscoa. A palavra "páscoa" significa "passagem". Uma das principais tradições desse festival é a decoração de ovos. O ovo representa a fecundidade e renovação da Deusa e do Deus, bom como a vida em essência e origem.
A Primavera ocorre cerca de 21 de Setembro no hemisfério Sul (com a entrada do Sol no signo de Libra) e 21 de Março no hemisfério Norte. O início da primavera marca a volta do Sol, época do ano em que dia e noite têm a mesma duração depois do inverno. A primavera é o despertar da Terra com sentimentos de equilíbrio e renovação. As flores e borboletas se desabrocham e toda a magia da natureza se mostra ao homem. O Festival da Primavera é um período para atrair prosperidade e encher a vida de energia renovadora, marcando o início do plantio, tanto físico como espiritual.
Na agricultura, sinaliza o tempo em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento. Repare nos pássaros, é a hora deles semearem, cumprirem com sua função para com a natureza. Ostara é tido como um momento de aproximação e amor entre a Deusa (Lua) e o Deus (Sol), pois é um período de igualdade e equilíbrio entre as forças da natureza. Momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade entre homem e mulher.

O ovo simboliza a fertilidade, é o símbolo de toda criação. O coelho também é um símbolo importante com a Deusa Eostre, na qual um coelho pedia favores à Deusa e em troca botava ovos, decorava-os e presenteava a Deusa com eles. Segundo uma lenda a Deusa ficou tão contente que desejou que toda a humanidade pudesse compartilhar de tamanha beleza e alegria. A história do chocolate teve seu início com as civilizações dos Maias e Astecas, que consideravam o chocolate como algo sagrado, tal qual o ouro. Os astecas usavam-no como moeda.
A Páscoa católica celebra a ressurreição de Jesus, seu “nascimento” para uma nova vida (espiritual).

Beltane: 1 de Maio (Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (Hemisfério Sul).

Beltane ocorre no pico da Primavera, onde os poderes da luz e da nova vida se move através de toda a criação, simbolizando o Sagrado Casamento entre Deusa e Deus.
A veneração de fogo associado com Beltane é origina-se dos ritos de adoração Celtas ao Deus solar Belenus. A palavra Beltane vem do nome do Deus céltico “Bel”, que era o senhor da vida, da morte e do mundo dos espíritos. “Tinne” é uma palavra céltica que significa “fogo”. Assim, Beltane quer dizer “Fogo de Bel”. É o simbolismo da união entre os princípios masculino e feminino da criação, a união dos meios de todos os poderes que trazem vida a todas as coisas. Em Beltane comemoramos a fertilidade, o amor que dá forças a tudo e o “retorno do Sol” com toda a sua magnitude. Nesse momento as flores estão no auge para semear, os animais se acasalam e toda a natureza (que está na primavera) se casa para imortalizar sua espécie. Isso garantirá a manutenção da Roda da Vida da Natureza, a vida infinita.
Na Religião Antiga, a palavra "fertilidade" significa o desejo de produzir mais nas fazendas e nos campos. Em Beltane tudo está florido marcando a união sagrada da Deusa e o Deus, sendo nossos corpos os espelhos do plano divino.
Esse Sabá consiste de banquetes, antigos jogos pagãos, leitura de poesias e canções sagradas. São realizadas várias oferendas aos espíritos elementais, e os participantes dançam alegremente em torno do Mastro Chamado de Maypole (símbolo fálico da fertilidade), possivelmente origem da palavra e prática do sensual “pole dance”. Trata-se de um mastro enfeitado com fitas coloridas. Durante o Ritual cada membro escolhe uma fita de sua cor preferida ou ligada a um desejo. Todos devem girar trançando as fitas, como se estivessem tecendo seu próprio destino. Esta “trança” de fitas muito nos lembra a ilustração do DNA que também guarda uma íntima relação com o aspecto sexual e de garantia da progênie.
Já no catolicismo comemora-se o Mastro de São João (ninguém comenta sobre o símbolo fálico que seria de um Santo, assim poucos sabem a realidade do significado, pois seria um pecado ou heresia, segundo a Igreja). Interessante se lembrar que o “casamento na roça” é uma tradição muito forte das festas juninas que perdura até os dias atuais, à semelhança do casamento entre Deusa e Deus pagãos.
Em Lisboa, é tradicional uma cerimônia de casamento múltiplo do dia de Santo Antônio, em que chegam a casar-se de 200 a 300 casais ao mesmo tempo. Os santos juninos são Santo Antônio e São João, nessa época é comum fazer fogueiras, simpatias (magia) e adivinhações (oráculos). São os santos do casamento e da união.
Inicia-se Beltane acendendo, segundo a tradição, as fogueiras de Beltane ao nascer da lua para iluminar o caminho para o Verão. Em Beltane é costume pular a fogueira para se livrar de todas as doenças e energias negativas. Nos tempos antigos, costumava-se passar o gado e os animais domésticos entre as fogueiras com a mesma finalidade. Daí veio o costume de "pular a fogueira" nas festas juninas.
As mulheres usam coroas de flores e todos dançam ao redor das fogueiras. Os celtas celebravam Beltane em maio por causa do ciclo anual do hemisfério norte, era em maio que a “Rainha se casava”, tendo o nome de Rainha de Maio, tornou-se costume casar-se em Maio. Hoje a moda e as igrejas acham “chic” casar em Maio. Em Beltane se comemora o amor que deu origem a todas as coisas do Universo. Na roda do sul poderíamos casar em outubro, já que é a época do casamento da natureza; das flores e dos animais.
Na mitologia romana, Maia Maiestas (que empresta seu nome ao mês) é a deusa da fecundidade e da projeção da energia vital, e da primavera. Maiestas personifica o despertar da natureza na primavera e o renascimento; veio tornar-se a mentora de seu filho Mercúrio. Identificada como Fauna e “Bona Dea”, a boa deusa.

Litha: 21 de Junho (Hemisfério Norte) e 21 de Dezembro (Hemisfério Sul).

O Solstício de verão ou Litha é o dia mais longo do ano, é o início do verão. Por causa das propagandas e costumes muitos no Hemisfério Sul acham que é Natal, pois de fato no Hemisfério Norte é Natal (inverno). O que confunde aqueles que não compreendem ou não têm o conhecimento da origem dos festivais. Este festival é conhecido como a Luz do Verão (tradução do gaélico), é o êxtase máximo da união sagrada dos deuses na natureza, onde o poder da criação está mais ativo e o Sol finalmente alcançou o seu ápice.
O nome Litha é relativamente moderno e provavelmente é derivado da palavra saxã que significa "o oposto de Yule” (natal ou solstício de inverno). Litha marca o primeiro dia do verão sendo um dos oito sabás do paganismo. O termo pode ser usado especialmente no calendário das religiões Wicca e Asatrú.
Litha é um a celebração do fogo, momento em que o poder do Sol chega ao seu ápice e as flores, as folhagens e os gramados se encontram em abundância na Natureza. É o dia mais longo do ano, no qual o poder da luz se encontra acima da escuridão, garantindo poder e proteção. Nesse período celebramos a abundância, a luz, a alegria, o calor e o brilho da vida proporcionada pelo Sol. Nesse instante o Sol transforma as forças da destruição com a luz do amor e da verdade. Para os celtas, Litha é um período mágico onde o véu que separa o nosso mundo do mundo das fadas está mais fino.
O Litha é um Sabá do apogeu do poder do sol, o solstício de verão. É quando o Deus solar está em seu poder máximo, esse período é quando as plantas tem maior carga de poder, pois estão bem energizadas pelo astro rei, é um festival também propício para casamentos. Antigamente, os casamentos eram celebrados em junho para garantir-se a fertilidade, sendo esta uma data muito propícia, “embora diferente de Beltane”, que era reservada aos ritos de fertilidade e ao Casamento Sagrado das divindades.
O Solstício de Verão é o período de materialização de todas as nossas esperanças, onde projetos, sonhos e desejos lançados na época do plantio, começam a dar seus frutos, conforme o despertar da consciência, tornando-se realidade. O Deus em seu aspecto de luz está no auge de seu poder e é coroado como o Senhor da Luz. É uma época de fartura e celebração. O Solstício de Verão é o período de materialização de todas as nossas esperanças, onde projetos, sonhos e desejos lançados na época do plantio, começam a dar seus frutos, conforme o despertar da consciência, tornando-se realidade.
Quando falamos plantio queremos dizer daquilo que você “planta” seja o trabalho, no campo ou em um escritório. Todos nós plantamos e colhemos. Quando falamos de colheita pode-se dizer, não apenas, a colheita direto do solo como o agricultor que planta o milho, mas a colheita é aquilo que conseguimos no seu ciclo anual, o dinheiro arrecadado, a comida na mesa e todas as coisas que podemos desfrutar do nosso trabalho, o nosso ciclo anual, a Roda do Ano.

Lammas: 1º de Agosto (Hemisfério Norte) e 2 de Fevereiro (Hemisfério Sul).

Lammas, também chamado Lughnasadh (pronuncia-se Lunasá que representa Lugh o Deus do Sol para os celtas). É o Festival da Primeira Colheita, é o tempo da colheita do trigo, quando colhemos o que plantamos, quando celebramos os frutos do mistério da Natureza.
É a festa da primeira colheita que ocorre entre o Solstício de Verão (Litha) e o Equinócio de Outono (Mabon), uma época de agradecimento aos Deuses por tudo o que colhemos. Sendo gratos pela generosidade da Deusa em seu aspecto de Rainha da Terra.
O nome Lughnasadh veio de uma festa agrícola típica dos Celtas. Uma festa da colheita em honra ao deus do Sol, Lugh (o maior guerreiro dentre os celtas, pois derrotou os gigantes que exigiam sacrifícios humanos).

O nome Lammas significa "Missão do Pão (loaf Mass)", que representa o alimento (geralmente pão ou bolo e qualquer outra massa) feito com os grãos, farinha ou milho, que representam a colheita.  Este nome vem do costume medieval de levar os primeiros pães e bolos para uma celebração. A colheita farta levava os camponeses a fazerem seus pães e bolos, assim eles trocavam seus alimentos e todos podiam comemorar felizes pelo alimento que a Mãe Terra fecundou através de seus esforços na época do plantio. A colheita que celebramos é a colheita das vivências, sejam elas boas ou ruins, celebramos a fartura, não só a da mesa, mas também a fartura em nossas vidas em vários aspectos. É a celebração do “Pão Nosso” de cada dia.

Mabon: 21 de Setembro (Hemisfério Norte) e 21 de Março (Hemisfério Sul).

Em Mabon o equinócio de outono dia e noite tornam-se iguais. O Equinócio de Outono é o Festival da Segunda Colheita. O nome Mabon vem de um deus Celta (também conhecido como Angus), o Deus do Amor.
A Cornucópia é um símbolo representativo de fertilidade, riqueza e abundância nesse festival. Na mitologia greco-romana era representada por um vaso em forma de chifre, com uma abundância de legumes, moedas, frutas e flores se espalhando dele. Hoje, simboliza a agricultura e o comércio, além de compor o símbolo das ciências econômicas.
A cornucópia é o símbolo mais utilizado para representar o equinócio de outono, onde é cheio de frutas, grãos, moedas, folhas, castanhas e diversos outros símbolos de forma que eles sejam derramados sobre o altar. É tradição reunir os amigos para um jantar, a fim de celebrar a fartura e comemorar as conquistas do ano.

O significado da cornucópia provém da cabra Amalteia que na mitologia greco-romana amamentou Zeus enquanto criança. Significa a natureza nos dando a abundância na colheita, a eterna fartura da Terra. Do latim “cornu copiae” ou "corno da abundância", de “cornu” ou "chifre" e “copiae” ou "abundância, muitos recursos, posses". O próprio chifre é um símbolo fálico, representante do sagrado masculino. E, como a cornucópia remete a um chifre, é uma das representações mais utilizadas do Deus Cornífero nas religiões pagãs e neopagãs. O seu interior simboliza o útero da Deusa, quando cheio de alimentos simboliza a generosidade da terra fértil, representando o sagrado feminino.
Na noite de Mabon devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. Deve-se agradecer o que se conseguiu conquistar na vida até o momento e também a manutenção da saúde e da própria existência que é uma dádiva divina. É a ocasião ideal para pedirmos por todos que estão doentes ou velhos.
As noites já começaram a ficar mais longas, desde o Solstício de Verão, é a época do renascimento para manter o eterno ciclo do nascer-morrer-renascer. Repare na Terra, é de fato o momento da segunda colheita.

Após o Mabon fecha-se o Ciclo, a Roda do Ano girou e voltamos a Samhain, o ano novo.

Todos os povos antigos e os povos atuais comemoram essa Roda do Ano, seja no Sul ou no Norte, tendo esse conhecimento ou não. Posso morar no Sul e seguir a Roda do Norte? Pode sim, mas saiba que você poderá ir através da egrégora e não da natureza ou das quatros estações, estará seguindo o contrário da realidade que te cerca. Mas, isso vai de cada um, a preferência de seguir a energia humana (social, egrégora) e seus pensamentos ou a natureza e seu ciclo.
Todos os povos comemoram o casamento, as colheitas, o Natal, a Páscoa, o dia dos mortos e as estações. Essa é a Roda do Ano, uma Lei de nossa Terra, uma lei não apenas humana. Ela é algo indispensável a todos os seres viventes que nascem da Terra e voltam para ela no fim de suas vidas (sejam humanos, animais, vegetais ou mesmo minerais). Somos parte da Natureza e seguir seu curso nos faz sermos dignos do merecimento de viver em uma Terra maravilhosa. Celebrar a Roda do Ano nos dá a honra de estarmos vivos para construir e evoluir dentro daquilo que nossos antepassados deixaram; nos faz humanos em sintonia com a grande Deusa, a Terra. E, sintonia significa harmonia, paz e saúde.

Por Letícia de Castro

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ritual de Yule - Solstício de Inverno


Hemisfério norte: 21 ou 22 de Dezembro - Hemisfério sul: 21 de Junho

Nesta tradição celebra-se o ritual (Sabá) de Yule para comemorar a entrada do inverno e marcar a noite mais longa do ano. Com Yule invocamos o poder da natureza para que traga de novo a Luz para iluminar a escuridão da Terra (inverno).

A escuridão é necessária para perceber a Luz e dar continuidade assim ao ciclo vida-morte-renascimento. É o caso das sementes que são semeadas para morrerem dentro da terra e renascerem na primavera para oferecer toda a sua força no verão.

Este é um dos Sabás mais antigos já que todas as culturas reconheciam a existência de um Deus do qual vem a Luz e que sempre foi chamado de Sol-Deus em torno do qual gira o ciclo da vida.

No hemisfério norte o inverno é representado pelo azevinho (planta tradicional no Natal) e no hemisfério sul usamos troncos e galhos secos e já caídos das árvores. Desta tradição deriva a árvore de Natal, pinheirinho, enfeitado com luzes que antigamente eram velas.

RITUAL DE YULE - Solstício de Inverno

Material

- uma toalha para o altar ou mesa nestas cores: dourado, vermelho, verde e branco (pode usar uma daquelas de Natal)
- A bebida deste ritual é o vinho, branco ou tinto; quente ou frio.
- uma taça
- incenso de alecrim ou cedro
- um tronco pequeno de árvore ou um galho grosso que possa simbolizar um pinheiro
- flores de sempre viva
- pedra de olho de gato ou granada (optativo)
- caldeirão (se não tiver compre um e deixe-o para seus feitiços. Pode ser uma panela nova)
- folhas de louro
- 1 bolo de frutas secas e pães variados
- frutas: maça, frutas secas, uva
- lápis e papel para escrever seus pedidos
- um sininho (se não tiver use uma pulseira com guizos para fazer barulho)
- velas: 1 vermelha, 1 preta, 1 branca
- várias velas vermelhas (dependendo do tamanho do local em que fará o ritual)

PROCEDIMENTO

Antes de começar tenha tudo a mão

Comece espalhando as velas vermelhas pelo local, primeiro uma em cada canto e depois distribua em forma circular. Acenda-as.

- Acenda três varetas de incenso.

- monte o pinheiro com o tronco o galho. (pode usar uma base, argila, use sua criatividade)

- Coloque no centro o caldeirão com as folhas de louro dentro dele e uma vela vermelha no centro. Forme um triângulo com as velas vermelha, preta e branca sendo que a vermelha deve ficar a sua direita, a preta à esquerda e a branca na ponta do triângulo (este deve ser o ponto mais afastado) e o caldeirão dentro dele.

- Arrume o bolo, as frutas, a pedra e as flores ao redor dele.

- Toque três vezes o sininho ( ou sacoda as pulseiras)  e chame pela Luz: "Que o som cósmico desperte as energias do Sol e da Luz. Que Eles voltem para iluminar e aquecer os homens. Que a Luz renasça!"  Repita 3 vezes e acenda as velas do triângulo.

- Segure em suas mãos os papéis com os pedidos e faça sete voltas (sentido horário) ao redor do caldeirão (não esqueça que deve estar dentro do circulo vermelho) repetindo sem parar: "O Amor renasce e a Luz ilumina"

Faça isto bem concentrada e serena. Ao terminar sopre três vezes sobre seus pedidos e repita três vezes: "Força dos elementos da natureza, Sol que brilha nas águas, aquece a terra e ilumina as noites. A Roda da Vida continua a girar e traz os meus pedidos realizados neste ano. Que eles se multipliquem como os frutos das árvores. Que assim seja! (3x) e Assim é!"

- Arrume os papéis na árvore.

- Pegue a taça com o vinho e saúde os Deuses e Deusas, seguidamente repita 3 vezes "Para Ti Deus Luz, Senhor do Renascer e da Aurora" tome três goles de vinho e derrame o restante na raiz da árvore.

- Saia do circulo mágico agradecendo por tudo ter transcorrido em paz. Deixe as velas queimarem até o fim e os papéis na árvore até o dia seguinte, depois recolha, queime e sopre as cinzas ao vento. (obs.: não tem problema se estiver chovendo ou nevando). Recolha a pedra e deixe-a todo o ano no altar; corte o bolo, convide com um pedacinho alguém que você ama e coma o restante. Recolha as folhas de louro, coloque-as num saquinho e deixe-as na porta de entrada da sua casa. Deixe as flores secas dentro do caldeirão podendo tirá-las toda vez que for usa-lo para outros encantamentos.

Fonte -  aWicca

Yule: As origens pagãs da Celebração do Natal


Esse é o momento em que a Deusa dá a luz ao “Deus Sol”, a criança da promessa do retorno do verão. A partir desse dia, o brilho do Sol se intensificará cada vez mais. As famílias se reúnem ao redor de mesas fartas, celebrando o nascimento do Sol e o retorno da fertilidade do solo.  Dá início ao período em que se aguarda o derretimento do gelo e a retomada da vida produtiva. No Hemisfério Norte, o Yule é festejado entre 21 e 23 de dezembro, no Hemisfério Sul, entre 20 e 23 de junho. A festa celebra o Solstício de Inverno, que marca o dia que possui menos horas de luz.

“As bruxas modernas celebram o Natal com grande desejo; somente elas o reconhecem com o Yule, um dos grandes festivais da Natureza dos Antigos. Elas deploram o materialismo em busca de dinheiro que faz com que todos os sentimentos de felicidade da data sejam transformados em meros assuntos comerciais. (...) O Festival de Inverno que hoje conhecemos como Natal era uma festa tradicionalmente alegre. Com o renascimento do Sol, o provedor de calor, de luz e de vida, as pessoas tinham algo real que as podiam causar alegria, e todos os tipos de costumes antigos cheios de alegria, enraizados em um passado distante pagão prosperavam.” (Doreen Valiente, em “A Enciclopédia da Bruxaria”)

Ramos de azevinho, heras, pinheiros, árvores iluminadas, cervejas, vinhos, especiarias, frutas secas e sementes, carnes assadas, canções e presentes fazem parte de nosso inconsciente e trazem para o hoje as celebrações dos antepassados. Talvez essa seja a data que mais se mantém fiel aos ritos pagãos, quando mesmo no Hemisfério Sul, decoramos casas e comércios com temas invernais, relembrando toda a festiva alegria que envolvia o retorno do Sol e do calor após os rigorosos e longos invernos, que nas eras antigas nos privavam do conforto, da fartura e dos motivos de celebração que a terra nos traz. Yule é época de diversão, pois, por mais que o frio e a neve ainda estejam presentes, eles serão cada dia mais fracos e vencidos pelo otimismo do calor e da luz.

O hábito de celebrar o Natal à meia noite tem origem no costume pagão de celebrar o Yule um pouco antes da aurora, para que após pudessem acompanhar o nascer do Sol, homenageando os esforços do seu renascimento após o período de repouso invernal. A alegria e a celebração são grandes, após o período de privação que o Inverno traz.

Em Yule a escuridão reina como se estivéssemos no caldeirão da Deusa. Assim, O Rei das Sombras transforma-se na Criança da Promessa, o Filho do Sol, que deverá nascer para restaurar a natureza.” (Claudiney Prieto, em “Wicca para todos”)

O Cristianismo aderiu aos seus ritos a forte cultura de Celebração do Deus Sol, tentando dessa forma abafar o paganismo e atrair mais adeptos. Assim, transformou a celebração de Yule no nascimento do Menino Jesus, transformando-o na criança da promessa. Embora estudos apontem que Jesus tenha nascido durante a Primavera do Hemisfério Norte (provavelmente em Março), a data da comemoração de seu natalício foi modificada para coincidir com a celebração pagã. Praticamente todos os símbolos pagãos dessa celebração se mantiveram, mesmo não tendo nenhuma relação com o cenário que teria marcado o nascimento de Cristo. Os pinheiros iluminados, com suas folhas fortes e sempre verdes, a guirlanda que representa o visco que se pendurava na  porta, a representação da neve, a fartura de alimentos e as trocas de presentes comprovam até hoje a origem pagã desta celebração.

Papai Noel e o Yule

A figura do Papai Noel também possui origem pagã, porém, são vários os mitos que a cercam, fazendo com que existam várias teorias para sua relação com as festividades de Yule. 
O mito nórdico relaciona Papai Noel à Odin, que em comemoração ao Yule reunia Deuses e guerreiros que haviam morrido em combate e realizava uma grande caçada. As crianças  deixavam suas botas perto das chaminés, e as enchiam com cenouras, açúcar e palha, que eram recolhidas por Sleipnir, o cavalo de oito patas de Odin, como suprimento durante a Grande Caçada. Em retribuição, o Deus deixava nas botas doces e presentes. Ainda hoje, muitas culturas mantém o costume de deixar meias ou botas próximo às chaminés para que amanheçam repletas de doces e presentes. Esse costume também é associado aos três reis magos, que teriam presenteado o menino Jesus em seu nascimento.
O Bispo de Myra é quem representa a origem do Papai Noel através do mito conhecido na Turquia. O bisco, chamado Nicolau Taumaturgo, ajudava financeiramente os pobres e necessitados, colocando em suas chaminés bolsas com moedas de ouro. Ele teria feito muitos milagres e acabou se tornando um santo. Suas lendas se uniram às lendas pagãs de Yule para dar vida à uma das mais conhecidas lendas de origem do bom velhinho. Esta inclusive é uma lenda bem parecida com o mito dinamarquês de Santa Claus, mas, neste Sinterklaas (forma contraída do nome Sint Nicolaas, ou São Nicolau), viria de barco da Espanha, acompanhado de ajudantes negros que presenteavam as crianças boas e puniam as más.
No mito Celta, a figura do Papai Noel teria relação com as lendas dos irmãos gêmeos Rei do Carvalho  e Rei do Azevinho. Eles travavam batalhas e governavam por seis meses cada, sendo que o Rei do Carvalho é o representante da Luz, e o Rei Azevinho representante da Escuridão. O Rei do Carvalho que governa nos meses de luz, tem seu ápice no Solstício de Verão, entrando após em declínio. Já velho e fragilizado, trava uma batalha com seu irmão. O Rei Azevinho vence o conflito, senta em seu trono e passa a governar como um ancião bondoso e sábio, trazendo o Inverno, unindo as pessoas na esperança do renascimento do Sol e no retorno da luz, que acompanhariam seu próprio declínio como Rei da Escuridão. Ele reina nos próximos seis meses, até que o Sol renasça com o então fortalecido Deus da Luz, retomando seu trono como Rei do Carvalho.

O Espírito do Renascimento

A noite mais longa do ano traz em si a promessa do fim da escuridão com o nascimento do Deus Sol. É época de fazer renascer a esperança, rejuvenescer corações, alimentar sonhos e planejar a realização deles. Momento de se libertar de antigas crenças, medos passados, traumas, de iluminar e aquecer todo o Inverno de nossa alma e mente, substituindo a neve do medo e escassez de sentimentos pela fartura e fertilidade do amor e da alegria.

“Que o poder do Sol e do Espírito da Luz sejam despertados!
Que o poder do Sol e do Espírito da Luz voltem.
Que eles voltem do País do Verão.
Que a luz extinguida renasça agora”

Raquel Gallego Cesar

Bruxas modernas. Mulheres de poder, precursoras do feminismo


Herdeiras das tradições matriarcais dos tempos em que a principal divindade era a Grande Mãe Terra, as bruxas medievais reaparecem hoje na pele – e no charme – de mulheres comuns.

“Chegou a nossa bruxinha!” Foi assim que a dona da casa saudou uma amiga convidada para o jantar. A anfitriã respondeu sorrindo quando perguntei por que chamara a outra daquele modo: “Ela estuda uma porção de bruxarias, tarô, astrologia, e sabe ler as linhas da mão”.
A “bruxinha” era jovem, bonita e elegante. Psicóloga de profissão, era casada e mãe de dois filhos. Quando me brindou com um sorriso cheio de encanto, perguntei a meus botões: Então são essas as bruxas de hoje? Se forem, o que fazer com a imagem estereotipada da bruxa tradicional, mulher má, velha e feia, corcunda, verruga na ponta do nariz, a voar nos céus montada em vassoura, ou diante de um caldeirão a cozinhar sapos e asas de morcegos com a intenção de produzir malefícios?
Uma pergunta puxa outras: O que é, afinal, a bruxa? Por que, hoje, chamar de bruxa a mulher que se interessa por ocultismos, adivinhações e magias já não é um insulto e sim, muito mais, um elogio carinhoso? O que mudou, a natureza da bruxa, ou simplesmente a visão que temos dela?
A bruxa, definida como mulher que conhece os segredos das leis mágicas da natureza – tanto a natureza externa, do mundo, quanto a interna, humana – existe provavelmente desde os tempos das cavernas. Seu objetivo fundamental é conquistar um poder de transformação sobre as coisas do mundo, sobre os outros e sobre si mesma. Bruxa, portanto, é mulher de poder.

Curandeiras, parteiras, sacerdotisas

No decorrer dos milênios, tanto nas civilizações do Ocidente quanto nas do Oriente, essas mulheres de poder quase sempre desempenharam livremente o seu papel, respeitadas e admiradas pelas pessoas. Eram curandeiras, parteiras, sábias nos usos medicinais das ervas, folhas, raízes, conhecedoras dos mistérios da natureza, da vida e da morte. Eram também sacerdotisas, profetisas, médiuns que funcionavam como elemento de ligação entre os vivos e os mortos, entre os humanos e os deuses.
Claro, havia também homens que exerciam essas funções. Mas eram minoria. Desde sempre, a natureza sensível da mulher foi considerada mais adequada para perceber os segredos da terra e manipular suas forças. No passado, como no presente, as mulheres são as herdeiras das antigas tradições dos tempos matriarcais, pré-cristãos, quando pontificava uma divindade feminina, a Grande Mãe Terra, mais simplesmente chamada A Deusa. Ela dominou a sociedade durante muito tempo, até o advento, há apenas dois ou três mil anos, do ciclo patriarcal, no qual a divindade máxima é um deus masculino, feito à imagem e semelhança dos homens. Desde então, tudo se inverteu. Os valores defendidos e ensinados passaram a ser aqueles convencionalmente atribuídos ao princípio masculino – a honra, a valentia, a competitividade, o espírito de conquista. Pouco a pouco, foram sendo esmagados os valores atribuídos ao princípio feminino – a receptividade, a adaptabilidade, a cooperação, o respeito à natureza e suas leis.
No decorrer da era patriarcal, as mulheres foram colocadas num plano muito inferior ao dos homens. Identificadas como causa e objeto do pecado pela tradição judaico-cristã, consideradas instrumentos do diabo para a perdição dos homens, as mulheres perderam quase todas as possibilidades de afirmação.

Desprestígio começou na Idade Média

Foi na Europa medieval, dominada pela religião patriarcal cristã, que se cristalizou o desprestígio da condição feminina. Todo o poder se concentrou nas mãos dos homens. Em primeiro lugar vinha o deus masculino; em seguida seus representantes na terra, o papa e o rei, com suas respectivas cortes; depois o senhor feudal; e finalmente o cidadão do sexo masculino. Para as mulheres praticamente nada restava na repartição do poder. Quase escravas dos seus senhores, seus papéis sociais limitavam-se à função de esposa e mãe, ou às profissões que reproduziam na sociedade esses mesmos papéis: enfermeiras, cozinheiras, costureiras, parteiras, domésticas. As que desejavam escapar desse destino podiam entrar para um convento (para se tornar esposas de Cristo), ou mergulhar no difícil caminho da prostituição (esposas de todos os homens).
Mas o desejo de liberdade, quando se instala no coração e na mente de uma mulher, é capaz de remover montanhas. Mesmo naquela situação de asfixia, algumas mulheres se rebelaram contra a camisa-de-força patriarcal e procuraram escapar dela. Entre essas mulheres estavam as bruxas. Herdeiras –conscientes ou inconscientes – da antiga tradição libertária dos tempos matriarcais, as bruxas faziam uso dos conhecimentos mágicos oriundos dessa tradição passada de mãe para filha, com o objetivo de conquistar poder. Muitas tornaram-se realmente mulheres de conhecimento e poder, e sua presença logo se destacou no meio da massa de mulheres reprimidas e esmagadas.

O poder patriarcal identificou nessas mulheres um perigo, uma ameaça, e reagiu. Como poderiam aqueles homens – por um lado, eles próprios prisioneiros dos papéis masculinos estereotipados que eram obrigados a representar e, por outro, pelos dogmas de uma igreja que dominava pelo terror – admitir a existência de mulheres mais livres e poderosas (no sentido mágico) do que eles próprios?
A ordem foi acabar com essas mulheres e, na onda terrível de perseguição, até alguns homens foram condenados à morte pelo mesmo “crime”: a bruxaria. Mas, segundo as estatísticas, as mulheres constituíram cerca de 80% das vítimas.
Oitenta por cento daqueles que a Inquisição mandou para a fogueira eram mulheres. Principal acusação: prática de bruxaria.

60 mil mulheres queimadas vivas

Tribunais da Inquisição eclesiástica surgiram em toda parte nos países europeus e inclusive nas Américas do Norte e do Sul. Calcula-se que cerca de 60 mil mulheres foram queimadas vivas entre os séculos 14 e 18. Um genocídio que, levando-se em conta a exiguidade da população naquela época, pode ser comparado ao massacre dos judeus pelos nazistas.
A acusação formal nesses julgamentos sumários era de heresia ou de pacto com o demônio. Mas, na verdade, bastava que o cidadão, principalmente se fosse mulher, se diferenciasse um pouco dos padrões da moral e do senso comum estabelecidos, para ser jogado no braseiro. Joana D’Arc foi queimada porque queria ser guerreira; Giordano Bruno, por afirmar que a Terra não era o centro do universo. Os anais da Inquisição estão cheios de relatos inverossímeis para a mentalidade de hoje. Existe, a título de exemplo, a história de uma mulher que não conseguia acordar durante a noite quando o marido a chamava. A infeliz foi parar num tribunal, denunciada pelo próprio marido, que a acusou de, durante o sono, abandonar o corpo em espírito para encontrar-se com o demônio. A mulher foi condenada e morreu na fogueira.

Dessa paranoia masculina nasceu a imagem feia e negativa que até hoje conservamos das bruxas. Mas, no bojo dos recentes movimentos de libertação da mulher e de resgate dos valores do feminino, essa imagem passa por um rápido processo de transformação. Ao lado da eclosão de ciências “femininas”, como a ecologia, estreitamente ligadas às leis e necessidades da terra, existe hoje, em todo o mundo, um enorme interesse pelos conhecimentos e valores essenciais da bruxaria. Claro, uma bruxaria moderna, de linguagem e roupagens renovadas, e não mais conectada a feitiços baratos à base de sapos, morcegos, vassouras e caldeirões. Muitas centenas de livros sobre o tema foram lançados nas últimas décadas, e seus autores apontam para o ressurgir de uma espiritualidade baseada na sacralização da natureza – exatamente o tipo de espiritualidade desde sempre praticado pelas bruxas.
Muitas analogias podem ser feitas entre a base essencial da religião das bruxas e a moderna psicologia. Por exemplo, as bruxas consideram reais quaisquer pensamentos ou fantasias, acreditando que eles influenciam concretamente as ações no presente. Assim, um fato realmente ocorrido e uma fantasia inventada pela imaginação têm idêntico valor psicológico. A psicologia tem essa mesma visão.
Na mente reside, para as bruxas, o poder de produzir mudanças, o poder de transformação. E cada mudança, acreditam, começa pelo encorajamento de uma atitude psicológica favorável a ela. Para exemplificar, se você deseja mudar de profissão, comece por se imaginar no desempenho de uma outra atividade que lhe proporcione sucesso, prazer e entusiasmo.


Ideias: Primeiro na mente, depois no mundo

Pelo fato de acreditarem que uma ideia deve viver na mente antes de viver no mundo, as bruxas atribuem grande importância à vida imaginativa. Por isso, as técnicas que ensinam a estimular e a focalizar a imaginação (como os recentes métodos batizados de visualização criativa ou a neurolinguística) constituem plataformas básicas da moderna bruxaria, junto ao poder da vontade e a força da mente.
Artefatos tradicionais ainda utilizados por algumas bruxas modernas, como a bola de cristal, espelhos mágicos, incenso, velas, joias, amuletos e talismãs, são na verdade usados como meios de capturar e fixar a atenção para, em seguida, desencadear processos cognitivos sutis da mente.
Na bruxaria, a vontade individual é sagrada. Depois de aprender a visualizar os seus desejos, a bruxa aplica o poder da sua vontade para trazê-los à realidade.

A única regra que controla e restringe o jogo da vontade é de tipo ético: ela nunca deve ser usada com propósitos egoístas ou destrutivos. A regra de ouro da bruxaria é: “Faça tudo aquilo que quiser, até o ponto em que o seu querer comece a perturbar ou ferir os outros”. O raciocínio que está por detrás dessa lei baseia-se muito mais num sentido de equilíbrio do que num ideal caridoso ou moralista. As bruxas acreditam que tudo aquilo que fazem produz efeitos que retornam a elas muito mais fortes do que a ação inicial. Pela “lei do retorno”, axioma fundamental da magia, o mundo é, para cada um de nós, um imenso espelho: tudo que projetamos nele, sejam atos, pensamentos, emoções ou sentimentos, mais cedo ou mais tarde voltará, como um reflexo, para aquele que fez a projeção. Assim, praticar magia para o bem trará sempre compensações positivas. Mas fazer feitiços maléficos é uma atividade muito perigosa, porque ao fazê-los a bruxa envolve-se com forças destrutivas que podem repercutir sobre a sua própria vida.

Mas, por outro lado, se alguém praticar o mal contra uma bruxa, ela estará, devido a essa mesma lei, perfeitamente a salvo ao executar o seu ato de vingança. Usará, nesse, caso, a própria energia negativa desencadeada pelo agressor, simplesmente devolvendo-a à origem.

Como a bruxinha cheia de charme que encontrei naquele jantar, as bruxas modernas estão soltas, livres e atuantes. Confundem-se a tal ponto com a mulher comum que sou tentado a dizer que toda mulher pode (e talvez deva) ser uma bruxa. Elas são pessoas que entenderam que magia não precisa ser, necessariamente, uma atividade que envolva estranhas cerimônias feitas atrás de portas fechadas.
A magia das bruxas é coisa tão natural quanto o ar que se respira, e o universo inteiro, dentro e fora de nós, faz vibrar constantemente o seu misterioso poder mágico. A natureza é mágica, e a mulher e o homem, seres que sintetizam todo o microcosmo natural, são também reservatórios do poder mágico.

Por: Luis Pellegrini