quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Sagrado Masculino



O Sagrado Masculino é o resgate da energia masculina, há muito tempo perdida. Não tem a ver com heterossexualidade, nem com homossexualidade, tampouco com machismo e superioridade sobre qualquer coisa. O Sagrado Masculino é algo maior, que vem de dentro da pessoa e se liga ao grande Deus Sol. Nele está contido todos os arquétipos masculinos, dos deuses da guerra aos deuses da sabedoria, dos deuses mensageiros e jovens aos anciões e guardiões dos infernos.

Entretanto, o homem moderno perdeu sua essência masculina. Ele gasta seu tempo sendo ou fingindo um estereótipo criado por uma sociedade hipócrita, baseada no cristianismo. O homem se tornou fraco, um fantoche manipulado pela mídia, incapaz de praticar sua verdadeira energia. O Cristianismo destruiu o símbolo fálico, transformando-o em algo sujo, repugnante e vergonhoso. O Homem foi destituído de seu sagrado falo, sendo assim desligado do grande Deus Sol. O sêmen sagrado, princípio da vida, foi transformado em algo impuro e asqueroso.

Cultuar o Sagrado Masculino é, acima de tudo, um reencontro com o Eu interior. É cultuando o Sagrado Masculino que começamos a ativar a centelha divina que há dentro de cada um de nós. Há, assim como no Sagrado Feminino, três faces do Sagrado Masculino:

Seher (O Jovem): O Jovem é representado pela carta número 0 do Tarot, O Louco. É representado pelo Sol da Manhã com toda a sua energia. É aventureiro, quer experimentar através de erros e acertos, quer dominar o mundo a sua volta. Essa fase é acompanhada dos arquetipos de deuses jovens como Marassa, Horus, Bellenos, Apolo, Thor, Òsògiyón, Òsóòsi, entre outros.

Lu (O Homem): O Homem é representado pela carta 4 do Tarot, O Imperador. Ele é o Sol do meio-dia, vigoroso e quente. Ainda é aventureiro, mas caminha com os pés bem no chão. Dada as experiências boas e ruins, agora é muito mais realista consigo mesmo, conhece seus limites, pensa muito nas suas escolhas e já é capaz de tecer "bons" conselhos aos mais jovens. Seu aspecto protetor e seu poder fálico estão no auge. Alguns deuses que regem essa fase são Hélios, Osíris, Marduk, Ògún, Sàngó, Òbalùwàiyé, Min, Gilgamesh, Dionísios, Baal, entre outros.

Rabi (O Ancião): O Ancião é representado pela carta 9 do Tarot, O Eremita. É, agora, o Sol do final da tarde, aparentemente brando, mas ainda pode queimar. Há aqui uma transição para a noite, para o lado escuro e, portanto, para o mistério. Além de representar o encontro com o feminino (Noite, umidade, Lua), também representa um encontro com a própria sombra. Essa é a fase na qual o homem pode ser quem realmente é, livre e conhecedor de si mesmo. Os deuses dessa fase são Hades, Cronos, Òsààlá, Damballa, Omolú, Uttu, Gir, Odin, entre outros.

Assim como o Sagrado Feminino está ligado às fases lunares e aos Esbás, o Sagrado Masculino está intimamente ligado às estações do ano e aos Sabás.

O Verão é o ápice de poder masculino, quando ele está em sua plena forma energética. O Outono representa o recarregar das energias masculinas, ele já se doou no Verão e agora precisa se recolher no útero cósmico afim de se proteger e se revitalizar. Mas com a chegada do Inverno, o homem morre e dá lugar ao poder feminino. Esse é o momento em que nós, homens, nos recolhemos ainda mais no fundo da terra, uma postura necessária para podermos ressurgir novos e revigorados, graças ao poder da grande Mãe. Na Primavera, graças ao poder feminino, que é infinito, nós renascemos, como crianças, para evoluirmos e alcançarmos nosso ápice novamente, o Verão.

O Ciclo do Sagrado Masculino é anual, enquanto o Sagrado Feminino é mensal, e os dois formam a dança sagrada cósmica, simbológica, simbiótica, mas imutável.

O Sagrado Masculino é um culto falocêntrico, panteísta e obrigatório aos que querem unir-se à divindade. Todos nós devemos nos reconectar à nossa essência, à energia que nos formou e nos mantém, para que mantenhamos a vitalidade sagrada.

Instituto de Filosofia Oculta

SOMOS O QUE SOMOS POR ISTO SOMOS BRUXAS


“Sempre me fazem a mesma pergunta, “Quem Sou”“ e sempre respondo a mesma coisa “Sou o que você não pode vê.”

Partindo deste princípio uma pessoa que vive muito não é aquela que chega a uma idade avançada, mas a que aproveita as experiências da vida para seu aprendizado e vai tirando o melhor de cada acontecimento.

Aprendi que a sabedoria não está nas rugas da pele, nem nos cabelos brancos, nem nos anos que passam. A Sabedoria está em saber que a Bruxaria Tradicional não se veste de bandeiras nem religiões, quem a veste dessa forma são as pessoas que querem ser Bruxas sem o ser de fato.

Tudo o que desejarmos, em algum momento iremos receber, lá no passado isso foi desejado e a sementinha jogada no Universo, leva tempo para germinar!

Por tudo isto somos pessoas fortificadas de sabedorias milenares que nos torna cada dia mais fortes.
Aprendemos a ver além do que os olhos humanos podem ver.
Olhamos com a alma...

Ouvimos as vozes do mundo...
Os sussurros dos mistérios dos oráculos.
Aprendemos a manipular o dom da cura, decifrar os sonhos,
E sabemos que temos que controlar nossos poderes.
Eles devem ser usados com responsabilidade, e não com impulsos de desejos apenas.


As pessoas que não respeitam e se acham os Donos da verdade preferem por si só andar por ai vestidos e falando como Bruxas (os), mas que sabemos que não o são. Quantas pessoas que vemos por ai, dos tipos mais variados, do mais variados credos e etnias, mas que carregam consigo um olhar diferente, o Fogo e o sangue bruxo dentro de si? 

O poder da Bruxa é algo muito pessoal, vem do seu interior, de sua força energética.
Somos alquimistas... Em tudo colocamos magia.
O tempo vai nos tornando poderosas, pois a experiência é adquirida com nossas atuações mágicas.
Manipulamos ervas, poções mágicas, e rituais sagrados...
De uma coisa podemos ter certeza:
De nada adianta querer apressar as coisas; tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.

A Bruxaria Tradicional vive em nós e em tudo, não precisamos gesticular igual, vestir roupa igual e pensar igualmente, cada ser humano é um ser ímpar, com pensamentos próprios, gestos próprios e gostos próprios, e isso deve ser preservado em sua individualidade.

Eu já escrevi e volto a escrever que nas últimas décadas a Bruxaria e o Paganismo ganhou popularidade, então é como se de repente tudo fosse Bruxaria; se são crenças pré-cristãs então é Bruxaria; se evocam-se Deuses e fazem uma Magia, então é Bruxaria; alguém fez um Feitiço ou uma Simpatia esporádica, então é Bruxaria.

As pessoas esqueceram ou nunca aprenderam o que verdadeiramente é Bruxaria, que o Espírito da Bruxaria é a Liberdade.

Não vivemos na sombra da Luz e tampouco na luminescência das Trevas, mas sim na sua totalidade .Uma bruxa é uma estrela, ela emite luz própria e nunca será um reflexo de outros corpos.

Bruxaria Tradicional é a gramática do conhecimento sussurrado ao pé do ouvido, amados por aqueles que mantém sagrados os segredos dos mortos e confiados Àqueles que olham sobre adiante... Sua escritura é o caminho do Conhecimento e do tesouro da tradição relembrada por Aqueles que honram os Ancestrais

Na Bruxaria Tradicional aprendemos que a Tradição de se honrar um ancestral, não é um simples fato que se faz Tradicional, e sim o aglomerado de hábitos, de cultura que tornam ou fazem sentido ao fato, ao procedimento, saber a sua origem, a sua região, saber a bebida, a comida tradicional, a reza passada do antes até os dias de hoje, e como premissa pessoal não me basta ou a muitos tradicionalistas apenas sintonizar com o passado, e sim Ter nas mãos um conhecimento específico sobre determinada prática, uma prática com laços tão fortes que nem o tempo conseguiu desatar, um valor tão forte que remonta valores, mitos, história, sentimento e entendimento. 

Alguém que tem como base trazer os antigos costumes, não é apenas um tradicionalista, é também um artista onde em cada pincelada uma imagem vai se mostrando, onde no final desta esta um retrato do próprio artista e com este um valor imensurável de concretização pessoal, de magia e auto-entendimento. Tradição é o caminho do meu ancestral, dos amigos que prezam a amizade com o próprio sangue, aqueles que fizeram do passado a origem do presente numa infinita parte e por menor que seja fazem parte do meu gene.

Nascer Bruxa é reconhecer-se Bruxa desde cedo e deixar seu dom fluir como as águas, independente do berço, da bandeira religiosa, e do sexo.

Não somos controlados, a não ser por nós mesmos, com ou sem nossa transformação interna.
ASSIM SOMOS O QUE SOMOS POR ISTO SOMOS BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL. 

Selma Nascimento -  3 FASES DA LUA

segunda-feira, 16 de julho de 2018

AS DEUSAS TECELÃS parte 2


Continuação...

Criar pode ser prazeroso, mas o ato da criação, assim como a gestação da ideia ou sentimento pode trazer dor e sofrimento. Mesmo quando esteticamente belas, nossas produções podem denunciar os aspectos mais sombrios de nossa alma. Para criar, é preciso ter coragem, principalmente para destruir o que já é conhecido e organizado, para buscar novas configurações.  No entanto, depois e enquanto fazemos um trabalho criativo, podemos, além de vivenciar o prazer e as dificuldades na sua realização, nos tornar mais conscientes do nosso funcionamento psíquico. Quando não é utilizada adequadamente, a energia psíquica disponível para o desenvolvimento da consciência, para o processo de individuação e para a criação, pode se tornar veículo de sofrimento e destruição.
 A natureza feminina é representada pela Grande Mãe primordial, detentora dos poderes de criação e destruição, de morte e vida e Senhora do Destino. Podemos estabelecer uma relação profunda com Ela, a partir do momento em que buscamos o autoconhecimento. Assim, temos a chance de reconhecer os propósitos de nossas vidas, tendo então as Suas bênçãos para tecermos a nossa teia pessoal, ampliando os fios das relações com os outros e com o mundo. Porém, se insistirmos em viver num mundo de ilusões, nos distanciando de nós mesmas, fatalmente a Deusa retificará o nosso destino.

 A vivência do arquétipo da Grande Mãe como Tecelã do Destino é extremamente importante para homens e para mulheres. Por seu duplo aspecto, positivo e negativo, tanto pode  estimular  a enfrentar as dificuldades, como impedir de lutar pela realização de  desejos e necessidades. Se o Destino for vivenciado como promissor, pode estimular o investimento de energia para alcançar as metas; mas, se for  vivenciado como vazio ou trágico, pode levar à  desistência  e ao fracasso. Em contraposição a esse aspecto de fatalidade, o Destino pode ser percebido e aceito como resultado das escolhas que vão sendo tomadas ao longo da Vida, do potencial de responsabilidade realizado, ou não. Cada uma de nós pode, sem desafiar a Grande Tecelã, assumir seu pequeno tear individual e fiar, tecer, narrar, mudar e criar sua própria história.


"Teça Senhora, teça e nos entrelace juntos numa união de amor,
Temos muitas cores e texturas, cada uma diferente da outra,
Mas com a sua arte podemos ser entrelaçados em uma única tapeçaria.
Somos instrumentos diferentes, tocando cada um a sua melodia,
Com notas e tons diferentes
Mas todos juntos seremos unidos em uma só sinfonia,
Cada um saudando no outro
A essência sagrada de uma grande família." - Rosemary Crow

"Lindo trabalho esse de mulheres fiadeiras,
mulheres aranhas,
que com suas mãos,
tecem mantos de luz para proteger o mundo mágico da criação.
Mulheres em ação,
sem manhas, nem tramas e artimanhas
apenas tecelãs sábias,
dos tempos de todas as luas,
minguantes, novas,
crescentes de luz e poder
                     e finalmente plenas, cheias de encanto e amor." - Eliane Dornellas 

Mirella Faur

AS DEUSAS TECELÃS parte 1














A Grande Mãe rege o tempo cíclico, a alternância dia-noite, a mudança das estações, os ciclos lunares, a menstruação e a gravidez das mulheres. O mistério primordial do ato de tecer e fiar também lhe pertence - desde os primórdios do universo feminino - por ser A Senhora do Tempo, e consequentemente, do Destino. Como Deusa Fiandeira ou Deusa tríplice lunar, Ela fia e tece não só a vida humana, mas também o destino do mundo, transformando o caos informe em realidade estruturada.  Como Deusa Tecelã, Ela cria os fios que formam a estrutura do universo, fios estes que, ao se organizarem e reorganizarem continuamente formam todos os elementos que compõem o mundo múltiplo, variado e diverso.
Fiar é uma das atividades humanas mais antigas, cujas origens se perdem na pré-história. Como uma atividade caseira desempenhada pelas mulheres, desde a antiguidade até a revolução industrial, o processo de fiar e tecer tornou-se um símbolo poderoso da criação de uma nova ordem a partir do caos, definindo assim o destino humano.  A magia que transmuta lã, seda, linho, algodão ou outro material vegetal em fios e com ele tece panos para os mais variados usos, permitiu aos nossos ancestrais sobreviverem nas regiões frias e quentes do planeta. E esta magia era realizada sempre pelas mãos das mulheres, sob a inspiração da Deusa. Nas comunidades Kajaba da Colômbia, a condição para ser mulher é saber fiar e tecer, um ofício cujos segredos são transmitidos às jovens moças, quando na sua puberdade ficavam reclusas na “tenda vermelha”. No mito da criação desta nação descreve-se como a Mãe Universal fincou seu imenso fuso verticalmente na terra recém-criada e dele se desprendeu um fio de algodão, com qual traçou um círculo, delimitando assim a terra de seus filhos.
Desde os primórdios da civilização, podemos encontrar nas cestas e esteiras, trançados com fibras de folhas e cipós, as primeiras formas de tecelagem, talvez inspirados nas teias de aranhas e nos ninhos dos pássaros. As atividades femininas de tecelagem, fiação e bordado sempre eram acompanhadas pela expressão espontânea de desejos, fantasias e lembranças, de partilha de tradições e memórias, de brincadeiras, risos e lamentos. Em muitas sociedades, fiar e tecer formava um espaço de encontro de experiências, solidariedade e cumplicidade, de cantos e narrativas. Nos momentos importantes da vida feminina, como o casamento e a gravidez, o enxoval bordado e tricotado pela família e amigas, se constituiu num verdadeiro rito de passagem, evocando a imagem das Deusas Tecelãs, Senhoras do Destino, presentes em diferentes culturas.
Tecer significa ativar e misturar nossas experiências de vida para produzir um padrão individual, único e inimitável, que diferencia cada indivíduo entre todos os seres no cosmos. Quando permitimos que uma nova experiência se integre no nosso viver, quando não tememos as transformações decorrentes, estamos tornando nosso padrão pessoal mais complexo e, com isto, enriquecendo o padrão coletivo. Tornamo-nos cocriadoras da Grande Teia, participando na criação do nosso destino individual, grupal e coletivo.
Em muitos mitos antigos a criação do universo resultava de atividades manuais, como modelar a argila, talhar a madeira, arar ou tecer. A tecelagem aparece com um símbolo recorrente da criação, tanto do universo, como da vida humana.  O próprio Cosmos, segundo o historiador e escritor Mircea Eliade, é concebido como uma tessitura, uma enorme teia, a criação do mundo através dessa atividade sendo atribuída a uma Deusa, que se tornava assim a Senhora do Destino.
 Na Grécia, as Tecelãs do Destino eram as Moiras, filhas da deusa primordial Noite (Nix, nascida do Caos) ou em outra versão, consideradas filhas de Zeus e Têmis. Originariamente as Moiras eram consideradas forças primordiais, impessoais e inflexíveis, representando a lei, que nem mesmo os deuses podiam transgredir sem colocar em perigo a ordem universal. Com o passar do tempo, foram descritas como uma tríade, personificando o destino individual: Cloto (a que fia) segurava o fuso e puxava o fio da vida; Láquesis (a  que tira a sorte) enrolava o fio e sorteava o nome de quem ia morrer; Átropos (a inflexível) cortava o fio da vida. Em Roma, as Parcas eram deusas fiandeiras equivalentes das Moiras, que presidiam ao nascimento, casamento e morte e seus nomes eram Nona, Décima e Morta. O número de três, nove ou mais raramente, doze, é associado a etapas temporais, como começo-meio-fim, passado-presente-futuro, nascimento-vida-morte.
A mais conhecida tecelã é a deusa grega Athena, patrona de todas as artes e ofícios, regendo um amplo espectro da existência humana. Às mulheres ela confere a compreensão do valor e da importância dos poderes criativos para tecer o sagrado em todos os atos cotidianos. Da sua origem anterior - pré-helênica - ela guarda a sabedoria aquática e intuitiva de sua mãe Métis, uma Oceânide. Assim, ela é sintonizada com os sutis processos de transformação que ocorrem continuamente na vida das pessoas, sendo muito receptiva aos sentimentos pessoais, poéticos e sensíveis, próprios da natureza feminina.  Mas ao mesmo tempo, representa o saber abstrato e lógico, manifestado na produção artesanal, na arte da guerra e no poder institucionalizado, introduzidos pelo princípio masculino e o raciocínio cartesiano.
 Na mitologia nórdica, a deusa tríplice do destino é representada pela tríade das Nornes: Urdh, Verdandhi e Skuld, as tecelãs que fiam perto do poço de Urdh, entre as raízes da Yggdrasil, a Árvore do Mundo. A mitologia nórdica é rica em histórias e arquétipos de deusas (Berchta, Holda, Frigga, as Disir e as Akkas) que envolvem o ato de fiar e o tecer, mas o destino era decretado pelas Nornes, que teciam a teia do destino com uma miríade de fios e linhas. Urdh, a mais velha das três e também a mais antiga, estava sentada ao lado de uma fonte, a Fonte de Urdh, onde o próprio Odin ia buscar conselho e conhecimento. Na literatura inglesa, as Nornes são conhecidas como Weird Sisters (Irmãs Destino) e entre as deusas celtas as fiandeiras são Arianrhod, Badb, Bean Sidhe, Morrigan e Scatach. As deusas eslavas do destino são as Rodjenice e as fiandeiras astecas são Ix Chel,  Chalchiuhtlique e Mama Occlo.
No Egito, a deusa Net ou Neith, era uma Deusa Primordial e Onipotente, “Aquela que não nasceu, mas gerou a si mesma”, cujo culto era envolvido em mistério; ela era homenageada com procissões à luz de tochas como “deusa regente da magia e da tecelagem”. Como Fiandeira Cósmica ela fiava os fios que se entrelaçavam em infinitas possibilidades, numa teia multidimensional que constituía a estrutura básica de tudo que existe no universo. Por sermos emanações da Deusa Tecelã, todos nós somos constituídos da mesma substância e compartilhamos a essência divina dos fios de Neith.
Como todos os arquétipos da Grande Mãe, as Tecelãs do Destino se apresentavam tanto sob o seu aspecto luminoso e benevolente, como sob o seu aspecto sombrio, terrível. Independentemente da sua origem – greco-romana, egípcia, nórdica, hindu ou nativa, as Senhoras do Destino são sempre Tecelãs, representadas por uma tríade arcaica que existe além do tempo e do espaço fiando, tecendo e cortando o fio da vida. Na mitologia germânica, as Valquírias, em número de doze, encarnam o aspecto terrível da Fiandeira do Destino. Elas cantam enquanto tecem num tear espectral a morte dos guerreiros no campo de batalhas, tendo o sangue como matéria–prima. Na tradição hindu, a deusa tecelã recebe o nome de Maya; do centro de sua teia, ela não apenas tece a ordem cósmica, mas a reproduz em nosso mundo sensorial de forma tão perfeita, que não distinguimos entre a realidade em si e nossa versão dela. Assim como Maya se posiciona no centro da teia cósmica, cada ser humano percebe a si mesmo como o centro da própria existência, fiando e tecendo sua própria realidade, a partir de um centro do Eu. Mas, ao tecermos nossa própria tessitura, nossa individualidade, não devemos esquecer de que estamos conectados com todos os demais seres da criação, por meio dos fios de que é feita a Grande Teia Cósmica.
A Tecelã é uma imagem arquetípica frequentemente representada na arte e na literatura, especialmente nos contos de fadas e mitos, através de figuras femininas – deusas, fadas, mulheres. Nos contos de fadas encontramos frequentemente o tema e o simbolismo da fiação e da tecelagem. As fadas têm, entre os seus atributos, o dom da tecelagem de tecidos mágicos e invisíveis associados ao destino. Uma lenda europeia fala sobre as fadas protetoras dos bosques que teciam tecidos maravilhosos. Se fossem surpreendidas por algum passante à noite, quando iam se banhar, o tecido transformava-se em mortalha.  Mas se um homem lhes agradasse, recebia um fio mágico para que não se perdesse na floresta. Percebemos nessa lenda resquícios do mito de Ariadne em sua função de guia, que permite a saída do labirinto / bosque, símbolo do inconsciente, tornando-se bem evidente o duplo caráter benévolo / maligno dessas entidades, herdeiras diretas das fiandeiras míticas.
Em várias culturas, a Criadora Cósmica e a Deusa regente da fiação e tecelagem são representadas como aranhas.  A aranha é um símbolo lunar, que evoca pela fragilidade de sua teia, uma realidade ilusória, enganadora. Ela partilha com a mulher os atributos de fertilidade e o poder mágico, podendo vaticinar sorte ou azar, ataque ou proteção, amizade ou ataque. Na sua incessante atividade de tecer e matar, a aranha simboliza a alternância de forças que garante a estabilidade do cosmos. Por isso Jung considera a aranha como símbolo do Self que inclui o consciente e o inconsciente.
Entre os índios norte-americanos, “A Mulher Aranha, Avitelin Tsita ou A Mulher Pensamento” é a responsável pela criação e manutenção do universo, fiando e tecendo continuamente a vida. Nessa cultura, as aranhas nunca são mortas, pois seria uma ofensa às Avós ou antepassadas. A Mulher-Aranha possui todo o conhecimento e está em toda a parte. Pode aparecer como uma jovem, uma velha, ou mesmo uma aranha, pode ser vista ou tornar-se leve como o ar. Ela é considerada “A Mãe de Tudo”, que deu vida ao mundo, criando plantas, animais e, finalmente, os seres humanos. Ela possui poderes divinos e sabedoria ilimitada, sabe todas as linguagens e possui dons proféticos. Por sua associação com a terra, na qual ela vive, ela tem as características de uma Deusa da Terra. É velha como tempo, e jovem como a eternidade. “A Mulher Aranha” é a Grande Tecelã, Criadora da teia da vida. Ao misturar a terra com sua saliva, Ela criou fogo, chuva, raios, arco-íris e todos os seres da Terra. Com seus fios, Ela ligou as quatro direções, assim como também ligou a cabeça dos homens (chakra coronário) a si mesma, tecendo a teia do amor e sabedoria.  Ao mesmo tempo em que a Mulher Aranha é criadora, Ela também tem a sua face ceifadora, tendo o poder de destruir para a renovação. No mito asteca as aranhas representavam as almas das mulheres guerreiras remanescentes do matriarcado pré-asteca, semelhante às Amazonas. No fim do mundo, elas iam descer do céu nos seus fios prateados e matar todos os homens, como se fossem Valquírias de oito pernas.
 A ligação entre a aranha e a divindade tecelã está presente também na mitologia grega, na história de Aracne, a mortal que desafiou a deusa Athena, a patrona de diferentes artes manuais e criativas, entre elas fiação, tecelagem, bordado e ourivesaria. Aracne era uma jovem de extraordinária habilidade na arte de bordar; seus trabalhos eram tão perfeitos e admirados, que chamavam a atenção de todos, fossem eles ninfas ou camponeses. Devido a tanta admiração de todos, Aracne começou a equiparar-se com a deusa Athena na qualidade de seus trabalhos. Quando a notícia chegou ao Olimpo, Athena ficou furiosa com a petulância da mortal; sentiu-se desafiada e resolveu promover uma competição com Aracne, para ver quem merecia, de fato, ser considerada a melhor na arte de bordar. O povo escolheu o trabalho de Athena e Aracne fugiu para o mato e quis se enforcar. Athena a achou e disse que ela e os descendentes dela, a partir de então, iram tecer teias ao invés de tecidos e a transformou em uma aranha. Outra versão conta que a Athena rasgou um bordado de Aracne, que por desespero se enforcou. Athena se apiedou da moça e a transformou em aranha, dizendo-lhe para tecer belos bordados. O que suscitou a ira da deusa Athena, além da arrogância daquela mortal, era o tema de sua tapeçaria, a narrativa das aventuras amorosas de Zeus. Athena castigou a sua rival fazendo com que ela se arrependesse e de tão culpada, se enforcasse; mas por piedade ou para que ela pagasse eternamente pela sua arrogância, Athena a transformou numa aranha.
O tear, como símbolo, mantém a ordem cósmica, e sua produção é o fio da vida. Na tradição islâmica, o tear é símbolo da estrutura e do movimento do universo. Nas tradições populares, também se observam ritos que comparam o tecer ao criar vida. Na África do Norte, nas regiões montanhosas, em qualquer choupana humilde há um tear simples: dois rolos de madeira sustentados por dois montantes. O rolo de cima é o rolo do céu e o de baixo, o rolo da terra. Quando o trabalho de tecelagem está pronto, os fios que o prendem são cortados, enquanto se pronuncia a mesma bênção feita pelas parteiras, ao cortar o cordão umbilical dos recém-nascidos. Matéria prima da tecelagem, o fio, e por extensão os nós e laços, estão sempre presentes nos mitos e superstições e são utilizados na medicina popular, nos ritos, nas feitiçarias e como amuletos. Sendo ambivalentes, como todos os símbolos, os nós podem tanto provocar como evitar e curar as doenças, impedir ou facilitar o parto, trazer ou afastar a morte. Em algumas culturas, o homem não deve usar nenhum nó nos momentos críticos como nascimento, casamento e morte.
No mito e na arte, a tecelagem pode aparecer como uma forma de narrativa. Em culturas de diversos lugares e épocas, os painéis e tapeçarias são não somente ornamentos, mas também documentos, traduzindo, em imagens tecidas, fatos históricos, mitológicos ou cenas da vida cotidiana. Um mito grego exemplifica a tecelagem como narrativa. É a história de Filomena, raptada e violentada por seu cunhado e que também corta a sua língua para impedir que o delate, trancando-a numa torre. Mesmo prisioneira, a moça consegue tecer sua história e faz com que a tapeçaria chegue às mãos de sua irmã que, compreendendo a mensagem, consegue encontrá-la e buscar justiça. O trabalho contínuo de Penélope, tecendo e desfiando, dia e noite, à espera do seu amado, sem jamais completar sua tarefa, tem sido associado, às vezes, à rotina das tarefas domésticas femininas, que não leva a nenhuma realização pessoal, nenhum crescimento psíquico. No entanto, o mito mostra que esse trabalho repetitivo foi uma estratégia escolhida pela heroína, esperando o retorno do marido, numa tentativa de “parar o tempo”. O padrão cíclico estabelecido, assim como os ritmos da natureza, revela mais do que uma tática racional, uma profunda conexão com a essência feminina.  A sua tão decantada fidelidade, é, acima da lealdade ao marido, uma fidelidade a si mesma, à manutenção da sua autonomia, pois ao tecer e desfiar a tecelagem Penélope mantinha, sob a forma de fio no tear, o controle de sua vida.
  
Mirella Faur

Dias de Poder


No passado, quando as pessoas viviam em conjunto com a natureza, o passar das estações e os ciclos lunares tinham um profundo impacto em cerimônias religiosas. Por ser a Lua vista como um símbolo da Deusa, cerimônias de adoração e magia aconteciam sob sua luz. A chegada do inverno, as primeiras atividades da primavera, o quente verão e a entrada do outono também eram marcadas por rituais.

Os wiccanos, herdeiros das religiões pré-cristãs da Europa, ainda celebram a Lua cheia e observam as mudanças das estações. O calendário religioso wiccano possui treze celebrações de Lua Cheia e oito Sabbats, ou dias de poder.

Quatro desses dias (ou melhor, noites) são determinados pelos solstícios e equinócios, o início astronômico das estações. Os outros quatro rituais baseiam-se em antigos festivais folclóricos (e, de certo modo, aqueles do Oriente Médio). Os rituais estruturam e ordenam o ano wiccano, além de nos lembrar do infinito ciclo que perdurará muito depois de partirmos.

Quatro dos Sabbats - talvez os que há mais tempo são observados - eram provavelmente associados à agricultura e aos ciclos reprodutivos dos animais. São eles o Imbolc ou Candlemas (1° de Agosto), Beltane (31 de Outubro), Lughnasadh ou Lammas (2 de fevereiro) e Samhain (1 de maio). Estes são nomes celtas, muito comuns entre os wiccanos, apesar de existirem muitos outros.

Quando a observação cuidadosa do céu levou a um conhecimento comum do ano astronômico, os solstícios e equinócios (por volta de 21 de março, 21 de junho, 21 de setembro e 21 de dezembro - as datas corretas variam de ano para ano) foram incorporados à estrutura religiosa.

Quem foram os primeiros a cultuar e gerar energia nesses períodos? Esta questão não pode ser respondida. Entretanto, esses dias e noites sagrados são a origem dos 21 rituais wiccanos.

Muitos deles ainda sobrevivem em suas formas seculares e religiosas. Celebrações do May Day (Dia de Maio), Halloween, Dia da Marmota e até mesmo o Dia de Ação de Graças, para citar alguns populares feriados americanos, estão conectados a antigos cultos pagãos. Versões altamente cristianizadas dos Sabbats também foram preservadas pela Igreja Católica.

Os Sabbats são rituais solares, assinalando pontos do ciclo anual do Sol, e constituem apenas metade do ano ritual wiccano. Os Esbats são as celebrações wiccanas da Lua Cheia. Nesta data, nós nos reunimos para cultuar Aquela Que É. Não que os wiccanos omitam o Deus nos Esbats - ambos são normalmente reverenciados em todas as ocasiões.

Anualmente, ocorrem de 12 a 13 Luas cheias, ou uma a cada 28 ¼ dias. A Lua é um símbolo da Deusa, bem como uma fonte de energia. Assim, após os aspectos religiosos dos Esbats, os wiccanos costumam praticar magia, desfrutando do maior poder energético que, crê-se, exista nesses períodos.

Alguns antigos festivais pagãos, desprovidos de suas qualidades sagradas pelo domínio do Cristianismo, se degeneraram. O Samhain aparentemente pertence agora aos fabricantes de doces nos Estados Unidos, enquanto o Yule foi transformado de um dos mais sagrados dias pagãos num período de grosseiro comercialismo. Até mesmo os ecos do nascimento de um salvador cristão são pouco audíveis diante do zumbido eletrônico das máquinas registradoras.

Mas a velha magia permanece nesses dias e noites, e os wiccanos os celebram. Rituais variam enormemente, mas todos se relacionam à Deusa e ao Deus, e à nossa morada, a Terra. A maioria dos ritos acontecem à noite, por motivos práticos assim como para gerar certo clima de mistério. Os Sabbats, sendo baseados no Sol, são mais normalmente celebrados ao meio-dia ou na aurora, mas hoje isto é raro.

Os Sabbats nos contam uma das histórias da Deusa e do Deus, de sua relação e de seus efeitos sobre a fertilidade da Terra. Muitas são as variações desses mitos, mas eis aqui um relativamente comum, entrelaçado a descrições básicas dos Sabbats.

A Deusa dá à luz um filho, o Deus, no Yule. De modo algum isto é uma adaptação do cristianismo. O solstício de inverno é há muito visto como um período de nascimentos divinos. Diz-se que Mitras nasceu nesse período. Os cristãos simplesmente o adotaram a seu uso em 273 E. C. (Era Comum).

O Yule é uma época de grande escuridão e este é o menor dia do ano. Povos antigos notaram tais fenômenos e suplicaram às forças da natureza que aumentassem os dias e diminuíssem as noites. Os wiccanos ocasionalmente celebram o Yule pouco antes da aurora, e a seguir observam o nascer do sol como um final apropriado para seus esforços.

Uma vez que o Deus é também o Sol, isto assinala o ponto do ano no qual o Sol também renasce. Assim, os wiccanos acendem fogueiras ou velas para saudar o retorno da luz do Sol. A Deusa, inativa durante o inverno de Sua gestação, repousa após o parto.

O Yule é remanescente de antigos rituais celebrados para acelerar o fim do inverno e a fartura da primavera. Para os wiccanos contemporâneos, é um lembrete de que o produto final da morte é o renascimento, um pensamento reconfortante nestes dias de desassossego.

O Imbolc assinala a recuperação da Deusa após dar à luz o Deus. Os períodos mais longos de luz A despertam. O Deus é um jovem desejoso, mas Seu poder é mais sentido nos dias mais longos. O calor fertiliza da terra (a Deusa), fazendo com que as sementes germinem e brotem. Assim ocorre o início da primavera.

Este é um Sabbat de purificação pelas forças renovadoras do sol, após a vida reclusa do inverno. É também um festival de luz e fertilidade, antigamente marcado na Europa por grandes queimas, tochas e fogos de todas as formas. O fogo representa nossa própria iluminação e inspiração, assim como a luz e o calor.

O Imbolc é também conhecido como festa das Tochas, Oimelc, Lupercalia, Festa de Pã, Festival do Floco de Neve, Festa da Luz Crescente, Dia de Brigit, e provavelmente muitos outros nomes. Algumas wiccanas seguem o antigo costume escandinavo de usar coroas com velas acesas, mas muitos outros usam velas em suas invocações.

Este é um dos períodos tradicionais para as iniciações em covens e rituais de autodedicação, que podem ser praticados ou renovados nesse período.

Ostara, o Equinócio da Primavera, e também conhecido como Ritos da Primavera e Dia de Eostra, assinala o primeiro dia da real primavera. As energias da natureza mudam subitamente do repouso do inverno para a exuberante expansão da primavera. A Deusa cobre a terra com seu manto de fertilidade, despertada de Seu repouso, enquanto o Deus se desenvolve e amadurece. Ele caminha pelos campos a verdejar, e delicia-se com a abundância da natureza.

No Ostara, as horas do dia e da noite são as mesmas. A luz está ultrapassando a escuridão; a Deusa e o Deus impelem as criaturas selvagens da Terra a reproduzir-se.

Este é um período de iniciar, de agir, de plantar encantamentos para ganhos futuros, e de cuidar dos jardins rituais.

O Beltane marca a chegada da virilidade do jovem Deus. Agitado pelas energias em ação na natureza, Ele deseja a Deusa. Eles se apaixonam, deitam-se entre a relva e os botões de flores, e se unem. A Deusa fica grávida do Deus. Os wiccanos celebram o símbolo da fertilidade da Deusa em ritual.

O Beltane é há muito celebrado com rituais e festas. Os Maypoles (Mastros de Maio), símbolos fálicos supremos, eram o ponto central dos rituais das antigas vilas inglesas. Muitas pessoas acordavam na alvorada para colher flores e ramos verdes nos campos e jardins, usando-os para decorar os Maypoles, seus lares e a si mesmos.

As flores e folhas simbolizam a Deusa; o Maypole, o Deus. O Beltane marca o retorno da vitalidade, da paixão e da consumação das esperanças.

Os Maypoles são por vezes utilizados atualmente por wiccanos durante os rituais do Beltane, mas o caldeirão é um ponto central mais comum da cerimônia. Representa, obviamente, a Deusa - a essência da feminilidade, o objetivo de todo desejo, o igual mas oposto do Maypole, símbolo do Deus.

No passado, pulava-se sobre fogueiras para estimular a fertilidade, a purificação, a saúde e o amor. O fogo novamente representa o Sol, celebrado neste período de dias mais longos.

O Meio do Verão é uma época clássica para magia de todos os tipos.

Lughnasadh é a época da primeira colheita, quando as plantas da primavera murcham e derrubam seus frutos ou sementes para garantir nosso consumo e para assegurar futuras safras. Misticamente, também o Deus perde Sua força enquanto o Sol nasce mais longe ao Sul a cada dia, e as noites tornam-se mais longas. A Deusa observa entre lamento e regozijo ao perceber que o Deus está morrendo, ao mesmo tempo que vive dentro dela como Seu filho.

Lughnasadh, também conhecido como Véspera de Agosto, Festa do Pão, Lar da Colheita e Lammas, não é necessariamente observado neste dia. Originalmente, coincidia com a primeira ceifada.

À medida que o verão passa, os wiccanos recordam seu calor e fartura no alimento que comemos. Cada refeição é um ato de sintonia com a natureza, e somos lembrados de que nada no universo é constante.

O Mabon, o Equinócio de Outono, é a conclusão da colheita iniciada no Lughnasadh. Mais uma vez o dia e a noite tem a mesma duração, equilibrados enquanto o Deus se prepara para abandonar Seu corpo físico e iniciar a grande aventura rumo ao desconhecido, em direção à renovação e ao renascimento pela Deusa.

A natureza retrocede, recolhe sua fartura, preparando-se para o inverno e seu período de repouso. A Deusa curva-se diante do Sol que enfraquece, apesar do fogo que queima dentro de Seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo enquanto Ele enfraquece.

No Samhain, a Deusa se despede do Deus. É um adeus temporário. Ele não está envolto em trevas eternas, mas prepara-se para renascer pela Deusa no Yule.

Antigamente, o Samhain, também conhecido como Véspera de Novembro, Festa dos Mortos, Festa das Maçãs, e Todos os Santos, marcava um período de sacrifício. Em alguns lugares, esta era a época de sacrifícios animais para assegurar comida durante as profundezas do inverno. O Deus - identificado com os animais - também tombava para garantir a continuidade de nossa existência.

O Samhain é um período de reflexão, de análise do ano que se finda, de ajustar contas com o fenômeno da vida sobre o qual não exercemos controle - a morte.

O wiccano sente que nesta noite a divisão entre as realidades físicas e espirituais é estreita. Eles recordam seus ancestrais e todos os que já se foram.

Após o Samhain, os wiccanos celebram o Yule, completando assim o ciclo do ano.

Certamente, há muitos mistérios enterrados aqui. Por que o Deus primeiro o filho e depois o amante da Deusa? Isto não é incesto, mas simbolismo. Na história da agricultura (um dentre muitos mitos wiccanos), a constante alternância da fertilidade da Terra é representada pela Deusa e pelo Deus. Este mito fala dos mistérios do nascimento, da morte e do renascimento. Celebra os maravilhosos aspectos e belos efeitos do amor, e honra as mulheres que perpetuam nossa espécie. Também indica a grande dependência que os homens têm em relação à Terra, ao Sol e à Lua, e os efeitos das estações em nossa rotina.

Para povos agrícolas, o ponto principal deste ciclo místico é a produção de alimentos por meio da união entre o Deus e a Deusa. O Alimento - sem o qual todos morreríamos - está intimamente ligado às deidades. Na verdade, os wiccanos vêem a comida como mais uma manifestação da energia divina.

Assim, ao observar os Sabbats, os wiccanos sintonizam-se com a Terra e com as deidades. Eles reafirmam suas raízes na Terra. A prática de rituais nas noites de lua cheia também fortalece sua conexão com a Deusa em particular.

O wiccano sábio celebra os Sabbats e os Esbats, por serem estes períodos de poder real e simbólico. Honrá-los de algum modo é parte integral da Wicca.

Fonte: 'Guia Essencial da Bruxa Solitária', de Scott Cunningham