segunda-feira, 12 de agosto de 2019

As dádivas da Deusa Hécate

13 de Agosto dia de Hécate O dia 13 de agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Essa poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate.
Hécate Trivia ou Triformis era uma das mais antigas deusas da Grécia pré-helênica, cultuada originariamente na Trácia como representação arcaica da Deusa Tríplice, associada com a noite, lua negra, magia, profecias, cura e os mistérios da morte, renovação e nascimento. ”Senhora das encruzilhadas” - dos caminhos e da vida - e do mundo subterrâneo, Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral. É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.
Filha dos Titãs estelares Astéria e Perseu, Hécate usa a tiara de estrelas que ilumina os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior. Neta de Nyx, deusa ancestral da noite, Hécate também é uma “Rainha da Noite” e tem o domínio do céu, da Terra e do mundo subterrâneo. “Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto no aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.
Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte. Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet.
Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora. Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia.
No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe - que presidem a primavera, fertilidade e juventude -, Deméter/Ceres/Hera – regentes da maturidade, gestação, parto e colheita - e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra. Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”.
Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com três cabeças e seis braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).
Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários. Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Essas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).
No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.
Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.


Mirella Faur

Ritual
Você precisará de uma adaga ritual, um pequeno caldeirão, uma maçã, um pedaço de pano preto e uma pequena quantidade de sal, além dos seus instrumentos normais. Ponha a maçã dentro do caldeirão e cubra-o com o pano preto. Abra o círculo como de costume.
Com seu bastão de poder em sua mão toque no caldeirão por cinco vezes e diga :
"Sábia Hécate, eu peço a sua benção.
Erga o véu para que eu possa saudar meus ajudantes espirituais,
Antigos amigos de outras vidas, e os que são novos.
Que apenas aqueles que me desejam bem penetrem
neste local sagrado."
Descubra o caldeirão. Apanhe a maçã, erga-a em oferenda e deposite-a no altar:
"Hécate, seu caldeirão mágico é a fonte da morte e renascimento,
Uma experiência pela qual cada um de nós passa repetidas vezes.
Eis aqui seu símbolo de vida na morte."
Corte a maçã transversalmente com a adaga. Contemple o pentagrama relavado no miolo.
Devolva as duas metades da maçã ao caldeirão e cubra-o novamente com o pano preto:
“Apenas os iniciados têm acesso aos Mistérios Ocultos.
Apenas aqueles que realmente buscam conseguem
encontrar o caminho espiral.
Apenas aqueles que conhecem suas muitas faces secretas
Podem encontrar a Luz que leva ao Caminho Interior”
Ponha uma pitada de Sal em sua língua:
“Eu sou mortal, mas ainda assim imortal.
Não há fim para a vida, apenas novos recomeços.
Eu caminho ao lado da Deusa em suas muitas formas.
Nada há, portanto a temer.
Abra minha mente, meu coração e minha alma
Aos profundos Mistérios do Caldeirão, Ó Hécate!”
Efetue uma meditação de busca à deusa da Lua Nova.
Ouça suas mensagens. Esteja alerta a novos guias e mestres que podem surgir para ajudá-lo


domingo, 11 de agosto de 2019

O Sagrado Masculino e Feminino


O Sagrado Masculino e Feminino

Nunca se falou tanto em sagrado feminino como nos dias de hoje, porém a própria palavra sagrado não é necessária quando tomamos tudo como sagrado.
Então porque Sagrado feminino e Sagrado Masculino e não somente feminino e masculino?
Ainda hoje, vivemos a banalização do feminino e do masculino que são vendidos como um produto,  comercializados de acordo com a beleza do rótulo e cheio de protocolos a seguir. Isso acabou nos afastando do sagrado dessas energias e subjugando-as dentro de nós.
É impossível olhar e curar o feminino sem olhar e curar o masculino. Essas são energias complementares que existem simultaneamente dentro de todos nós e precisam estar em equilíbrio dentro e fora de nossos corpos.
Mas se todos temos ambas, o que aconteceu para que nos sentimos tão afastados do equilíbrio entre essas energias?
O problema é quando as crenças, as histórias, os rótulos e protocolos nos invadem e nos deixamos ser definidos por eles. Perceba, por exemplo, uma forma como nos foi vendida a energia feminina:  por padrões irreais de beleza e que, às vezes, custam a saúde e a alegria de muitas mulheres.Ou mesmo, repare como a mulher precisou reprimir seus impulsos para cumprir os protocolos profissionais e competitivos. Precisou abrir mão do seu feminino em muitos aspectos para fazer, fazer, fazer e fazer… negando seus ciclos e  necessidades. Mulheres com o feminino ferido estão com o masculino igualmente ferido, pois estão em desequilíbrio. O masculino equilibrado empodera e não agride, age e não impõe.
Nos homens a energia masculina desequilibrada vem também através de rótulos  como: homem não chora, homem não sente, homem não dança.. e aí o homem reprime sua energia feminina, criativa e leve. Tanto o feminino quanto o masculino dentro dele ficam igualmente feridos. O que precisamos, é saber dançar com essas suas forças e honrá-las em nós ao invés de travar a “guerra dos sexos”.

O masculino equilibrado empodera e não agride, age e não impõe.

Em um dos textos do blog falei do exemplo da energia feminina que vem da terra e hoje meu exemplo de energia masculina será o Sol. Em muitas culturas o Sol é reverenciado como um Deus, aquele que brilha, aquele que remove a escuridão, aquece e coloca nossa energia em movimento. Quando o Sol brilha no céu nos sentimos mais vivos e com mais energia, a natureza precisa de Sol para fazer seus processos de fotossíntese, para crescer, florescer e frutificar. Nós precisamos do Sol igualmente em processos vitais como por exemplo para sintetizar a vitamina D. Além disso, o Sol nutre nosso ânimo e nos torna mais ativos e dispostos a agir no mundo. Essa ação é fruto da energia masculina que há no Sol. Imagina que triste seria a energia feminina (da terra) sem o brilho do Sol para equilibrar e fazer brotar toda a vida que nela existe, mas que só desabrocha com o Sol?
Quando há muita energia feminina (reprimimos a energia masculina) e aí sonhamos, acolhemos e não conseguimos agir no mundo, já  quando há  muita energia masculina que nos coloca em movimento e ação (mas que em excesso reprime a feminina que é o sentir, o acolher) passamos a fazer só por fazer, agimos sem saborear a caminhada, queremos resultados a qualquer custo. Conhece algum padrão assim?

Acredito que podemos buscar sempre o caminho do meio,e assim acontece na natureza: temos dia e noite, a vida e a morte, a primavera-verão e o outono-inverno, os ciclos da vida, os ciclos do nosso corpo… Tudo é tão sagrado e perfeito quando em equilíbrio.
Se entendermos essas energias na natureza, sairmos dos rótulos e permitirmos que essas energias fluam dentro de nós. E assim, estaremos honrando tanto o masculino quanto o feminino e percebemos que tudo já é sagrado!
Neste domingo do dia dos pais, te convido para sentir fluir a energia masculina, energia do Sol... em honra ao sagrado que habita em nós!

Fernanda Cunha

terça-feira, 30 de julho de 2019

O HOMEM QUE CAMINHA COM A CURANDEIRA


Quando um homem escolhe uma mulher que segue a sua vocação, a sua única chance de manter esta conexão é seguindo-a, e, acima de tudo, criando espaço para ela seguir o seu próprio caminho.
Pode acontecer que ele precise abandonar a sua própria necessidade, ou encontrar um meio de cura através de seu caminho comum - mas não da maneira mais suave.
Quando um homem escolhe uma mulher que cura as feridas coletivas das mulheres, o SIM para ela é igual ao SIM à um propósito maior, muito além de construir uma casa ou criar filhos. A sua conexão ultrapassa o cumprimento de modelos clássicos de gênero.
Este homem aceita o trabalho de proteger as costas desta mulher, de sustentá-la quando ela não pode mais transformar a dor do mundo. Significa que ele acolhe uma forma diferente de sexualidade, uma vez que a cura no nível da sexualidade é um dos problemas mais profundos do feminino ferido.
Para ele, mais uma vez, trata-se de aceitar a lentidão, a suavidade e a cura, retendo ou reorientando o seu próprio impulso, estando presente para o todo. Quando um homem escolhe uma mulher que aspira a liberdade, ele só pode conseguir isso deixando seus aspectos narcisistas, reconhecendo o caminho das mulheres como o seu próprio caminho para a liberdade.
Quando um homem escolhe uma mulher que é GRANDE, ele não pode habitar lugares de poderes opressivos. Ele - se ele decide assumir esta missão com ela - aceita uma tarefa que serve o bem-estar de todos os homens, mesmo que isso aconteça de forma oculta... Criando um espaço de segurança para mantê-lo a salvo de uma emboscada levantada por suas próprias feridas antigas, levando à submissão.
Quando um homem escolhe uma mulher por causa do seu fascínio pela sua radiação e sabedoria, deve ser óbvio para ele que não pode ficar preso dentro de seus próprios déficits de maneira que o fará querer diminuir o brilho dela, puramente por medo de ter que compartilhá-la com os outros.
Quando um homem escolhe uma mulher que segue a sua vocação, não pode temer essas palavras: respeito, humildade e rendição. Em vez disso, ele viajará pelo caminho da divindade - com a sua esposa, a curandeira - com gratidão e um coração transbordante.
Porque tal mulher o escolherá - se ela tiver que escolher - em favor do bem estar de todas as mulheres e do bem maior. E escolherá seguir o seu caminho sozinha em vez de deixar esse caminho por ele. No entanto, ela está ciente do poder que se encontra na presença de um homem que toca o tambor... Para ela.
Moksha Devi Sunshine

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Homem Lua


A maior parte dos homens pertence ao sol. Gosta de absorvera sua luz e usá-la para dominar a espécie e aclamar-se como Deus. O sol representa a masculinidade no âmbito simbólico. Na sua representação astral. Ele domina (ou acredita que domina). Brilha em torno de si mesmo e não tende para brilhos mais discretos, que igualmente brilhantes são mais distantes.
Mas existe um tipo de homem que fascina mais do que o tipo solar: o homem lua ou lunar.
Este homem não se mostra, não tem prazer em receber os sons dos aplausos porque ele pertence ás mãos que batem palmas. Ele contempla e valoriza ao invés de se valorizar e “narcissizar”. Por ser lunar está diretamente ligado á feminilidade, e por sua vez vê o brilho subtil da lua, a sua silenciosa melodia e a influência que este elemento tem na roda dos dias e das vidas.
Altea a mulher sem querer possuir ou resgatar o poder da mesma. Ama-a verdadeiramente e de forma igual, pois aprendeu com os rumos próprios que o amor vale mais do que as conquistas provisórias e temporárias.
Este lunar essencial da nossa espécie, vê a terra com os olhos de um mago. Celebra-a! E quer, incansavelmente, cumprir os anseios e propósitos da Mãe que o cria e alimenta. Ele fecha os olhos de pés descalços enfiados no todo e sente as suas raízes, cuida-as com o respeito e amor próprio que o fazem caminhar.
Mas ser um homem lua é tão ou mais difícil do que ser mulher, porque, nos termos de sociedade estereotipada, ele cai na tendência de não cumprir o que lhe é exigido e a desmotivação criada pelos dogmas fazem com que as suas asas se recolham e que fique, por tempos, incapacitado de sobrevoar e de espalhar o tanto amor que guarda pela existência.


Ele é, sem dúvida, um sensitivo.  Ser brilhante que guarda na intuição os segredos do Mundo e das mulheres.


Ele sabe ser pai e ser mãe, ele sabe viver encantado com uma concha partida, com passeios em dias de chuva e com momentos simples – até mesmo silenciosos – porque ele sente o essencial que é invisível aos olhos carnais. E sabe retribuir em energia a essência de cada segundo com o seu respirar.
O homem lua é um homem de amor e um homem de amar.
Ele sabe, por consciência nata que os corpos são órgãos que morrem e que o que é eterno se transporta com esse amor e a simplicidade do dar e do receber.
Ele oferece-se sem esperar a possibilidade de retorno. Vê-se no riso das crianças e no choro das mães. Espelha se nos afetos e corre com eles como missão.
Viaja para se encontrar, mas essencialmente para se perder. Ele sente-se. Encontra conforto na solidão e paixão nos ventos cruzados.
Por vezes esconde-se com medo de naufragar nas ilusões que lhe impõem, por isso fica difícil de o encontrar.
Mas ele existe! Algures nas estradas simples de terra ou nos jardins dos castelos, onde fica em admiração da lua que tanto lhe conta coisas que nenhum homem solar vê ou quer saber.
Ele brilha redondo e desce do altar para o próximo brilhar… E não se incomoda porque ele… ele é o homem lua!

Os ciclos do Sagrado Masculino


A pratica do Sagrado Masculino promove o resgate da energia masculina, há já muito tempo perdida.
O sagrado masculino está longe de conceitos como a heterosexualidade, homosexualidade, machismo, domínio ou superioridade sobre qualquer coisa.
O Sagrado Masculino é uma forma espiritual do homem se conectar com o grande Deus Sol.

O Sol representa a maioria dos arquétipos masculinos: Duses da guerra, da sabedoria, mensageiros, jovens, anciãos e até mesmo os guardiões do inferno.
Lamentavelmente, o homem moderno perdeu a ligação á sua essência masculina.
Este conhecimento tem raiz nas tradições xamanicas ancestrais e atualmente esta informação é praticamente desconhecida para a maioria dos homens, com isto podemos afirmar que o sistema patriarcal não prejudicou somente as mulheres e a mãe natureza, mas também o sagrado masculino. Que foi engolido pelo atual sistema consumista e doente, desta forma o homem para responder ás exigências do Capitalismo, tal como a mulher, desconeta-se dos seus ciclos e perde a noção da sua natureza espiritual e da sua ligação profunda com o universo.

O homem moderno tende a sofrer mais em silêncio do que a mulher, ele próprio se sente desligado do meio natural bem como da sua alma, mas não sente legitimidade para poder partilhar este sentimento com o exterior, porque um homem que exponha emocionalmente as suas fragilidades é tido como um "fraco" para o Patriarcado.

Ensinaram aos nossos irmãos homens, que para serem poderosos, deverão possuir bastantes recursos financeiros ou símbolos capitalistas, a consequência deste construto foi desastrosa, uma vez que ao correrem atrás de uma ilusão o homem tornou-se lentamente mais fraco, porque deixou de conseguir ver o seu verdadeiro poder.
O cristianismo ajudou muito na “castração simbólica” tanto de homens como de mulheres, a igreja condenou os símbolos fálicos.
O falo sagrado, passou a ser tabu para a sociedade.
O sémen sagrado, muito honrado em várias religiões ancestrais foi transformado em algo impuro e asqueroso.
Prestar culto ao Sagrado Masculino é, acima de tudo, um reencontro com o Eu interior.
É através do culto do Sagrado Masculino que o homem começa a ativar a centelha divina que existe dentro de si.

Tal como no Sagrado Feminino, no Sagrado Masculino também existem três fases de desenvolvimento do homem: 

Seher (O Jovem)

O Jovem é um arquétipo relacionado com a energia do Louco do tarot
Nesta fase da vida, o homem é como o Sol da Manhã repleto de potencial e energia.
É aventureiro e destemido, tem uma vontade muito grande de conhecer o mundo através da experiência, coloca a intensidade da experiência muitas vezes á frente da segurança, tem vontade de dominar e conquistar o mundo á sua volta.
Não quer prisões nem amarras.
Esta fase é acompanhada pelos arquétipos de deuses jovens como Marassa, Horus, Bellenos, Apolo, Thor, Òsògiyón, Òsóòsi, entre outros. 

Lu (O Homem)

Esta fase é representada pela carta numero IV do Tarot: O Imperador.
Ele é o Sol do meio-dia, vigoroso e quente.
Ainda é aventureiro, mas caminha com os pés bem assentes na terra.
Agora é muito mais realista consigo mesmo, conhece os seus limites, pensa muito nas suas escolhas e já é capaz de tecer "bons" conselhos para os mais jovens.
Nesta fase priveligia a construção de estruturas sólidas, tanto no seu trabalho como na familia
O Seu aspeto protetor e o seu poder fálico estão no auge.
Alguns deuses que regem esta fase são Hélios, Osíris, Marduk, Ògún, Sàngó, Òbalùwàiyé, Min, Gilgamesh, Dionísios, Baal, entre outros. 

Rabi (O Ancião)

O Ancião é representado pela carta IX do Tarot, O Eremita.
Na fase do Ancião o homem é agora o Sol do final da tarde, aparentemente brando, mas que ainda queima
Aqui o homem dirige-se para a noite, simbolicamente entra em contato mais profundo com as suas sombras e com o mistério da existência, começa a querer saber quem é de verdade e nesta altura da vida já conhece muito de si mesmo e da natureza á sua volta.
Esta é a fase na qual o homem pode ser quem realmente é, livre e conhecedor de si mesmo
Torna-se mais sábio, usa a calma e o bom senso, deixa de ser domado pelos instintos primarios
Os deuses dessa fase são Hades, Cronos, Òsààlá, Damballa, Omolú, Uttu, Gir, Odin, entre outros.

Assim como o Sagrado Feminino está ligado às fases lunares e aos Esbás, e o Sagrado Masculino está intimamente ligado às estações do ano e aos Sabás.

Os ciclos do sagrado masculino:

Tal como as mulheres, os homens também são cíclicos e é muito importante tanto para o homem como para a sua companheira, conhecer os seus ciclos honra-los e respeita-los.

O ciclo do homem está conectado á energia do Pai Sol, e está intimamente ligado às quatro estações do ano:

Primavera
Outono
Verão
Inverno 

Primavera

A Primavera é a melhor altura do ano para o homem fazer mudanças na sua vida, porque é a estação mais favorável para o desabrochar das suas energias internas, esta é a época privilegiada de ressurreição de toda a natureza. 

Verão

E se for capaz de viver de forma fluida a sua ciclicidade interna, quando chegar o Verão, o homem sentir-se-á muito poderoso, com energia sexual ampliada e um enorme poder de sedução para conquistar a mulher amada
O Verão é o ápice do poder masculino, quando ele está na sua plena forma energética.

Outono

O Outono representa o recarregar das energias masculinas, ele já se doou no Verão e agora precisa de se recolher no útero cósmico afim de se proteger e de se revitalizar.

Inverno

Mas com a chegada do Inverno, o homem morre e dá lugar ao poder feminino.
Esse é o momento em que os homens, se recolhem ainda mais no fundo da terra, uma postura necessária para poderem ressurgir novos e revigorados, graças ao poder da grande Mãe.
Aqui ele deverá entrar em contato com o seu mundo interior voltar-se para o útero da mãe terra, ocupar-se com assuntos ecológicos e com a sua própria natureza, deverá pôr em causa as suas conquistas e lentamente ir tecendo novas perspectivas para o futuro, escutando-se sem interferir muito, ganhando consciência de que o Outono e o Inverno são épocas de "morte", este tempo deve ser dedicado ás energias introspetivas, este é o tempo que o homem necessita para recuperar da Primavera e do verão.
Na Primavera, graças ao poder feminino, que é infinito, o masculino renasce como uma criança, para evolui e alcançar novamente o expoente máximo no Verão.

" Ciclo do Sagrado Masculino é anual, enquanto o Sagrado Feminino é mensal, e os dois formam a dança sagrada cósmica."

O Sagrado Masculino é um culto falocêntrico, panteísta e obrigatório aos que querem unir-se à divindade.
Os homens passam pelos ciclos de Nascimento, Morte e Renascimento ao longo do ano.
Os ciclos masculinos são diferentes dos ciclos femininos, enquanto que a mulher tem a oportunidade de passar por um ciclo inteiro durante uma lua, já o ciclo masculino é anual.
O homem que entende os seus ciclos move-se de acordo com eles, segue o fluxo da natureza e com isso obtém maiores oportunidade de concretização.
Respeitando e agindo de acordo com os seus próprios ciclos, ele promove facilmente mudanças positivas na sua vida.
Deixo aqui algumas sugestões para que o homem possa conetar-se mais facilmente aos seus ciclos.
É importante tanto o homem quanto a mulher conhecer os seus arquétipos e trabalhar com eles de forma consciente.
As representações da divindade com energia masculina que se seguem, ajudarão o homem a conectar a sua sacralidade com a sacralidade divina.
Sugiro que em cada estação o homem trabalhe com uma das forças do Deus pai

Inverno 

Hórus (como criança)
Cristo (criança)
Krishna (como criança)
Hades
Osíris
Shiva
Criança Solar
Set
Ull (ou Wulder)

Primavera 

Adonis
BrahmaDionísio
Eros
Himineu
Cernunnos
Marduk
Shu

Verão 

Apolo
Hórus (como Falcão Solar)
Dagda
Hélio
Khepri
Lugh
Zeus
Hanumam
Agni
Cernunnos

Outono 

Adonis
Dumuzi
Tammuz
Osíris
Merlim
Odin
Shu
Anúbis
Thot

É muito importante também que o homem honre e respeite os ciclos da sua companheira, procure conhece-los, para que possa estar em harmonia com o pai sol e a mãe terra.
Assim como as mulheres, os homens também devem ter um diário.

Diário Solar

Neste diário deves anotar as tuas experiências ao longo do ano
Divide o diário por estações
Coloca sempre a temperatura do dia
Diariamente anota através de palavras desenhos ou colagens como te sentes em relação ao teu corpo, á tua libido, a relação com as outras pessoas, como está a tua capacidade de comunicação, projetos, ideias, insights
Procura observar como te sentiste e que resultados obtiveste em cada estação do ano e em dias com mais ou menos sol.
Anota também as tuas meditações, sonhos, trabalhos com plantas de poder e tudo o que o que te liga á espiritualidade e ao poder da natureza.

Rute Alegria