segunda-feira, 13 de agosto de 2018

13 de Agosto Dia de Hécate




As dádivas da Deusa Hécate 

O dia 13 de agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Essa poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate.
Hécate Trivia ou Triformis era uma das mais antigas deusas da Grécia pré-helênica, cultuada originariamente na Trácia como representação arcaica da Deusa Tríplice, associada com a noite, lua negra, magia, profecias, cura e os mistérios da morte, renovação e nascimento. ”Senhora das encruzilhadas” - dos caminhos e da vida - e do mundo subterrâneo, Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral. É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.
Filha dos Titãs estelares Astéria e Perseu, Hécate usa a tiara de estrelas que ilumina os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior. Neta de Nyx, deusa ancestral da noite, Hécate também é uma “Rainha da Noite” e tem o domínio do céu, da Terra e do mundo subterrâneo. “Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto no aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.
Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte. Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet.
Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora. Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia.
No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe - que presidem a primavera, fertilidade e juventude -, Deméter/Ceres/Hera – regentes da maturidade, gestação, parto e colheita - e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra. Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”.
Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com três cabeças e seis braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).
Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários. Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Essas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).
No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.
Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.
Mirella Faur

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Armário das Vassouras: Assumindo-se Bruxa (o)!



Revelar-se pertencente a uma religião minoritária ainda é angustiante para muitos indivíduos, e isso ocorre por conta do preconceito alimentado pelos discursos de intolerância e ódio de líderes conservadores. Portanto, assumir-se bruxa ou bruxo em uma sociedade que fomenta um medo estrutural diante de tudo aquilo que é diferente se torna um desafio para os que desejam sair do armário das vassouras.

“Armário das Vassouras” é um termo usual dentro da Bruxaria que se refere ao local simbólico em que bruxas e bruxos subsistem, que por diversas questões, não se sentem confortáveis em assumir sua religião socialmente, e esse desconforto é real, e historicamente construído.

A Inquisição é quem fabricou o primeiro “armário das vassouras” para que nossas ancestrais pudessem se esconder e isso não ocorreram apenas com as bruxas, homossexuais e toda sorte de indivíduos perseguidos precisaram, por uma questão de sobrevivência, habitar o escuro e mofado armário. E por séculos passamos a nos acostumar com o lugar marginal que nos foi impostos e muitos ainda hoje preferem a discrição para evitar os olhares inquisidores de seus amigos, chefes e familiares.

É preciso compreender, antes de avançarmos nessa discussão, que os diversos “armários” sociais existentes são intencionalmente produzidos para manter o status quo vigente e reiterar uma normativa sustentada por uma parcela da sociedade que detém o poder, é como “empurrar a sujeira para debaixo do tapete” para continuar na afirmativa que “no meu tempo não existia essa coisa de gay, bruxo, trans, etc.”. Notem que esse falacioso discurso perpetuado por uma maioria conservadora e saudosista é alienante, pois se desconsidera que na verdade homossexuais, bruxos, trans e toda a diversidade sempre existiram, porém silenciada. Portanto, aceitar os “armários” que nos é imposto todos os dias é na verdade continuarmos a reproduzir a opressão e negligenciar os caminhos do respeito à diversidade humana.

Porém a mesma sociedade contemporânea que nos incita a movimentos, justos é claro, de empoderamento é a mesma que no núcleo familiar burguês oprime a garota que se assume lésbica, o garoto de berço evangélico que se identifica com a Wicca, a trans que é forçada a ser quem não é; a mesma que no mundo profissional nega emprego pela cor da pele de alguém, pelo seu cabelo. E sair do “armário das vassouras” representa um risco que inclui diversos fatores como: a perda da aceitação familiar e em casos mais extremos a expulsão da casa dos pais, o preconceito social, a perda de oportunidades de emprego, etc. E por essa razão não basta sair do “armário das vassouras” e pronto tudo está resolvido. Sair do armário como bruxos exige de nós um movimento reflexivo que vai muito além de um mero pentagrama no pescoço.

O dilema do armário das vassouras acompanha a Bruxaria desde o seu renascimento com Gerald B. Gardner, que ao descobrir a Arte precisou ocultá-la por uma questão de preservação de seus membros. Quando o último grilhão foi quebrado, através da queda da última lei inglesa que criminalizava a prática da bruxaria, Gardner, mesmo a contra gosto dos seus, decidiu que havia chegado o momento de não apenas sair do armário das vassouras, mas queimá-lo de uma vez por todas. E assim nasceu todo o movimento que vivemos hoje.

Sair do armário das vassouras é por consequência uma atitude de coragem e reverência ancestral, já que se assumir bruxa é resgatar a memória de diversas vítimas da intolerância, tornando-as por esse ato um símbolo vivo de resistência. Mas para que verdadeiramente ocorra uma resistência significativa é preciso antes fortalecer o indivíduo que decide tomar ela para si, posto que a não compreensão do que se pratica pode comprometer não só o sujeito que se denomina bruxa ou bruxo, mas toda a comunidade a quem ele está se referindo por sua imagem. Por essa razão, assumir-se bruxa não tem relação com a moda que se veste, mas com a atitude que se toma. A maioria das bruxas reais se parece menos com o estereótipo hollywoodiano do que se pensa, e isso tem uma razão de ser: a Bruxaria não é algo que se faz, e sim algo que se é!

Não existem sete passos para você sair do armário das vassouras, não há uma previsão de como seu amigo, chefe ou familiar irá reagir a sua revelação, cada caso é único. Já conheci pessoas que quando me assumia bruxo achavam “super legal” e pelas costas reforçavam o que aprenderam historicamente sobre bruxas: adoradoras de satã. E pessoas que pela sua fervorosa fé considerei: “vão me colocar na fogueira”, quando na verdade foram as que mais se abriram para a alteridade.

O melhor caminho para sair do armário das vassouras é fazendo uma leitura minuciosa do terreno, permitindo com que o tema “Bruxaria” apareça como debate amistoso sem causa de sujeito (você), isso pode lhe dar uma lente por onde começar. Também é preciso considerar que: se você está apenas explorando esse caminho não é justificável que você se denomine bruxa ou bruxo, ser um de nós é algo que leva tempo e começa antes de qualquer coisa com uma desconstrução do que você pensa que de fato é isso, ou seja, primeiro é preciso ser bruxo para si, e só posteriormente emerge a camada social do que é ser um. É preciso refletir também que se assumir bruxo pode requerer um contexto apropriado e lógico, ou seja, há ambientes do cotidiano que não fazem o menor sentido de atitudes afirmativas e de empoderamento, como: uma entrevista de emprego, até pelo fato de que se um entrevistador pergunta sua religião e fundamenta sua não admissão por isso, é uma falta ética do mesmo, devendo ser punida legalmente. Outra questão é ser dependente materialmente de seus pais que obviamente são contrários a sua fé, ou seja, assumir-se bruxo apenas para bater de frente pode criar mais desrespeito de ambos os lados do que respeito, e talvez o caminho mais brando para essa decisão exige antes sua emancipação econômica.

Sair do armário das vassouras é ainda um risco, e pode vir a se tornar um risco maior se continuar essa ascensão fascista que está tomando o nosso país, porém, é necessário continuar fazendo linha de resistência. Assumir-se bruxo, gay, trans, etc., continuará sendo um risco até que a sociedade como um todo mude, mas não podemos também esperar essa mudança sem atitudes que intentem conscientemente a essa transformação. E para isso aposte sempre no diálogo, sobretudo aquele que nasce da coerência e do respeito. Desconstruímos nossos “inquisidores” pelo caminho da sabedoria, ferramenta essa que os ignorantes desconhecem, e se conhecessem deixavam de ser intolerantes! A empatia é uma dialética que precisa ser cultivada.

Por: Sérgio Lourenço

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

GRIMÓRIO, LIVRO DAS SOMBRAS E DIÁRIO MÁGICO



Diferença entre GRIMÓRIO, LIVRO DAS SOMBRAS E DIÁRIO MÁGICO

Existem dois ou três livros que todo bruxo ou ocultista tem, ou deveria ter. São eles: o Diário Mágico Pessoal, o Livro das Sombras e o Grimório. Cada um serve a um propósito específico, mas tem quem junte os três em um só.

              O Diário Mágico é um registro mais informal e subjetivo de todas as suas experiências mágicas, sonhos, pensamentos, reflexões, meditações. É bem próximo de um diário comum e você pode escrever tudo o que julgar pertinente. Não há restrições de cor, tamanho ou papel para o diário mágico. Pode até ser um arquivo digital no computador.
Você poderia escrever como se sente a cada dia e tentar relacionar seus altos e baixos emocionais com as fases da lua ou com os ritmos astrológicos, para quem é ligado em astrologia.
Você vai perceber que quando a lua sai fora de curso, isto é, não está em nenhum signo por algumas horas, sua vida pode se complicar bastante se não tomar cuidado! E que quando a lua está cheia suas reações podem ser bem explosivas.
Muito interessante para as meninas é registrar o seu ciclo menstrual e comparar as impressões que teve em um mês e em outro, talvez estivesse mais sensitiva, ou quem sabe mais melancólica.
Existem pessoas que chamam o Diário Mágico Pessoal de Livro Espelho, mas esse termo raramente é visto em livros como por exemplo "Wicca - Crenças e Práticas", de Gary Cantrell.

        O Livro das Sombras é um intermediário entre o Diário Pessoal e o Grimório. Você vai usá-lo em seus rituais, levando-o para o Círculo. Então já é melhor que seja feito por você, se for bom em trabalhos manuais, ou purifícá-lo e consagrá-lo se for comprado.
Geralmente sua capa é preta e traz um pentagrama na capa. As folhas do seu interior devem ser virgens, não seria interessante usar papel reciclado devido à uma carga energética preexistente. Deve ser consagrado com a energia da Terra, pois traz o conhecimento e a inspiração do Ar, em manifestação no plano físico.
Os bruxos modernos costumam usar um tipo de fichário, seguindo as especificações anteriores, mas com a vantagem de ter folhas removíveis e permitir a separação dos registros  por assunto.
Tradicionalmente, o Livro das Sombras era um "livro de receitas" de rituais, feitiços, cânticos e encantamentos que cada bruxo copiava à mão do livro do Alto Sacerdote ou Alta Sacerdotisa. Atualmente, uma grande parcela dos bruxos são solitários e não foram formalmente iniciados. Mas podem e devem manter um Livro das Sombras com os registros de rituais, sonhos com significações mágicas, reações a exercícios, poemas, invocações, experiências de transe e meditação.
No Ocultismo, o Livro das Sombras é muito valorizado no sentido de fornecer um panorama do desenvolvimento mágico do praticante. É usado principalmente para registrar o treinamento e a execução de exercícios de concentração, visualização, experiências astrais, invocações, etc. e quais os resultados obtidos, facilidades e dificuldades. Alesteir Crowley era enfático sobre a importância desse registro, porque um mago pode mentir para os outros e se gabar de grandes feitos, mas não pode mentir para si mesmo.
O Livro das Sombras não deve ser tocado nem mostrado para ninguém, a não ser outro bruxos ou pessoas que você realmente confia. Aliás, nenhum objeto consagrado deveria ser tocado por outra pessoa, pois ela pode estar ligada à egrégoras contrárias às suas e anular a consagração.
 
        O Grimório é um livro mais "científico", segue o padrão dos antigos tratados de magia cerimonial, trazendo nomes e sigilos de anjos, demônios e elementais; invocações em línguas antigas; um catálogo de ervas e suas regências astrológicas; desenhos de pentáculos, etc. É mais usado por magos cerimonias, de fato, na bruxaria quase não se houve falar dele.
Um Grimório pessoal deve trazer registros objetivos de rituais (ou seja, sem impressões pessoais), listas de correspondências mágicas, instruções para a fabricação de instrumentos mágicos, a relação de sigilos e símbolos, nomes de poder... É um livro que destina-se à preservação do conhecimento mágico, sem o interesse pelas experiências pessoais de um bruxo ou mago. É uma enciclopédia, com informações objetivas e diretas.
Para quem está começando e não tem práticas mágicas regulares, opte pelo Diário. Escreva sem restrições, com a regularidade que quiser. Quando consolidar uma rotina de exercícios, pode iniciar então um Livro das Sombras.


Wisley Almeida - Wicca em Goiânia

Ainda não tem um GRIMÓRIO, LIVRO DAS SOMBRAS OU DIÁRIO MÁGICO? 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

8 maneiras de reconhecer uma BRUXA SOLITÁRIA


Existe um tipo especial de pessoa no mundo que são muitas vezes incompreendidas. Essas pessoas tendem a ser solitárias, espíritos livres, amantes inocentes. Elas olham o mundo como ele poderia ser, embora o mundo raramente as enxergue. São almas antigas, sonhadores e pessoas em sintonia com a vida, tão intuitivas de emoções que podem causar um leve espanto.
Assustam aos outros não por causa de quem são, mas por causa da situação em que se encontram as pessoas que não são, e de tudo aquilo que lhes falta. Estas almas antigas atingem profundidades que muito não podem compreender. Possuem uma conexão natural com o Universo e espontânea com a Natureza, e é por isso que são tidas como pessoas com capacidade suficiente para causar uma transformação na vida das pessoas ao seu redor e uma revolução em todo o mundo.
1. As bruxas solitárias compreendem as profundas conexões da vida, por isso podem parecer distantes, as vezes, e quase sobrecarregadas com o estresse do mundo ao seu redor. Elas, muitas vezes, refletem sobre o amor, a dor e a preocupação. Suas mentes estão trabalhando duro para tentar resolver os problemas do mundo e os problemas de sua própria alma. Elas fazem isso por conta de seu forte desejo de curar o mundo, ajudar aos outros e a si mesmas.
2. As bruxas solitárias possuem mentes curiosas, se inspiram facilmente e desejam aprender o máximo possível sobre o mundo e aqueles ao seu redor. Elas não temem a mudança ou a aventura. Estão abertas a novas ideias e novas maneiras de fazer as coisas. Desejam crescer como pessoas (espiritualmente, emocionalmente e fisicamente), causando inspiração em outros a também crescerem e mudarem e evoluírem.
3. As bruxas solitárias são exemplos de bravura, porque na vida, são incompreendidas, desvalorizadas, vistas como estranhas, chamadas de anormais e banidas dos grupos de pessoas comuns, mas ainda assim sobrevivem! Elas andam pelas estradas mais dolorosas desta vida, e ainda assim, de alguma forma, criam coragem de sorrir. Por serem altruístas. Por apoiarem os outros. De fato, são as pessoas mais corajosas que que caminham neste mundo.
4. As bruxas solitárias são autênticas, e não fazem jogos emocionais, por isso não vão dizer o que as pessoas querem ouvir, para serem aceitas. De seus lábios a verdade, sempre será a prioridade, quer gostem, concordem, compreendam ou não, mesmo que às vezes, a verdade possa machucar. Possuem emoções ricas e mágicas, que são profundas, assim quando estão tristes, não conseguem esconder sua tristeza.
5. As bruxas solitárias enxergam o melhor nas pessoas, mesmo quando elas não conseguem enxergar por si e em si mesmas. Elas motivam os outros a serem melhores, mais fortes, mais autênticos lembrando-os do que é verdadeiramente belo neste mundo. E não somente em palavras, mas seus exemplos de vida inspiram outros a seguirem seus próprios corações e perseguirem os sonhos que habitam no coração de cada um de nós.
6. As bruxas solitárias são extremamente gratas, porque o que é bom neste mundo pode dar a impressão de ser pouco e meio distante, porém elas buscam e apreciam a beleza, procurando o melhor nas pessoas, a beleza a sua volta, e pelas bênçãos da vida. O que as tornam uma luz para tudo e para todos aos seu redor. Suas almas são independentes e voam com liberdade, para que possam compartilhar seu coração aberto com aqueles que precisam.
7. As bruxas solitárias não são materialistas, se preocupam mais com as experiências, não se preocupando com riquezas materiais, nem nada daquilo que o dinheiro possa comprar. Elas valorizam as pessoas, ao invés de coisas, elas investem no que é eterno ao invés de investirem no que é passageiro. Elas doam seu tempo, o que é muito mais valioso do que qualquer valor financeiro. Possuem uma naturalidade para se divertirem, e aventuram-se sem medo. Não estão atrás de amizades superficiais, valorizando a verdade, a sinceridade e a autenticidade. O amor que ela desenvolve por alguém, faz com que esteja junto, quando os sonhos se estilhaçarem, quando a vida ficar difícil, na alegria e também na tristeza.
8. Ser amado por uma bruxa solitária é sentir as vastas extensões dos oceanos, dos céus e das estrelas, tudo de uma vez. Seu amor é um fogo verdadeiro, ardente e profundo que inflama dentro das almas a quem ela se permite amar. É intenso e poderosamente altruísta. Amar e ser amado por ela, traz cura, transforma e molda qualquer um, em pessoas mais apaixonadas. Elas são a centelha divina. São todas as cores do arco-íris, e as profundezas da terra. Seu amor é verdadeiro, seus corações são puros e ao apaixonar-se por ela, nunca mais precisará amar outro alguém novamente.
- Fonte: Recanto de Merlin

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Círculos Sagrados Femininos


"As mulheres estão se lembrando da estrutura celular da comunidade original e procuram caminhos para voltar ao círculo ancestral. O elo que falta nessa busca é a irmandade: poder confiar o suficiente umas nas outras para interagir harmoniosamente e permanecer unidas, enquanto aprendem em conjunto como refazer a tessitura rompida do mundo." - Masawa, We’moon Calendar, 1997

Ao longo da história da humanidade, mulheres de várias culturas reuniam-se em círculos para reverenciar o Feminino, adorar deusas, realizar rituais, celebrar seus ciclos e ritos de passagem, compartilhar histórias, saberes e sentimentos e apoiarem-se. Contudo, essas práticas foram, com o tempo, perdidas, principalmente pela instauração do pensamento patriarcal.

A postura social contemporânea, habitualmente fundamentada no sistema patriarcal vigente, é de distanciamento, exclusão, sobreposição de poderes e falta de contato corporal respeitoso. São fatores que desvalorizam os saberes de alguns grupos em detrimento do estabelecimento de poderes de outrem, controlando e silenciando corpos.

Principalmente com o advento de movimentos feministas e de resgate do Sagrado Feminino, essas heranças do patriarcado têm sido, aos poucos, desconstruídas, sendo retomado o pensamento circular e holístico de culturas matrísticas ancestrais, em que se valorizavam o sentimento de pertença, o estabelecimento de vínculo e a qualidade da presença espontaneamente experimentadas em vivências em rodas. É trazida novamente a importância e o poder curativo da união de mulheres, da sororidade, do empoderamento pelo autoconhecimento e das vivências em conjunto.

"O pensamento patriarcal é essencialmente linear, ocorre num contexto de apropriação e controle, e flui orientado primariamente para a obtenção de algum resultado particular porque não observa as interações básicas da existência. Por isso o pensamento patriarcal é sistematicamente irresponsável. O pensamento matrístico, ao contrário, ocorre num contexto de consciência da interligação de toda a existência. Portanto, não pode senão viver continuamente no entendimento implícito de que todas as ações humanas têm sempre conseqüências na totalidade da existência" (MATURANA, 2004, p. 47).

Quando mulheres voltam a reunir-se em círculo, elas têm a oportunidade de mudar esses paradigmas, valorizando o reconhecimento, o respeito e o sentimento de pertença. Segundo Mirella Faur, o círculo tem o poder de coletar, concentrar e direcionar energias para efetuar mudanças e ajudar nas transformações individuais e coletivas. É um meio de criar um espaço seguro para praticar a comunicação aberta, compartilhar saberes e sentimentos, criar relações baseadas na confiança e no respeito, curar feridas da alma e trocar experiências, reconhecendo a interdependência com o Todo e buscando uma comunhão de valores e objetivos.

"Os círculos de mulheres resgatam e ativam a ancestral conexão com o sagrado, explorando, criando e desenvolvendo formas específicas para expressá-lo em conjunto, mas levando em consideração as visões e sugestões individuais. Os encontros proporcionam um espaço seguro, não encontrado na cultura contemporânea, para apoiar e incentivar o desenvolvimento e fortalecimento pessoal. (...) Os círculos de mulheres podem tecer uma teia firme e ampla para ensinar e divulgar as qualidades femininas de conexão, colaboração, apoio e compaixão, contrabalançando os comportamentos de competição, agressividade, autoridade e autonomia. Em outras palavras, os círculos de mulheres podem resgatar a consciência lunar e telúrica (as práticas da Tenda Lunar), em equilíbrio e interação harmoniosa com a mentalidade e o comportamento solar e marciano (características do Império do Sol)" (FAUR, 2011, p. 56-58).

Independentemente das atividades de cada círculo (realização de rituais, partilha de conhecimentos e sentimentos, desenvolvimento pessoal e espiritual etc.), Mirella Faur sugere que se prime pela igualdade, respeito e responsabilidade, sempre proporcionando o mesmo espaço para as mulheres que do círculo participam, podendo existir uma condutora ou organizadora. Assim, de círculo em círculo, mulheres vão se curando e curando o mundo, desconstruindo os padrões outrora impostos.

"Os Círculos de Mulheres são formados um a um. Cada Círculo expande, para mais mulheres, a experiência de pertencer a um deles. Cada mulher, em cada Círculo, que se transforma através de sua experiência nele, leva estas mudanças para outras relações. Até que, em um determinado dia, um novo Círculo se formará e ele será o Milionésimo Círculo - aquele que faz a diferença - e nos levará a uma era pós-patriarcal" (BOLEN, 2003, p. 35-36).

REFERÊNCIAS

BOLEN, J. S. O Milionésimo Círculo. São Paulo: TRIOM, 2003.
FAUR, M. Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas. São Paulo: Editora Pensamento, 2011.
MATURANA, H. R.; VERDEN-ZOLLER, G. Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.