sexta-feira, 6 de julho de 2018

A beleza de cada ciclo





Para saber mais sobre ciclos leia o livro Lua Vermelha, de Miranda Gray. A autora, que também é artista, professora, terapeuta e criadora da famosa Bênção do Útero, defende que a vida moderna fez com que muitas mulheres se desconectassem de seus corpos e ciclos naturais. O trabalho e os afazeres cotidianos muitas vezes não nos permitem mais vivenciar plenamente cada etapa. As explicações dela vão muito na linha do se conhecer, se observar, se proteger quando necessário. E ela acredita que podemos ser muito mais produtivas ao reconhecermos as energias de cada etapa do ciclo. Não é à toa que o subtítulo do livro dela é: As energias criativas do ciclo menstrual como fonte de empoderamento sexual, espiritual e emocional. Com base em Miranda, as quatro etapas do ciclo, cuja duração e intensidade variam de mulher para mulher, seriam mais ou menos assim:

FASE DA BRUXA ANCIÃ (MENSTRUAÇÃO)  

É o começo do ciclo, um tempo de retiro, quietude, gestação, tempo de escutar o próprio corpo. É o inverno do ciclo. Algumas mulheres podem experimentar um sentimento de aceitação e pertencimento ao todo. O corpo geralmente tem menos energia, fica mais pesado, seios e ventre podem ficar inchados. Muitas mulheres sentem vontade de dormir mais, então pode ser prudente reduzir o ritmo, fazer apenas as atividades indispensáveis. As coisas mundanas costumam ficar menos importantes e socializar pode ser desnecessário. O raciocínio fica lento e podem surgir pensamentos caóticos e intuitivos. Porém, pode valer à pena anotar os insights que surgem para que sejam desenvolvidos mais a frente. As emoções vêm à tona com facilidade e convém deixar chorar. A energia sexual se intensifica. Pode haver uma sensação de vazio ou perda e a extrema sensibilidade empática pode tornar o mundo difícil de suportar. Pode valer à pena procurar um tempo para ficar sozinha e relaxar. Menstruar “mentalmente” significa recolher-se do mundo.

FASE DA DONZELA (PERÍODO PRÉ-OVULAÇÃO)

É o tempo de expressar as ideias que surgiram na fase da Bruxa Anciã, trazer o subconsciente à luz. É a primavera do ciclo. O tempo de luto acabou, portanto pode ser uma boa hora para regenerar a vida, com força e confiança renovadas. As energias são dinâmicas e focadas em novos objetivos. Pode ser uma boa fase para começar novos projetos ou continuar os que estão em andamento. É comum que a mulher sinta alegria de viver, disposição, energia e confiança em suas capacidades. O dinamismo mental e físico costuma tornar o pensamento claro e analítico. Comunicação e sociabilidade são intensificadas. Pode ser uma boa oportunidade para examinar finanças, casa, relacionamentos e objetivos. A sexualidade é extrovertida, direcionada ao flerte e à diversão.

FASE DA MÃE (OVULAÇÃO)

É um tempo de doação de seu amor e capacidades. É o verão do ciclo. Muitas mulheres, nessa fase, reconhecem a conexão com a Terra. É comum sentir força e energia radiantes e sentimentos de contentamento e completude. Costuma ser uma fase de energias criativas, amor e harmonia profundas. Autoconfiança e o amor próprio em abundância podem permitir apoiar e encorajar outras pessoas. Geralmente há forte impulso sexual e pode surgir um profundo amor pelo/a parceiro/a, uma vontade de doar-se por completo.

FASE DA FEITICEIRA (PRÉ-MENSTRUAÇÃO)

Nesta fase, as energias são novamente orientadas para o interior. É o outono do ciclo. Há menos força e disposição e a mulher pode se sentir mais agitada e cansada. Costuma crescer uma vontade de interagir e aprender com o interior. O cansaço e a sensibilidade emocional costumam aumentar, enquanto que a concentração e o pensamento diminuem. Quanto à sexualidade, a mulher pode sentir-se sensual, erótica e um pouco “bruxa”. Pode ser importante buscar uma forma de expressão criativa, estando preparada para destruir tudo se sentir vontade. Pode ser que a mulher diga a verdade sem pensar, que fale sem consideração pelos outros. É comum tornar-se menos sociável e pouco disposta a doar seu tempo aos outros. É comum surgirem energias destrutivas nessa fase, que podem ser usadas para levar embora o velho e indesejável. A morte do velho é necessária para o nascimento do novo. É assim que se encerra mais um ciclo pessoal.

As fases do ciclo feminino são fortemente influenciadas pelas fases da lua. Em suma, as fases pré-menstrual e menstruação são, de maneira geral, orientadas para o interior da mulher (outono e inverno do ciclo, fases da feiticeira e da bruxa anciã, respectivamente), enquanto que a pré-ovulação e a ovulação são fases mais dinâmicas e orientadas para o exterior (primavera e verão do ciclo, fases da donzela e da mãe, respectivamente).

E quem não menstrua?

É como se estas mulheres já tivessem absorvido uma sabedoria enorme, que aprenderam pouco a pouco, ao longo de sua vida menstrual. E que agora seguem as fases da lua. Para muitas mulheres, talvez nada disso faça sentido. E tudo bem. Mas outras podem se identificar.

- Fala Frida

A bruxa, a velha anciã, a sábia.

   

É comum a ideia de que a terceira idade é o final de um ciclo da vida ou melhor, o ciclo individual da vida de alguém - embora todos passaram, estão passando ou irão passar por isso -, a ideia da velhice foi transformada conforme os séculos , décadas! A visão distorcida e de desprezo pela velhice surge a partir do momento em que a sociedade julga a invalidade de um ser humano que se tornou velho, mesmo que ser velho ou estar velho não faça de alguém um monstro. A ideologia de que a beleza é extremamente importante e necessária traz o medo de uma futura idade, essa ideia atinge principalmente as mulheres, que por sua vez temem os cabelos grisalhos, as rugas pelo corpo - mais temor pelo rosto -, os problemas de saúde que tendem a aparecer ou piorar, a incapacidade para muitas atividades como trabalhar, atividades físicas que pedem deste idoso uma melhor condição física e também uma boa saúde, a incapacidade e invalidez de ser livre, afinal, passa a necessitar de mais cuidados e isso pode ser visto pela própria pessoa que envelhece como uma incapacidade e por quem tem que ajudá-la, como um fardo, tudo isso graças à padronização de uma só beleza.

A ideia da velha sábia foi trazida não só na época da inquisição, quando as grandes portadoras da sabedoria medicinais (parteiras, "médicas" curandeiras e etc.) eram julgadas e condenadas como bruxas, pelo simples fato de entenderem e estar mantendo tradições bem mais antigas, mas foi trazia desde muito antes disso, quando a ideia da velhice era um ciclo natural, muito mais aceitável e sempre vista de forma benéfica, com a velhice não vinham somente as rugas e os cabelos brancos, mas vinham as grandes sabedorias de uma longa vida.
A imagem da bruxa velha, cheia de rugas, cabelos brancos e desarrumado, a verruga na ponta do nariz, o caldeirão de poções, o gato preto, a personalidade maléfica e de uma risada escaldante e perversa, a vassoura e os locais sempre descritos como cavernas escuras, casas de doces para atrair crianças e tudo relacionado a ideia figurativa de uma bruxa "real", trazem a ideia da opinião controversa, a de que a mulher jovem é muito mais valorizada do que a mulher velha, afinal, a mulher em si deve ter o poder de reproduzir, ser fértil e bela e a velha é vista como a mulher acabada, sem qualquer utilidade, pois não podiam ter filhos mais. A ideia da bruxa solitária, escondida nas cavernas escuras com seu gato preto traz uma ideia interessante sobre a ideologia errônea de uma bruxa má e antissocial, que prefere estar longe da sociedade por não ter qualquer utilidade para a mesma, sendo assim, vive só na escuridão com seu gato - em suma, gatos na cor preta -, a mesma ideia de uma mulher que "ficou pra titia" ou que não pode fazer seu papel, papel este que é imposto por uma sociedade machista culturalmente.
Não somente isso a ideia figurativa de uma bruxa em contos de fadas da Disney, traz a tona a velha bruxa má, com conhecimentos sobre feitiçaria/bruxaria, com poderes sobrenaturais e sempre vingativa, rude, maléfica, desprezível e que deve ser morta, ideia esta que traz, ainda assim, todo o contexto cultural do machismo de que a mulher deve ser anciã ou donzela, mãe ou avó, útil ou não, fértil ou desprezada, má ou boa, bruxa ou princesa, ter um bom comportamento e ser ideal ou ser má e não servir dentro do padrão. Enganam-se aqueles que entendem a velha por velha, pois a velha é a representação de alguém rude e por vezes sem paciência e mal educada, cansada e sem serventia, não é somente essa visão que cabe a esta ideia figurativa, mas também a ideia de que a mulher livre e portadora de grande sabedoria é mal vista. Por isso, a visão da bruxa é sempre figurativa e motivo de zombaria, não é atoa que nós, bruxas sofremos pela confissão ingênua e até mesmo espontânea de ser, é sempre aquele papo: "Você voa em vassouras?", "Mas, cadê a verruga?" e etc. A visão da velhice como um problema acarreta uma série de problemas reais, como o abandono do idoso por parte de seus familiares, o desprezo por sua velhice ("Não quero ser velha", "Um dia a beleza vai embora"...) e vendo a velhice com o significado de rugas e cabelo branco, morte e inutilidade que se tem a falta de consideração por quem porta, por experiências vividas, grande sabedoria. E não, a beleza não acaba, a beleza está dentro dos olhos, em cada curva das rugas, em cada fio de cabelo branco, afinal, a velhice é uma preparação para um novo recomeço (reencarnação), por isso, como qualquer parte do ciclo chamado vida, a velhice é e deve ser bem vinda e aceita. Em cada ciclo há uma beleza.  

As energias da Anciã


As energias da anciã são as energias da fase menstrual, da Lua Escura e do Inverno. É um momento de quietude, hibernação, de sair do mundo exterior e se conectar com o mundo interior, mais profundo.
Já desapareceram as emoções turbulentas, as instabilidades de humor, as oscilações das energias física e mental da fase da Feiticeira. Já se foram as carências , a vulnerabilidade , a inspiração selvagem e os comportamentos compulsivos. Finalmente, como o mar depois da agitação da maré baixa, estamos quietas e em paz.
Assim como a Lua esconde a sua cara do mundo por três dias, a nossa energia também se retira. Somos como a terra no inverno, quando os animais e as plantas hibernam e a força da vida já não está mais presente, ela voltará somente na primavera.
Para muitas de nós essa retirada pode ser amedrontadora. No mundo moderno, preenchemos cada hora de nossa vida com coisas e atividades. Não podemos sequer esperar numa fila sem pegar o celular e consultar o Facebook ou ouvir música. O vazio e o tédio são coisas do passado, ainda que a nossa natureza cíclica esteja clamando por isso. Nessa retirada , nesse vazio, incorporamos o mais profundo de nós mesmas, as partes que vão além das preocupações do dia-a- dia e estão em uníssono com o Universo. Para muitas, isso é sentido como uma depressão – mas na realidade, é um estado de consciência alterada maravilhoso, quando tocamos a face do Divino e podemos derramar nosso ego e nosso amor, podemos nos aceitar, curar e restaurar.
Pode ser fácil dar as boas vindas ao final da fase pré-menstrual, mas pode ser desafiante ficar quieta no coração do labirinto, sentada, acolhendo o silêncio e a escuridão. Reunir–nos com outras mulheres para reconectar com a sacralidade desse momento pode ajudar. Fazendo isso podemos apreciar o sagrado no nosso corpo e na nossa feminilidade, tomando consciência de que nossas ancestrais também se retiravam do mundo nesses momentos para se concentrarem na cura e na renovação da conexão espiritual.
A relação do momento de sangramento com as fases lunares pode variar durante a nossa vida, nos orientamos ao “Ciclo da Lua Vermelha” (quando sangramos ao redor da Lua Cheia) ou ao “Ciclo da Lua Branca” (quando sangramos ao redor da Lua Escura), variando de acordo com nosso enfoque e propósito de cada momento na nossa vida. Todas as orientações são naturais.
No passado, enquanto as mulheres se recolhiam na Tenda Vermelha para compartilhar a menstruação, outras tantas caminhavam pelo mundo mostrando a cara exterior da Divindade Feminina. Enquanto umas mulheres estavam celebrando debaixo da luz da Lua Cheia, outras estavam recolhidas na Tenda Vermelha, recordando a todas a presença da Lua Escura em todos os aspectos da vida.
A Anciã nos oferece um santuário para nossas vidas agitadas. Ela diz, ‘Tudo está bem. Solte. Aceite. Recolha-se. Descanse e sonhe acordada’. E então podemos emergir do inverno dos nosso corpo e brotar na primavera, renovadas e cheias de energia.
Dando as Boas Vindas à fase menstrual da Anciã, à Lua Escura, ao Inverno e à fase pós-menopausa

Anciã Menstrual:
Pare.
Solte.
Permita-se soltar as expectativas da vida moderna. Frequentemente lutamos durante essa fase para cumprir prazos e para fazer as coisas que temos que fazer. Porém, o Divino Feminino nos pede para descansar e nos concentrar na nossa relação com Ela.
Honre esse momento desacelerando, indo dormir um pouco mais cedo, e fazendo coisas nutritivas para você.
Crie a sua própria Tenda Vermelha, no seu quarto – deite embaixo de uma manta vermelha, acompanhada de livros espirituais e música, com comida gostosa e desconectada da internet .
Use o meu livro ‘ Mensagens Espirituais para Mulheres’ para manter o foco em seu sonhar acordada e se conectar com a Divindade Feminina.
Lua Escura da Anciã:
Se for possível, tome um banho de banheira.
Imagine a cúpula do céu sobre você, cheia de estrelas. O céu está sem Lua.
Você está boiando nas águas do coração do labirinto, flutuando nas estrelas.
Em seu ser, você sabe que é uma com as estrelas do Universo, que faz parte dessa da linda energia da Divindade Feminina.
Em seu ser, você conhece o propósito da sua alma.
Em seu ser, você sabe que é amada e que está repleta de amor.
Descanse, em silêncio, neste maravilhoso conhecimento.
Se não puder tomar um banho de banheira, você pode tomar uma longa ducha ou usar uma cumbuca de água (talvez a cumbuca do Útero) como um foco para essa meditação.
Para obter mais ideias, dê uma olhada em ‘ Lua Vermelha – Compreendendo e Utilizando a Criatividade Sexual e Espiritual do Ciclo Menstrual’ .
Anciã do Inverno:
O inverno é um momento para recolher-se, para se esquentar perto do fogo e compartilhar histórias mágicas, míticas e lendárias. Era a estação dos ancestrais, quando a sua presença era percebida na terra, trazendo sabedoria e direção.
Com a escuridão do inverno, vem um ponto de inflexão, quando o sol fica parado e, então, pouco a pouco começa a subir de novo. A Anciã do inverno acolhe ao o bebê – sol no seu útero antes do seu novo parto no mundo. Ela também nos acolhe, nos dá espaço para ser nutridas, para descansar e crescer em nosso completo potencial antes da chegada das novas energias da primavera.
No começo da estação da Anciã (31 de outubro no Hemisfério Norte e 1º de maio no Hemisfério Sul), amarre uma fita vermelha nos galhos de uma árvore ou planta – em algum lugar onde você possa observar diariamente. A fita simboliza a menstruação da Mãe Terra, nos lembra como conectar com ela através da nossa própria fase menstrual, honrar esse momento sagrado, desacelerando e expressando o nosso amor, a gentileza e a consciência espiritual.
Anciã Pós-menopausa:
‘Menopausa’ é o nosso último sangramento menstrual e depois disso somos ‘pós- menopáusicas’. As mudanças que começam na fase Feiticeira da nossa vida vão para a fase da Anciã. As energias arquetípicas dentro de nós aparecem na nossa vida para serem amadas e respeitadas , e assim podem unir-se no auge da vida feminina em uma ‘Mulher Plena’. Como uma Mulher Plena, vivenciamos uma quinta fase, quando todas as energias arquetípicas estão unidas e ao mesmo tempo disponíveis de forma individual para nós. Temos a visão expandida da Anciã e por isso, somos Mulheres Sábias, temos o aspecto gentil e sem ego da Mãe, e assim somos Mães Escuras e Avós .
Celebre essa fase maravilhosa de sua vida com uma afirmação matinal simples e poderosa:
Eu estou centrada e repleta de Sábia Mãe.
Eu trago sabedoria e cura para as almas neste mundo.
Sinta ou imagine que você é uma Anciã da mitologia- repleta de poder espiritual, sabedoria e totalidade.


"Dentro de mim e de ti reside uma bruxa velha.
Uma bruxa velha que já viu coisa sem futuro até demais...
E sabe discernir quem é quem nessa comédia da vida.
Na verdade todo mundo tem uma bruxa velha morando dentro de si, só que uns tem muita vergonha, ou medo dela...
E a desprezam.
Sufocam.
E se jogam na fogueira das vaidades...
Outros não. Pelo contrário! Porque não somos nem bestas...
Então, ó, pra gente como nós...
Não venha com palhaçada...
Porque não, não interessam os títulos...
A grana, muito menos.
Os canudos, as viagens, nem a longa e orgulhosa lista de privilégios...
Não se deem ao trabalho...
Guardem.
Ensaquem, devolvam ao pó.
Nada nos dizem, essas tranqueiras aí...
Jogadas sobre a mesa, penduradas na parede, passadas na cara...
Ou no mural do Instagram.
Porque nos interessaria sim, quem sabe...
O que fazem com toda essa carga, pra que não seja vã.
Que tipo de gente tudo isso produziu.
E uma vez que, ao destilarem meio mundo de bobagens...
Dessa lista lançam mão, para tais bobagens justificar...
Quer saber?
Me errem,
Tenho mais o que fazer.
Porque já ficou claro que essa coleção de "virtuoses"...
Que pena...
Só serve de ostentação.
Bagagem é bom quando inclui caráter!
Quando inclui humildade, empatia, compaixão...
Pois uma bruxa velha vive dentro de mim...
Da qual não me envergonho...
É minha amiga, mestra, guardiã...
E graças a ela, aprende-se a separar o que é riqueza...
O que é sabedoria,
O que tem valor...
Dessa festa de mesquinharia." -

Gi Stadnicki 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Deusa Mãe TERRA



"No princípio era a Mãe. O Verbo veio muito depois e iniciou uma nova era: o patriarcado." - Marilyn French

"Deusa sagrada, Mãe Terra,
Tu de cujo ventre imortal
Surgem deuses, homens e animais,
E folhas e botões e flores.
Sou aquela que inicia;
De mim jorram os anos;
De mim, deus e homem,
Sou igual e completa;
Deus muda, e o homem também, e suas formas corpóreas;
Eu sou o espírito...
Primeiro, a vida de minha fonte
Primeiro jorra e nada;
De mim surgem as forças
Que salvam ou amaldiçoam;
De mim, o homem e a mulher, e animais e aves silvestres;
Antes de Deus existir, eu existo."

A GRANDE MÃE TERRA

Diante das cavernas, à luz pálida do luar, os homens do princípio dos tempos se reuniam reverentes, acendiam fogueiras e cultuavam a Grande Mãe Terra. Encontravam nela proteção, alimento e amor. Durante centenas de milênios, muitas civilizações vieram e passaram... De algumas poucas restam desgastados monumentos, de outras, ligeiras lembranças escondidas em lendas e mitos... Porém, da grande maioria só chegou até nós vagas memórias genéticas, passadas de pai para filho como um grande eco a ressonar nas regiões mais profundas do inconsciente. Cada uma destas civilizações teve seu meio próprio meio de expressão, sua forma específica de ser, seus objetivos, sua cultura, seu sistema de vida. Mas em todas elas o culto a Mãe Terra se manteve presente, por mais diferentes nomes fosse ela conhecida, Gaia, Teia, Pachamama, Babalon, Isis, Mãe Maria, Ishtar, Mariah. Algumas vezes, como na Idade Média, seus cultuadores foram seriamente perseguidos, presos e massacrados. Mas, talvez por ser como uma erva que acha sempre um meio de nascer e vir à luz do Sol, mesmo que seja num pátio asfaltado de estacionamento de um supermercado, o culto a Grande Mãe nunca morreu completamente, voltando sempre e sempre... Trazendo consigo sua mensagem de aceitação, renovação e crescimento. Por isto, muitas vezes, é confundido como um culto feminino, pois ele traz em si o poder do recolhimento silencioso, da gestação materna, da criação da nova vida e do cuidado amoroso durante crescimento, entregando confiante ao mundo o fruto de seu ventre, até que um dia venha a retomá-lo em seu seio, para o longo sono dos imortais. A Doutrina da Tradição guardou em seus tesouros de conhecimento uma série de ritos e práticas buscando fazer uma sintonia maior com a Grande Mãe. Os que têm acesso a este conhecimento e os colocam em prática, conseguem para as suas vidas proteção e fertilidade, que juntos formam a prosperidade serena.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O SAGRADO MASCULINO – A SABEDORIA DO HOMEM SAGRADO


Assim como as mulheres os homens também tem seus ciclos e é muito importante tanto para os homens como para a sua companheira, conhecer o seus ciclos honra-los e respeita-los.
O ciclo do homem é ligada a energia do nosso pai o Sol.
E esta intimamente ligado as quatro estações: primavera, outono, verão, inverno. Sendo que nas estações de maior luz solar e calor o homem restaura sua força: primavera e verão.
Então sabendo disso o homem sabe que a estação do mês para ele abrir novos negócios e fazer mudanças em sua vida é sempre a primavera, porque é a estação mais favorável para um homem sagrado adquirir força e poder. O verão é onde atinge seu ponto mais alto de poder, esta estação é muito favorável para ser eleito pela mulher amada.
No outono é a estação de se recolher, voltar para o útero da mãe terra, se preocupar em ajudar a mãe terra, servir de adubo para a vida na terra, se preocupar em conscientizar as pessoas sobre ecologia e ajudar a mãe terra a se fortalecer. Seu Ciclo como todos os ciclos representam o ciclo da vida, nascimento, crescimento, envelhecimento e morte.
Os homens passamos por esses ciclos de Nascimento, Morte e Renascimento ao longo do ano. Porque os ciclos masculinos diferente do feminino é anual.
O homem que entende seu ciclos e age de acordo com eles, segue o fluxo da natureza. Com isso obtém maiores resultados em sua vida no geral. E respeitando agindo dentro dos seus ciclos, ele faz a roda de sua vida girar, de forma fácil, harmoniosa, deixando a força do sol e das estações anuais o auxiliarem em suas conquistas em pró de si mesmo e em pró do planeta.
Porem essa informações foram praticamente escondidas dos homens, com isso podemos ver que o sistema patriarcal não prejudicou só as mulheres, prejudicou muito aos nossos irmãos do sagrado masculino que foram obrigados a nascerem em um sistema doente e perderam muito do conhecimento sagrado que antes tinham sobre eles mesmos, um destes conhecimentos era marcar os seus ciclos e de vivê-los de maneira total.
Em cada ciclo o homem tem o amparo de alguns Deuses o que nada mais é do que os arquétipos da luz, ou seja a representação da divindade com energia masculina, esses arquétipos vem para ligar nossa sacralidade com a sacralidade divina. Então em cada estação o homem pode pedir auxilio a uma das forças do Deus pai, bem como pedir auxílio o ano inteiro ao pai Sol:
Inverno – Hórus (como criança), Krishna (como criança), Hades, Osíris, Shiva, Criança Solar, Set, 
Ull (ou Wulder).
Primavera – Adonis, Brahma, Dionísio, Eros, Himineu, Cernunnos, Marduk, Pã, Shu.
Verão – Apolo, Hórus (como Falcão Solar), Dagda, Hélio, Khepri, Rá,Lugh,Zeus,Hanumam, Agni, Cernunnos,Surya.
Outono – Adonis, Dumuzi,Tammuz,Osíris,Merlim,Odin,Shu,Anúbis,Thot.
É muito importante também que o homem honre e respeite os ciclos de sua companheira, procure conhece-los para assim poder fazer, porque isto também faz parte da natureza tanto do homem como da mulher,isso é estar em harmonia com o pai sol e com a mãe terra.
Assim como as mulheres os homens também podem ter um diário.
neste caderno ele anota suas experiências que teve o ano todo buscando observar como se sentiu e que resultado ele teve em cada estação do ano e em dias com mais ou menos sol. Esse diário é maravilhoso porque faz o homem entender melhor seus ciclos, sabendo nos anos subsequentes qual são os momentos que sua ligação com a natureza lhe são favoráveis. Também pode anotar suas meditações, sonhos, trabalhos com plantas de poder e tudo que o liga com sua espiritualidade e poder da natureza. Este diário tem um nome, chama-se Diario Solar.
 Carlos Caruso