terça-feira, 25 de agosto de 2015

Animais Sagrados - Xamanismo



“Se você falar com os animais, eles falarão com você.
E assim, vocês conhecerão um ao outro.
Se você não falar com eles, não os conhecerá...
    E aquilo que você não conhece, você teme.
    E aquilo que se teme, se destrói.” - Autor Desconhecido


Em todas as tradiçoes xamânicas os animais são vistos como arquétipos, símbolos de energias que existem e que podemos encontrar e manifestar dentro de nós. 

E como arquétipos energéticos, cada pessoa tem seu "Animal de Poder", “Animal Negro”, “Animal Dourado” e seu “Animal Alado”, que correspondem às características que aquela pessoa necessita desenvolver, aprender e manifestar em si, em determinado momento de sua vida.

A sabedoria existente em um animal específico, não está necessariamente ligada com sua aparência ou com os pré-conceitos e crenças criados a respeito do mesmo pelo homem, e sim pelo seu poder natural.

ANIMAL DE PODER

Todos nós possuímos apenas um. No contexto de cura do Grande Espírito ele representa nosso ego e características da nossa personalidade. As personas (máscaras) que usamos, nossas habilidades conhecidas e aquelas a que ainda não tivemos acesso.

ANIMAL NEGRO

Significa “o nosso lado negro”, a única força existente em nós que consegue combater a força da magia negra. Este animal recebe e compartilha esta força da Mãe-Terra. Representa nossa sombra, nosso lado escuro, que ao ser iluminado pela luz do conhecimento nos remete a transformação. Todos nós possuímos um lado negro e um lado de luz. Quando negamos essa energia existente em nós humanos, não permitimos o nosso crescimento e as soluções de todos os nossos problemas.

ANIMAL DOURADO

Representa nossa cura interna. A luz dourada da sabedoria. Significa todos os nossos conhecimentos adquiridos em todas as vidas. É o elo de proteção do nosso eu com o Grande Espírito.

ANIMAL ALADO

Nosso animal espiritual. Ele traz a visão transcendente da situação e o poder para resolvê-la. Nos ajudando a ir além de nossa visão pessoal, a encontrar as soluções através dos arquétipos, forças sagradas e divinas.

Tanto o Animal de Poder, como o Animal Negro, Dourado ou Alado, é que escolhe a pessoa e não o contrário. Através de uma jornada xamânica a toques de tambor o animal se apresenta para a pessoa. É importante não deixar que o ego interfira no seu processo de encontro com o Animal Sagrado. Muitas vezes a pessoa deseja que seu animal seja o mais bonito ou mais forte em sua opinião, e esses desejos do ego acabam atrapalhando a apresentação do animal que ela realmente necessita.

É importante lembrar que nenhum animal é melhor ou pior que outro.

Uma vez que descobrimos nossos Animais Sagrados, devemos estabelecer um relacionamento com os mesmos. Devemos invocá-los, ao realizar nossas tarefas do dia a dia, visualizá-los freqüentemente perto e dentro de nós, e buscar aprender a desenvolver e manifestar suas características. Lembrando sempre que ao invocar o Animal Sagrado, seja o de Poder, Negro, Dourado ou Alado, não invocamos algo que vem de fora, e sim a energia animal que está dentro de nós.

Outro motivo de confusão no meio xamânico é quanto ao termo “Totem”. Conforme trilhamos o Sagrado Caminho do Xamanismo, aos poucos, vamos construindo nosso Totem Sagrado, que corresponde na verdade, à unificação dos Animais Sagrados, dos Animais Guardiães das Quatro Direções e os Animais dos Clãs, que vão se associando ao nosso Eu Xamã e formando assim, nossa Identidade Xamânica. Apenas um xamã experiente e com vários anos de caminhada pode afirmar que possui um Totem desenvolvido.

Mesmo após desenvolvermos um Totem Sagrado, outros animais ainda podem se apresentar para determinada pessoa, dependendo do trabalho que a mesma está realizando ou vai realizar. Estes animais são conhecidos como “Animais Auxiliares”.

É muito importante estarmos atentos aos sinais e mensagens que o arquétipo do animal está nos passando. Eles podem aparecer em sonhos, jornadas, no dia a dia, na mente, através de um filme, desenhos, pinturas, ou através de outros meios.

E se quisermos realmente compreender as características de um determinado animal, devemos estudá-lo, para entender o que ele tem para nos passar. Estudar seu habitat, hábitos, o que come, medos, presas, sons que manifestam e outros detalhes, será a oportunidade de aplicarmos seus ensinamentos em nossas vidas.

ALGUNS ANIMAIS E SEUS SIGNIFICADOS

Na perspectiva xamânica todos os animais são considerados sagrados e todos trazem um significado e valor espiritual específico. São reverenciados e honrados por diversas culturas antigas e por todas as tradições xamânicas do mundo.

PAVÃO

O Pavão simboliza bondade, generosidade e magia. Ele possui um antigo conhecimento de magia e é capaz de trabalhar a energia para criar tudo o que quer.

Na Índia suas penas são utilizadas para afastar espíritos malignos. No Xamanismo Ancestral existe o Clã do Pavão, que rege o elemento Fogo.

Este animal também nos trás o senso da bondade, generosidade e capacidade de abarcar a vida.

Passáro grande e gracioso, o Pavão vive num corpo no plano terrestre e que precisa aproveitar sua capacidade para manifestar prazeres hedonísticos. Sua forma é bela, mas ele não esta apegado a ela: estar em um corpo é como usar uma máscara. Quem domina a arte de pôr e tirar as máscaras quando bem entende vive no corpo com uma liberdade que lhe permite brincar.

O Pavão tem muito a nos ensinar sobre humor, o tipo de humor que nos impede de abusar do poder. Possui o dom de pegar as coisas no ar. E como todos os dons, deve ser tratado com gratidão e alegria. Pois há uma grande generosidade nesse modo de ser.

LOBO

O Lobo simboliza inteligência, sabedoria e cura, ele partilha sua energia com os demais.

Ele é o arquétipo do professor, precussor de novas idéias. Ele sai, aprende e volta ao seu clã para ensinar o que aprendeu.

O Lobo quando encontra e escolhe uma parceira geralmente é para o resto da vida, é ligado à família, embora mantenha um caráter individualista e solitário.

A energia desse animal nos ensina a buscar nossa verdadeira matilha, nosso clã, família ou escolher um(a) companheiro(a) que possa acompanhar esse novo ciclo. Mas também importa, acima de tudo, em isolar-se de forma que possa escutar sua voz interior. Podendo ser um isolamento em algum Lugar de Poder, ou se não for possível esse isolamento, busca pelos ensinamentos sagrados nos quais acredita que a sua voz interior possa vir a manifestar-se com clareza. Busca sua intuição. Com certeza, se há algum impasse, ao invocar a energia do Lobo como Animal Sagrado, o xamã será impelido a aprender com sua própria sabedoria, ou com a sabedoria ancestral. Aprender a escutar sua própria intuição e voz interior.

CAVALO

O Cavalo simboliza liberdade, força e poder. Seu poder não esta ligado à espiritualidade, não tem nada a ver com nenhuma doutrina ética, não é símbolo de nenhuma ideologia.

O Cavalo significa poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força e clarividência. Nada encarna melhor o espírito de liberdade do que os Cavalos selvagens. Para os xamãs, são considerados veículos seguros para viajar tanto no mundo físico quanto no espiritual. Esse animal está relacionado ao planeta Marte, que nos Vedas (escrituras sagradas) exterioriza o arquétipo de Agni (Deus do Fogo), sendo o fogo um dos elementos mais poderosos da natureza. Agni reje os rituais, as celebrações e as cerimônias sagradas.

ÁGUIA

Águias são consideradas um bom augúrio. Elas representam a proteção, sabedoria, abundância, força, espiritualidade. Muitos xamãs dizem que quando se está rezando ou fazendo cerimônias, e elas aparecem no ar, significa que as preces serão atendidas. A Águia carrega nossas preces diretamente para o Grande Espírito.

Ela fala da energia e poder das Quatro Direções, do fluxo sagrado. Ela fala da verdade que ecoa em nossos corações e espíritos. E ela fala em andar na beleza.

A Águia é a mestra das alturas, ela mantém um perfeito equilíbrio entre a Terra e o Céu. Representa a energia solar. É o equilíbrio de três energias: o Céu simboliza nossa natureza espiritual, a Terra nossa natureza física e o Sol energia de vida. A águia guia e traz equilíbrio e harmonia entre essas tres forças essenciais.

A Águia nos ajuda a ver acima da ignorância, ela é a conexão do Eu Inferior com o Eu Superior. Os nativos norte-americanos dizem que ela voa perto do Sol, significando a iluminação do Grande Espírito. Ela ensina a atacar com coragem o medo do novo, do desconhecido, para conhecer novos horizontes, a ir por níveis superiores de consciência. É o simbolo da liberdade.

A Águia tem sido cultuada e reverenciada por muitos povos há milênios. É incontestável a força do seu simbolismo no inconsciente coletivo da humanidade. Curandeiros e xamãs usam suas penas como um importante instrumento de poder curativo.

Com os olhos da Águia podemos ver com a visão da luz solar clareando a verdade na escuridão da ilusão. Esta visão clara permite-nos ver à distância, para enxergar a nossa própria vida, livre de preconceitos e preocupações. Permite-nos voar longe dos limites dos detalhes, focando as coisas mais importantes e, desenvolvendo nossos espíritos.

A Águia ensina a ampliar a percepção sobre nós mesmos além dos horizontes visíveis.

TUBARÃO

O Tubarão simboliza a morte, a transformação. Trata-se de um animal predador, que significa audácia, coragem, velocidade, astúcia, agressividade, e acima de tudo poder sobre a morte.

Ele é o rei dos mares, o símbolo sagrado de Netuno, o Deus dos Oceanos e representado como o Deus Varuna, na Mitologia Hindu. O Tubarão nos faz despertar para o triunfo. A morte representada por este animal esta relacionada à transformação. Somente podemos emergir para a superfície, para Luz, quando ultrapassarmos os limites mais sombrios do fundo do oceano, nossos sentimentos mais intrínsecos. Morrer para reviver.

A energia de transformação do Tubarão consiste em jogarmos para fora tudo que não nos serve mais, e aceitar a morte como estado de transformação e triunfo.

GOLFINHO

Os Golfinhos são mamíferos marinhos muito sensíveis, brincalhões e desenibidos - e tem muito a nos ensinar sobre a pura alegria de viver.

O Golfinho rege a comunicação, que consiste de certos padrões e regras. Padrões e regras que ao observarmos, notaremos que sua comunicação com os demais é realizada através de padrões e ritmos, necessários para ocorrências de palavras. As pausas entre os sons também fazem parte da linguagem. Graças à sua facilidade de comunicação é considerado o "Hermes do Mar". É próprio do golfinho, como Animal de Poder, perceber a continuidade em todas as ações da vida. Quando nadamos no mundo dos golfinhos valorizamos mais a simplicidade, alegria, as realidades material e espiritual, assuntos como telepatia (como tipo de comunicação) e viajens e experiências xamânicas, devido sua ligação com viajens oceânicas em grupo.

TIGRE

O Tigre é o animal mais feroz, enfrenta inclusive o Leão, que é considerado o rei das florestas. Ele é um animal felino. Representa beleza, vaidade, astúcia, inteligência e coragem. Um caçador nato, porém solitário e silencioso.

De tão grande, ele chegando a medir em média três metros de comprimento e a pesar quase quatrocentos e sessenta quilos.

No Xamanismo Ancestral o Tigre possui um simbolismo muito importante, ele serve de acento para Shiva Shankara, o Pai-Céu, significando que Shiva dominou às forças da natureza!

O Tigre é um animal de aproximação lenta, de preparação cuidadosa e que aproveita as oportunidades para atacar, chegando a alcançar oitenta quilômetros por hora em suas cassadas.

Por ser possuidor de uma força muscular imensa, é capaz de correr distâncias para perseguir suas presas. Ele estuda suas presas e também seus inimigos. Possui uma audição fora do comum, olfato aguçadíssimo e visão seis vezes maior que a do ser humano, principalmente à noite.

Este animal nos ensina a ter foco na vida e paciência. É um animal independente e muito confiante.

ONÇA PINTADA

A onça é um animal deliberadamente solitário. É astuciosa, observa os movimentos da presa antes de atacá-la. Possui a capacidade de aprender e conviver consigo mesmo e a não depender dos outros para atingir seus objetivos. Ensina a conquista do nosso espaço, a cautela, o saber agir, a habilidade e a agilidade.

Para muitos xamãs, suas presas são utilizadas como poderosos amuletos, como também serve de troféu para grande guerreiros.

CASTOR

O Castor como Animal de Poder nos ensina a arcar de modo criativo com as responsabilidades do dia a dia. Ele nos ajuda a sermos mais produtivos e diligentes em nossas atividades. O Castor faz o que precisa ser feito, sem desperdiçar energias com procrastinações. Ele estimula a criatividade nas tarefas mais humildes e usa seus instintos para realizá-las com o máximo de eficiência, pois é muito diligente e adora trabalhar. Como Animal de Poder, o Castor nos ensina a trabalhar em equipe já que, no desenvolvimento de seus projetos de construção, todas as contribuições se equivalem e toda ação desempenha uma função necessária: na comunidade de castrores, todo mundo é artista ou projetista. O Castor sintetiza o ditado: “Antes da iluminação, corte a lenha e carregue a água; depois da iluminação, corte a lenha e carregue a água”.

LAGARTO

O Lagarto é um animal muito tímido, suas lições falam de solidão, de alienação e de auto-imagem negativa. O Lagarto é solitário por natureza. O Lagarto é parente do camaleão, embora seu habitat não lhe proporcione tantas oportunidades para se esconder de seus predadores. Assim como o camaleão muda de cor de acordo com o ambiente, o lagarto muda de aparência durante toda sua vida. Como Animal de Poder, o Lagarto fará que entendamos nosso processo evolutivo e como precisamos desenvolver nossa forte couraça para garantir nossa sobrevivência nessa existência material. Protegido por sua forte couraça, este animal nos remete a entender Quem Realmente Somos por baixo de nossa couraça e a explorar nosso próprio processo de autoproteção, que nos acompanha desde que nascemos. Compartilhando nossa história de vida com o Lagarto, observaremos que nosso corpo e nossa alma se lembrarão, no nível celular, de um tempo em que ainda não precisámos de proteção - da couraça invisível que nos servia de escudo. Esta é uma oportunidade maravilhosa para participar de nossa própria evolução. No espaço seguro que o Lagarto nos proporciona, podemos sair da couraça protetora que criamos, assim como o Lagarto muda de pele, mesmo que seja temporariamente.

GUEPARDO

O Guepardo, também conhecido como Chita, é o mamífero mais rápido do mundo, podendo alcançar cerca de cento e dez quilômetros por hora.

O Guepardo é um felino solitário, possui pernas longas e é muito flexível. Sua presa favorita é a gazela de Thomson.

Como Animal de Poder o Guepardo nos remete a vontade de conquista, com rapidez e eficácia!

Xamãs Guepardo são hábeis e possuem pensamentos rápidos, porém, tendem a se isolar, não para se afastar de seus compromissos de vida, aliás, são muito comprometidos por sinal, mas para tornar-se seu próprio analista, para observar sua trajetória de vida e se preparar para o próximo combate, onde a estratégia e rapidez serão suas principais táticas.

CORUJA

A Coruja é um dos passáros mais controversos, que evoca uma série de associaçoes que vão desde morte e medo até sabedoria, proteção e vitória.

Muitas tradições xamânicas vêem na Coruja o símbolo da morte. No entanto, ela nos fala de mudanças e transformações e nos ajuda a superar o medo da transformação que chamamos morte.

A Coruja é uma silenciosa caçadora noturna, que percorre a mais densa floresta. Embora mais conhecida por sua aguçada visão noturna, ela enxerga muito bem à luz do dia.

No Xamanismo Ancestral existe o Clã da Coruja, que rege o elemento Ar. A Coruja é a passagem para o desconhecido. Esta ligada à verdadeira alquimia, que consiste em pegar o material bruto de que somos feitos e nos transformar em ouro alquímico - a pedra filosofal, a iluminação.

LAGARTIXA

A Lagartixa pertende à familia dos lagartos.

No xamanismo representa otimismo, adaptabilidade, regeneração, sonhos, renovação e transformação.

As Lagartixas podem subir paredes - inclusive de vidro - e até andar sobre tetos, graças a uma força intermolecular que elas possuem, estabelecidas pelas cerdas existentes em suas patas.

Outra curiodidade é que algumas espécies apresentam capacidade de camuflagem similar à do camaleão. Em outras espécies, as Lagartixas comunicam-se entre si através de ruídos - o que não é muito comum entre lagartos.

Interessante que em alguns países a Lagartixa é tratada como animais de estimação, o que no Brasil não é muito comum.

Como Animal de Poder a Lagartixa nos remete à capacidade de adaptabilidade, ou seja, o xamã que se adapta a qualquer lugar ou situação, sem falar da questão relacionada à regeneração, pois a Lagartixa regenera sua cauda de maneira surpreendente, caso ela a perca. Neste caso, simboliza o xamã que combate as influências de espíritos libertinos, e sempre após um combate espiritual o xamã possui a capacidade de recuperar sua energia vital.

ARANHA

A Aranha é um Animal de Poder muito reverenciado por várias tradições xamânicas do mundo inteiro como tecelã do Universo.

Apesar de existirem uma série de espécies de Aranhas, formatos, tamanhos, cores e etc, em geral, ela nos ensina a persistir na realidade presente e, ao mesmo tempo, compreender nossa relação individual com a totalidade da criação – sua teia é uma metáfora dos pensamentos que expressam nossa paisagem interior. Para muitos xamãs, a Aranha é um dos mais antigos dos seres. Para algumas tradições, o nosso mundo surgiu em consequência da teia que ela teceu no Princípio. Para algumas tradições africanas ela representa um inseto e como tal um animal intruso.

Já no Xamanismo Ancestral, a Aranha é associada à Deusa Maya, ou seja, à ilusão da realidade tridimensional.

PELICANO

O Pelicano como Animal de Poder simboliza um tipo de alimento e proteção para a nossa criança interior.

O Pelicano é uma das poucas criaturas da Terra que quase não sofreram alterações desde os tempos pré-históricos.

Ele é uma ave aquática que, segundo uma lenda xamânica, amava tanto os filhotes que os alimentava com seu próprio sangue, abrindo o peito com o bico para esse fim. Essa é uma das mais conhecidas alegorias de Cristo (...)

A fêmea do Pelicano protege os filhotes com determinação implacável, sabendo que só ela os protegerá. Por isso, é feroz, firme e irredutível. Proteger os filhotes é sua missão e ela é motivada por um saber puramente instintivo, maternal e primordial. Mesmo quando tudo está perfeito, ela tem que avançar mais um passo.

BEIJA-FLOR

O Beija-flor é uma das raras aves que exterioriza muita delicadeza e suavidade.

No xamanismo o Beija-flor simboliza cura, amor romântico, claridade, graça e proteção espiritual.

O xamã que tem no Beija-flor seu Animal de Poder é uma pessoa que busca sem cessar o contato com sua energia interior, com a sua magia e que busca muito a contemplação e a unicidade com o meio-ambiente. O xamã Beija-flor é um mensageiro do Grande Espírito, que veio para trazer a mensagem de cura para a humanidade, para curar suas doenças emocionais. Este Animal de Poder nos dá claridade para enfrentar os obstáculos da vida com muita serenidade e autoaceitação.

O Beija-flor nos ensina a suavidade do viver. Viver contemplando tudo que há, todas as pessoas, a humanidade e principalmente nos remete a buscar nosso estado de graça universal.

A proteção espiritual também é um aliado muito forte deste Animal de Poder, já que ele atua como arquétipo do amor as energias e fluidos que ele capta sempre são energias de altíssima frequência vibratória. Assim sendo, ao meditarmos no Beija-flor unimo-nos à egregora do Amor Incondicional, que sustenta todo este Universo – manifesto e imanifesto.

URSO

O Urso é um dos mais antigos seres totêmicos de que se tem registro, nos oferencendo alimento, força, proteção e sabedoria. Muitas culturas indígenas possuem mitos e costumes que demonstram grande respeito pelo Urso. Antigas lendas xamânicas falam de um tempo em que as pessoas dividiam as cavernas com seus parentes Ursos.

No Xamanismo Ancestral a Ursa é a guardiã do chakra do coração da Mãe-Terra. E por isso, o Urso assume o arquétipo do animal protetor no Xamanismo.

O Urso como Animal de Poder nos leva a sentir verdadeiramente em cada célula de nosso corpo a batida do coração da Mãe-Terra, e uma vez que sentimos esta batida nunca mais esqueceremos este ritmo que nos liga a todas as coisas. O corpo emocional, ligado ao chakra umbelical é muitíssimo beneficiado pelo reconhecimento do seu elo com essa pulsação.

GATO

Muitas tradições xamânicas não trabalham o Gato como Animal de Poder, exatamente por este ser um animal já domesticado e muito ter perdido sua vida e habitat selvagem.

O Xamanismo Ancestral não descarta a possibilidade de nenhum animal tornar-se um Animal de Poder. Assim, para os xamãs ancestrais, o Gato doméstico é o animal que mais exterioriza o arquétipo do sensitivo. Pois os Gatos em geral são extremamente sensitivos.

Os Gatos são independentes e não podem ser controlados, o que lhes dá um ar de mistério e alimenta sua reputação de amigos das bruxas. Certas criaturas, geralmente animais, são ajudantes e companheiras de quem trabalha com magia: é o caso dos Gatos. Ao contrário de outros animais, os Gatos não tem medo de seres espirituais invisíveis e têm uma excelente comunicação telepática com os seres humanos.

BÚFALO

O Búfalo é muito diferente do touro. O touro está ligado à força física. O Búfalo resgata não apenas a questão do limite físico mas também de reverência e contato com seus ancestrais. Toda questão de limite e respeito está ligado inconscientemente aos nossos ancestrais.

O Búfalo é o Animal de Poder do xamã que busca um caminho de harmonia no Grande Mistério. Os ensinamentos deste Animal de Poder tratam de questões ligadas à reverência e ao sagrado. Ele traz também um senso de força feminina, ligada à força da Mãe-Terra. A questão do sagrado relacionado a este animal está ligado à oferendas, porém, a oferendas de ensinamentos, ou seja, este é o Animal de Poder de pessoas que doam seus ensinamentos à comunidade e às pessoas à sua volta.

CHACAL

O Chacal é o senhor do submundo. Ele é comparado ao Deus egípcio Anúbis. Anúbis é o guardião dos mortos. A reverência ao Chacal, por algumas tradições se dá, pelo fato dele sempre conseguir invadir tumbas e túmulos sagrados, para se alimentar da carne dos cadáveres, mesmo estes possuindo uma alta segurança.

É um animal muito esperto, cauteloso, rápido e estrategista. Ele é o ancestral direto do lobo, porém, diferente na simbologia. O Chacal vive em grupo apenas quando elege uma parceira, e esta dá à luz filhotes. Geralmente é um animal muito solitário e procura suas presas geralmente à noite. Ele é conhecido nas florestas pelo seu uivo, que marca o despertar do sol, simbolizando para muitas tradições, que as sombras da escuridão noturnas já se foram.

Este é o Animal de Poder de muitos xamãs feiticeiros. Ele nos proporciona a chance de adentramos a essência da magia, aplicando-a para transformar as feridas em antídotos capazes de curar a alma do sofrimento da morte.

CACHORRO

Normalmente, os animais de poder são selvagens, e não domesticados. Pessoas podem ter Cachorros ou gatos como totem, porém estes poderes se manifestarão de uma forma mais suave. Devem então procurar relacionar o Cachorro com qualquer outro da família canina, como o lobo, coiote ou o chacal. O mesmo ocorre com os gatos, relacionados com a família felina.

Pessoas que possuem fortes ligações com os cães em geral são pessoas que acabam incorporando as características e qualidades deste animal, tais como: fidelidade, proteção, carinho, amor, companheirismo e territorialismo.

SERPENTE

A Serpente é a personificação de uma força, de uma inteligência, sendo a Naja a mais letal entre as Serpentes.

A muito tempo este Animal de Poder representa o emblema da força energética e da sabedoria de diversas escolas de misticismo e ocultismo do passado e da atualidade. Aperece na coroa dos faraós egípcios e demais impérios do passado, representa o Eu Inferior Oculto, que é a mente subconsciente ou inconsciente.

No Xamanismo Ancestral este Animal de Poder é um grande aliado de cura, ela é poderosa e indispensável. Ela tem a capacidade de devorar doenças comendo tumores e outros patógenos virulentos, pois o organismo da Serpente não é vulnerável às mesmas doenças que os nossos. À medida que for desenvolvendo sua relação com essa nova aliada, pergunte a ela quando o uso desse poder é indicado. É importante observar que o veneno da Serpente, embora sempre tóxico, é útil à produção de vários tipos de remédios.

O xamã Serpente deve sempre procurar presentear este seu Animal de Poder, pois estes presentes sempre serão oportunidades do xamã lhe presentear com coisas que já não lhe servem mais, alguma coisa que não queira, como uma doença, comportamentos indesejados ou hábitos e pensamentos negativos. Antes, certifique-se de ter escolhido algo que a Serpente esteja disposta a devorar naquele momento.

No R’XA (Reiki Xamânico Ancestral) a Serpente está associada ao chakra básico e à kundalini.

A kundalini tem um simbolismo voltado para a Serpente exatamente por ela ser representada como uma Serpente adormecida, enrolada na base da espinha (coluna vertebral) – desperta. Como resultado, abre-se o acesso à corrente espinhal de energia, permitindo que se tenha contato com a energia da força vital, que tudo cura. Seu coração entra em contato com seu Eu Superior e a serpente cria um canal direto entre seu coração, no Eu Inferior, com sua Consciência Cósmica.

E saiba que a Serpente é o centro de nossa força vital, assim como o rio Ganges é a corrente espinhal da Mãe-Terra.

COBRA

As Cobras diferem das serpentes. Ela simboliza a cura física, mental, emocional e espiritual.

São raras as pessoas pertencentes ao totem da Cobra. A iniciação no totem da Cobra pressupõe que as pessoas tenham vivido e experimentado as múltiplas mordidas da Cobra, e que tenham se tornado capazes de transmutar todos os venenos, quer sejam de natureza física, mental, emocional ou espiritual. O poder de cura da Cobra representa o poder da criação, porque engloba a sensualidade, a energia psíquica, a alquimia, a reprodução e a ascensão (ou imortalidade).

O ciclo de transmutação, que consiste em viver-morrer-renascer, é simbolizado pela troca de pele da Cobra. A energia da Cobra é a energia da totalidade da consciência cósmica e da capacidade de viver todas as experiências de peito aberto, sem oferecer resistência. É a consciência de que todos os elementos da criação possuem o mesmo valor. Assim, se a pessoa estiver centrada, no estado de espírito correto, saberá que aquilo que é normalmente encarado como veneno pode ser comido, digerido, assimilado e transmutado. O veneno sempre pode ser transformado em energias positivas.

Thot, o pai da Alquimia, criou o símbolo de duas cobras enroladas em uma espada para representar o processo de cura. Cada organismo vivo possui uma porção masculina e uma porção feminina. O processo de fusão da energia masculina com a energia feminina gera uma energia divina, a energia da criação e da transmutação. Quando aceitamos a idéia de que possuímos estas duas energias em nós, podemos criar um espaço para que elas se mesclem e convivam em harmonia.

O totem da Cobra nos ensina que somos seres universais. Se conseguirmos aceitar e harmonizar todos os diferentes aspectos de nossa vida, poderemos alcançar a transmutação do nosso ser por intermédio da energia do fogo. Essa energia do fogo, atuando no plano material, gera paixão, desejo, procriação e vitalidade física. No plano emocional gera sonhos, ambição, criatividade e coragem. No plano mental gera inteligência, poder, carisma e capacidade de liderança. Quando a energia do fogo atinge o plano espiritual, ela se transforma em sabedoria, compreensão, sentimento de integração com o Todo e de conexão com o Grande Espírito que nos criou.
    

Akaiê Sramana - Xamanismo Ancestral

sábado, 22 de agosto de 2015

Feitiços


Amuleto da Prosperidade

Ingredientes necessários:

feijão
arroz
milho
4 nozes com casca
4 castanhas com casca
4 avelãs com casca
4 amêndoas com casca
paus de canela 
4 moedas de qualquer valor
9 folhas de uma árvore que você escolher
1 cesta de vime pequena
óleo de amêndoas
2 velas verdes
1 incenso de canela

Modo de fazer:

Em uma noite de Lua Crescente, pegue a cesta de vime e, delicadamente, arrume dentro dela, todos os ingredientes ao seu gosto. Quando a quantidade não estiver indicada, coloque quanto você quiser. Vá repetindo o seguinte encantamento, enquanto visualiza bastante prosperidade em sua casa (alimento sempre à mesa, saúde para todos, dinheiro suficiente para uma vida sem problemas, bastante compreensão, alegria e harmonia):


"Lua que faz crescer a colheita
Que inunda os campos de magia
Que tua vontade seja feita
Aqui se tem ouro e alegria."

Quando a cesta estiver pronta, passe-a 9 vezes pela fumaça do incenso, sempre repetindo o encantamento.
A cada Lua Crescente, acenda 2 velas ao lado da cesta, junto com o incenso de canela e repita o encantamento.
Deixe a cesta em seu altar e certamente, nada lhe faltará.


Banho da Prosperidade


Ingredientes necessários:

1 pedra verde
7 folhas de figueira
7 pétalas de rosa amarela
1 colher (de chá) de grãos de trigo

Modo de fazer:

Numa noite de Lua Cheia, coloque a pedra de molho na água e deixe por 24 horas. Retire-a e acrescente os outros ingredientes, levando ao fogo. Desligue quando perceber que vai ferver e tampe por alguns minutos. Depois proceda como normalmente se faz para um banho.


Banho do Dinheiro

Ingredientes necessários:

3 folhas de manjericão
3 folhas de louro
1 colher de sopa de mel
1 vela verde
1 incenso

Modo de fazer:

Numa noite de Lua Cheia, acenda o incenso e a vela e prepare um banho com o manjericão, o louro e o mel. No dia seguinte, o dinheiro já começará a surgir.

Modo de preparar o banho:

Ferva numa panela um litro de água, em outro recipiente de barro, ou ferro coloque as ervas. quando a água levantar fervura, desligue o fogo e jogue a água no recipiente onde estão as ervas e abafe, deixando-as na infusão por quinze minutos.
depois adicione água até ficar da temperatura ideal. Tome o banho de higiene normalmente e logo depois jogue o banho de ervas do pescoço para baixo. Não se seque e deixe o banho secar naturalmente.


Altar de Canela

A canela é muito usada em encantamentos por ciganos, não é a toa que o povo cigano é tão próspero.
Para resultados rápidos em questões de dinheiro, poucas magias são tão eficientes quanto esta.

Ingredientes necessários;

1 vela
1 incenso de canela
essência de canela
canela em pau

Modo de fazer:

Quando a Lua estiver Cheia ou Crescente, acenda num mesmo lugar o incenso e a vela aromatizada com essência de canela. Enquanto queimam, coloque ao lado três pedaços de canela em pau e um recipiente com essência de canela, pedindo o que você deseja em matéria de prosperidade e dinheiro.


Talismã da Fartura


A prosperidade é de grande importância em nossas vidas, quando falo "Prosperidade" quero dizer não só na parte  financeira, mas em todas as áreas da vida, como na saúde, amor, profissional, entre outras.
Não há mal algum em ser próspero e propagar a prosperidade às pessoas, pois é dividindo, doando que recebemos em troca.
Aqui encontrarão magias  em que envolvam prosperidade de várias formas, como na área de trabalho, estudos, atração financeira, etc.


Ingredientes necessários:

7 folhas de louro
7 cravos-da-índia
1 pedaço de canela em pau
1 pirita pequena
1 pedaço de tecido vermelho quadrado
1 fita ou linha vermelha
1 vela
1 incenso de canela

Modo de fazer:

Numa noite de Lua Cheia, acenda o incenso e a vela. Em seguida, abra o tecido vermelho e coloque sobre ele as 7 folhas louro formando uma flor. No centro da flor, coloque os 7 cravos-da-índia e o pedaço da canela em pau. Junte as pontas do quadrado, misturando todos os ingredientes e amarre-o com a fita, dando um laço bem bonito. Leve-o sempre com você.



Amuleto de Proteção

Amuleto de proteção para sua casa ou emprego com a Garrafada da Bruxa

Este é um amuleto elaborado a partir da garrafa da bruxa, usando a mesma intenção; proteção.
Você pode fazer para proteger a casa, um imóvel, o emprego e também seu carro.
Basta direcionar a energia do que quer proteger no momento da elaboração da garrafa.

Mode de fazer a Garrafada da Bruxa:

Compre um vidro pequeno o suficiente para pendurar num chaveiro, e que tenha tampa…rolha.
Vai precisar de três pedrinha que caibam no vidro, e de preferência três pedrinhas de quartzo, um rosa, um verde e um marrom ou amarelo.
Se quiser pode colocar alguma erva de proteção… arruda, alecrim…
Depois de colocar as pedrinhas dentro do vidro, complete com óleo de dendê e tampe. O óleo tem uma influência espiritual.
Pronto, agora só falta você deixar esta garrafinha da bruxa no banho de sol e lua por três dias completos, onde ninguém mexa. Fezer  isso em Lua minguante.

Chaveiro Protetor:

Coloque um arame ou uma argola no pescoço da garrafinha para poder pendurá-la.
Pegue um chaveiro velho, se não quiser comprar aquela argola com vão de entrada onde se enfia as chaves, e nesta argola coloque uma outra argola para adaptar os adereços.
Bem, o chaveiro tem que ter sua garrafinha da bruxa, um pentagrama (pingente), e mais algum adereço de pingente que lhe lembre proteção… uma figa, um animal…
Pronto, está pronto seu chaveiro de proteção, faça agora aquela sua oração poderosa com o chaveiro entre suas mãos, e mentalize o que ele irá proteger.


O Chalé da Buxa

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Incenso Natural com Ervas


Aprende a fazer Incenso Natural com Ervas Aromáticas
 
Aprende um truque fantástico para aromatizar a tua casa, aprende a fazer incenso natural com ervas aromáticas. São ótimos objetos de decoração e presentes originais saudáveis.

As ervas mais indicadas para fazer incenso são:

  • Alfazema
  • Alecrim
  • Hortelã
  • Tomilho
  • Salva
  • Erva cidreira
  • Pinheiro
  • Cedro
As ervas devem ser colhidas em dias ensolarados e secos. Caso apanhe ervas húmidas estas irão ganhar bolor e vão apodrecer com facilidade.
Corte as plantas pelos caules e nunca pela raíz.
Estas devem ser embrulhadas com fio de algodão. Quanto mais o fio estiver apertado as ervas irão queimar mais lentamente.

 

Procedimento:



Arranque todas as folhas doentes (estas não devem ser usadas).
  1. Comece por fazer um nó na ponta do ramo da erva aromática que escolheu;
  2. Segure no ramo e comece a enrolar o fio dê 2 a 3 voltas e volte a dar um nó;
  3. Continue a enrolar o fio até à outra ponta oposta (as folhas desta extremidade podem ficar soltas ou serem dobradas);
  4. Certifique-se que o fio está a ficar bem apertado (as ervas de folha larga não necessitam de tanto fio a enrolá-las);
  5. Vire o ramo e continue a enrolar o fio até à extremidade por onde começou (como mostra a figura);
  6. Caso ache necessário pode voltar a repetir o procedimento certificando-se que termina na extermidade por onde começou;
  7. Pendure os raminhos secos atrás de uma porta num lugar escuro e seco onde haja uma boa circulação de ar.
  8. Aguarde algumas semanas para que as ervas estejam completamente secas antes de fazer a queima.
  9. Quando as ervas estiverem prontas segure na extremidade por onde começou e com a ajuda de uma vela comece a queimar a ponta do ramo;
  10. Deixe queimar uns 2 minutos e assim que o fogo pegar bem apague-o e lentamente assoprando (tenha cuidado com as pequenas fagulhas incandescentes que se podem soltar);
  11. Pouse lentamente o ramo num prato de barro;
  12. Caso queira apagar o seu ramo de incenso natural esmague e sufoque as pontas que se encontram incandescentes (evite usar água pois pode danificar o ramo a sua possível reutilização).
1001 Idéias

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Amuleto das Bruxas - Ritual Lua Cheia

 
Consagrando joias para proteção na lua cheia.
Sabemos que na lua cheia temos a força,representando a maturidade total de nossas capacidades magicas, o fortalecimento.
 
Vamos usar esta energia para consagrar joias ou objetos que usamos no dia a dia para nos proteger. Pode ser um anel, colar, pulseira, tornozeleiras, brincos usando a criatividade.
Em noite de lua cheia, coloque o anel/colar/pulseira enfim o objeto que desejar, dentro do seu caldeirão ( ou copo, taça usado para pratica da magia ), despeje agua de rio, nascente ,richo ou se não tiver ao alcance água mineral .
 
Deixe a luz da lua cheia, no terceiro dia, mexa a agua com os dedos no sentido horário dizendo:
 
'' Envolva-me luz da lua,
revigora sua força dentro do meu ser
proteja-me, guia-me , seja meus olhos e coração ''
( pode usar suas palavras)
 
Após mexer e as palavras faladas, deixe a joia até o final da lua, para que ela tome seu brilho e sua força, ao final da lua, retire e use sempre para sua proteção.

Trabalhando a Energia


O universo está inteiramente associado. Isso quer dizer que, ao realizarmos uma ação, esta atingirá todas as coisas. Acender uma vela traz uma luz, mas também projeta uma sombra. Quando falamos em energia, logo pensamos em êxtase. O poder na Bruxaria não é o poder sobre os outros, mas o poder pessoal, que nos faz sentir nosso corpo como sagrados. Como já disse a escritora Starhawk, "Energia é amor e amor é magia".
A energia é um dos conceitos mais simples e naturais da Magia. Nós podemos sentir o poder fluir em nossos corpos assim como podemos sentir o poder no ar ou em uma canção. São energias sutis e nós sempre trabalhamos com elas, pois são essas energias que movem o mundo. A Magia define-se, então, como a Arte de moldar e direcionar tais energias.
A Magia faz parte da Natureza e não contraria as leis naturais. Apenas pela observação e pelo estudo da Natureza que podemos entender como funciona a realidade.

Algumas observações a respeito da energia e do poder
- A energia está em constante movimento e não pode ser interrompida; não há como. As Bruxas simplesmente aprender a se concentrar para fluir junto com as energias.
- A energia move-se em uma espiral; seu movimento é sempre circular. A Lua é um bom exemplo: seu ciclo nasce, cresce, chega ao auge, mingua e nasce novamente.
- Essa noção cíclica da energia nos traz ao conceito de polaridades. Uma energia, estando sempre em movimento, e este movimento sendo cíclico, sempre passará por diversos momentos. Assim, da mesma forma que uma energia tem seu auge, tem também seu período de decadência. A atitividade é contrabalanceada pela passividade. Reconhecer essas alternãncias nos ajuda a manter um certo equilíbrio.
- Nunca mude uma coisa sequer sem antes saber que tipo de reações, positivas e negativas, tal coisa acarretará. Sempre afeta a todos, de algumas maneira. é por isso que não podemos usar o termo "feitiço não-manipulativo", porque todo feitiço trabalha com a manipulação das energias.
- As fontes de energia são infinitas e ilimitadas. Por isso, para gerar energia, devemos dar energia. Não há ganho sem esforço; não há limites na alternância das energias. Mais uma vez: não há mudança sem consequências.

As bruxas e bruxos trabalham com energias. Esse cone de poder nada mais é do que você trabalhar a energia de forma a direcioná-la para seu objetivo. Você foca a sua intenção dentro do ritual.

Um exemplo prático para se ter uma idéia:
Imagine que você acorda de mau-humor, fica o dia inteiro ouvindo besteira, seu chefe é injusto com você, sua namorada liga brigando por besteira, chega na faculdade à noite e descobre que tinha que entregar um trabalho que você esqueceu em casa.. Até a hora que fica insuportável e você simplesmente dá um grito.. E se sente melhor.
É isso; o cone de poder dentro do círculo é uma panela de pressão. Você alimenta a energia com danças, cânticos, meditações etc, até o momento em que achar que deve liberá-la.
Por que um "cone"?
Porque é o formato espiralado que a energia é enviada ao universo.

Fada Bruxa

As Dádivas da Deusa Hécate

'Hecate' by Genevieve-Amelia
 
O dia 13 de agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das Deusas Hécate e Diana, quando lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo, perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Esta poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um relato dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate.
      
Hécate é uma antiga deusa de mitos milenares pré-helênicos, cultuada originariamente na Trácia como a representação arcaica da Deusa Tríplice; ela era associada com a noite, lua negra, magia, profecias, cura e os mistérios da morte, renovação e nascimento. Algumas fontes atribuem a origem do nome à palavra egípcia hekat ou hequit que significaria "Todo o poder", já que supostamente o arquétipo de Hécate teria se originado em mitos do sudoeste asiático que foram assimilados no panteão egípcio e mais tarde passados para a religião greco-romana. Hequit era a manifestação da Grande Mãe originária de Núbia, Samotracia e Colchis, vultuada em Aegina, Argos e Atena, regente dos partos, das mulheres e crianças, da magia, da sabedoria dos ciclos da vegetação e da vida. O termo heq ou hek designava as mulheres idosas e sábias, as matriarcas das tribos.
 
Os gregos tiveram dificuldades para enquadrá-la em seu esquema de divindades, mas acabaram considerando-a filha dos Titãs Perseu e Astéria (irmã de Leto, a mãe de Ártemis e Apolo), sendo, portanto, prima de Ártemis. Por ser filha de Titãs estelares, regentes da luz, Hécate usava uma tiara de estrelas que iluminava os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior. Mitos mais antigos lhe atribuíram uma origem mais primal, como filha de Erebo e Nix e ela era conhecida como Afratos, “A sem nome” e Pandeina, “A terrível”, decrita com cabelos de serpentes e um colar de testiculos. Como a única Titã que preservou seu pleno poder, Hécate era honrada como "A primeira e a ultima", "Aquela sem forma e de todas as formas", a própria alma do universo, Criadora de tudo que existia. Como neta de Febe, a Titã que personificava a Lua e de Nyx, a deusa ancestral da noite, Hécate também era uma “Rainha da Noite” tendo o domínio do céu, da Lua, das marés e sendo indutora dos sonhos e dos pesadelos. Neste aspecto ela levava sobre a testa o crescente lunar (a tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas no seu pescoço.

Acreditava-se que Hécate fora outrora uma das Erínias, pois seus símbolos são idênticos (tochas, serpentes, sombras, etc). Também já foi citada como uma das Moiras, pois tanto Hécate, quanto sua filha Circe, podia intervir nos fios do Destino.
Sua verdadeira origem permanece bastante misteriosa, caracterizada mais pelas suas funções e os seus atributos do que pelas lendas em que aparece. Os mitos gregos relatam que Zeus lhe concedeu um lugar especial entre os deuses, embora ela não pertencesse ao grupo olímpico, mas aos Titãs, e respeitou seu antigo poder de dar ou negar suas dádivas aos mortais. Hécate ficou conhecida como Hécate Trivia ou Triformis, a regente do céu, da terra, do mar e do mundo subterrâneo, doadora da riqueza e das bênçãos da vida cotidiana. Na esfera humana ela presidia os três grandes mistérios: nascimento, vida, morte e regia o poder de transformação e regeneração. Por ter uma origem muito antiga e cuja essência e significado foram se modificando com o passar do tempo, ela foi equiparada com outras deusas e delas assimilou e incorporou atributos e mitos, o que explica a grande diversidade de nomes e dons atribuídos a Hécate.
 
Hécate espalhava para todos os homens a sua benevolência, concedendo as graças para os que lhe pediam como: prosperidade material, o dom da eloquência nas políticas, a vitória tanto nas batalhas, quanto nos jogos. Proporcionava peixe abundante aos pescadores, fazia prosperar ou definhar o gado conforme queria. Os seus privilégios estendiam-se a todos os campos ao invés de se limitar a alguns como era, em geral, com as outras divindades. Hécate era invocada particularmente como a "deusa que nutria a juventude”, em pé de igualdade com os gêmeos Ártemis e Apolo e como a protetora das crianças, sendo também enfermeira, parteira e curandeira de jovens e de mulheres.
    
Hécate, em grego, significa “A distante” ou “A remota”, por proteger os lugares ermos e remotos, sendo a guardiã das estradas, dos viajantes, pescadores, marinheiros e dos caminhos, principalmente das encruzilhas onde convergiam três caminhos. Nestes locais, os gregos percebiam melhor a presença de Hécate, por isso lhe ergueram estátuas tricéfalas chamadas Hecaterion e deixavam oferendas dos seus alimentos ritualísticos, as famosas “ceias de Hécate”. Acredita-se que o termo
Hecatéias atribuído às estátuas, na realidade designava as sacerdotisas oraculares que serviam nestes locais. Os dias dedicados á Hécate eram o fim do mês, as sextas feiras (principalmente se fossem nos dias treze), os eclipses, 13 de agosto e 16 de novembro. Atualmente grupos neo-pagãos a reverenciam no sabbat Samhain, na “Noite das ancestrais” e no Dia dos Finados.

Antigamente, as mulheres que a cultuavam pintavam suas mãos e pés com hena e colocavam o símbolo da lua tríplice nas suas testas e a reverenciavam ajoelhadas, abrindo os braços e elevando a cabeça para o céu, em seguida colocando as mãos no chão, abaixando a cabeça e tocando a terra com a testa. Hécate era invocada antes das mulheres saírem das suas casas e para afastar as energias negativas a soleira da casa era varrida da esquerda para a direita, de dentro para fora, a vassoura sendo um antigo e poderoso objeto mágico Nos tempos antigos faziam-se sacrifícios de animais de cor negra como cachorros, carneiros ou aves. Todos os animais selvagens e as aves noturnas eram consagrados a Hécate, o que aponta para a sua descendência do arquétipo neolítico da "Senhora dos Animais" e a sua manifestação arcaica como o “cão da lua”. A sua aparição era assinalada pelo latido dos cachorros, o uivo dos lobos e o farfalhar das corujas e morcegos.

As oferendas feitas pelas mulheres incluíam maçãs e romãs (representando a morte e o renascimento), alho (proteção contra as energias negativas), mel (para atrair doçura), azeite (para fluir melhor com a vida), vinho (como gratidão) e bolos de centeio com sementes de papoulas (para propiciar prosperidade). O espelho negro, uma espiral diferente chamada de eixo de Helike e uma esfera dourada no meio com uma safira eram seus objetos mágicos menos conhecidos, mas muito significativos por representar a visão sutil e a proteção nos labirintos da vida.

Como descrição simbólica da natureza tríplice da Deusa, Hécate era representada como três mulheres juntas, porém cada uma virada para uma direção ou com idades diferentes (jovem, madura, anciã), uma figura com três cabeças e seis braços portando tochas ou com cabeças características de animais como cão, serpente e leão ou leão, serpente e cavalo ou cão, serpente, cervo. Ela transmitia o poder de olhar para três direcções ao mesmo tempo e sugeria que algo no passado estava ligado com o presente e influenciando planos futuros. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre: o mundo subterrâneo, onde morava, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos, a terra, onde rondava nas luas novas e nas noites escuras e o mar, onde tinha seus casos de amor. Esse tríplice poder de Hécate é comparável ao seu tríplice domínio sobre o mar, a terra e o céu. Seus símbolos eram a chave, por ela ser a Guardiã do mundo subterrâneo, detentora dos segredos da magia e da reencarnação, o chicote ou a corda trançada, que revelava o seu lado punitivo e seu papel de Condutora das "almas errantes" (a missão do psicopompo), o cordão umbilical, bem como o poder de medir, amarrar ou soltar e o seu punhal, representando seu poder eterno sobre morte e na magia (transformado depois no athame das feiticeiras e bruxas). A sua morada era nas grutas e cavernas e ela perambulava pelos cemitérios à procura das "almas errantes" para conduzi-las ao seu reino subterrâneo. Suas acompanhantes eram as Erinias ou Fúrias (as deusas que puniam os transgressores das leis e os que ofendiam as mães), Empusas (espectros), Circe, Medeia e Silla (feiticeiras), Cercopsis (espíritos zombeteiros) e Mormo (mortos vivos), que constituíam uma legião noturna acompanhada na sua passagem - durante as tempestades ou nas noites escuras-, do latido ou uivo dos cães. Os deuses companheiros eram: Hermes (protetor dos viajantes e condutor das almas), Tanatos (morte), Hipnos (sono) e Morfeu (sonhos).

Pouco a pouco, a deusa Hécate adquiriu uma caracterização diversa, sendo considerada como uma Deusa Escura, que presidia a magia e os feitiços, ligada ao mundo das sombras e que aparecia aos magos e às feiticeiras com um archote em cada mão, ou sob a forma de diversos animais: égua, cadela, coruja ou loba. É a ela que foi atribuida a invenção da feitiçaria, e a lenda incorporou-a na família das magas por excelência: Circe e Medéia, Circe sendo filha de Hécate e ora mãe, ora tia de Medéia.
   
Desde épocas primevas, antes do patriarcado se ter estabelecido, Hécate era vinculada com o lado escuro da Lua, mas a sua presença era percebida e honrada nas três fases da Lua. A Lua na verdade não tem luz própria, é um astro escuro que apenas reflete a luz solar. A Lua cheia é a Lua vista pela luz do Sol, a Lua nova e negra é a verdadeira face da Lua. Hécate era considerada como fazendo parte de uma triplicidade lunar: Ártemis, a lua crescente, Selene, a lua cheia e Hécate a lua minguante e negra; ou como as forças da Lua em vários reinos: Ártemis na terra, Selene no céu e Hécate no mundo subterrâneo. No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate formava uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe, que presidiam a primavera, fertilidade e juventude, Deméter/Ceres/Hera, as regentes da maturidade, gestação, parto e colheita.

É fácil perceber o entrelaçamento entre o claro e o escuro da Lua, pois o lado visível da Lua, o aspecto de Ártemis, que reflete o pulsar da vida, é ligado com o lado oculto, sombrio, o inconsciente representado por Hécate. Dentro do mundo subterrâneo - representado pelo ventre fértil da terra -, a vida e a morte coexistem em um mesmo processo cíclico, em que o “ser” e o “não ser” vivem juntos, sem conflito. A conexão com Hécate nos revela os sonhos guardados, os desejos ocultos, os segredos do inconsciente e revela o potencial latente para a fertilização de novas possibilidades. Por isso Hécate é vista como uma guia no reino oculto da alma e invocada nas terapias de regressão, renascimento e nos rituais de transmutação de medos, fobias, apegos e culpas.
    
Na sua manifestação como ”Senhora das encruzilhadas” - dos caminhos e da vida - e do mundo subterrâneo, Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral. É representada no plano humano pelo xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os mundos e traz comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes. Ela rege os processos misteriosos do ciclo do “eterno retorno”, a vida, a morte e o renascimento sendo entrelaçados no processo alquímico da transmutação.
        
Devido à sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários. O desenvolvimento no período clássico da sociedade patriarcal deu origem a uma visão dualista das forças espirituais, vistas em um perpetuo embate entre as positivas e negativas, o bem e o mal. Hécate tornou-se o alvo predileto da personificação do mal e foi recebendo uma aura de perigo misterioso, de horror e negatividade demoníaca. Ela foi transformada na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. A percepção distorcida dos atributos de Hécate foi consolidada na psique ocidental durante o período medieval, quando a igreja cristã projetou este arquétipo nas pessoas pagãs do campo, que seguiam seus antigos costumes e rituais ligados à fertilidade, declaradas “malévolas adoradoras do demônio”, bandos de bruxas praticantes de ritos e cerimônias abomináveis, nas noites escuras e em certas datas tidas como maléficas. Estas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate” como as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e os animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).

No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizadoras e castigando os homens com pesadelos, poluções noturnas e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação, autodefesa e afirmação.
                                     
Os treze aspectos de Hécate:
 
1. Chtonia, a anciã senhora do mundo subterrâneo.
2. Cratais, a poderosa.
3. Enodia, a guardiã dos caminhos e viagens.
4. Kleidachos, a guardiã das chaves.
5. Kourotrophos, a guardiã dos nascimentos e das crianças.
6. Phosphoros, a detentora da tocha que ilumina.
7. Propolos, a guia e companheira que conduz.
8. Propylaia, a protetora das portas e entradas.
9. Prothiraia, a parteira e protetora dos partos.
10. Prytania, a rainha dos mortos.
11. Soteira, a salvadora e redentora.
12. Trivia ou Trioditis, a senhora das encruzilhadas.
13. Triformis ou Trimorphis, a deusa tríplice, com três formas.
 
Hécate Triformis como “Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam. No aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos, se as brechas individuais permitirem. Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte. Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intrauterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Hequit. Possuidora de uma aura fosforescente que brilhava na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a "Salvadora". O seu aspecto Chtonia é da deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra. Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e as oferendas chamadas “ceias de Hécate”. Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa, pedindo sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como um pilar ou estátua com três cabeças e seis braços que seguravam suas insígnias: tocha (para iluminar o caminho), chave (abria os mistérios), corda (conduzia as almas e reproduzia o cordão umbilical do nascimento), foice (para cortar ilusões e medos).
 
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa, compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas, que apenas encobrem o arcaico medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino e que podia levar as mulheres a desenvolver um sentido de independência perante o masculino. A civilização patriarcal incutiu um medo secular nas mulheres perante a figura distorcida de Hécate, vista como uma bruxa terrível, malévola e perigosa. Mas, se resgatarmos as suas qualidades e atributos antigos, encontraremos nela uma gentil guardiã e compassiva mestra. Ela está presente em todas as encruzilhadas tríplices que existem em todos os níveis do nosso ser representados como espírito, mente e corpo. Devemos reconhecer que a imagem tenebrosa e ameaçadora de Hécate é um mero registro do medo inconsciente do feminino que os homens condicionados e programados por conceitos e valores patriarcais unilaterais, projetaram ao longo de milênios neste arquétipo.
 
Temos que mergulhar no lado sombrio do nosso inconsciente, compreendê-lo e aceitá-lo integrando-o na nossa psique. Pois, se o evitarmos, criaremos ou reforçaremos a dualidade polarizada em opostos e energias antagônicas e continuaremos perpetuando a visão dualista do mundo. Devemos descobrir e nos relacionar com a nossa Hécate interior, como a Guardiã da nossa consciência, do nosso lado sombrio e, ao estabelecer uma relação com ela, confiar na sua proteção, ajuda e orientação. Somente assim permitiremos uma melhor percepção das riquezas e possibilidades do nosso mundo inferior pessoal, nos tornando seres integrados, capazes de lidar com as nossas polaridades, sem projetar de imediatos conceitos dualistas do “bem” e “mal” nos eventos e nas pessoas.
 
Atualmente podemos nos relacionar com Hécate sem preconceito ou medo, honrando-a como Guardiã do nosso inconsciente, que tem nas mãos a chave dos reinos sombrios existentes em nós e que traz a tocha para iluminar as profundezas do nosso ser interior. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
A conexão com Hécate representa para nós um valioso e poderoso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pelas armadilhas da escuridão e nos revela o caminho da renovação e salvação. Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos, precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente.

Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir livres e leves para um novo ciclo.

Mirella Faur