terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ritual para Anciã



"Vista uma roupa escura e prepare seu altar com uma vela preta, um pratinho com sal, um caldeirão ou vaso de cerâmica, folhas de sálvia ou cipreste, uma folha de papel e uma caneta preta, uma pedra escura e alguma imagem representando a Deusa Anciã ou seus animais de poder.

Crie um círculo de proteção salpicando sal ao seu redor. Acenda a vela e medite sobre os obstáculos de sua vida ou aquilo que você quer liberar ou transmutar; atitudes, padrões mentais ou lembranças negativas.

Veja-se entrando em uma gruta e indo ao encontro da Anciã.

Perceba sua presença, sentada ao lado de um grande caldeirão queimando ervas e resinas.

Fale com ela: Oh, Mãe escura, guardiã do livro da vida, detentora do sagrado caldeirão da transmutação, eu peço tua orientação para meu conhecimento espiritual.

Preciso que me ajudes a me livrar de sentimentos de ... (enumere-os) ou da dor destas lembranças ... (descreva-as).

Desejo de coração, que eu possa ser purificada e fortalecida para começar um novo caminho ou projeto.

Veja a Deusa Anciã queimando em seu caldeirão mágico toda sua negatividade. Agradeça-lhe e volte para o aqui e agora, abrindo os olhos e respirando profundamene.

Escreva no papel os obstáculos, amarras e dificuldades que quer transmutar.

Queime o papel em seu caldeirão ou em uma cumbuca de barro, liberando as formas mentais negativas.

Queime depois a sálvia para completar a purificação, entregando as cinzas para o vento dispersar."

O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur

Os Mistérios do Mundo Feminino e Rituais de Transformação

 

(...)Nada realmente morre, mas tudo é transformado em uma nova vida. Os biólogos, às vezes, dizem que, na natureza, não existe desperdício, apenas comida. Nós também, quando morremos, damos alimento de volta para a terra e suas criaturas - todo alimento que tomamos da terra durante nossas vidas.

Nascimento e Morte são as maiores experiências transformadoras de nossa vida. Não temos escolha sobre nenhuma delas - nem mesmo quando nem como irá acontecer. Podemos nascer prematuramente ou tardiamente; podemos morrer na juventude ou na meia idade ou na velhice. Entre esses grandiosos momentos, encaramos outras transformações também.

Como mulheres, nós crescemos, nós sangramos, nós temos amantes, filhos, nós cessamos de sangrar.

Todos esses acontecimentos que experimentamos com nossos corpos e nossas almas.

No caminho da Garota Selvagem, você cria celebrações que honram sua feminilidade. Nosso espírito se expressa através de nossos corpos. Todo período menstrual é uma lembrança do grande mistério de nossos nascimentos e mortes. Aprender a aceitar e compreender nossa existência física são uma das mais importantes partes dos mistérios da Deusa Jovem.

Ritos de Passagem

Em todas as sociedades, há celebrações para os momentos de transformação de nossas vidas. Esses são chamados "ritos de passagem". Mas há muitos outros momentos em nossas vidas que podemos marcar com cerimônias. Aqui estão algumas sugestões:

* CERIMÔNIA DO PRIMEIRO SANGUE
* CERIMÔNIA DO SANGUE MENSAL
* CERIMÔNIA DE INICIAÇÃO SEXUAL
* CERIMÔNIA DE PRAZER SEXUAL

Atividades para Garotas Selvagens Misteriosas

* Crie um ritual de autobênção
* Converse com suas parentas. Fale com elas sobre a percepção emergente de seu poder feminino. Há alguém dentre suas parentas que será sua ligação com a história feminina de sua família.
* Leia sobre outras culturas e seus entendimentos do mundo feminino.
* Vá a um museu para observar imagens de Deusas.
* Faça uma colagem de heroínas. Crie uma imagem para sua parede ou altar com fotografias escolhidas de mulheres que personificam, para você, o poder e a beleza da feminilidade.


Texto adaptado do livro: Garotas Selvagens - O caminho da Deusa Jovem - Patrícia Monaghan - via Bruxa Solitária

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ritual do Dia de Hécate

- 1 pedra para ser descartada e 1 pedra para ficar no seu altar (Norte)
- 1 música de que goste muito e som para tocar
- 1 Vela da sua cor favorita (além das demais do altar)
- 1 cálice com água


Trace o círculo mágico e invoque os quadrantes como de costume.
 
Invocação a Hécate

“Ouço e sinto a presença de Hécate que habita todos os lugares indicados pelos quatro pontos cardeais. Sua energia e esplendor brilham como o sol da meia noite, convocando-me para a celebração de sua data especial. Hécate, Sua presença é chamada para este rito de amor e paz a ser comemorado em nome daquela que é a Senhora da Terra, das Ilusões, dos Caminhos e do Submundo. Hécate, poderosa Senhora, eu te invoco para este meu ritual. Venha celebrar comigo e seja bem vinda.”

Volte-se para o norte e segure a pedra entre suas mãos.  Medite sobre um obstáculo que você deseja eliminar de sua vida.  Visualize todos os detalhes associados a ele, as situações que ele está provocando e todo o problema que causa.  Uma vez que tenha transferido para a pedra toda a energia do que deseja eliminar, volte-se para o Norte e leia em voz alta:

Hécate vem para a minha vida pelo Norte, caminhando, serenamente, e trazendo em seu rosto o sorriso belo do anúncio de sua chegada. Ela traz flores brancas e feixes de trigo em suas mãos.  Um coroa de folhas de carvalho adorna sua cabeça, entrelaçada entre fios sedosos de cabelos cor de bronze escuro.  Ao se aproximar de meu círculo mágico, Ela diz, “Você me chamou e por isso eu vim. Vim recolher a pedra que está em seu caminho e a levarei comigo de volta para os recônditos de meu ventre fecundo. Lá, seu obstáculo se dissolverá e se tornará adubo para novas empreitadas. Em troca do obstáculo que levo, deixo com você esta benção, que não será uma barreira, mas sim uma fonte de força” (deixe a pedra a ser descartada fora do seu espaço sagrado).  Às palavras da Deusa, pergunto, “E que força é essa que a Senhora traz para mim?”.  Hécate diz, “Trago a força da proteção da Terra, as grutas úmidas das montanhas e a proteção da semente à espera por germinação. Trago a serenidade e a paz dos meses de Inverno e a resistência da madeira que se recusa a ceder à força das tempestades. Trago a força da rocha, que se permite quebrar e partir-se até tornar-se grão, mas que nunca se esquece de sua essência. Enquanto você estiver aberto à minha proteção, eu estarei aqui para te ajudar a se proteger. É isso que trago a você nesta pedra”.

Você retira a pedra de seu altar e a segura em suas mãos, visualizando que foi a Deusa quem a lhe entregou.  Sinta o pulsar da energia poderosa da Deusa e a proteção contida nela.  Retorne a pedra ao altar e volte-se para o Leste.

Hécate vem para a minha vida pelo Leste, flutuando, carregada por ventos que, ao ritmo de seu humor, chicoteiam os cabelos escuros e as dobras de seu vestido branco. Ela tem os olhos fechados em uma expressão de prazer, como se saboreasse as carícias travessas dos ventos que a carregam. Seus braços, pescoço e cintura são adornados por feixes dourados de trigo e palha, entrelaçados habilidosamente com folhas de louro em padrões intrincados.  Ao se aproximar de meu círculo mágico, Ela diz, “Você me chamou e por isso eu vim. Vim dançar com você a dança que toca o seu coração, pois apenas dançando com nossos medos que discernirmos sombras de ilusões. Apenas dançando com a solidão que lhe daremos uma companheira. Apenas rindo de nossas próprias tolices descobrimos que erros são oportunidades e que não saber tudo é prova de um infinito de vida a ser vivida”. Às palavras da Deusa, pergunto, “E a Senhora me concede a honra desta dança?” (comece a tocar a música escolhida). Hécate sorri, estende a mão a você e diz, “Pois dancemos (comece a dançar e a ler pausadamente). Dancemos e que nossos passos iluminem a escuridão através das sendas do seu destino. Que os passos de seus ancestrais te guiem nessa jornada, como estrelas brilhando na imensidão infinita do universo, inúmeros caminhos a serem seguidos. Que no meio dessa valsa de estrelas haja negrume suficiente para você esculpir sua própria trilha, seu próprio destino, pois há muito que os ossos dos que se foram não conseguiram alcançar. Pois, dancemos, e que nossa valsa seja celebrada através dos fios da eternidade. E que por essa dança você possa tecer seu próprio destino.

Dance até o final da música. Certifique-se que a vela de sua cor favorita está no altar e volte-se para o Sul.

Hécate vem para a minha vida pelo Sul, cavalgando um raio de luar como uma enorme cadela selvagem enquanto seus cabelos negros fundem-se à escuridão azulada do ceu noturno. Sua pele é salpicada de infinitos cristais brilhantes, como se Ela própria fosse trevas do firmamento. As estrelas estendem sua luz na esperança de acariciar a Deusa e regozijam-se ao tomar consciência de que, juntas, pavimentam a descida de Hécate com brilho, amor e alegria. O sorriso da Deusa é o próprio crescente lunar que brilha em meu coração e me traz esperança e paz. Ao se aproximar de meu círculo mágico, Ela diz, “Você me chamou e por isso eu vim. Vim pois eu sempre venho onde a esperança brilha, mesmo que ela seja apenas uma luz tênue e frágil e que muitas vezes possa não conseguir vencer a escuridão das trevas ao redor. É da luz da esperança que os sonhos se alimentam e sem sonhos não há o sabor da felicidade da conquista”.  Às palavras da Deusa, pergunto, “A Senhora aceita então a chama que lhe ofereço? (acenda a vela). Hécate sorri, e o brilho da Lua crescente sorri para mim naquela face, “E em troca de sua luz eu trago a minha chama sagrada da inspiração, da concentração e da serenidade. Possa sua mente fiar seus pensamentos soltos e trançá-los em belíssimos arranjos que serão entoados à sua felicidade. Possa seu coração ouvir os sentimentos alheios e permitir-se compreender, vibrando com um calor próprio que trará aconchego para aqueles que precisam. Que nossas luzes brilhem juntas e que ela seja um constante lembrete de que dois corações batem onde antes você pensava haver um.
Observe a chama da vela e sinta que a energia de Hécate é conduzida por seu corpo, purificando e trazendo força para cada canto de seu coração e alma.


Quando sentir-se pronto, volte-se para o oeste e diga:

Hécate vem para a minha vida pelo Oeste, de onde também sopra a brisa gélida das almas desencarnadas ainda presas ao mundo dos vivos. Seus olhos, cor de escuridão, estão fixos na jornada adiante enquanto os inúmeros véus negros de suas vestes formam um mar ondulante de trevas no céu noturno.  Em sua mão está um punhal de prata cravejado de pedras da lua e em sua cintura há um açoite de couro negro de três feixes. Em sua chegada, a Deusa conduz uma horda de daemons e, seguindo-os, estão espíritos em sofrimento, desejosos por alimentar-se de Sua divina presença em busca de reconciliação, cura e paz. Hécate vem com expressão séria, porém serena, consciente da necessidade dos espíritos ao seu redor e de suas tarefas no Submundo. Ao se aproximar de meu círculo mágico, Ela diz, “Você me chamou e por isso eu vim. Vim para trazer reconciliação com as sombras de seu passado, pois é abraçando-se as dores e desafetos de tempos de outrora que podemos alcançar a cura de feridas já esquecidas. Trouxe minha horda de espíritos, pois conduzo aqueles que vêm a mim de livre vontade, mas tenho um compromisso de guiar espíritos perdidos em sofrimento rumo à cura e ao retorno ao ventre da Mãe Celestial. Vim para mostrar que por mais longa e árdua que seja uma jornada, por mais escuro que seja um caminho, por mais dolorosa que seja uma lembrança, todo o sofrimento tem um fim”. Às palavras da Senhora, pergunto: “A Senhora aceita esta água como oferenda para saciar a sede espiritual daqueles que precisam dela?” (derrame metade da água do cálice em libação). A Deusa diz “Pois que as águas que dançam e espiralam pelas terras deste mundo levem consigo o calor das canções vivas que os espíritos desencarnados desejam ouvir. Que essas águas limpem, purifiquem e levem consigo os grilhões que os prendem a um passado que jamais voltará. E em troca de sua oferenda, que os espíritos libertos pelas águas do mundo levem consigo uma mensagem que você deseja ser transmitida ao Submundo.”

Derrame a outra metade da água do cálice em libação enquanto você diz a mensagem que deseja ser levada ao submundo. Essa mensagem pode ser algo a ser para um ancestral, uma mensagem geral para as almas que precisam de consolo ou algo mais pessoal para um ente querido que se foi de seu convívio.

Prossiga o ritual lendo:

Hécate vem para a minha vida pelo Norte, Leste, Sul e Oeste. Sua risada singela, sua sobriedade solene e seu esplendor reverberam pela minha vida trazendo alegria, amor, felicidade, autoconhecimento e reflexão. Que Hécate seja homenageada neste dia, como o foi em tempos de outrora, e que a chama da Deusa brilhe forte em meu altar e em meu coração. Que homens e mulheres cujas almas juraram servi-la, possam ver a alegria da chama de minha luz e lembrar-se de que, apesar de adormecida por muitos séculos, Hécate vive e ainda tem muito que ensinar. Pois não há nenhuma lição, nenhuma experiência e nenhum sonho que não tenha sido testemunhado pela luz do luar. Obrigado, Hécate.

Ao sair de seu espaço sagrado, atire a pedra que representa o obstáculo retirado por Hécate o mais longe que você puder.
 
Montei um ritual simples e com poucos materiais para bruxos celebrando o dia de Hécate (13 de Agosto) solitariamente.  Se você não estiver sozinho, este rito pode ser encenado elegendo-se uma bruxa para representar Hécate.


Boa celebração!  por Dylan Siegel

Hecate, A Senhora Das Encruzilhadas!

 
 "As Vestes Caem
E Eu Caminho,
Livre Como A Grande Loba
De Uivos Divinos,
Livre Como A Senhora
Do Uivar Do Grande Lobo,...

Livre Como A Deusa
Dos Verdadeiros Uivos
Nos Véus Da Grande Noite.

As Vestes São Meus Beijos,
As Vestes São Minhas Revelações,
Minhas Filhas Recebem
Cada Veste Minha,
Meus Filhos Recebem
Cada Veste Minha,
Vestes De Poder Que Caminham
Nos Poderes Da Grande Noite
Revelados Aos
Filhos Noturnos.

Sou Da Antiga Ordem
De Todas As Coisas
E Represento A Escuridão Profunda
Que Havia
Antes Do Sopro Do Todo
Vir A Moldar Todas As Coisas
Que Hoje Formam
A Criação Inteira
Sempre A Estar
Em Inteira Expansão.

Não Me Conhecem Como Eu Sou
Os Filhos Diurnos,
Pois Eu Sou Senhora Da Grande Noite,
Sou A Soberana Da Grande Noite,
Os Subterrâneos São Minhas
Moradas Eternas,
Os Dos Reinos Das Trevas,
Os Dos Reinos Infernais,
Os Dos Reinos Abismais,
A Mim Honram
Com Seus Noturnos Respeitosos
Amores Infinitos.

Tu Não Me Conheces,
Ser Humano Do Dia,
Pois Não És Da Grande Noite,
Apenas As Minhas Filhas,
Apenas Os Meus Filhos,
Caminhantes Eternos Na Grande Noite,
Podem Me Conhecer,
Podem Me Amar,
Podem Me Adorar,
Podem Me Abraçar.

Eu Te Conheço,
Ser Humano Do Dia,
Estou Dentro De Ti,
Apenas Ouças O Uivo Noturno
Que Dou Nas Noites
Deste Mundo
E Nas De Todos Os Mundos,
Ouças Meu Uivo,
As Sementes Da Grande Noite
Adormecidas Em Ti
Me Reconhecerão.

Eu Sou A Deusa Hécate.
A Deusa Hécate Lupina.
A Deusa Hécate Uivante.
A Deusa Hécate A Ser
A Soberana,
A Única Soberana,
Da Grande Noite.
Quereis Vestir-Te
Com Alguma Das Minhas
Vestes,
Ser Humano Do Dia?

Com Todo O Amor
Dos Meus Noturnos Passos,
A Ti Posso Dar
Todas Elas!" - Genevieve Amelia


 

Porque a Deusa Hecate é A Mais Poderosa? Antes de todas as Deusas, antes de todos os Deuses, Ela Nasceu Do Sopro Da Escuridão Que Havia Antes De Tudo Quando Da Formação Da Luz Que Moldou Toda A Criação. Ou Criações, pois, conforme dito na Kabbalah, houveram diversas outras Criações antes desta, infinitas. Mas, dizer aqui neste fórum que a Deusa Hecate é A Mais Poderosa Das Deusas é perigoso, já que divergências no meio pagão/ocultista sempre ocorrem. Esta afirmação deste Inominável Ser aqui nasceu de seu contato com Ela, Sua Mãe, Sua Guia, Sua Mestre Nos Véus Da Grande Noite Que Ela Mesma É. Falar assim da Deusa Hecate, portanto, é suspeito advindo de um seguidor Dela; contudo, posso afirmar, ainda, que nenhuma outra Deusa tanto demonstrou através de mim tantas Coisas que estou a Visualizar quanto Ela. Coisas das quais este Inominável Ser aqui, neste fórum, não dirá, pois ele não fundou a Cova para repassar as suas Doutrinas Inomináveis. Sendo assim, abstenho-me de falar do que Ela me Revela através da Grande Noite e me atenho, com emoção e muito prazer, Amor, Verdadeiro Amor, a partir de agora, a continuar a explanar aqui as minhas intenções ao fundar este tópico.

Sendo possível que a Deusa Hecate seja A Mais Poderosa ou não, tratar-se-á neste tópico de reunir-se todo o material possível acerca de seu histórico, rituais, enfim, as interpretações das várias Tradições e dos que não seguem Tradições específicas, acerca Dela. De Iniciados a Auto-Iniciados, de Wiccanos a Vampiros Reais, de Satanistas a Luciferianistas, todos, enfim, da Sociedade Oculta, da Subcultura Ocultista, como prefiro definir os Caminhantes Nas Sendas Iniciáticas E Nas Sendas Auto-Iniciáticas, que praticam a Magia, possuem uma visão pessoal acerca da Deusa que aqui será apresentada em todas as suas vertentes, exposições e Faces. A minha opinião pessoal, no entanto, fica como sendo a de um Filho Dela, apenas, sem nenhuma pecha de autoridade ou de clara apropriação de qualquer possível autoridade. Cada Ser Na Senda Oculta Recebe As Impressões Que A Sua Vontade Molda Para Ser Condensada E Apreendida Pelo Seu Interno Conhecimento; em outras palavras, aos que não pertencem aos Círculos Ocultos, quero dizer que sempre haverão aqueles que considerarão a Deusa Hecate como A Maior De Todas As Deusas, uma Deusa como todas as outras ou uma Deusa de menor importância.

O caso dos últimos nasce da pura ignorância e do receio de se lidar em Magia Prática com Ela. Por experiência própria, digo-lhes que os Rituais direcionados às Estradas Hecatianas são os mais simples possíveis, Ela é simples e exige apenas dedicação, respeito e Amor a Si, sem ser uma tirânica Deusa como Hera ou uma sedutora Deusa como Afrodite, como a História Antiga fez com que todos acreditarem que assim Elas fossem. A Deusa Hecate não é tirânica e nem é sedutora, pois, naturalmente, Ela em si comporta toda a Essencialidade Das Coisas Primordiais, As Coisas Que Surgem Da Grande Noite E Se Manifestam À Luz Do Sol, sendo, quase impossível, classificar-lhe como isto ou como aquilo, o que jamais foi possível durante toda a História e por todas as civilizações, nas quais Ela foi conhecida por diversos Nomes. Ainda hoje, conhecem-na por outros Nomes as Ordens e Seitas Ocultistas; para a Religião Umbandista, Ela é A Senhora Das Encruzilhadas, apenas dando um exemplo, aqui do Brasil, de como a Deusa Hecate é capaz de Vibrar em todas as Direções e em todos os Panteões. Não é complicado ou difícil lidar com Ela, basta apenas acreditar, exercer a Vontade e moldar uma Realidade, Interna e Externa, na qual o contato possa ocorrer da melhor maneira possível. Nada de entrar aqui em pormenores acerca dos tipos de contatos que com Ela tenho, Saber, Ousar, Querer E Calar é axioma oculto que sigo à risca. Que cada um, se o quiser, contate-A, com fé, com a Vontade toda a crer que Ela virá, da maneira e da forma ritualísticas que disponível estiver. Sabemos que os Deuses são semelhantes a nós e se nós nos espelhamos Neles, somos, então, Semelhantes A Eles Em Proporção E Igualdade De Condições. Sendo assim, as Deusas Hera e Afrodite não São como este Inominável Ser disse, tudo depende da Percepção Interna daqueles que com Elas lidam.

Estudaremos, enfim, neste tópico, a Deusa Hecate. Convido aos ocultistas e interessados, inscritos no fórum, para participarem. Que procuremos catalogar toda e qualquer informação acerca Dela. Que procuremos interpretar-Lhe, como pudermos, Sua Natureza. Que a desmistifiquemos da “fama” de Deusa terrível e e da qual nenhum Ser deve aproximar-se. Ela, aqui, nos guiará.

Que A Deusa Hecate Vos Toque Como Está Agora A Tocar Este Inominável Ser!
Aqui, A Deusa Hecate Está!
Aqui, na Cova, A Deusa Hecate Está!
 
Hoje 13 de agosto... Dia de Hécate!

Fonte - Projeto C.O.V.A.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

As Três Faces da Mulher Celta

 
"Todas as sociedades, ao longo dos tempos, tentaram definir as relações do homem e da mulher, como casal e dentro das estruturas sociais existentes. Para isso, atribuíram a cada um determinado lugar, que varia sensivelmente de acordo com os costumes e as tradições de cada povo.

Entre os celtas - os antigos gauleses, os irlandeses, os bretões da Ilha da Bretanha que vieram a ser os galeses, e os bretões armoricanos - as estruturas sociais eram as de todos os povos indo-europeus; isto quer dizer que a tendência era o patriarcalismo com o homem em primeiro plano.

Mas ao analisarem-se textos jurídicos, testemunhos históricos, literários e mitológicos, é surpreendente a constatação de quanto era vantajosa a condição feminina entre os celtas em relação a algumas outras sociedades, principalmente as mediterrâneas. Por outro lado, é certo que existem analogias profundas entre os usos celtas e os usos da Índia antiga quanto às formas de casamento.

É sabido que todos os mediterrâneos, particularmente os gregos e romanos, mantinham a mulher em estado de menoridade permanente. Os celtas, ao contrário, lhe atribuíam direitos que a mulher das épocas puritanas dos séculos XIX e XX, na Europa ocidental, estavam longe de possuir.

As razões dessa particularidade são muito diversas, mas podemos citar uma essencial: os celtas que invadiram a Europa ocidental por volta do século V a.C. não eram numerosos; constituíam uma elite guerreira e intelectual, e encontraram, nos territórios que vieram a ocupar, populações autóctones de densidade bem maior, às quais impuseram sua cultura, sua língua, sua religião e suas técnicas, e das quais assimilaram alguns costumes, especialmente os referentes às relações interindividuais.

Assim, as condições muito especiais do estatuto da mulher se observam no quadro da civilização celta devem ser buscadas na herança dos povos outrora instalados na Europa Ocidental.

O que espanta é a relativa independência da mulher em relação ao homem. A mulher pode ter bens próprios, como objetos de uso, jóias e cabeças de gado. Como o sistema celta admitia a propriedade mobiliária individual juntamente com uma propriedade rural coletiva, a mulher podia dispor de tal propriedade a seu bel-prazer, vendendo-a se assim quisesse, adquirindo outras por meio de compra, de prestação de serviços ou por doação. Ao casar-se, a mulher conservava seus bens pessoais e os levava consigo em caso de dissolução do casamento.

O casamento celta, aliás, era uma instituição flexível, resultante de um contrato cuja duração não precisava necessariamente ser definitiva. A mulher escolhia livremente seu marido, pelo menos teoricamente, pois às vezes os pais arranjavam casamentos por oportunismo econômico ou político. Mas mesmo nestes casos, a moça era consultada.

Aliás, no quadro do casamento, tudo dependia da situação pessoal dos esposos. Quando a mulher possuía menos bens que o marido, era este quem dirigia a casa, sem recorrer à mulher. Mas se as fortunas do homem e da mulher fossem iguais, o marido não poderia dirigir a casa sem o consentimento da esposa. E, fato excepcional na maioria das legislações, no caso de a mulher possuir mais bens que o marido, era ela quem dirigia a casa, sem pedir sequer a opinião dele.

A História e a epopéia antiga nos deixaram uma lembrança muito viva de situações assim: isso mostra eloqüentemente que a mulher conseguira, numa sociedade patriarcal, manter uma certa predominância e uma autoridade moral incontestável.

Também é importante constatar que, casando-se, a mulher não entrava nunca na família do marido. Ela pertencia sempre à sua família de origem, e o preço pago pelo marido pela compra de sua mulher era uma espécie de compensação dada à família dela. Mas em caso de divórcio a mulher retomava seu lugar natural em sua família de origem.

Em determinadas situações, especialmente quando o marido era estrangeiro, a família constituída pelo casamento pertencia a uma categoria especial, ligada à família da mulher, e os filhos herdavam exclusivamente a família materna.

O mesmo acontecia nas famílias reais em que a transmissão da soberania se dava às vezes por intermédio da mãe, ou do tio materno; existem, tanto na literatura irlandesa quanto na literatura européia de inspiração celta, lembranças flagrantes dessa prática de transferir a herança aos filhos do irmão da mãe. O exemplo mais célebre é o de Tristão, herói de uma lenda medieval de origem celta, herdeiro de seu tio materno, o rei Mark.

Fora do casamento, existia - e durou muito tempo na Irlanda, mesmo nos tempos cristãos - uma espécie de concubinato regulamentado por costumes severos. O homem, casado ou não, podia tomar uma concubina. Se fosse casado, só o poderia fazer com o consentimento de sua esposa legítima mas, de qualquer forma, a concubina só vinha instalar-se no domicílio do homem depois de ter acertado com ele um verdadeiro contrato. Ela recebia uma compensação pessoal, assim como sua família de origem, e comprometia-se por um período limitado a um ano e nem mais um dia.

Ao termo desse prazo, a concubina podia retomar sua liberdade, a menos que combinasse um outro contrato de igual duração. Esse estranho costume, que se quis chamar de "casamento temporário" ou "casamento anual", tinha o mérito de salvaguardar a independência e a liberdade da mulher; ela não era um objeto, comprado hoje e abandonado amanhã, ela era realmente uma pessoa, com a qual se celebrava um contrato.

E se o contrato não fosse respeitado, a mulher concubina sempre tinha a possibilidade de apelar à decisão de um juiz que ela mesma escolhia entre os que eram considerados mais sábios, geralmente druidas, que, além de suas funções sacerdotais, eram verdadeiros jurisconsultos.

O contrato de casamento era no fundo um tanto provisório e podia ser rompido a qualquer momento. Assim sendo, o divórcio era extremamente fácil. Se o homem decidisse abandonar a mulher, devia basear-se em motivos graves; se não os tivesse, deveria pagar idenizações muito altas, exatamente como em caso de quebra abusiva do contrato.

Mas a mulher, por seu lado, tinha o direito de se separar do marido quando ela a submetessa a maus tratos, ou mantivesse no domicílio uma concubina que não agradasse a ela.

Cita-se com freqüência o exemplo de um druida que queria levar para casa uma concubina não aceita por sua esposa legítima. Ele quis insistir, mas sua mulher fez saber que se divorciaria, e como a mulher possuía a maior parte da fortuna do casal, o druida refletiu melhor, resignou-se e submeteu-se à vontade da esposa, renunciando à concubina.

Na verdade, embora fosse mais freqüente que os homens pedissem a dissolução do casamento, as mulheres tinham o mesmo direito, e o divórcio podia ser feito quase automaticamente, por uma espécie de consentimento mútuo. E, havendo a separação do casal, a mulher não só retomava seus bens pessoais, mas retinha também sua parte em tudo o que o casal tivesse adquirido durante o tempo do casamento.

Esta solução impedia que a mulher fosse lesada quer no plano econômico quer no plano moral, pois o divórcio não decorria de nenhuma culpa; um contrato tornara-se caduco, e o divórcio não era mais do que o reconhecimento desse fato.

É certo que o problema dos filhos apresentava dificuldade. Em princípio, os filhos pertenciam à família do pai, e estavam, assim, protegidos de qualquer injustiça, pois a solidariedade familiar intervinha em favor deles, que não eram nunca abandonados. Havia ainda uma instituição especial para crianças que estivessem neste caso: adoção, que consistia em mandar os filhos para receberem educação manual, doméstica, intelectual ou guerreira com outra família, que por sua vez criava laços entre a criança e seus pais adotivos, alargando consideravelmente o quadro da vida familiar.

Os filhos podiam herdar tanto do pai como da mãe. As meninas não ficavam afastadas da sucessão, ainda que fossem ligeiramente desfavorecidas em relação aos meninos. Mas, no todo, tanto quanto se pode observar nas épocas históricas do século V a.C. ao século XII da nossa era - a sociedade celta na Irlanda, na Ilha da Bretanha armoricana parece ter feito todo o possível para salvaguardar a dignidade, os direitos e a autoridade moral da mulher."

Texto do pesquisador Jean Markale, retirado da revista O Correio da Unesco (nº2, ano 1978).

Práticas Diárias


Não é só de 8 festivais que vive um druida rs. Manter uma prática devocional diária é fundamental, ainda mais numa religião como a nossa em que procuramos honrar cada dia e momento com o devido respeito e alegria. Sim, porque a vida não é um fardo tampouco uma maldição para nós. A vida é um dom, um presente dos Deuses, e deve ser vivida da melhor e mais feliz forma. Se não der certo essa vez, a gente tenta em outra vida, em outras formas, quem sabe como uma águia, uma árvore, uma borboleta, ou como humano de novo.
Nos povos celtas, para cada ação existia uma oração. Oração para o despertar, para o dormir, para agradecer a refeição, para a colheita, para o trabalho, para o nascer e o pôr do sol, para a lua nova e tantas outras coisas. O Carmina Gadelica, um compêndio de preces e orações coletadas por Alexander Carmichael em vilas escocesas no século XIX, mostra essa forma de pensar e viver com certeza herdada dos celtas, apesar das influências cristãs contidas nas orações.
 
Falando agora sobre minha vivência, antes de dormir faço duas orações à Brighid agradecendo e pedindo para que eu tenha um bom sono e que minha casa seja abençoada e protegida. Uma dessas orações é:
 
Abençoe tu, oh Brighid, esta morada,
E todos que aqui dormem.
Abençoe tu, oh Brighid, os meus queridos,
No lugar onde eles descansam.
A noite que é essa noite,
E cada única noite.
O dia que é esse dia,
E cada único dia.
(Adaptação da oração 338 do Carmina Gadelica, Volume III).
 
Ao acordar faço a seguinte oração, baseada na “Moch Maidin” de Robert Kaucher.
 
Eu me levanto hoje
Com a graça dos deuses,
Que eu tenha a força de um touro,
A sabedoria de um salmão,
A valentia de um javali,
A beleza de uma borboleta,
O encanto de um cisne.
Que haja excelência sobre minha casa,
Excelência sobre meus amigos,
E excelência sobre minha parte do trabalho.
Assim seja.

Depois de lavar o rosto etc., dirijo-me ao altar e faço a seguinte prática:
 
Com água e fogo no altar, acendo uma chama (numa vela) dizendo:
 
Eu acenderei o fogo esta manhã
Na presença dos Deuses acima,
Na presença dos Ancestrais abaixo,
Na presença dos Nobres ao meu redor.
 
Coloco água de uma vasilha para outra dizendo:
 
Os três que estão na terra,
Os três que estão no céu,
Os três que estão no grande mar.
 
Molho os dedos (indicador, médio e anelar unidos) na água e toco a testa e bochechas dizendo:
 
Eu banho minha face em água pura,
Eu banho minha face nas águas da vida,
Que eu vá limpa por este dia.
 
Levanto a vela na altura dos olhos e digo:
 
Força para minhas mãos no trabalho,
Sabedoria em minha fala,
Amor em meu coração para todos,
E verdadeiro amor de todos para mim.
 
Seguro entre as mãos o pingente com a cruz de Brighid, que carrego em meu pescoço, e digo:
Haja agradecimento pelo meu despertar,
Haja agradecimento pelo meu levantar,
Haja agradecimento pelo meu viver,
E pela proteção que me cobre.
 
Faço então a oração de Brighid que adoro e/ou alguma outra prece que sinto vontade de proferir no momento. Depois disso, apago o fogo dizendo:

Em nome dos Antigos,
Em nome dos Nobres,
Em nome dos Deuses,
Que eu vá em frente na senda da virtude.
 
Libo a água derramando-a nos vasos de plantas e prossigo com as tarefas do dia.
 
(Prática elaborada pelo druida Marcílio Diniz, e pode ser lida na versão completa no site acima indicado).

Recentemente comecei a estudar o Ogham, então tem sido parte de minhas práticas diárias ler a cada começo do dia (geralmente após o café da manhã) sobre um determinado ogham. Ao almoçar e jantar eu agradeço pela comida, à Mãe Terra e ao animal que morreu para alimentar a mim e minha família. Ao tomar banho oro, ou apenas mentalizo, para que a água me purifique e renove minhas forças. Sempre que possível gosto de observar o pôr-do-sol pela janela de casa. E também gosto de olhar pro céu noturno quando está estrelado, com lua, sem lua ou carregado de nuvens de chuva.

Enfim, tenho tantas outras práticas que não são exatamente diárias (como fazer uma oração ao preparar um chá ou cantar para a lua cheia), mas que permeiam meu viver e enchem de magia e encanto meus dias. Confesso que não é todo dia que consigo realizar todas as práticas e preces diárias acima mencionadas, mas não consigo passar um dia sem ao menos fazer uma prece que seja. A prática devocional diária é uma coisa que deve ser construída e que também exige certa disciplina. Deixar de fazer as orações por preguiça é brincadeira né?! Seja o seu caminho o do(a) Druida(esa), Guerreiro(a) ou Devoto(a), manter uma prática diária é muito importante, pois isso faz com que sintamos o Druidismo em cada dia de nossas vidas, e não só em Beltane ou Samhain.

A prática diária deve ser realizada com um sentimento de honra e encantamento, não como uma obrigação. Se não, não faz sentido. Quando você conseguir realizar as práticas devocionais diárias sem se sentir obrigado a fazê-las, mas apenas porque gosta de realizar e sente que isso já faz parte de seu dia, então estará no caminho certo.
 
O EnCanto do Cisne

Ritual

 
Fogo, água e terra. É o que compõe meu altar quando realizo um ritual. Além disso, há representações e símbolos das Três Famílias que estão sempre ali em cima da mesinha.
Celebro os 8 festivais ao longo do ano, e sempre que possível a lua cheia e também a lua vermelha (menstruação). As celebrações vão desde um ritual relativamente elaborado até um simples ato de meditação/visualização, e isso depende muito de qual celebração seja e da espontaneidade e inspiração que me toca no momento.

Elaborei há pouco tempo duas “liturgias” druídicas, mas ainda as estou “experimentando”. A primeira eu sinto que funciona melhor quando realizada em grupo ou a partir de três pessoas. A segunda pode ser realizada em grupo, mas funciona melhor ainda se realizada sozinho. Sinto também que quanto mais simples as invocações e chamados, ou seja, quanto menos formalidades, ritualismos e “fru-frus” melhor, tanto pros Deuses quanto pra nós mesmos. A musicalidade, o uso de cânticos e músicas sagradas é maravilhoso num ritual, e acho que provocam mais efeitos do que um rito sem música ou canções e só com falas elaboradas e seriedade excessiva. A musicalidade tinha uma grande importância nas culturas celtas antigas e atuais, e não pode ser deixada de fora numa celebração druídica. Além do mais, quem não gosta de boa música?

Celebro outros tipos de rituais também em um ciclo anual, como o aniversário de nascimento da minha avó materna (que já foi para o Grande Mar), aniversário de namoro e casamento, meu próprio aniversário, a lua nova, o nascer de uma flor de uma planta que estava quase morrendo, um banho gostoso depois de um dia quente e cansativo, o deitar na cama quando os olhos já não aguentam de sono, o abraço apertado de alguém amado que há tempos não via, o almoço que reúne a família...
Na verdade, todo dia realizo rituais, pois meus dias são cheios de momentos sagrados, e o ritual nada mais é do que celebrar a vida e a sacralidade nela contida. Ritual, para mim, não é só aquele momento em que acendemos um fogo, chamamos os deuses e lembramos os antigos. Uma meditação/visualização profunda, ou uma batida no tambor para a lua, ou uma libação sincera aos ancestrais, assim como uma prece espontânea e inspirada diante de uma chama ou incenso aceso, é também Ritual, e às vezes essas simples ações têm mais força e magia do que um ritual longo e complexo.

Muitos dizem que não conseguem celebrar os festivais célticos em suas casas, seja por falta de privacidade ou de liberdade. Mas para celebrar um festival ou outro rito não é necessário fazer um ritual com velas, fogueira, diante de um poço sagrado sob a lua e usando uma túnica esvoaçando ao vento... Seria bem legal se desse, mas isso não é estritamente necessário. Estude uns dias antes os mitos, símbolos e costumes relacionados ao festival em questão, marque um dia e tente fazer uma meditação, recitar um poema (de sua autoria ou não) e/ou proferir uma prece dedicada aquele momento sagrado. Para celebrar a vida e se harmonizar à Natureza não precisa muito, basta vontade, concentração, criatividade e inspiração. Por mais que pareça pouco, acredite, isso será muito. Você e os Deuses sentirão...
 
 
Termino compartilhando as palavras do sábio e poeta Khalil Gibran, a quem tenho grande admiração.
 
“E um velho sacerdote disse, Fala-nos da Religião.
E ele respondeu:
Terei falado de outra coisa até agora?
Não será a religião senão todos os actos e toda a reflexão, e tudo aquilo que
não é acto nem reflexão, mas encantamento e surpresa sempre emergentes da
alma, mesmo quando as mãos talham a pedra ou trabalham no tear?
Quem poderá separar a sua fé das suas acções, ou as suas crenças das suas
ocupações?
Quem pode estender as suas horas perante ele dizendo,
"Isto é para Deus e isto é para mim, isto é para a minha alma e isto para o
meu corpo?"
Todas as vossas horas são asas que voam no espaço de um eu para o outro eu.
Aquele que usa a sua moral como a sua melhor indumentária faria melhor se
andasse nu.
O vento e o sol não abrirão buracos na sua pele.
E aquele que rege a sua conduta pela ética está a aprisionar numa gaiola o
pássaro que canta.
Os cânticos mais livres não saem através de grades nem grilhetas.
E aquele para quem a devoção é uma janela, para abrir mas também para
fechar, ainda não visitou a morada da sua alma cujas janelas vão de aurora a
aurora.
A vossa vida diária é o vosso templo e a vossa religião.
Cada vez que entrais nela, entrai por inteiro.
Levai a charrua e a forja, o maço e a lira.
As coisas de que precisais por necessidade ou prazer.
Pois em sonhos não podereis erguer-vos acima dos vossos feitos, nem cair
mais baixo do que as vossas falhas.
E levai convosco todos os homens, pois na adoração não podereis voar mais
alto do que as suas esperanças, nem humilhar-vos mais baixo do que o seu
desespero.
E se quereis conhecer Deus, não pretendais resolver enigmas.
Olhai antes à vossa volta e vê-Lo-eis a brincar com os vossos filhos.
E olhai para o espaço;
Vê-Lo-eis a caminhar sobre as nuvens, de braços estendidos para a luz,
descendo sobre a chuva.
Vê-Lo-eis sorrindo no meio das flores, e depois erguer-se e agitar as árvores
com as Suas mãos.”

(“Sobre a Religião”, do livro “O Profeta”, de Khalil Gibran).
 
O EnCanto do Cisne

Um conto sobre a Dança do Amor e da Guerra entre o Sol, a Chuva e a Terra


"O Rei Sol é coroado, as águas se recolhem e o calor domina.
A Mãe da Mata recebe o Sol entre suas folhagens, e o abraça como quem abraça um amante. Seu doce e quente amante...
Ele aquece a terra e derrama sobre seu corpo belo e fecundo beijos de luz e águas do céu, que correm pela terra e trazem bençãos ao mundo.
O calor e o poder, entretanto, tornam nosso rei tirano.
A Mãe da Mata sente cada vez mais a secura do tempo e o fogo do Sol. Ela clama pela ajuda de seu outro amado amigo, que reunia forças enquanto reinava o Sol.
O Rei das Águas agora mais forte depois da derrota passada desafia o Rei Sol e almeja recuperar a coroa, e também os beijos de sua amada.
Secretamente a Mãe da Mata apoia o Rei das Águas, pois nada justifica a tirania do Sol. Gente e bicho já não suportam tanto calor, e todos suplicam pela ajuda do Rei das Águas, a quem Mãe da Mata agora dedica seu amor.
Portando sua lança-trovão, o Rei das Águas tem o poder das tempestades e envia nuvens de chuva para esconder a luz do Sol, assento do velho rei e fonte de seu poder.
O Rei Sol apesar de cansado ainda resiste à batalha, mas não por muito tempo. O Rei das Águas é forte e jovem, é moço bonito e determinado a tomar a coroa.
Depois de muitas lutas entre o Sol e a Chuva, o Rei das Águas vence e o Rei Sol se recolhe à sua morada. Deixa a Mãe da Mata, triste e derrotado, mas no fundo sabia que uma pausa precisava.
Gente e bicho comemoram e saúdam o novo rei. É tempo das águas grandes, chuvas fortes e refrescantes!
O Rei das Águas é coroado, o sol se esconde entre as nuvens, mas ainda tem forças e espia lá de cima. E os rios, antes finos e secos, agora se enchem em abundância.
A Mãe da Mata recebe seu amado entre as folhas e raízes de sua saia. Ele a envolve em beijos que a inundam e abraços que a fecundam.
Rios invadem a terra, purificam e renovam as matas. No entanto, trazem também algumas doenças. Mosquitos se multiplicam e casas são alagadas.
As águas e o poder tornam com o tempo o nosso rei tirano. E a Mãe da Mata cansada de tanta água, afogada em tanto amor, clama pela ajuda de seu amigo anterior, que reunia forças enquanto as Águas reinavam.
O Rei Sol agora mais forte depois da derrota passada desafia o Rei das Águas e almeja recuperar a coroa, assim como os beijos de sua amada.
Secretamente a Mãe da Mata apoia o Rei Sol, pois nada justifica a tirania das Águas.
E assim a Vida continua... E assim a dança nunca termina..." - Um conto sobre a Dança do Amor e da Guerra entre o Sol, a Chuva e a Terra, por Darona Ní Brighid

O Caldeirão da Poesia




"Meu verdadeiro Caldeirão da Incubação,
ele foi tomado por Deus dos mistérios do abismo elemental,
uma decisão adequada que dignifica alguém a partir do seu centro,
que verte da boca uma correnteza terrível de palavras.  
  
Sou Amhairghin Joelho-Branco,
pálido de substância, de cabelo cinzento,
concluindo minha incubação
em formas poéticas adequadas,
em cores diversas. 
  
Deus não atribui a mesma porção a todos:
emborcado, virado de lado, com o lado certo para cima;
conhecimento nenhum, conhecimento pela metade, conhecimento completo.
Para Eber e Donn
a criação da poesia temível,
vastos, poderosos goles de encantamentos mortais
em voz ativa, no silêncio passivo, no equilíbrio neutro intermediário,
na construção apropriada da rima
desse modo narra o caminho e a função do meu caldeirão.  
  
Canto o Caldeirão da Sabedoria
que concede o mérito de cada arte, 
através do qual cresce o tesouro,
que engrandece cada artesão comum,
que constrói uma pessoa por meio do seu dom. 
  
Onde está a raiz da poesia numa pessoa, no corpo ou na alma? Dizem que está na alma, pois o corpo nada faz sem a alma. Outros dizem que está no corpo, onde as artes são aprendidas, passadas através dos corpos de nossos ancestrais. Diz-se que essa é a sede do que permanece na raiz da poesia e o bom conhecimento na ancestralidade de cada pessoa não passa para todos, mas passa a cada outra pessoa. 
  
Qual é então a raiz da poesia e de toda as outras formas de sabedoria? Não é difícil. Três caldeirões nascem em cada pessoa, isto é, o Caldeirão da Incubação, o Caldeirão do Movimento e o Caldeirão da Sabedoria.  
  
O Caldeirão da Incubação (Coire goiriath) nasce virado para cima numa pessoa desde o começo. Distribui sabedoria às pessoas na sua juventude. 
  
O Caldeirão do Movimento (Coire érmai), no entanto, aumenta depois de virar. Isso significa que ele nasce virado de lado numa pessoa. 
  
O Caldeirão da Sabedoria (Coire sois) nasce sobre seus lábios (virado para baixo) e distribui sabedoria em cada arte, além da (em acréscimo à) poesia. 
  
O Caldeirão do Movimento, então, está sobre seus lábios em cada outra pessoa, isto é, nas pessoas ignorantes. Está obliquamente virado em pessoas do ofício bárdico e outras de pequeno talento poético. Está virado para cima nos maiores dentre os poetas, que são poderosas torrentes de sabedoria. Por causa disso, não em todo poeta mediano está ele voltado para cima, pois o Caldeirão do Movimento deve ser virado pela tristeza ou pela alegria. 
  
Pergunta: quantas são as divisões da tristeza que viram o caldeirão dos sábios? Não é difícil; quatro. Saudade, pesar, as tristezas do ciúme e a disciplina da peregrinação a lugares sagrados. É internamente que estas nascem, embora a causa venha do exterior.  
  
Existem então duas divisões da alegria que viram o Caldeirão da Sabedoria, isto é, a alegria divina e a alegria humana. 
  
Na alegria humana, existem quatro divisões entre os sábios. Intimidade sexual, a alegria da saúde e da prosperidade depois dos anos difíceis do estudo do ofício bárdico; a alegria da sabedoria depois da criação harmoniosa dos poemas e a alegria do adequado frenesi poético da trituração das claras nozes das nove aveleiras na Fonte de Segais no reino dos Sídhe. Elas se lançam em grandes quantidades como um rebanho de carneiros no leito do Boyne, movendo-se contra a correnteza mais rápidas do que cavalos de corrida no meio do ano no dia esplêndido a cada sete anos.  
  
Deus toca uma pessoa por meio de alegrias divinas e humanas, de modo que seja capazes de pronunciar poemas proféticos e conferir a sabedoria e realizar milagres, bem como oferecer um julgamento sábio e dar precedentes e sabedoria em resposta aos desejos de todos. Mas a fonte dessas alegrias (Deus) está fora da pessoa, embora a verdadeira causa da alegria seja interna.  
  
Canto o Caldeirão do Movimento,
graça compreensível,
conhecimento reunido,
fluente inspiração poética como o leite do peito,
é o auge da maré do conhecimento,
união de sábios,
correnteza de soberania,
glória dos humildes,
maestria das palavras, 
rápido entendimento,
sátira enrubescedora,
artesão de histórias,
cuidando dos alunos,
procurando princípios obrigatórios,
distinguindo as complexidades da linguagem,
movendo-se rumo à música,
propagação da boa sabedoria,
nobreza enriquecedora,
enobrecendo os não-nobres,
exaltando os nomes,
relatando louvores
por meio do trabalho da lei,
comparação de dignidades,
a bebida nobre em que é fervida
a raiz verdadeira de todo conhecimento,
que entrega em razão do respeito,
que cresce em razão da diligência,
cujo êxtase poético põe em movimento,
cuja alegria vira,
que é revelado por meio da tristeza,
proteção que não diminui,
canto o Caldeirão do Movimento. 
  
O que é esse movimento? Não é difícil; uma virada artística ou uma revirada artística ou viagem artística, isto é, concede a boa sabedoria e a nobreza e a honra depois de virar. 
  
O Caldeirão do Movimento
concede, é concedido,
aumenta, é aumentado,
alimenta, é alimentado,
engrandece, é engrandecido,
invoca, é invocado,
canta, é cantado,
preserva, é preservado,
combina, é combinado,
sustenta, é sustentado. 
  
Boa é a nascente do ritmo,
boa é a morada da fala,
boa é a confluência do poder
que edifica a força. 
  
É maior do que cada domínio,
é melhor do que cada herança,
traz o homem ao conhecimento
ousando além da ignorância." - Atribuído a Amhairghin, Traduzido por Bellovesos.

O EnCanto do Cisne

Magia

 
"Creio na prática e na filosofia daquilo que convencionamos chamar de magia; creio no que devemos chamar de evocação dos espíritos - ainda que eu não saiba qual a sua natureza; creio no poder de gerar ilusões; nas visões da verdade no mais profundo da mente quando os olhos estão fechados. E creio em três doutrinas que foram, penso eu, transmitidas desde tempos remotos, e que constituem os alicerces de quase todas as práticas mágicas.

Tais doutrinas são:
1) que as fronteiras de nossas mentes estão sempre em movimento, e que muitas mentes podem mesclar-se umas às outras, por assim dizer, para criar ou revelar uma única mente, uma única energia;
2) Que as fronteiras de nossas memórias também estão em movimento, e que nossas memórias são parte de uma memória maior - a memória da própria Natureza;
3) Que essa grande mente e essa grande memória podem ser evocadas através de símbolos." – W. B. Yeats.
Seria legal se os magos da realidade fossem iguais aos dos filmes, como em Harry Potter e Senhor dos Anéis. Os mais desinformados começam a estudar paganismo ou “bruxaria” (prefiro não usar esse termo, é muito pejorativo) achando que irão aprender feitiços para mudar o tempo, levitar objetos etc. Só que não. Até que seria legal se pudéssemos arrumar a casa ou fazer comida com um simples balançar da varinha... Mas não é assim que a coisa que funciona. O que não quer dizer que por conta disso a vida perdeu o encanto.
 
Os antigos enxergavam (e nós, pagãos na atualidade, buscamos essa visão) a vida plena de magia. Nenhum pôr-do-sol é o mesmo que o anterior, nenhuma rosa é igual a outra, e nenhum passarinho canta igual ao outro. Há singularidade em cada momento de nossas vidas, em cada lua, em cada amanhecer, em cada sonho.
Os antigos imbuíam de magia cada ato importante. Ao raiar do dia dizia-se uma prece, ao preparar um pão recitava-se uma canção, ao limpar a casa centrava-se os pensamentos e ao acender a lareira proferia-se determinada oração. Mas se olharmos um pouco esses atos importantes eram na realidade cotidianos. Então todos os dias e toda ação eram mágicos, porque estavam imbuídos de gestos rituais, tornando-os sagrados. Esse modo de viver preenchia a vida com um encantamento e sentimento de plenitude que hoje nos são raros e extremamente necessários em nossa sociedade.

Eu entendo que magia é como estar seguindo livremente e harmoniosamente o fluxo de um rio, sem impedimentos, sem apegos, sem pesares... É seguir junto a correnteza, para onde quer que o rio nos leve. Na verdade, não estamos só seguindo o fluxo do rio, somos o próprio o rio. Magia não é mudar, mas seguir o curso da vida, adaptar-se e aproveitar da melhor maneira as oportunidades que surgem em cada curva, descida, subida ou obstáculo no caminho do rio. E com isso realidades podem ser transformadas e desejos alcançados.
Viver com magia é estar em sintonia com os rumos da Vida, e por isso as coisas simplesmente acontecem. É estar aberto, receptível para as dádivas e sinais dos Deuses, e estando abertos saberemos o momento certo de agir e como agir. É por isso que para mim magia tem um pouco a ver com sorte. Pessoas destoantes do fluxo do rio, ou seja, amarguradas, presas em sentimentos ruins, achando que nada de bom lhes acontece e que todos estão contra ela, atraem exatamente esses acontecimentos.

Magia é enxergar as minúcias da vida, a teia por trás dos acontecimentos, e enxergando a teia podemos não só compreende-la, mas também interpretar, prever e transformar o rumo dos acontecimentos. E isso implica não só em um privilégio, uma dádiva, mas, sobretudo, uma responsabilidade em agir da melhor forma para o bem comum ou de pessoas envolvidas.
Quando vivemos com magia nos conectamos a algo muito maior, que gosto de chamar de Grande Teia ou Alma do Mundo, sendo a intuição (ou inspiração) aquilo que nos liga a ela. É por isso que podemos pressentir algo que está para acontecer, pois nos entrelaços da teia a coisa de certa forma já aconteceu.
 
 
Magia é enxergar além do que os outros conseguem ver. E por isso o mago, druida ou sábio é considerado meio louco pelos que não veem nem entendem o que ele vê. E apesar de toda a complexidade que a Grande Teia pode representar, quem vive com magia se encanta com a simplicidade que dela pode sair. O nascer de uma planta entre o asfalto da rua, o poente em tons de rosa e laranja escorrendo pela brecha da janela, o vento que bagunça o cabelo e traz a lembrança de algo querido, a lua mostrando sua face entre as nuvens, o brotar de uma semente na terra, a risada gostosa de uma criança, o afago carinhoso de quem se ama.

Quem nunca acordou de um sonho intenso com a certeza de alguma mensagem ali contida? Quem nunca escreveu um poema ou texto cujas palavras pareciam ter simplesmente surgido inteiras na mente? Quem nunca pensou numa pessoa e instantes depois recebeu uma ligação ou mensagem dessa mesma pessoa? Quem nunca olhou pro céu e sentiu lá no fundo da alma que aquela noite era mágica? Quem nunca se pegou cantarolando uma canção criada ali na hora pela própria espontaneidade e leveza do coração? Quem nunca ouviu uma música até então desconhecida, mas ao mesmo tempo tão familiar e que toca o mais fundo da alma? ... Quem nunca?
Isso para mim é magia. E magia talvez seja a essência do universo. Essência essa tão invisível, mas ainda assim tão perceptível, forte e presente em todo o lugar. 
 
O EnCanto do Cisne