quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pó Mágico

 
 
Pó Mágico contra Energia Ruim
 
A elaboração deste pó encantado deve ser realizada em noite de Lua Minguante.
 
Você vai precisar de:
 
  • ½ xícara de sal grosso
  • 1 colher de sopa de cravo da índia
  • 4 pauzinhos de canela
  • 1 pitada de pimenta do reino
  •  
Na hora que for mandracar seu pó, acenda uma vela branca pequena e deixe queimar toda, e enquanto trabalha em seu pó, reze sua oração favorita.
O processo consiste em misturar os ingredientes em uma cuia enquanto reza, e a vela já acesa, concentre-se na mistura pedindo proteção.
Em seguida, despeje a mistura no liquidificador e moa bem.
Coloque a mistura depois de moída em vidrinhos que possa carregar na bolsa ou bolso, e tenha eles sempre com você.
 
Modo de usar:
 
Quando sentir negatividade diretamente a você ou mesmo no local onde você esteja, ao se afastar, pegue seu vidro de pó, despeje um pouco na mão direita e jogue sobre seu ombro esquerdo.
Ao jogar, peça proteção e mande que todo mal se afaste.
Caso vá a algum lugar que saiba ser carregado de energias negativas, polvilhe seu pó mágico dentro de seu sapato, só um pouquinho.
 
Pó de Sumiço
 
Magia para Afastar alguém Indesejado
 
Receita de Origem Italiana 
 
Esta fórmula é chamada de “Pó de Sumiço” pelas Streghe na Itália (bruxas).
Receita antiga e original, passada tradicionalmente e somente entre a própria família.
No momento do ritual de preparação da magia do pó é necessário uma enorme concentração e fixação da pessoa indesejável em sua mente, ou somente mentalizar paz e proteção.
Assim, a pessoa que incomoda se sentirá indesejada fisicamente e se afastará por se sentir mal na presença do seu pó mágico.
Como um bônus, este pó também pode ser usado para parar qualquer tentativa de colocarem um feitiço em você, basta salpicar este pó ao seu redor quando sentir instintivamente que algo de ruim irá acontecer.
 
Misture os seguintes ingredientes:
 
  • 1 colher de sopa de canela em pó
  • 1 colher de sopa de noz-moscada
  • ½ folha de papel de jornal em cinzas
 
Pegue meia folha de jornal e queime em seu caldeirão (ou panela), junte muito bem as cinzas.
Em um prato de louça, misture estes itens com os dedos até ficar homogêneo e coloque este Pó Mágico em um vidrinho hermético.
Sempre que a pessoa aparecer, jogue algumas pitadas do pó onde esta for se sentar, ou onde for ficar por alguns minutos…
Sempre poucas pitadas, não exagere na quantidade do Pó para não dar para perceber, pois o efeito é certeiro mesmo com pouco pó.
Tenha sempre esta mistura do “Pó de Sumiço”, e poupe sua energia de vampirismo ou de gente chata mesmo.
 
Pó da Prosperidade
 
 
Para atrair energia de prosperidade em sua vida, você pode usar de várias maneiras este pó. Passe em suas velas de magia, ou espalhe no seu altar.
Você pode espalhar na bolsa, na carteira, em imagens de santos, em cômodos da casa ou empresa, enfim, onde você gostaria que tivesse a energia da prosperidade.
Para a magia você vai precisar de:
 
  • Uma vasilha para misturar os ingredientes,
  • 1 colher de sopa de gengibre em pó,
  • 1 colher de chá de menta desidratada,
  • Meia xícara de maisena,
  • Um saquinho ou frasco limpo, para guardar seu pó mágico.
 
Enquanto você mistura os ingredientes com as mãos, visualize as coisas que você quer que melhore, prospere ou aumente.
Visualize os detalhes, veja você satisfeito(a) com sua vida financeira, etc…
Continue mexendo a mistura, e diga este encantamento:
 
“Dinheiro, riqueza, fortuna,
Fluam para mim,
Eu comando agora este pó,
Para que ele traga o que preciso,
Ao meu comando,
Por um método justo,
Pela magia do bem,
Sem prejudicar ninguém,
Que o Universo me traga prosperidade,
Que minha vida tenha tesouros,
Com chegada e sem partida!
Que assim seja!”
 
Agora imponha suas mãos sobre a vasilha, e energize seu pó, mentalizando uma luz branca saindo da terra, subindo por seu corpo e saindo pelas suas mãos em direção ao pó.
Quando terminar, coloque o pó mágico no saquinho ou frasco, e não se esqueça de etiquetar a data, o que é e a Lua.
Use este pó sempre que precisar de vibrações de prosperidade.
E quando usar, repita o encantamento!
 
Magia Zen

quarta-feira, 17 de julho de 2013

As palavras da Deusa Estelar

 
"Ouçam vós as palavras da Deusa Estelar. Ela em cuja poeira dos pés estão as hostes do céu e cujo corpo circunda o Universo.

"Eu, que sou a beleza dos campos verdes, a Lua alva entre as estrelas, o mistério d...
as águas e o desejo do coração do homem, chamo pelas vossas almas. Levantem-se e venham à mim.

Pois eu sou o alma da natureza, que dá vida ao universo. De mim tudo vêm e a mim tudo deve retornar; e ante a minha face, amada pelos Deuses e pelos homens, deixe teu ser divino mais profundo se envolver pelo êxtase do infinito."

"Deixem meu culto acontecer na terra que se regozija; pois todos os atos de amor e prazer são meus rituais. E portanto deixem que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência dentro de vós.

E aqueles que pensam em me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o início e eu sou aquela que é alcançada ao final do desejo."
 
 
Doreen Valiente, 1957

O Resgate da Criança Interior

 

Viaje ao interior de Si mesmo e resgate o seu verdadeiro eu...


O que é a criança interior?



A criança interior é o seu verdadeiro eu, o que corresponde à sua verdadeira essência, ao seu estado interno natural e harmonioso. Frequentemente, os desequilíbrios sentidos na idade adulta, as dificuldades de comportamento, as reacções compulsivamente auto-destrutivas e de medo irracional perante certas situações são fruto da "violência" emocional e psíquica, quando não física, a que estivemos sujeitos em crianças. A criança que fomos também não soube compreender, racionalizar, comportamentos que recaíram sobre si por parte dos pais e outros adultos, muitas vezes também eles ditados pelo medo, insegurança e dificuldades em enfrentar a vida, e interiorizou-os sob a forma de traumas alojados no coração e no corpo.

 

Porquê resgatar a criança interior?


Quando se reencontra com a criança interior, trazendo à memória acontecimentos e vivências dolorosas, o adulto em que hoje se tornou encontra-se em condições de explicar à criança que foi um dia o que ela não compreendeu, o que ela interiorizou talvez erradamente à luz do que sabia na altura e, simultaneamente, de lhe dar o que na altura era teria necessitado receber: compreensão, carinho, abraço, segurança, incentivo...
Trata-se de fazer crer à criança interior que o adulto que se é hoje está em condições de lhe dar tudo aquilo de que se viu privada. Chega-se a assumir para com ela o compromisso de estar atento e sempre à sua disposição para a ajudar quando, na vida do adulto de hoje, nela acordarem reminiscências negativas do passado.

Como se resgata a criança interior?



Através de um sistema de técnicas que induzem uma rápida transformação, sistema criado e apelidado hipnoterapia alquímica por David Quigley, de Santa Rosa, Califórnia, conduz-se a pessoa a um estado alterado de consciência, do transe leve ao profundo, passando pelo médio. A pessoa mantém-se sempre consciente, de tal modo que, por exemplo, no transe leve, mantém uma conversa em frente-a-frente sem que, aparentemente, se possa suspeitar que as suas ondas cerebrais estão mais lentas do que numa conversa com um amigo. A hipnoterapia alquímica induz uma cura a nível psíquico e energético que se opera seguidamente nos corpos emocional e mental e, consequentemente, no corpo físico onde estes últimos se encontram alojados.
Por outro lado, promove-se ainda neste seminário um maior auto-conhecimento recorrendo-se a exercícios, individuais ou em interacção com o grupo, que põem a descoberto crenças limitadoras enraizadas durante o processo de crescimento. Além disso, os participantes são também guiados ao mundo da infância ou ao seu mundo interno actual através de visualizações e meditações, por vezes trabalhando o corpo activa e energeticamente a fim de libertar emoções nele bloqueadas. A Programação Neurolinguística (PNL) é amplamente integrada no sistema da hipnoterapia alquímica.

O que resulta do resgate da criança interior?



Quando nos encontramos com a nossa verdadeira essência, descobrimos dentro de nós um ser merecedor de todo o amor do mundo. Levando para casa e para a vida uma sabedoria e claridade internas nunca experimentadas, assim como alguns instrumentos de trabalho, começamos a criar um novo espaço de relacionamento pessoal e inter-pessoal que concorre para nos sentirmos mais pacificados e mais dignos, tornando-nos assim mais capazes de transmitir plenitude e amor à nossa volta assim como no seio da própria família.
 
Fonte - Darshan Zen

O Deus

 
 
 
"Está muito em voga, atualmente, incitar os homens a sentir. Todavia, esta ânsia
 é parcialmente uma reminiscência da provocação de colocar um homem aleijado para
 correr." - Herb Goldberg
 
 
 A imagem do Deus Galhudo em Feitiçaria é radicalmente diferente de qualquer
 outra imagem de masculinidade em nossa cultura. Ela é difícil de ser
 compreendida, pois ele não se encaixa em nenhum dos estereótipos esperados, nem
 aqueles referentes ao homem "macho" nem às imagens invertidas daqueles que,
 deliberadamente, buscam a efeminação. Ele é suave, carinhoso e encorajador,
 mas é também o Caçador. Ele é o Deus Moribundo, mas a sua morte está sempre a
 serviço da força vital. Ele é sexualidade indomada, mas sexualidade como um
 poder profundo, sagrado e unificador. Ele é o poder do sentimento e a imagem do
 que os homens poderiam ser, se estivessem libertos das correntes da cultura
 patriarcal.
 
A imagem do Deus Galhudo foi deliberadamente pervertida pela igreja medieval
 para a imagem do diabo cristão. As bruxas não acreditam ou cultuam o diabo -
elas o consideram como um conceito próprio do cristianismo. O Deus das Bruxas é
 sexual, mas a sexualidade é percebida como sagrada, não como obscena ou
 blasfema. Nosso deus possui chifres, mas estes são as meias-luas que crescem e
 minguam da Deusa da Lua e o símbolo da vitalidade animal. Em alguns aspectos,
 ele é negro, não por ser horrendo ou assustador, mas porque a escuridão e a
 noite são períodos de poder e parte dos ciclos temporais.
 Sempre existiram tradições da Arte nas quais ao deus é concedido reconhecimento
 limitado. Na Arte, os mistérios femininos e os mistérios masculinos podem ser
 desempenhados separadamente. Mas, na maioria das tradições de bruxas, o Deus
 é visto como a outra metade da Deusa e muitos dos ritos e festividades são
 dedicados a ele e a ela.
 
No culto medieval das bruxas, o Deus alcançou maior proeminência que a Deusa
 durante certo período. Grande parte das confissões das bruxas falam "do diabo",
 segundo a transcrição das palavras das bruxas realizadas pelos padres cristãos,
 que se referiam ao seu deus não cristão. Poucas fazem menção à Deusa, que
 geralmente era chamada Rainha de Elfame. Todavia, os interrogadores das bruxas
 buscavam indícios do culto ao diabo e não do culto à Deusa. Eles registravam
 aqueles que sustentavam suas acusações relativas a satanismo e ignoravam ou
 torciam outro indicio. Suspeitos que eram torturados, e que chegavam ao limite
 de sua resistência, freqüentemente recebiam declarações já prontas para
 assinarem, as quais expressavam aquilo que os padres cristãos desejavam
 acreditar, em lugar da verdade.
 
Uma prática comum na Arte medieval era o sacerdote e a sacerdotisa representarem
 os papéis do Deus e da Deusa, os quais, acreditava-se, encarnavam fisicamente
 durante os ritos. Uma antiga passagem citada por Margaret Murray expressa a
 importância desse costume para camponeses analfabetos, para os quais ver era
 crer: o sacerdote zombava daqueles que "escolhiam crer em Deus, o que os deixava
 infelizes no mundo, e nem ele ou seu filho, Jesus Cristo, jamais apareciam para
 quando invocados, como ele havia feito, ele que jamais os enganaria." Para a
 maioria das bruxas, "aquele sabá terreno era o verdadeiro paraíso, o qual
 continha mais prazer do que lhe era possível expressar; ela acreditava, também,
 que a alegria por ele proporcionado era somente o prelúdio de uma glória muito
 maior, pois seu deus penetrara de tal maneira em seu coração que nenhum outro
 desejo encontraria ressonância".
 
No movimento feminino, a Feitiçaria diânica/separatista tornou-se moda e
 algumas mulheres podem ter dificuldades em compreender porque uma feminista se
 preocuparia com o Deus Galhudo. No entanto, existem poucas mulheres - se, de
 fato, existem - cujas vidas não estão ligadas aos homens, senão sexual e
 emocionalmente, então economicamente. O Deus Galhudo representa qualidades
 masculinas poderosas e positivas que derivam de fontes mais profundas que
 estereótipos e o aleijamento emocional e violento dos homens em nossa sociedade.
 Se o homem tivesse sido criado à imagem do Deus Galhudo, estaria livre para ser
 indomado sem ser cruel, irado sem ser violento, sexual sem ser coercivo,
 espiritual sem ser assexuado e capaz de amar verdadeiramente. As sereias, que
 são a Deusa, cantariam para ele.
 
A Deusa é aquela que tudo envolve, o solo do ser; o Deus é aquele que é dado à
 luz, a sua imagem espelhada, o seu outro pólo. Ela é a terra; ele é o grão. Ela
 é o céu que tudo abarca; ele é o sol, sua bola de fogo. Ela é a Roda; ele o
 Viajante. Dele é o sacrifício da vida pela morte, a fim de que a vida possa
 continuar. Ela é a mãe e Destruidora; ele é tudo que nasce e é destruído.
 Para os homens, o Deus é a imagem do poder interior e da potência que vai além
 do sexual. Ele é o self não dividido, no qual a mente não é cindida do corpo,
 nem o espírito da carne. Unidos, ambos podem funcionar ao máximo do poder
 criativo e emocional.
 Em nossa cultura, ensina-se aos homens que a masculinidade exige ausência de
 sentimentos. Eles são condicionados a agir de maneira militar; a castrar as
 emoções e ignorar a mensagem de seus corpos; a negar o desconforto físico, a dor
 e o medo, a fim de lutar e dominar com maior eficácia. Isso assume foros de
 verdade independentemente de o campo de batalha ser o da guerra, um quarto ou um
 escritório.
 
Tornou-se uma espécie de clichê afirmar que os homens foram treinados para serem
 agressivos e dominadores, e as mulheres ensinadas a serem passivas e submissas,
 que aos homens é permitido demonstrar sua raiva e às mulheres não. Na cultura
 patriarcal, ambos, homens e mulheres, aprendem a funcionar dentro de uma
 hierarquia, onde aqueles que se encontram no topo dominam os que estão abaixo.
 Um aspecto dessa dominância é o privilégio de expressar a raiva. O general
 repreende o sargento; ao soldado não é permitido fazer a mesma coisa. O chefe é
 livre para ficar furioso, mas não o seu assistente. A mulher do chefe grita com
 sua empregada, mas não vice-versa. Visto que as mulheres têm, geralmente, estado
 na parte inferior das hierarquias, do mundo dos negócios à família tradicional,
 elas vêm suportando o ímpeto de uma grande quantidade de fúria masculina e têm
 sido as principais vítimas da violência. A raiva pode ser vista como resposta a
 um ataque; poucos homens encontram-se em posições onde podem se dar ao luxo de
 confrontar diretamente seus atacantes.
 
A raiva masculina, portanto, torna-se distorcida e pervertida. É ameaçador
 reconhecer a fonte verdadeira de sua ira, pois, deste modo, ele seria obrigado a
 reconhecer o desamparo, a impotência e a humilhação de sua posição. Ao invés
 disso, ele pode voltar a sua raiva para alvos mais seguros, mulheres, crianças
 ou, até mesmo, homens menos poderosos. Ou sua raiva pode transformar-se em
 autodestruição: doenças, depressão, alcoolismo ou qualquer variedade de vícios
 disponíveis.
 Patriarcado significa, literalmente, "lei dos pais", mas em um patriarcado, a
 poucos homens é permitido desempenhar o papel de "pai" fora da esfera limitada
 da família. A estrutura de instituições hierárquicas é piramidal: um homem ao
 alto controla muitos abaixo. Os homens competem por dinheiro e pelo poder sobre
 os outros; a maioria, que não alcança o topo da corrente de comando, é forçada a
 permanecer imatura, desempenhando o papel de filho rebelde ou cumpridor de seus
 deveres. Os filhos zelosos buscam agradar eternamente ao pai através da
 obediência; os maus filhos buscam derruba-lo e tomar o seu lugar. De qualquer
 maneira, eles não estão em contato com seus próprios desejos e sentimentos.
 Nossas religiões, portanto, refletem um cosmos no qual o Deus-Pai exorta seus
 "filhos" a obedecer às normas e a fazer aquilo que lhes é pedido, a menos que
 queiram tomar o partido do grande rebelde. Nossa psicologia é a da guerra entre
 pais e filhos, que constantemente disputam a posse exclusiva da mãe, que, como
 todas as mulheres sob o patriarcado, é o prêmio máximo do sucesso. E a política
 progressista reduz-se às atitudes de filhos rebeldes, os quais destronam o pai
 somente para instituir as suas próprias hierarquias.
 
O Deus Galhudo, todavia, nasce de uma mãe virgem. Ele é um modelo de poder
 masculino que está livre da rivalidade entre pai e filho e dos conflitos
 edipianos. Ele não tem pai; é o seu próprio pai. À medida que cresce e atravessa
 as mudanças da Roda, permanece relacionado à força nutriente primordial. Seu
 poder é extraído diretamente da Deusa: ele é parte dela.
 
O Deus incorpora o poder do sentimento. Seus chifres animais representam a
 verdade da emoção não mascarada, a qual não busca agradar a nenhum senhor. Ele é
 indômito. Mas, sentimentos indomados são muito diferentes de violência
 sancionada. O deus é a força da vida, o ciclo da vida. Ele permanece dentro da
 órbita da deusa; seu poder está sempre a serviço da vida.
 O Deus das Bruxas é o Deus do amor. Esse amor inclui a sexualidade, que também é
 plenamente selvagem e indomada, assim como suave e carinhosa. Sua sexualidade é
 plenamente sentida, em um contexto onde o desejo sexual é sagrado, não somente
 por ser o meio pelo qual a vida é procriada mas, também, porque ele é o meio
 através do qual nossas próprias vidas são mais profundas e extaticamente
 realizadas. Em Feitiçaria, o sexo é um sacramento, sinal externo de uma graça
 interior. Essa graça é a profunda ligação e o reconhecimento da totalidade da
 outra pessoa. Em essência, não se limita ao ato físico, é uma troca de energia,
 um alimentar sutil entre as pessoas. Através da ligação com o outro, ligamo-nos
 ao todo.
 
 Na Arte, o corpo masculino, como o corpo feminino, é tido como sagrado, que não
 deve ser violado. É violação do corpo masculino utiliza-lo como arma, do mesmo
 modo que é uma violação do corpo feminino usa-lo como objeto ou campo de
 experimentação à serviço da virilidade do homem. Fingir desejo, quando
 inexistente, viola a verdade do corpo, assim como a repressão do desejo, o qual
 é totalmente sentido mesmo quando não satisfeito. Mas, sentir desejos e anseios
 é admitir a necessidade, o que é ameaçador para muitos homens em nossa cultura.
 Sob o patriarcado, os homens, enquanto estimulados a esperar muitos cuidados por
 parte das mulheres, também são ensinados a não admitir a necessidade de serem
 alimentados, a necessidade de, às vezes, serem passivos, fracos, de se apoiar em
 outra pessoa. O Deus, em Feitiçaria, personifica o anseio e o desejo pela união
 com a força primordial e nutriente. Em lugar de buscar cuidados maternos
 ilimitados de mulheres reais e vivas, os homens, na Feitiçaria, são encorajados
 a se identificarem com o Deus e, através dele, atingirem a união com a Deusa,
 cujo amor de mãe não tem limites. A Deusa é tanto uma força externa quanto
 interna: quando sua imagem penetra a mente e o coração de um homem, torna-se
 parte dele. Ele pode aliar-se às suas próprias qualidades nutritivas, com a Musa
 interior, que é uma fonte de inspiração indelével.
 
O Deus é Eros, mas também é logos, o poder da mente. Em bruxaria, não existe
 oposição entre estes. O desejo corporal pela união e o desejo emocional pela
 ligação são transmutados no desejo intelectual pelo conhecimento, que também é
 uma forma de união. O conhecimento pode ser tanto analítico quanto sintético;
 pode separar as coisas e observar as diferenças ou formar um padrão a partir de
 partes não integradas e enxergar o todo.
 Para as mulheres educadas em nossa cultura, o deus começa como símbolo de todas
 as qualidades que foram identificadas como masculinas e que não fomos
 estimulados a possuir. O símbolo do Deus, como o da Deusa, é interno e externo.
 Através da meditação e do ritual, a mulher que invoca o Deus cria a sua imagem
 dentro de si e liga-se às qualidades das quais carece. Uma vez que a sua
 compreensão vai além das limitações culturalmente impostas, sua imagem do Deus
 transforma-se, aprofunda-se. Ele é a criação, que não é simplesmente uma réplica
 de nós mesmos, mas algo diferente, de natureza diferente.A verdadeira criação
 implica a separação, visto que o próprio ato de nascimento é de renúncia, de
 abandono. Através do Deus a mulher conhece este poder em si mesma. Seu amor e
 desejo distendem-se através do abismo da separação, retesados como a corda de
 uma harpa, cantarolando uma nota que se transforma na única canção - o uni-verso
- de todos. Essa vibração é energia, a verdadeira fonte do poder interior. E,
 portanto, o Deus, como a Deusa, dá poderes à mulher.
 Para ambos, homens e mulheres, o Deus é também o Deus Moribundo. Como tal, ele
 representa o cessar que sustenta a vida: morte a serviço da força da vida. A
 vida é caracterizada por muitas perdas e, a menos que a dor de cada uma seja
 plenamente sentida e trabalhada, ela permanece enterrada na psique, onde como
 uma ferida purulenta que nunca sara, ela exsuda o veneno emocional.[10] O Deus
 Moribundo incorpora o conceito de perda. Nos rituais, quando representamos a sua
 morte repetidas vezes, liberamos as emoções que cercam as nossas próprias
 perdas, lancetamos as feridas e vencemos as dificuldades em direção à cura
 prometida pelo renascimento. Essa purificação psicológica era o verdadeiro
 objetivo da tragédia teatral, que se originou na Grécia, a partir dos ritos do
 agonizante deus Dioniso.
 
Em Feitiçaria, a morte é sempre seguida do renascimento, a perda pela
 restituição. Após a escuridão da lua, o novo crescente surge. A primavera vem
 após o inverno; o dia depois da noite. Nem todos os bruxos crêem na reencarnação
 literal; muitos, como Robin Morgan, percebem-na como " uma metáfora daquela
 transição misticamente celular, na qual os dançarinos ADN e ARN (ácido
 ribonucléico) entrelaçam-se imortalmente". Mas, em uma visão de mundo que
 compreende tudo como sendo cíclico, a morte em si não pode ser o derradeiro
 final, mas um tipo de transformação desconhecida para alguma nova forma de ser.
 Na encenação e reencenação da morte do Deus, preparamo-nos para enfrentar essa
 transformação, para vivermos o último estágio da vida. O Deus transforma-se no
 confortador e consolador de corações, ensinando-nos a compreender a morte
 através de seu exemplo. Ele personifica o carinho, o aconchego e a compaixão que
 são os verdadeiros complementos da agressividade masculina.
 
O Deus Moribundo adquire chifres e torna-se o Caçador, que paulatinamente
 acerca-se da morte. Poucos de nós, atualmente, participamos dos processos
 vitais; não criamos ou caçamos nossa própria carne, mas a adquirimos
 plasticamente embalada no supermercado. É difícil, para nós, compreender o
 conceito de Caçador Divino. Mas, em uma cultura de caçadores, a caçada
 significava vida, e o caçador era o propiciador da vida da tribo. A tribo
 identificava-se com seus alimentos animais; caçar exigia tremenda habilidade e
 conhecimento dos hábitos e psicologia da presa. Animais nunca eram abatidos
 desnecessariamente e nenhuma parte era desperdiçada. A vida jamais era tomada
 sem reconhecimento e reverência para com o espírito da presa.
 
Hoje, a única coisa que a maioria de nós caça regularmente são vagas para
 estacionar. Mas, o caçador possui outro aspecto: de buscar, de procurar. Ele
 personifica todas as jornadas, sejam elas físicas, espirituais, artísticas,
 científicas ou sociais. Sua imagem é poemagógica: ela tanto simboliza como
 desencadeia o processo criativo, que é em si uma jornada. O Deus busca a Deusa,
 como o rei Artur buscou o Santo Graal, como cada um de nós busca aquilo que
 perdemos e tudo o que ainda não foi encontrado.
 Como a Deusa, o Deus une todos os opostos. Como na invocação no início deste
 capítulo, ele tanto é o sol brilhante, a força energizante e fornecedora da lua,
 como a escuridão da noite e da morte. Ambos os aspectos, como disse
 anteriormente, são complementares, não contraditórios. Não podem ser
 identificados como "bons" ou "maus": ambos fazem parte do ciclo, o equilíbrio
 necessário da vida.
 
Como Senhor dos Ventos, o Deus é identificado com os elementos e o mundo
 natural. Como Deus da Dança, ele simboliza a dança espiral da vida, as energias
 rodopiantes que unem a existência em eterno movimento. Ele personifica o
 movimento e a mudança.
 
A Criança do Sol nasce no solstício de inverno quando, após o triunfo da
 escuridão da noite mais longa do ano, o sol levanta-se novamente. Em bruxaria,
 as celebrações da Deusa são lunares; as do Deus acompanham o padrão mitológico
 da Roda do Ano.
 No solstício de inverno, ele nasce como a encarnação da inocência e da alegria,
 de um prazer infantil pelas coisas. Dele é o triunfo da luz que retorna. Na
 celebração de Brígida ou Candelária (2 de fevereiro) seu crescimento é
 festejado, à medida que os dias se tornam visivelmente mais longos. No equinócio
 da primavera, ele é o jovem, viçoso e florescente, que dança com a Deusa em sua
 forma de donzela. Nos festejos de Beltane (1º de maio, o antigo dia dos celtas
 para a festa da primavera), seu casamento é celebrado com paus-de-fita
 enfeitados e fogueiras e no solstício de verão ele é consumado, em uma união tão
 completa que ela se transforma em morte. Ele é nomeado rei coroado do verão, em
 lugar de nascido inverno e a coroa é de rosas: a perfeição da culminância casada
 com os espinhos pontiagudos. Ele é velado em Lughnasad (1º de agosto) e, no
 equinócio de outono, adormece no útero da Deusa, navegando através do mar sem
 sol, que é o seu ventre. Na celebração Samhain (Dia das Bruxas, 31 de outubro),
 ele chega à Terra da Juventude, a Terra Brilhante onde os espíritos dos mortos
 tornam-se jovens novamente, enquanto esperam pelo renascimento. Ele abre os
 portões para que possam retornar e visitar os seus bem-amados e reina ma Terra
 dos Sonhos à medida que se torna mais jovem, até que no solstício de inverno
 novamente renasce.
 
Este é o mito: a afirmação poética de um processo que é sazonal, celestial e
 psicológico. Ao encenarmos o mito no ritual, representamos nossas próprias
 transformações, o constante nascimento, crescimento, culminância e transmissão
 de nossas idéias, planos, trabalho, relacionamentos. Cada perda, cada mudança,
 mesmo uma que seja feliz, representa uma reviravolta na vida. Cada um de nós
 transforma-se no Ser Suspenso: a erva pendurada para secar, a carne secando ao
 sol, o Enforcado do Tarô, cujo significado é o sacrifício que nos permite passar
 para um novo nível de ser.
 
A associação de amor e morte é muito forte na mitologia de várias culturas. Em
 Feitiçaria, o amor nunca é associado à violência física real e nada poderia ser
 mais antiético ao espírito da Arte que a atual febre de pornografia violenta. O
 
 Deus não perpetra atos de sadomasoquismo com a Deusa ou prega para ela o "poder
 da renúncia sexual". É Ele que se abandona ao poder de seu próprio sentimento.
 Em nenhuma parte, a não ser no amor, vivemos tão completamente no presente que
 se consome; e em nenhum outro período, a não ser quando estamos apaixonados,
 tornamo-nos tão marcadamente conscientes de nossa própria mortalidade. Pois,
 mesmo que o amor seja duradouro - e ambas, as canções populares e a experiência
 pessoal, asseguram-nos o contrário - ou se transforme em uma forma mais doce e
 profunda, e menos fogosa, mais cedo ou mais tarde um dos amantes morrerá e o
 outro ficará só. A Arte não busca resolver esse dilema, mas intensifica-lo, pois
 somente através da compreensão do agridoce, pelo abraço de Pã, cujas coxas
 cabeludas, ao se esfregarem contra as nossas deixam-nas em carne viva, mesmo ao
 levar-nos ao êxtase, podemos aprender a ser plenamente viventes.
 E, portanto. O Deus é o veado orgulhoso que habita o coração da floresta mais
 profunda, a do self. Ele é o garanhão, veloz como o pensamento, cujas patas em
 meia-lua deixam marcas lunares mesmo quando lançam fagulhas do fogo solar. Ele é
 o bode-Pã, luxúria e medo, as emoções animais que são também os poderes
 estimuladores da vida humana; ele é a lua-touro, com seus chifres em meia-lua,
 sua força e suas patas que retumbam sobre a terra. Estes são apenas alguns dos
 seus aspectos animais.
 No entanto, ele é indomado. Ele é tudo aquilo dentro de nós que jamais será
 domesticado, que se recusa a fazer concessões, ser moderado, tornar-se seguro,
 moldado ou adulterado. Ele é livre.
 
Como deus do ano que se extingue, ele navega o último mar da terra dos sonhos, o
 outro mundo, o espaço interno no qual a criatividade é gerada. A mítica ilha
 Brilhante é a nossa própria fonte interna de inspiração. Ele é o self viajando
 pelas águas escuras da mente inconsciente. Os portões por ele guardados são os
 portais que dividem o inconsciente do consciente, os portões da noite e do dia
 os quais atravessamos para irmos além da ilusão da dualidade, os portões da
 forma através dos quais entramos e saímos da vida.
 Enquanto ele é o eterno moribundo, também é o que eternamente renasce. No
 momento da sua transformação, torna-se imortal, como o amor é imortal mesmo que
 os seus objetos possam esmaecer. Ele brilha com o esplendor que irradia a vida.
 
O Deus, assim como a Deusa, possui muitos nomes. Ele surge, ligado a ela,
 através dos tempos, das cavernas paleolíticas aos touros de Creta antiga, aos
 contos medievais de Robin Hood e seus homens. Qualquer um de seus nomes ou
 aspectos pode ser utilizado como um enfoque para a meditação.
 Apesar de existirem muitos homens na Feitiçaria moderna, em geral, eles são
 menos imediatamente atraídos para a Arte, como o são as mulheres. À parte de
 quão simplista ou supersticiosamente a Arte seja compreendida, ela oferece às
 mulheres um modelo de força feminina e poder criativo; nesse ponto, notadamente
 ela sofre pouca competição por parte de outras religiões. Mas, para os homens,
 ela exige que abram mão de formas tradicionais de poder e conceitos tradicionais
 de religião. O que ela oferece aos homens é algo mais sutil e, nem sempre, fácil
 de ser compreendido.
 
Os homens não são subservientes ou relegados a uma cidadania espiritual de
 segunda classe em bruxaria. Mas, tampouco são imediatamente elevados a um
 status mais alto que o das mulheres, como ocorre em outras religiões. Homens na
 Arte devem interagir com mulheres fortes e poderosas que não fingem ser nada
 menos do que são. Muitos homens acham essa perspectiva desconcertante.
 A Arte exige, também, novo relacionamento em relação ao corpo feminino. Ele não
 pode mais ser entendido como um objeto ou difamado como algo sujo. O corpo de
 uma mulher, seus cheiros, secreções e sangue menstrual, é sagrado, digno de
 reverência e celebração. Os corpos das mulheres pertencem somente a elas;
 nenhuma autoridade espiritual apoiará a tentativa de um homem em possuí-lo ou
 controla-lo.
 
O corpo não é para ser festejado em isolamento. Os homens na Arte devem entrar
 em um acordo quanto ao poder da mulher: o poder de uma mulher completa, a mulher
 realizada, cuja mente, espírito e emoções estão plenamente despertados. O homem
 também deve conhecer e aceitar o poder do seu próprio self feminino interno;
 saber gerar uma fonte de alimentação e inspiração dentro de si, em lugar de
 busca-la exclusivamente no exterior.
 Feitiçaria significa, também, perder o modelo de espiritualidade do "grande
 homem". Jesus, Buda, Krishna, Moisés e toda a horda de pregadores, profetas,
 gurus e líderes grupais que afirmam ensinar em seus nomes ou em nome de seus
 descendentes seculares, perdem as suas auréolas. Em bruxaria, não existem
 figuras paternas reconfortantes e que tudo sabem, que prometem respostas para
 tudo ao preço de nossa própria autonomia pessoal. A Arte exorta cada um de nós
 para que sejamos nossa própria autoridade, e esta pode ser uma posição
 desconfortável.
 
Na realidade, não existe mais um Deus, o Pai. Na Arte, o cosmo não é mais
 modelado a partir do controle masculino externo. A hierarquia é dissolvida; a
 cadeia celestial de comando é rompida; os textos divinamente revelados são
 vistos como poesia, não verdades. Em vez disso, o homem deve entrar em contato
 com a Deusa, que é imanente ao mundo, na natureza, na mulher, em seus próprios
 sentimentos, em tudo aquilo que as religiões de sua infância ensinaram-no como
 sendo necessário superar, transcender, dominar, a fim de ser amado por Deus.
 
Mas, os próprios aspectos da Feitiçaria que parecem ameaçadores também oferecem
 aos homens uma nova e vibrante possibilidade espiritual: a da totalidade, união
 e liberdade. Homens corajosos acham estimulantes os relacionamentos com mulheres
 poderosas. Eles acolhem a chance de conhecerem o feminino dentro de si, de
 crescerem para além das limitações culturalmente impostas e tornarem-se um todo.
 
Tentativas para viver o modelo do Deus-Pai isolam os homens em situações de vida
 emocionalmente rígidas. Muitos homens recebem com alegria a liberdade do fim do
 eterno conflito pai-filho do patriarcado. Eles se comprazem em um modelo de
 poder masculino que é não hierárquico, em que não é nem escravo e nem senhor.
 Enquanto alguns indivíduos talvez não escapem da autoridade externa em suas
 próprias vidas, eles as vêem como são: um conjunto arbitrário de regras de um
 jogo complexo. Eles podem jogar ou recuar, mas suas identidades e auto-estima
 não dependem mais do lugar que ocupam na pirâmide do poder.
 
Na Arte, a cisão entre mente e corpo, carne e espírito, é curada. Os homens são
 livres para serem espirituais sem serem assexuados, pois Deus e Deusa incorporam
 a força profundamente tocante da sexualidade apaixonadamente vivida. Eles podem
 unir-se a seus sentimentos verdadeiros, suas necessidades, suas fraquezas, assim
 como a suas forças. Os rituais são vigorosos, físicos, energéticos e catárticos.
 O êxtase e a energia selvagem e indomada são revestidos de um valor espiritual,
 não relegados ao campo de futebol ou ao bar da esquina.
 É incômodo ser a nossa própria autoridade, mas é o único estado sob o qual o
 verdadeiro poder pessoal pode desenvolver-se. Homens e mulheres não se contentam
 mais em serem submissos ou bodes expiatórios, de colocarem decisões de vida e
 morte nas mãos de um "líder destemido", um papa ou um Jim Jones. A autoridade
 pessoal exige integridade e responsabilidade, mas sem ela não podemos ser
 livres.
 
Nos covens, os homens podem ter apoio do grupo e a afeição de outros homens, bem
 como das mulheres. Eles podem interagir em situações que não são competitivas ou
 antagônicas. Homens em covens podem tornar-se amigos de outros homens.
 
Filhas de Avalon

A Deusa

 
 
Ouça as palavras da grande mãe, que, em tempos idos, era chamada de Ártemis, Dione, Melusina, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida e por muitos outros nomes: 

 
“ Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando a lua estiver cheira, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios. Você estará livre da escravidão e, como um sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu em seus ritos. Cante, festeje, dance, faça música e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. Pois minha lei é a do amor para todos os seres. Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade. Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes. Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisas e meu amor é derramado sobre a terra.” 
 
Atente para as palavras da deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol, a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo: 
 
“ Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas e os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim. Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo. De mim todas as coisas vêm e para mim todas devem retornar. Que a adoração a mim esteja no coração que rejubila, pois, saiba, todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência, dentro de você. E você que busca conhecer-me, saiba que a sua procura e ânsia serão em vão, a menos que você conheça o mistério: pois se aquilo que busca, não se encontrar dentro de você, nunca o achará fora de si. Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos, e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.” 
  
O simbolismo da Deusa tem assumido um poder eletrizante para as mulheres modernas. A redescoberta de uma antiga civilização femeocentrada trouxe profundo sentido de orgulho na capacidade de a mulher criar e sustentar uma cultura. Ela expôs as falsidades da história patriarcal e propiciou modelos de força e autoridade femininas. Novamente, no mundo atual, reconhecemos a Deusa, antiga e primitiva: a primeira das deidades; padroeira da Idade da Pedra e suas caçadas e dos primeiros semeadores; sob cuja orientação os rebanhos foram domesticados, as ervas curativas logo descobertas; a partir de cuja imagem as primeiras obras de arte foram criadas; para quem as pedras foram levantadas; que era a inspiração para canções e poesia. Ela é a ponte, pela qual podemos cruzar os abismos dentro de nós mesmos, que foram criados pelo condicionamento social, e nos colocar em contato, novamente, com os nossos potenciais perdidos. Ela é o navio, no qual navegamos nas águas do self profundo, explorando os mares desconhecidos dentro de nós. Ela é a porta, através da qual passamos para o futuro. Ela é o caldeirão, no qual, os que fomos puxados de um lado para outro, podemos cozinhar em fogo brando, até que sejamos novamente um todo. Ela é a passagem vaginal, através da qual renascemos. 
Uma análise comparativa geral, histórica e/ou cultural, da deusa e de seus símbolos exigiria, por si só, vários volumes e eu não farei tal tentativa no espaço limitado deste livro, tendo em vista, especialmente, que muito material de boa qualidade já é disponível.2 Pelo contrário, limitar-me-ei a debater a deusa como é vista na Feitiçaria e concentrar-me em sua função e significado para as mulheres e homens da atualidade. 
 
As pessoas, com freqüência, perguntam-me se eu acredito na Deusa. Eu respondo: “Você acredita em pedras?” É extremamente difícil, para a maioria dos ocidentais, captar o conceito de uma deidade manifesta. A frase “acreditar em” implica que não podemos conhecer a Deusa, que ela é, de alguma maneira, inalcançável, incompreensível. Mas, nós não acreditamos em pedras, podemos vê-las, tocá-las, cavá-las de nosso jardim ou impedir que crianças atirem-nas umas nas outras. Nós as conhecemos; ligamo-nos a elas! Na Arte, não acreditamos na Deusa: ligamo-nos a Ela, através da lua, das estrelas, do mar, da terra, das árvores, animais e outros seres humanos, através de nós mesmos. Ela está aqui. Ela está dentro de todos nós. Ela é o círculo pleno: terra, ar, fogo, água e essência; corpo, mente, espírito, emoções, transformações. 
 
A Deusa é a primeira em toda a terra, o mistério, a mãe que alimenta e dá toda a vida. Ela é o poder da fertilidade e geração; o útero e também a sepultura que recebe, o poder da morte. Tudo vem dela, tudo retorna para ela. Sendo terra, também é a vida vegetal; as árvores, as ervas e os grãos que sustentam a vida. Ela é o corpo e o corpo é sagrado. Útero, seios, barriga, boca, vagina, pênis, osso e sangue; nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto dos processos vitais é maculado por qualquer conceito de pecado. Nascimento, morte e decadência, são partes igualmente sagradas do ciclo. Se estamos comendo, dormindo, fazendo amor ou eliminando excessos do corpo, estamos manifestando a deusa. 
 
A Deusa da Terra é também o ar e o céu, a celestial Rainha do Céu, A Deusa Estelar, regente de todas as coisas sensíveis mas invisíveis: do conhecimento, da mente e da intuição. Ela é a musa, que desperta todas as criações do espírito humano. Ela é a amante cósmica, a estrela da manhã e do entardecer, Vênus que surge nos momentos de amor. Bela e irradiante, ela jamais pode ser dominada ou penetrada; a mente é conduzida cada vez mais adiante na ânsia de conhecer o desconhecido, de falar o inexprimível. Ela é a inspiração que vem no momento da introspecção. 
A Deusa Celestial é vista como a lua, que está associada aos ciclos mensais de sangramento e fertilidade das mulheres. A mulher é a lua terrena; a lua é o ovo celestial, vagando no útero do céu, cujo sangue menstrual é a chuva que fertiliza e o orvalho que refresca; aquela que governa as marés dos oceanos, o primeiro ventre da vida na terra. Portanto, a lua é também a Senhora das Águas: das ondas do mar, correntes, nascentes, dos rios que são as artérias da Mãe Terra; dos lagos, poços profundos e lagoas escondidas, dos sentimentos e emoções, que nos tomam como ondas do mar. 
A Deusa da Lua possui três aspectos: crescente é a donzela; cheia, é a Mãe; minguante, é a anciã. Parte do treinamento de cada iniciado implica períodos de meditação sobre a Deusa em seus vários aspectos. Não disponho de espaço para incluir todos eles, mas exemplificarei aqui com as meditações dos três aspectos da lua: 
 
A tríade da lua transforma-se na estrela quíntupla do nascimento, iniciação, amor, paz e morte. A Deusa manifesta-se no ciclo total da vida. As mulheres são valorizadas e respeitadas na idade avançada, assim como na juventude. 
Nascimento e infância, obviamente, são comuns a todas as culturas. Mas, até muito recentemente, nossa sociedade não conceituou o estágio da iniciação, da exploração pessoal e autodescoberta, como sendo necessário para as mulheres. Esperava-se que as meninas passassem diretamente da infância para o casamento e maternidade, do controle de seus pais para o controle de seus maridos. Uma iniciação exige coragem e autoconfiança, características que as meninas não eram estimuladas a desenvolver. Atualmente, o estágio de iniciação pode implicar em estabelecimento de uma carreira, na exploração de relacionamentos ou no desenvolvimento de nossa própria criatividade. Mulheres que pularam esse estágio em suas juventudes, com freqüência acham necessário retornar a ele mais adiante. Os estágios posteriores da vida só podem ser plenamente vividos após a completitude da iniciação e da formação de um self individualizado. 
O estágio do amor também é chamado de consumação e é o estágio da criatividade plena. Relacionamentos se aprofundam e ocorrem como um ato de entrega. Uma mulher pode escolher ser mãe ou cuidar de uma carreira, um projeto ou uma causa. Um artista ou escritor atinge seu estilo maduro. 
 
Criações, independentemente de serem crianças, poemas ou organizações, assumem vida própria. À medida que se tornam autônomas e as exigências diminuem, o estágio de tranqüilidade é alcançado. Com a idade vem uma nova iniciação, reflexiva, menos ativa fisicamente porém mais profunda devido aos insights da experiência. A idade avançada, em Feitiçaria, é visto muito positivamente, como o tempo em que a atividade evolui para a sabedoria. Esta conduz à iniciação final, que é a morte. 
Esses cinco estágios estão incorporados a nossas vidas, mas também podem ser percebidos em cada novo empreendimento ou projeto criativo. Cada livro, cada pintura, cada novo trabalho nasce como idéia. Ela é submetida a um período iniciatório de exploração que, às vezes, é assustador, pois somos obrigados a aprender coisas novas. À medida que nos sentimos confortáveis diante de uma nova habilidade ou conceito, o projeto pode ser consumado. Ele existe independentemente; enquanto o deixamos em suspenso, outras pessoas podem ler o livro, apreciar o quadro, saborear a comida ou aplicar o conhecimento que ensinamos. Finalmente, ele termina; ele morre e nós passamos para algo novo. 
 
O pentagrama, todas as folhas de cinco lóbulos e flores de cinco pétalas são sagrados para a Deusa como uma estrela quíntupla. A maçã é especialmente seu emblema, pois quando é partida no sentido de uma cruz, suas sementes formam um pentagrama. 
A natureza da Deusa jamais é uma coisa só. Onde quer que ela apareça, corporifica ambos os pólos da dualidade – vida na morte, morte na vida. Ela possui mil nomes, mil aspectos. Ela é a vaca leiteira, a aranha que tece, a abelha com penetrante picada. Ela é o pássaro do espírito e a porca que come o próprio filhote. A cobra que troca sua pele e se renova; o gato que enxerga no escuro; o cão que uiva para a lua. Ela é todos. Ela é a luz e a escuridão, a padroeira do amor e da morte, que manifesta todas as possibilidades. Ela tanto traz conforto quanto dor. 
É mais fácil responder ao conceito da Deusa enquanto musa ou mãe, inspiração, alimento e poder curativo. É mais difícil compreender a Deusa como destruidora. A dualidade judeu-cristã condicionou-nos a pensar sobre a destruição como sinônimo do mal. (Apesar de que, a Deusa sabe, o Jeová do Antigo Testamento estava longe de ser suave e arauto da luz.) A maioria de nós vive afastada da natureza, isolada das experiências que constantemente lembram às pessoas mais “primitivas” que todo ato de criação é um ato de agressão. Para plantar um jardim, você deve retirar as ervas daninhas, eliminar as lesmas, podar as plantas à medida que se esticam em direção à luz.
 
Para escrever um livro, você deve destruir rascunho após rascunho de seu próprio trabalho, dividindo parágrafos e retirando palavras das frases. A criação postula transformação; qualquer mudança destrói aquilo que veio antes. 
A criadora-destruidora manifesta-se no fogo, que destrói tudo aquilo que o alimenta a fim de produzir calor e luz. Fogo é a lareira aconchegante, o fogo criativo da forja, a alegre fogueira da celebração. Mas a deusa é também o fogo furioso da ira. 
O poder da ira é difícil de ser encarado. Identificamos a ira com violência e as mulheres foram condicionadas a sentir que sua raiva é errada e inaceitável. No entanto, a raiva é uma manifestação de força vital. É uma emoção de sobrevivência, um sinal de alerta de que algo em nosso ambiente é ameaçador. O perigo desencadeia uma resposta física, psíquica e emocional, que mobiliza nossa energia para mudar a situação. Sendo humanos, respondemos a ataques verbais e emocionais como se fossem ameaças, que suscitam a raiva. Mas, quando não somos capazes de admitir a nossa própria raiva, ao invés de reconhecermos a ameaça do ambiente, vemo-nos como errados. Em lugar de fluir para fora, a fim de mudar o ambiente, nossa energia fica presa em esforços internos, como a repressão e o controle. 
 
A Deusa liberta a energia de nossa ira. Ela é vista como sagrada e seu poder é purificado. Como o fogo numa floresta na imensidão imperturbável, ela varre para longe a vegetação rasteira para que os brotos de nossa criatividade possam receber a luz do sol que os alimenta. Controlamos nossas ações; não tentamos controlar nossos sentimentos. A raiva torna-se uma força de ligação que incita confrontações e comunicações honestas com os outros. 
Referi-me à Deusa como símbolo psicológico e, também, como realidade manifesta. Ela é ambos. Ela existe e nós a criamos. Os símbolos e atributos associados à Deusa falam com o self mais jovem e, através dele, com o self profundo. Eles nos ocupam emocionalmente. Sabemos que a Deusa não é a lua, mas ainda nos maravilhamos com a sua luz brilhando através dos ramos das árvores. Sabemos que a Deusa não é uma mulher, mas respondemos com amor como se ela o fosse e, portanto, associamo-nos emocionalmente a todas as qualidades abstratas por trás do símbolo. 
Várias formas e símbolos representam a Deusa. Olhos que esquematicamente são também seios, simbolizam seus poderes nutrientes e o dom da visão interior. O crescente representa a lua: uma meia-lua que cresce e míngua, costas contra costas, torna-se a acha-d’armas, a arma das culturas da Deusa. Triângulos, ovais e losangos, as formas dos órgãos genitais femininos, são também seus símbolos. Como parte do treinamento de um iniciado, ele é ensinado a visualizar símbolos, a meditar e brincar sobre e com eles, em sua imaginação, até que revelem seus significados diretamente. Qualquer símbolo ou aspecto da deusa pode ser a base para a meditação, mas como tenho espaço para somente um exemplo, escolhi a espiral dupla: 
  
  Os Encargos da Deusa, apresentado na abertura deste capítulo, reflete a interpretação da Arte da Deusa. Começa com uma longa lista de nomes da Deusa, retirados de várias culturas, os quais não são entendidos como seres isolados, mas como diferentes aspectos do mesmo ser, que é todos os seres. Os nomes usados podem mudar de acordo com as estações ou preferências do orador: por exemplo, a Deusa pode se chamar “Kore” na primavera, em virtude do aspecto de donzela da Deusa grega. Uma bruxa de origem judaica poderá chamar a antiga Deusa hebraica de Ashimah ou Asherah; uma bruxa afro-americana poderá preferir Iemanjá, a deusa da África Ocidental, do mar e do amor.3 Na maioria das tradições da Arte, o nome interno da Deusa é reconhecido por incorporar maior poder e, portanto, é mantido em segredo, revelado somente para iniciados. Os nomes externos freqüentemente utilizados são Diana, para a deusa da lua e Aradia, sua filha, que, segundo as lendas, foi enviada à terra para libertar as pessoas através dos ensinamentos das artes da magia.4 
“Necessidade de alguma coisa” refere-se tanto às necessidades espirituais quanto materiais. Em bruxaria não há essa separação. A Deusa manifesta-se na comida que comemos, nas pessoas que amamos, no trabalho que realizamos, nas casas onde moramos. Não é considerado ignóbil pedir por bens ou confortos necessitados. “Trabalhe para si e verá que o self está em toda parte”, é um ditado da tradição da fadas. É através do mundo material que nos abrimos para a Deusa. Mas, a Feitiçaria também reconhece que quando as necessidades materiais são atendidas, necessidades e anseios mais profundos podem permanecer. Estes somente podem ser satisfeitos através da associação com as forças interiores, que alimentam e dão a vida, a que chamamos de Deusa. 
O coven encontra-se na lua cheia, em homenagem à Deusa que está no auge de sua glória. As marés de poder sutil são consideradas como sendo as mais fortes quando a lua está cheia. A Deusa é identificada à frutificante energia lunar que ilumina a escuridão secreta; o poder feminino, pulsante e mareante, que aumente e diminui em harmonia com o fluxo menstrual da mulher. O sol é identificado aos self masculino e polar, o deus, cujos festivais são celebrados em oito pontos de poder no ciclo solar. 
 
A Deusa é a libertadora e já foi dito que o “seu ofício é a liberdade total”,5 Ela é a libertadora, pois manifesta-se em nossos anseios e emoções mais profundos que, sempre e inevitavelmente , ameaçam sistemas elaborados para contê-los. Ela é amor e ira, os quais recusam adaptação confortável à ordem social. Ser “livre da escravidão” significava, anteriormente, que dentro do círculo ritual todos eram iguais, independentemente de serem camponeses, servos ou nobres no mundo exterior. Escravidão, hoje, pode ser mental e emocional, como também física: a escravidão das percepções fixas, das idéias condicionadas, de crenças cegas, do medo. A Feitiçaria requer liberdade intelectual e coragem para confrontarmos nossas próprias suposições. Ela não é um sistema de crenças; é uma atitude de constante auto-renovação de alegria e encanto para com o universo. 
 
O corpo nu representa a verdade, a verdade que é mais profunda que os costumes sociais. As bruxas realizam seus cultos nuas por várias razões: como uma maneira de estabelecer intimidade e de deixar cair as máscaras sociais, pois o poder é mais facilmente evocado deste modo e porque o corpo humano, em si, é sagrado. A nudez é um sinal de que a lealdade de uma bruxa é para com a verdade, antecedendo qualquer ideologia ou quaisquer ilusões reconfortantes. 
Rituais são alegres e prazerosos. Bruxos cantam, festejam, dançam, riem, brincam e divertem-se no decorrer dos rituais. A Feitiçaria é séria, mas não é, no entanto, pomposa e solene. Como no judaísmo hassidim ou na bhakti yoga, alegria e êxtase são percebidos como caminhos para o divino. O “êxtase do espírito” não é separado da “alegria na terra”. Um leva ao outro; um não pode ser verdadeiramente concebido sem o outro. Alegrias terrenas, não vinculadas ao profundo e sensível poder da Deusa, tornam-se mecânicas, sem sentido, meras sensações que, em pouco tempo, perdem seu encanto. Mas êxtases espirituais que tentam fugir dos sentidos e do corpo tornam-se igualmente áridos e sem fundamentos, sugando a vitalidade em lugar de alimentá-la. 
 
A lei da Deusa é o amor: o apaixonado amor sexual, a carinhosa afeição entre amigos, o feroz e protetor amor da mãe pelo filho, o profundo companheirismo do coven. Não há nada amorfo ou superficial em relação ao amor da religião da Deusa; ele é sempre específico, direcionado a indivíduos reais e não a um vago conceito de humanidade. O amor inclui os animais, plantas, a terra, “todos os seres”, não somente os humanos. Ele inclui a nós mesmos, assim como todas as nossas falíveis qualidades humanas. 
 
Ceridwen é uma das formas da Deusa celta e seu caldeirão é o caldeirão-útero do renascimento e da inspiração. Na mitologia celta primitiva, o caldeirão da Deusa revivia guerreiros mortos. Ele foi roubado e levado para o inferno e os heróis que guerrearam, a fim de que fosse recuperado e retornasse, foram os cavaleiros originais do rei Artur e sua Távola Redonda, que buscavam sua encarnação posterior, o Santo Gral. O outro mundo celta é denominado de Terra da Juventude e o segredo que abre a sua porta é encontrado no caldeirão: o segredo da imortalidade reside no fato de perceber a morte como parte integral da ciclo da vida. Nada, jamais, se perde no universo: o renascimento pode ser compreendido na própria vida, onde todo fim conduz a um novo início. A maioria das bruxas acreditam, de fato, em alguma forma de reencarnação. Isto não de deve à doutrina, mas ao entranhado sentimento que cresce a partir de uma visão de mundo que percebe todos os eventos como sendo processos contínuos. A morte é entendida como uma das pontas da roda em constante movimento e não o derradeiro final. Continuamente nos renovamos e renascemos toda vez que bebemos plena e destemidamente da “taça do vinho da vida.” 
 
O amor da Deusa é incondicional. Ela não exige sacrifícios – humano ou animal – nem tampouco é sua vontade que sacrifique-mos nossos desejos e necessidades normais e humanos. A Feitiçaria é inerente à vida, que sofre mudanças constantes que geram perdas constantes. Oferendas: um poema, uma pintura, uma pitada de algum grão, podem expressar nossa gratidão por suas dádivas, mas somente quando estas são realizadas espontaneamente e não como uma espécie de obrigação. 
Na passagem da Deusa Estelar, percebemos as imagens do entorno celestial, a lua, as águas, a terra verde, de onde tudo vem e para onde tudo retornará. Ela é o “espírito da natureza”, que vivifica todas as coisas. 
 
Qualquer ato baseado no amor e no prazer é um ritual da Deusa. Seu culto pode tomar qualquer forma e ocorrer em qualquer lugar; não exige liturgia, catedrais ou confissões. Sua essência é a identificação, no cerne do prazer, de sua fonte mais profunda. O prazer, deste modo, não é superficial e transforma-se em uma expressão profunda da força vital; um poder de ligação que nos une aos outros, não a mera sensação de satisfazer nossas necessidades isoladas. 
A Feitiçaria reconhece que qualquer virtude torna-se um vício a menos que seja contrabalançada por seu oposto. A beleza, quando não sustentada pela força, é insípida, sem vida. O poder é intolerável quando não mediado pela compaixão. A honra, enquanto não equilibrada pela humildade, transforma-se em arrogância; e a alegria, quando não colorida pela reverência, torna-se mera superficialidade. 
Finalmente, compreendemos o mistério: a não ser que busquemos a Deusa dentro de nós, jamais a encontraremos no lado de fora. Ela é interior e exterior; sólida como uma rocha, mutável como a imagem interna que dela fazemos. Ela é manifesta em cada um de nós. Portanto, por que procurar em outros lugares? 
 
A Deusa é o “fim do desejo”, sua meta e sua realização. Em bruxaria, o desejo é visto como uma manifestação da Deusa. Não tentamos dominar ou fugir de nossos desejos: buscamos realizá-los. O desejo é a ligadura do universo; une o elétron ao núcleo, o planeta ao sol e, desta maneira, cria a forma, cria o mundo. Realizar o desejo significa unir-se ao que é desejado, tornar-se uno, unido à Deusa. Já estamos unidos à Deusa, ela está conosco desde o início. Portanto, a satisfação não é auto-indulgência, mas autopercepção. 
Para as mulheres, a Deusa é o símbolo daquilo que é mais íntimo nas pessoas e o poder benéfico, nutritivo e libertador que existe dentro de cada uma. O cosmos é modelado conforme o corpo feminino, que é sagrado. Todas as fases da vida são sagradas: a idade é uma benção, não uma praga.
 
A Deusa não limita as mulheres ao seu corpo; ela desperta a mente, o espírito e as emoções. Através dela, podemos conhecer o poder de nossa raiva e agressividade, assim como o poder do nosso amor. 
Para um homem, a Deusa, além de ser a força da vida universal, é o seu próprio e recluso self feminino. Ela incorpora todas as qualidade que a sociedade lhe ensina a não reconhecer em si mesmo. Sua primeira experiência com a Deusa pode, consequentemente, ser um tanto estereotipada; ela será a amante cósmica, o ser que alimenta, o outro eternamente desejado, a musa, tudo aquilo que ele não é.
 
À medida que ele se torna um todo e se conscientiza de suas própria qualidades “femininas”, ela parece mudar, mostrando-lhe uma nova face, sempre segurando o espelho que reflete para ele aquilo que ainda é inalcançável. Ele pode persegui-la para sempre e ela o iludirá, mas através desta tentativa ele crescerá, até que também aprenda a encontrá-la dentro de si. 
Invocar a Deusa é despertar a Deusa que existe dentro de nós, é tornarmo-nos, durante um período, aquele aspecto da Deusa que invocamos. Uma invocação canaliza poder através da visualização de uma imagem da divindade. Em alguns covens, uma sacerdotisa é escolhida para representar a Deus manifesta para o restante. Em nossas assembléias, ela é invocada para estar presente em cada membro do círculo. 
 
Uma invocação pode ser um determinado trecho de poesia ou música, cantada ou falada por um indivíduo ou pelo grupo. Em nossos covens, normalmente cantamos em grupo, algumas vezes sem palavras e espontaneamente, outras usando uma frase específica que é repetida várias vezes. Um cântico interpretado por múltiplas vozes em algumas ocasiões envolve uma sacerdotisa, que repete uma linha simples em surdina. “Tudo que é destemido é livre”, por exemplo, enquanto outra canta um ciclo repetitivo – “ Verde folha do broto/Folha do broto brilhante”, e assim por diante (veja a seguir) – e uma terceira declama um longo trecho poético, enquanto que todo o coven suavemente entoa os sons das vogais. É impossível reproduzir o efeito em uma folha de papel, mas as palavras são fornecidas, a seguir. Quando você fizer uso das invocações dadas aqui, por favor brinque com elas, experimente-as com melodias e encantamentos simples, rearrume-as, combine-as, misture-as, transforme-as e inspire-se nelas para criar as suas próprias invocações.
 
Filhas de Avalon