sábado, 20 de outubro de 2012

La Luna



Diário da Lua

Osho, em seu livro Uma Farmácia para a Alma, coloca-nos a disposição o seguinte exercício, o qual recomendo a vocês para comprovarem o que foi colocado através da experimentação pessoal.

"A lua pode ter um grande efeito sobre as pessoas. Então preste atenção e use-a a seu favor. Mantenha um diário durante pelo menos dois meses e acompanhe as fases da lua. Comece com a lua nova e escreva como você se sentiu nesse dia. Continue descrevendo seu cotidiano nas demais fases lunares. Você vai perceber que há um ritmo e que seus humores se movem de acordo com o ritmo da lua.
Quando tiver mapeado seu próprio ritmo com precisão, poderá fazer muitas coisas. Poderá saber de antemão, por exemplo, o que irá acontecer no dia seguinte e se preparar para isto. Se a previsão mostrar que você se sentirá triste, aprecie esta tristeza. Não lute contra ela, use-a, porque a tristeza também pode ser usada."

Fases Lunares

A Lua: seus múltiplos significados e atributos, da autora Márcia Mattos, acerca das fases lunares

Lua Nova

Inaugura um novo ciclo. É a semente do ciclo lunar que começa. O mapa astrológico levantado para a Lua Nova é a chave das influências de todo mês lunar que se aproxima. Simboliza um novo impulso ou oportunidade para crescimento. No entanto, o ciclo que se inicia não começa de um só golpe. A princípio, sente-se um alívio ou libertação das pressões do mês anterior, mas aquilo que vai ser desenvolvido durante o mês que se adianta emerge gradualmente. Nessa fase, o que se tenta desenvolver ainda não é um fato real, mas apenas uma possibilidade que precisa ser definida e alimentada nas semanas que virão. Além disso, o início do ciclo é sempre cercado de fantasmas e de assuntos inacabados dos ciclos anteriores. O signo do zodíaco onde ocorre a Lua Nova representa qualidades deste novo impulso e, ao mesmo tempo, o antídoto e as soluções para se eliminar os restos deixados pelo ciclo anterior.

Lua Crescente

Indica um crescimento (começado na Lua Nova) que pode ser impedido ou bloqueado por obstáculos os assuntos não resolvidos no passado. Idealmente, esse seria um período para vencer os obstáculos não resolvidos. É, aliás, o que deve acontecer se quisermos que toda a energia a ser liberada durante a Lua Cheia seja aproveitada. O quarto crescente nos aponta um quadro de necessidade de mudança e remanejamento. Se as dificuldades do passado não ficarem esclarecidas aqui e resolvidas ou se o crescimento for letárgico, então a iluminação oferecida durante este ciclo não será completada. Qualquer padrão que foi estabelecido neste primeiro ciclo, de crescimento ou de dificuldade, continuará a ser desenvolvido durante o resto do ciclo lunar. Aqui, o que quer que esteja sendo desenvolvido em nós ou em nossas vidas sofrerá um teste e precisará ser definido claramente e delineado em uma direção. Isto significa fazer opções entre várias possibilidades e alguns padrões habituais antigos. Há emergência, independência, atividade e comprometimento. Não é hora de fugir.

Lua Cheia

Culmina a semente e o potencial inaugurado na Lua Nova. Se tiver sido desenvolvida uma atitude positiva de crescimento e as etapas tiverem sido superadas durante o quatro crescente, então a Lua Cheia trará a realização e a satisfação. Caso contrário, pode trazer conflitos, problemas, aparecimento de uma situação de ansiedade e até afetar a saúde física. A Lua Cheia é um transbordamento. Neste período, deve se atingir o ápice daquilo que vinha sendo desenvolvendo nas fases iniciais para melhor ou para pior, para o sucesso ou o fracasso. Se o nosso trabalho anterior tiver sido bem sucedido, então a Lua Cheia iniciará um processo de usar, ampliar, partilhar e assimilar essas experiências. Se, por outro lado, nossos esforços não tenham sido proveitosos (durante a fase crescente) as coisas não irão acontecer do jeito que esperávamos, porque tinham apenas valor temporário. A Lua Cheia pode nos estimular a abandonar essas situações, relacionamento ou coisa que eram incapazes de preencher uma função positiva em nossas vidas e se soubermos deixá-las, estaremos abrindo espaço para um crescimento futuro no próximo ciclo que se aproxima.

Lua Minguante

Se a Lua Crescente nos desafia a crescer para fora e agir de modo a realizar nossas possibilidades, a Lua Minguante nos desafia a crescer para dentro e a mudar. Qualquer coisa que não se harmoniza com este crescimento interno e essa maior compreensão de nossas experiências deve ser deixada de lado. O momento aqui é ultra favorável a “insights”. Questionando posicionamentos antigos, poderemos nos abrir para novas idéias e ideais. A última fase deste ciclo, que antecede imediatamente à Lua Nova, marca um período de transição, o período “semente” entre o ciclo que se encerra e o próximo que se anuncia. Durante este tempo, os resultados do ciclo inteiro podem ser revistos, concentrados e resumidos em sua essência para formarem um fundamento de um ciclo futuro.

Por Jefferson Alves
Fonte: Gruta da Bruxa

Por que a Deusa?




Acaso precisamos mesmo de outra divindade, de outra religião, de alguma coisa diferente para venerar?
Se existe um Deus, não deveria existir também uma Deusa? Não é disso que trata a Criação – as energias masculinas e femininas juntando-se para criar vida nova? Sem a mulher não pode existir vida nova.
Se os seres humanos foram criados à semelhança do Criador, e existe apenas um Deus masculino, à imagem de quem foram criadas as mulheres? John Bradshaw diz que os filhos observam os pais, seu modelo de comportamento. Se você vive numa cultura em que há apenas um Deus masculino e nenhuma Deusa, onde está o modelo para o feminino? Como as meninas podem aprender a ser mulheres sem a Deusa?
Fui criada à maneira judia nos anos 50, o que significa que fui criada para acreditar num Deus onipotente que criou os homens à sua imagem. Imagens femininas, por outro lado, não eram tão positivas. Levaram-me a acreditar que Eva foi responsável pela expulsão do Jardim do Éden. Perdeu-se o Paraíso por causa de uma mulher, uma serpente e uma maçã. Disseram-me que todas as mulheres sofrem ao dar à luz por causa de Eva. E Lilith, a primeira esposa de Adão, que o abandonou porque não queria deitar-se embaixo dele durante o ato sexual, foi considerada um demônio e raramente é mencionada.
Essa visão de mulher como mal, como bode expiatório, como tentadora e sedutora não era muito enaltecedora para mim como jovem mulher. Assim, fiz o que muitas garotas que se sentem desvalorizadas fazem. Decidi crescer e ser o melhor “homem” para o trabalho. Quem quer ser um bode expiatório? Quem quer ser considerada responsável pela perda do Paraíso?
Muito embora eu reprimisse minha natureza feminina para conseguir ser bem-sucedida num mundo masculino, ainda assim tive dificuldades para engolir os valores judeus-cristãos com que fui educada. Eu não conseguia acreditar que metade do mundo fosse inferior porque era feminina, isto é, não criada à imagem e semelhança de Deus. Eu precisava descobrir a verdade.
Muitos anos e muitos livros depois, descobri que, antes do patriarcado e do Deus masculino, houve uma Deusa que todos os povos da antiguidade veneravam e respeitavam. Descobri que houve uma época em que as mulheres tinham poder. E descobri que a história é o relato de uma tomada hostil do poder da civilização da Deusa pelos Deuses guerreiros masculinos. Finalmente, eu havia chegado à verdade.
O que essa descoberta fez por mim foi confirmar o meu ser feminino. Sim, houve e há uma Deusa, e fui criada à imagem dela. Por fim, descobri modelos de papéis femininos. Eu podia ser qualquer coisa e fazer qualquer coisa porque isso fazia parte de ser uma mulher.
É importante que as mulheres recuperem a Deusa – não apenas uma Deusa, mas todas elas. Quanto mais Deusas conhecermos, mais poderemos celebrar, honrar e respeitar a diversidade do espírito feminino. Se festejarmos, honrarmos e respeitarmos a diversidade das Deusas, então poderemos fazer o mesmo por nós.
Por que a Deusa? Porque somos mulheres, mulheres diferentes, que precisam ver o Feminino Divino refletido de volta para nós – de nós para nossas Deusas e delas para nós. Porque todas as mulheres são a Deusa, e está na hora de nos vermos dessa maneira.
Depois de muitos anos entrando em contato com a Deusa, ajudando cursos e grupos para o fortalecimento das mulheres e conduzindo cursos para iniciação para sacerdotisas xamânicas, a artista Hrana Janto perguntou-me se eu gostaria de juntar-me a ela na criação de um baralho de cartas da Deusa. O convite veio num momento difícil para mim, quando eu estava lutando com o fim de um relacionamento íntimo de 23 anos e com o afastamento de minha família.
Quando mergulhei entusiasmada no projeto, vi-me engolida por uma dor que eu não havia digerido completamente. Meu sistema imunológico sofreu danos. Caí em depressão. Sentia-me fragmentada e fraca, uma vítima, e estava muito zangada. Como poderia escrever sobre totalidade?
Se ia escrever sobre o caminho para a totalidade por meio da Deusa e do ritual, decidi que eu mesma deveria vivenciá-la diretamente antes de tudo. Resolvi deixar que a Deusa me ajudasse a tecer novamente a trama no tecido do meu ser. Decidi render-me a ela.
Todos os dias eu extravasava minha dor tocando tambor. A saúde passou a ser minha prioridade. Desci aos lugares mais sombrios e dancei com aquelas forças arquetípicas da dor e do horror no espaço ritualístico, até ouvir a voz da Deusa. A voz era de Kuan Yin. Ela me contou que meu enigma se relacionava com a compaixão. Então apareceu a Senhora das Feras, que disse que os relacionamentos não significam apenas dor. Em seguida, veio Pachamama, que prometeu estar sempre comigo.
Lamentei não ter sido capaz de tomar conta de mim mesma. Foi isso que me trouxe a dor. Pedi desculpas a mim mesma, pois merecia essa dor que eu mesma e mais ninguém havia criado. Continuei a analisar todas as partes da minha personalidade que me haviam trazido até aqui. Assim que consegui fazer isso, fui capaz de dançar a dança curativa de reverenciar a dádiva oculta no sofrimento, uma dança que continuo a dançar.
No momento em que pensei estar livre do perigo, encontrei minha alma gêmea e fui jogada novamente ao fogo para mais purificação. Fiquei doente durante quatro meses, até Sulis me ajudar a curar a mim mesma.
Em seguida as Erínias explicaram que, quando meu parceiro está em crise, eu estou em crise. Ouvi Hathor me dizer para lembrar de me dar algum prazer.Cerridwen falou comigo sobre a morte e o renascimento. Durga ajudou-me a estabelecer limites mais definidos. Todas elas vieram. Todas as Deusas. Enquanto aprendia algo com cada uma delas, e sobretudo comigo mesma, compreendi que sou um todo.
A jornada rumo à totalidade não é algo que se possa fazer da noite para o dia. É uma dança composta de vários passos, com muitos parceiros, muitas voltas e rodopios, muitas músicas, muitos estilos. Ela é imprevisível. E leva tanto tempo quanto for necessário.
Totalidade é tudo que faz parte do modo como vivemos nossa vida. É o modo como enfrentamos os desafios e o que fazemos com eles. Totalidade é como dançamos a dança da vida. Dançamos com graça e felicidade? Ou dançamos com resistência e dificuldade? A nossa dança é aérea ou terrena? Fogosa ou aquática?
A única coisa previsível na vida é que seremos desafiadas. É dessa forma que crescemos e evoluímos. Como responder e o que fazer com esses desafios somos nós que decidimos. A totalidade começa quando reconhecemos isso e fluímos com esse conhecimento.
Totalidade diz respeito a reintegrar os aspectos da personalidade. Não podemos ser inteiras quando temos aspectos ocultos de nós mesmas no que Jung chamou de sombra. Não podemos ser um todo quando achamos aspectos de nosso ser tão inaceitáveis que os mantemos num compartimento com o rótulo “não abra por 10 mil anos”. A totalidade começa quando podemos chamar todas as nossas partes de volta para casa – as escuras e as claras, as “boas” e as “más”, as agradáveis e as desagradáveis – e oferecer-lhes uma festa de boas-vindas.
Totalidade diz respeito à força. É a capacidade de ser flexível diante dos desafios da vida. A totalidade é esse espaço que temos à nossa volta que nos dá a possibilidade de manobrar e encontrar respostas. Totalidade é um modo de viver que usa tudo o que recebemos. É um modo de ver a vida que é transformador e ativo, em vez de estático e passivo.
Os desafios para alcançar a minha totalidade continuam, e agora eu sei que eles nunca cessarão. Aprendi que querer ser íntegra traz desafios constantes que tenho de aceitar e acolher no círculo de totalidade que eu busco. Preciso desses desafios para fortalecer e criar minha totalidade. Totalidade não é um destino, mas uma jornada de transformação.

Amy Sophia Marashinsky

Infusão de Hécate




Este Banho simples contém dois ingredientes sagrados de Hécate - Mel e Lavanda.


- Coloque Leite morno para ferver. A quantidade é com você: quanto mais leite, mais luxuoso e relaxante o banho.

 - Quando o leite estiver quente, cuidadosamente adicione o mel, mexendo para que eles se misturem. (Caso contrário, o mel, apenas se deposita no fundo do recipiente.)

- Retire do fogo, adicione algumas gotas de óleo essencial de lavanda, ou vários punhados de flores de lavanda recém colhidos.

- Adicionar essa mistura numa banheira cheia de água morna ou em três litros de água para um banho comum de chuveiro.

Para o Amor...



Banho de Limpeza Amorosa


- 2 litros de água mineral 

- 3 litros de leite da melhor qualidade 
- pétalas de 13 rosas brancas 
- 7 gotas de lavanda ou do seu perfume pessoal 
- uma pitada de cardamomo (vendido em casas de produtos árabes)
- 7 gotas de óleo essencial de calêndula e canela a gosto 

Modo de Fazer

Junte os ingredientes na banheira e deixe repousar por uma hora. É importante tomar um banho normal antes de entrar nessa infusão leitosa. Se não tiver banheira, ponha a mistura num recipiente e jogue-a do pescoço para baixo. Coma uma maçã durante o banho e reserve as sementes. Pense o tempo todo que tudo o que deu errado nas suas relações anteriores ficará no passado e você sairá do banho purificada. Durante os sete dias seguintes, nada de sexo ou bebidas alcoólicas. A idéia é purificar corpo e alma, para atrair pessoas que tenham boa vibração. Passados os sete dias, coloque as sementes num saquinho e use-o dentro do sutiã durante mais uma semana. Depois, guarde-o junto aos seus pertences pessoais.

Por Zoe de Camaris

A Bruxa


Uma Bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone[1] dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia.

Algumas bruxas históricas adquiriram alguma notoriedade, como é o caso chamadas Bruxas de Salem, a Bruxa de Evóra e Dame Alice Kytler (bruxa inglesa). São também bastante populares na literatura de ficção, como nos livros da popular série Harry Potter, nos livros de Marion Zimmer Bradley (autora de As Brumas de Avalon, que versam sobre uma vasta comunidade de bruxos e bruxas cuja maioria prefere evitar a magia negra, ou a trilogia sobre as bruxas Mayfair, de Anne Rice.

As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do Santo Ofício consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma Bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural. Frequentemente as bruxas são associadas a gatos pretos, que dentre as Bruxas Tradicionais são os chamados Puckerel, muitas vezes tidos como espíritos guardiões da Arte da Bruxas, que habitam o corpo de um animal. Estes costumam ser designados na literatura como Familiares.

Diziam que as bruxas voavam em vassouras a noite e principalmente em noites de lua cheia, que faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais e que eram más.
Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões, sincretismo religioso e divulgação do paganismo. Gerald Gardner tem destaque nesse cenário como o pai da Religião Wicca- A Religião da Moderna Bruxaria Pagã, formada por pessoas que são Bruxos/as mas que utilizam a "Arte dos Sábios" ou a "Antiga Religião" mesclada a práticas e conhecimentos de outras tradições. A classificação de magia como negra e branca´não existe para os bruxos, pois se fundamentam nos conceitos de bem e mal, que não fazem parte de suas crenças, por isso, como costumam dizer, toda magia é cinza.

A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de Bruxaria Tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. Hoje também pode-se encontrar uma vasta quantidade de livros e sites que explicam a "Antiga Religião" mas geralmente se tratam de Wicca, pois os membros de grupos de Bruxaria Tradicional costumam preferir o ostracismo, revelando-se publicamente apenas em ocasiões especiais ou para que novos candidatos os localizem.

Em algumas regiões do Brasil o termo também pode ser usado para designar uma mariposa (traça em Portugal) grande e de coloração escura[carece de fontes?]. Talvez por associar-se a imagem da borboleta a uma imagem humanóide feminina como as fadas e, assim, remeter a imagem da mariposa à de uma senhora de idade avançada, de vestes escuras e de hábitos noturnos - a bruxa.

Fonte:reinodasbruxas.webnode.pt/

Paganismo, Bruxaria e Bruxaria Tradicional




Não queremos reviver a bruxaria, uma vez que ela nunca morreu pra nós, mas sim continuou seu legado através de nossa linhagem sanguínea e espiritual.

Não temos porque erguer a bandeira do paganismo, uma vez que vivemos na era cristã e não defendemos uma era, mas sim fazemos um egresso, seja na era que for.

A bruxaria não é pagã ou cristã, ela simplesmente é!

Ela não se veste de bandeiras nem religiões, quem a veste dessa forma são as pessoas que querem ser bruxas sem o ser de fato.

Reavivar um caminho espiritual mágico fundamentando-o numa defesa onde os argumentos são mais parecidos como se fossem um povo que nunca morreu, é balela, pois a bruxaria passou por modificações, transformações em sua longa vida, e todo mundo morre um dia, deixando descendentes que transmitiram a semente às novas gerações, assim como tudo na natureza é mutável, assim como são em todos os anos, as estações, e as estações reencarnam como nós também reencarnamos e nos dirigimos aos nossos iguais. As estações não são pagãs nem cristãs, nem muçulmanas, nem judaicas, elas são fluxos da natureza, assim como nós, e estamos todos interligados, e tradicionalmente não precisamos ditar regras de controle, apenas podemos deixar a Arte Bruxa fluir como nossos antepassados fizeram. Controle é o seguinte: "tudo que prende, não pode libertar". Quem vive na barra da saia de uma instituição é porque não cresceu o suficiente para andar sozinho e fazer suas escolhas próprias.
A Arte Bruxa vive em nós e em tudo, não precisamos gesticular igual, vestir roupa igual e pensar igualmente, cada ser humano é um ser ímpar, com pensamentos próprios, gestos próprios e gostos próprios, e isso deve ser preservado em sua individualidade. Nós não somos um povo que viveu numa única ilha do mundo, nós estamos em todos os lugares, e em nós, flui a tradição. Se você tem poder em sua voz bruxa, certamente conseguirá conjurar um espírito, um santo, um deus, uma deusa, um diabo, um encanto, etc, mas se não tiver, ficará anos e anos chamando e nunca terá uma resposta.

É comum para a verdadeira bruxa, utilizar elementos de todas as religiões, espiritualidades, folclores do mundo inteiro que se alinham consigo, e filosofias que bem entender, pois a bruxa lida com tudo que bem entender, ela não é um movimento pagão, nem mesmo é pagã de fato, pois quem já foi verdadeiramente uma bruxa pagã já está morta há muito tempo e se encontra no rol de nossos ancestrais, e de certo que ela teve um filho ou filha como herdeiros, e até mesmo seus agregados que transcenderam a carne. 

O legado deixado por ela, é a semente que se encontra hoje em nós, que vivemos na era cristã numa boa e sem conflito com isso, afinal, somos hereges e abarcamos o todo, não nos limitamos à uma única religião, culto, filosofia, entidade, deidade, demônio, instituição, cultura, povo, etc, enfim, não nos limitamos, somos indomados.
A visão de mundo dos antigos ocultistas (aqui entre nós, eles foram os fodões de sua época enquanto bruxos e magos), que ensinavam aquilo que é perene, é TRADICIONAL para nós, por isso, UNO. Por isso somos bruxos tradicionais.

Podemos chegar para um Asatrú, um Wiccano, um Neo-Druída, um Thelemita, e dizer: sou bruxo tradicional, ou seja, sou bruxo a moda antiga, a filosofia que mais me agrada é a perene, sou herege, não fui feito de religião pois nunca precisei me religar a fonte da qual eu nunca estive desconectado, não fui feito pelas mãos de Gardner, nem por Tribann, nem por Crowley ou La Vey, o que carrego comigo, vem de família, e se cheguei de algum modo passar por essas artes modernas, eu já era bruxo quando cheguei nelas pra conhecê-las.Então:

Se você recebeu uma cultura de um país, então você recebeu somente uma cultura de um país, isso não faz de você uma bruxa.
Se você nasceu bruxa e reencontrou sua família, bom pra você, é o que queremos pra nossa gente, mas ninguém lhe obriga a se filiar em alguma instituição filantrópica de magia, da qual o pseudo-imperador vive de marketing no orkut, no youtube, no facebook, etc, sempre de alguma forma se auto promovendo e ditando a moda dele usando o nome da bruxaria tradicional, só para lhe dar o diploma de bruxa, afinal, ou você nasceu bruxa ou não nasceu, e se nasceu, é bem comum e esperado que você se junte com seus iguais, isso marca seu carater ou a falta dele.

Nossa marca é visível aos olhos de nossos iguais. Quem não enxerga ela, não pode provar que ela não existe, e podemos facilmente desmascarar alguém que se passe por um de nós, principalmente por aquilo que ele escreve e pensa.

Nascer bruxa é reconhecer-se bruxa desde cedo e deixar seu dom fluir como as águas, independente do berço, da bandeira religiosa, e do sexo.

Uma vez aberta as comportas de uma represa, não tem como voltar a água para traz!

Assim é o dom da Bruxa.

Cada um de nós carregamos a tradição perene (eterna, que não morre), a filosofia perene (eterna, que não morre), e cada tradição bruxa existente, é perene (eterna, que não morre), por isso não precisa ser reinventada, mas sim, egressamos nela quando reencarnamos e nos juntamos com nossa família bruxa, não precisamos e não queremos aprender a ser bruxos da forma que foram nossos antepassados, nós somos bruxos atuais, que vivemos nessa época da vida, e somos assim, carregamos a tradição e sabemos o que sabemos, os costumes são mantidos, cada um com seu perfil, e cada geração bruxa que nasce, vem mais forte, portanto, somos mais fortes que nossos antepassados, somos eles reencarnados, nós evoluímos com progresso, e não temos conflitos em sermos bruxos numa era cristã, vide o tradicional sincretismo de imagens cuja sobrevivência superou e transgrediu séculos de 'ditadura' religiosa, e hoje você não encontra um bruxo se quer, que não tenha virado santo antonio de cabeça pra baixo, dentro d'água na pia da cozinha, ameaçando-o deixá-lo ali até que ele faça o que se pediu. Da mesma forma, as Stregas sempre colocaram Diana no forno ameaçando assá-la se ela não realizar um pedido.Não somos controlados, a não ser por nós mesmos, com ou sem nossa transformação interna.

"Diga NÃO as filiações institucionais e controladoras, e DIGA SIM à sua liberdade Bruxa!"

Caso contrário, daqui um tempo, nós os bruxos livres, vamos ter de pedir 'bênçãos' para essa tal instituição legalizada para que possamos nos manifestar no mundo como somos, ou seja, como bruxos que somos. E isso não é certo.Nós não temos controle e não podemos ser controlados, e é por isso que somos temidos por gente com complexo da baratinha de Lispector, e isso não nos intimida, nem nos faz melhor nem pior. Somos o que somos, e existimos desde sempre. Chega de preconceitos e de gente querendo controlar a gente através de instituições!Bruxos livres, defendam seu direito de livre manifesto no mundo, e enfeiticem o controle alheio com paz generosa, para que eles também aprendam conosco, como é ser livre de fato.

Sett Ben Qayin

Fonte: Congrega-lupino.net/

Ritual das Velas




Na Arte, as Velas são usadas para aumentar o poder de um encantamento, ou para influenciar um poder em particular. Elas simbolizam a transformação da vontade em energia, elevando-a ao Plano Astral. Você pode notar que enquanto a Vela é consumida, ela vai desaparecendo, evaporando-se.
As velas são por vezes usadas juntamente com ervas e outros auxiliares dos encantamentos, todos apontando para um objetivo em comum. Escolha a vela correspondente ao seu objetivo e com o seu Athame, grave nela os seus desejos. Para isso você pode usar siglas, símbolos, abreviações e tudo o mais que lhe convier. Depois use um óleo apropriado para ungir a vela, qualquer óleo que tenha o objetivo em comum com o do encantamento. 
Não unte o pavio da vela.
Para untar uma vela, use a Mão do Poder, é a mão que você mais usa, esfregue a vela com movimentos circulares ou em espiral. Se você deseja que alguma coisa venha até você, esfregue a vela da ponta para a base. Se desejar remover alguma coisa, esfregue da base para a ponta. Role a vela sobre as ervas correspondentes e finalmente coloque-a no castiçal.
Suspenda as mãos ao lado da vela, mentalmente envie seus desejos para ela e acenda a vela dizendo: 

"Vela de poder, Vela de força, crie os meus desejos aqui, nessa noite. Poder flua do fogo desta Vela. Atenda o desejo de meu coração, as minhas palavras têm força, a vitória esta ganha. Assim digo, Assim seja! Este encantamento está feito". 


A Vela não pode ser apagada, deve arder até o fim. É normal que ela evapore totalmente, mas caso haja resíduos, retire-os com o Athame, cuidadosamente e jogue-os em Água corrente ou aos pés de uma Árvore, ou jardim.

Fonte: Gruta da Bruxa

A Iniciação ao Primeiro Grau da Bruxaria


Formalmente a iniciação de primeiro grau torna-a uma bruxa(o) comum. Mas é claro que é um pouco mais complicado que isso.

Como todos os bruxos experientes, existem algumas pessoas que são bruxas (ou bruxos) de nascimento muitas vezes podem tê-lo sido desde uma encarnação passada. Uma boa Sumo-Sacerdotisa ou Sumo-Sacerdote costuma detectá-las. Iniciar um destes bruxos não é "fazer uma bruxa"; é muito mais um gesto bi-direccional de identificação e reconhecimento e claro, um Ritual de boas-vindas de uma mais-valia de peso ao Coventículo.

No outro extremo, existem os que são mais lentos ou menos aptos muitas vezes boas pessoas, sinceras e trabalhadoras que o iniciador sabe que têm um longo longo caminho a percorrer, e provavelmente muitos obstáculos e condições adversas a ultrapassar, antes de se poderem chamar verdadeiros bruxos. Mas mesmo para estes, a Iniciação não é um mero formalismo, se o iniciador conhecer a sua Arte. Pode dar-lhes uma sensação de integração, um sentimento que um importante marco foi ultrapassado; e apenas por lhes atribuir a qualidade de candidato, (apesar de não parecer terem qualquer dom), o direito de se auto-denominarem bruxos, encoraja-os a trabalhar arduamente para merecerem esta qualidade. E alguns menos aptos podem tomá-lo de surpresa com uma aceleração súbita no seu desenvolvimento após a iniciação; então saberão que a iniciação resultou.

No meio, encontra-se a maioria; os candidatos de potencial médio e forte capacidade de evolução que, se apercebem de uma forma mais ou menos clara que a Wicca é o caminho que têm procurado e porquê, mas que ainda estão no início da exploração das suas capacidades. Para estes, uma Iniciação bem conduzida pode ser uma experiência poderosa e incentivante, um genuíno salto dialéctico no seu desenvolvimento psíquico e emocional. Um bom iniciador tudo fará para que isso aconteça.

Na verdade, o iniciador não está sozinho na sua tarefa (e não nos estamos apenas a referir ao apoio de algum companheiro ou dos outros membros do Coventículo). Uma Iniciação é um Ritual Mágico, que evoca poderes e deve ser conduzido com a confiança plena que esses poderes invocados se irão manifestar.

Toda a iniciação, em qualquer religião genuína, é uma morte e renascimento simbólicos, suportados de forma consciente. No Ritual Wicca este processo é simbolizado pela venda e amarração, o desafio, a provação aceite, a remoção final da venda e das amarras é a consagração de uma nova vida. O iniciador deve manter este objectivo claro na sua mente e concentrar-se nele, e o Ritual em si deve provocar a mesma sensação na mente do candidato.

Em séculos mais remotos a imagem de morte e ressurreição era sem dúvida ainda mais notória e explícita e provavelmente desenrolava-se ainda com muito menos palavras. A famosa bruxa de Sheffield, Patricia Crowther, refere até que ponto ela teve esta experiência durante a sua Iniciação por Gerald Gardner. O Ritual era Gardneriano normal, basicamente da mesma forma que o descrevemos nesta secção, mas antes do Juramento, Gardner ajoelhou-se ao seu lado e meditou durante um bocado. Patricia enquanto esperava entrou subitamente em transe (que veio a descobrir mais tarde ter durado 40 minutos) ao que parece recordou uma reencarnação passada. Ela viu-se a ser transportada por um grupo de mulheres nuas numa procissão de archotes que se dirigia para uma caverna. Elas saíram, deixando-a aterrorizada no meio da escuridão absoluta. Gradualmente conquistou o seu medo, acalmou e no devido tempo as mulheres voltaram. Ficaram em linha com as pernas abertas e ordenaram-lhe que passasse, amarrada como estava, através de um túnel de pernas que se assemelhavam a uma vagina, enquanto que as mulheres uivavam e gritavam como se tivessem a ter um filho. Enquanto ela passava, foi puxada pelos pés e as amarras foram cortadas. A líder encarando-a "ofereceu-me os seus seios, simbolizando que me iria proteger como ela o faria aos seus próprios filhos. O corte das amarras simbolizava o corte do cordão umbilical". Ela teve que beijar os seios que lhe foram oferecidos, tendo sido depois salpicada com água ao mesmo tempo que lhe diziam que tinha renascido no sacerdócio dos Mistérios da Lua.

Gardner comentou, quando ela voltou à consciência: "durante muito tempo eu tive a ideia que se costumava fazer algo como aquilo que tinhas descrito e agora sei que não estava longe da verdade. Deve ter acontecido há séculos atrás, muito antes dos rituais verbais terem sido adoptados pela Arte."

A morte e o renascimento com todos os seus terrores e promessas, dificilmente poderia ser muito dramatizado; e temos a sensação que a recordação de Patricia era genuína. Ela obviamente é uma bruxa nata de há muito tempo atrás.

Mas vamos retornar ao Ritual Gardneriano. Para este efeito não tínhamos apenas três textos mas quatro; somados aos textos A, B e C (ver pág. 3?) existe a obra de Gardner denominada High Magic's Aid. Esta obra foi publicada em 1941, antes da cessação da lei Witchcraft Acts na Inglaterra e, antes dos seus livros Witchcraft Today (1954) e The Meaning of Witchcraft (1959). Neste, Gardner revelou pela primeira vez em ficção algum do material que tinha aprendido com o seu Coventículo. No Capítulo XVII a bruxa Morven faz o herói Jan atravessar a sua iniciação do 1º Grau e o Ritual é descrito em detalhe. Pensamos que essa descrição foi muito útil para a clarificação de um ou dois pontos obscuros, por exemplo, a ordem de "os pés nem estarem amarrados nem livres", que conhecíamos da nossa própria Iniciação Alexandrina, mas suspeitávamos estar deslocada. (5).

O Ritual de 1º Grau, provavelmente foi alterado pelo menos à data em que o Livro das Sombras, atingiu a fase do texto C. Isto acontece porque de entre o material incompleto na posse do Coventículo de New Forest teria sido naturalmente a parte que sobreviveu mais completa na sua forma original. Gerald Gardner não teria necessidade de preencher as falhas com material Crowleiano ou outro material não wiccano e desta forma Doreen Valiente não teve que sugerir o tipo de transcrição que era necessário "por exemplo para o da energia exortação".

Na prática wiccana, um homem é sempre iniciado por uma mulher e uma mulher por um homem. E apenas uma bruxa de 2º ou 3º Grau pode conduzir uma Iniciação. Existe uma excepção especial a cada destas regras.

A primeira excepção, uma mulher pode iniciar a sua filha ou um homem o seu filho, "porque são parte deles". Alex Sanders ensinou-nos que isto poderia ser feito numa emergência, mas o Livro das Sombras de Gardner não apresenta esta restrição.

A outra excepção, refere-se a única situação em que uma bruxa(o) de 1º Grau (e uma totalmente nova), pode iniciar outra. A Wicca põe grande ênfase na parceria de trabalho homem/mulher e muitos Coventículos ficam deliciados quando um casal avança para a Iniciação juntos. Um método muito agradável de levar a cabo uma dupla Iniciação como esta, é exemplificado pelo caso de Patricia e Arnold Crowther (que na altura ainda eram casados) por Gerald Gardner.

Gardner, começou por Iniciar Patricia enquanto Arnold esperava fora do quarto, então ele pôs o Livro das Sombras nas mãos dela incitando-a enquanto ela própria iniciava Arnold. "Esta é a forma que sempre foi feita", disse-lhe Gardner mas temos que admitir que esta forma era desconhecida para nós até lermos o livro de Patricia.

Gostamos desta fórmula; cria uma ligação especial, no sentido wiccano da palavra, entre os dois Iniciados desde o princípio no trabalho do Coventículo. Doreen Valiente confirmou-nos que esta era a prática frequente de Gardner, e acrescenta: "De outra forma, no entanto, mantinhamos a regra que apenas um bruxo de 2º ou 3º Grau poderia fazer uma Iniciação".

Gostavamos de mencionar aqui duas diferenças "para além dos pequenos pontos que se notam no texto", entre o Ritual de Iniciação Alexandrino e o Gardneriano, este último temos tomado como modelo. Não mencionámos estas diferenças com algum espírito sectário todos os Coventículos vão e devem fazer o que sentem melhor para eles mas apenas para registar qual é qual e expressar as nossas próprias preferências, aquelas que nos servem de modelo.

Primeiro, o método de trazer o Postulante para o Círculo. Na tradição Gardneriana ele é empurrado para o Círculo, por trás; depois da declaração do Iniciador, "Eu dou-te uma terceira para passares através desta Porta do Mistério", ele apenas acrescenta de forma misteriosa "dá-lhe".

O livro High Magic's Aid é mais específico: "Abraçando-o por trás com o seu braço esquerdo à volta da cintura e põe o braço direito dele à volta do seu pescoço e vira-se para ela e diz: "Eu dou-te a terceira senha; "Um beijo". Ao dizer isso, ela empurra-o com o seu corpo através da porta para dentro do Círculo. Uma vez lá dentro ela liberta-o, segredando: "Esta é a forma que todos são trazidos pela primeira vez para o Círculo" (High Magic's Aid, pág. 292).

É claro que, o acto de pôr o braço direito do Iniciador à volta do pescoço não é possível se os pulsos destes estiverem amarrados; e rodar a sua cabeça com a sua mão para o beijar sobre o ombro, é quase impossível se ele for muito mais alto que ela. Esta é a razão por que sugerimos que ela o beije antes de passar por detrás dele. É o acto de empurrar por trás que é a tradição essencial; por certo que o Coventículo de Gardner sempre o fez.

"Penso que a intenção original era ser uma espécie de teste", diz-nos Patricia, "porque alguém podia perguntar, como no High Magic's Aid, quem te trouxe para um Círculo?" a resposta era "Eles trouxeram-me por trás".

A prática Alexandrina era segurar os ombros do iniciado à sua frente, beijá-lo e então puxá-lo para dentro do Círculo, rodando-o em sentido deosil. Esta foi a forma como fomos os dois Iniciados e não nos sentimos pior por isso.

Mas não vemos nenhuma razão, agora, para partir da tradição original especialmente porque ela tem um interesse histórico inerente; por isso, viramo-nos para o método Gardneriano.

Quando Stewart visitou o Museu das Bruxas na Ilha de Man em 1972 (à data aos cuidados de Monique Wilson, a quem Gardner deixou a sua colecção insubstituível que ela mais tarde de forma imperdoável vendeu à América), Monique disse-lhe que como não tinha sido empurrado por trás para dentro do Círculo na sua Iniciação, "nenhuma verdadeira bruxa se associaria a ele". Então ela ofereceu-se para o iniciar "da forma devida". O Stewart agradeceu-lhe educadamente mas declinou o convite. As precauções e os formalismos poderiam ter um fundamento válido nos tempos das perseguições; insistir no assunto agora é mero sectarismo.

O segundo maior afastamento Alexandrino da Tradição reside no acto de tirar as medidas. Os Coventículos Gardnerianos retém a medida; os Alexandrinos da Tradição devolvem-nas ao Postulante.

No Ritual Alexandrino, a medida é tirada com um fio vermelho de linho, não composto, apenas da coroa aos calcanhares, omitindo as medidas da cabeça, peito e ancas. O Iniciador diz: "Agora vamos tirar-te as medidas e medimos-te da coroa da tua cabeça até às solas dos teus pés. Nos tempos antigos, quando ao tirarem a tua medida também retiravam amostras do cabelo e unhas do teu corpo. O Coventículo guardaria então a medida e as amostras e se tentasses sair do Coventículo trabalhariam com eles para te trazer de volta e nunca mais de lá sairias. Mas como vieste para o nosso Círculo com duas expressões perfeitas, Amor Perfeito e Confiança Perfeita, devolvemos-te a medida, e ordenamos-te que a uses no teu braço esquerdo".

A medida é atada à volta do braço esquerdo do Postulante até ao fim do Ritual, depois do qual, poderá fazer aquilo que entender com ela. A maior parte dos Iniciados destroem-nos, outros guardam-nos como recordação, outros põe-nos em medalhões e dão-nos de presentes aos seus companheiros de trabalho.

O simbolismo do "Amor e Confiança" no costume Alexandrino é claro, e alguns Coventículos podem preferi-lo. Mas sentimos que há ainda mais a dizer acerca do Coventículo guardar a medida, não como chantagem, mas como uma lembrança simbólica da nova responsabilidade do Iniciado perante o Coventículo. De outra forma não parece fazer sentido algum tirá-la.

Doreen diz-nos: "A ideia de devolver a medida é, na minha opinião, uma inovação de Sanders. Na tradição de Gerald, era sempre retida pelo Iniciador. Nunca, no entanto, existia alguma intenção que a medida fosse utilizada na forma chantagista descrita no Ritual Alexandrino. Ao invés, se alguém quisesse sair do Coventículo, eram livres de o fazer, desde que respeitassem da confiança dos outros membros e mantivessem os Segredos. Afinal de contas, qual é a lógica de manter alguém no Coventículo contra a sua vontade? As suas más vibrações só estragariam tudo. Mas nos tempos antigos a medida era usada contra qualquer pessoa que deliberada e maliciosamente traísse os Segredos. Gerald disse-me que "a medida era então enterrada num local lamacento, com a maldição de que apodrecesse, assim como o traidor". Lembrem-se, traição naqueles tempos era uma questão de vida ou de morte literalmente!"

Sublinhamos de novo perspectivas das diferenças em detalhe, podem ser fortemente mantidas, mas no final é a decisão do Coventículo que interessa quanto a uma forma particular, ou até em encontrar uma forma própria. A validade de uma Iniciação não depende nunca dos pormenores. Depende apenas, da sinceridade e efectividade psíquica, espiritual do Coventículo, e da sinceridade e potencial psíquico do Iniciado. É como diz a Deusa na Exortação: "E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo".

Dar importância demasiado aos pormenores tem sido, infelizmente, a doença de muitas doutrinas cristãs, incluindo aquelas que tinham as suas origens na beleza; os bruxos não devem cair na mesma armadilha. Somos tentados a dizer que as doutrinas deviam ser escritas por poetas e não por teólogos.

Uma palavra para os nomes Cernunnos e Aradia, os nomes de Deuses usados no Livro das Sombras de Gardner. Aradia, foi adoptada dos bruxos da Toscânia (ver o livro de Charles G. Leland, Aradia, O Evangelho do Bruxos); sobre as suas possíveis ligações celtas, ver o nosso livro Oito Sabbats para Bruxas, p. 84. Cernunnos (ou como lhe chama Jean Markale no seu Mulheres Celtas, Cerunnos) é o nome dado pelos arqueólogos ao Deus Cornudo celta, porque não obstante terem sido encontradas muitas representações deste, em todo o lado desde o Caldeirão Gundestrop até ao monte Tara (ver fotografia 10), apenas uma destas tem um nome inscrito um baixo relevo encontrado em 1710 na Igreja de Notre Dame em Paris, que se encontra agora no Museu de Cluny na mesma cidade. O sufixo "-os"sugere ter sido uma helenização de um nome celta; os druidas são conhecidos por serem familiares com o grego e terem usado este alfabeto para as suas transacções em assuntos vulgares, apesar neste caso as letras actuais serem romanas. Note-se também que o grego para "corno" é (Keras). Doreen Valiente sugere (e concordamos com ela) era na verdade Herne (como em Herne o Caçador, do Windsor Great Park). "Alguma vez ouviram o choro de um Veado (Fallow deer) no cio?" pergunta ela. "Ouvirão sempre durante o cio outonal do Veado na New Forest, e soa exactamente como "HERR-NN... Herr-rr-nn..." repetido vezes sem conta. É um som emocionante e nunca o esqueceremos. Agora, das pinturas rupestres em grutas e estátuas que encontramos dele, Cernunnos era eminentemente um Deus-Veado. Então como é que os mortais o denominaram melhor? Certamente pelo som que da forma mais intensa lembra um dos grandes Veados da Floresta".

Para cada um deles podemos acrescentar que o intercâmbio dos sons "h" e "k" é sugerido pelos nomes de lugares como Abbas em Donset, local do famoso Gigante de Hillside. Existe um número razoável de lugares denominados Herne Hill em Inglaterra, bem como duas Herne Villages, uma Herne Bay, uma Herne Drove, uma Hernebridge, uma Herne Armour, uma Herne Pound, e por aí fora. Herne Hill é algumas vezes explicado como significando "Monte da Garça" mas, como Doreen explica, as garças procriam junto aos rios e lagos e não em montes; "parece mais provável para mim que Herne Hill era sagrado para o Velho Deus".

No Livro Alexandrino das Sombras, o nome é "Karnayna" mas esta forma não surge em mais nenhum local, que quer eu quer a Doreen tenhamos visto. Ela pensa que "é provavelmente não concerteza uma confusão auditiva com Cernunnos. O nome actual pode ter sido omitido no livro de onde Alex copiou, e ele teve que se apoiar numa recordação verbal de alguém". (conhecendo o Alex, diriamos "quase de certeza"!)

No texto que se segue, o Iniciador pode ser a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, dependendo se o Iniciado for homem ou mulher; assim, referimo-nos ao Iniciador como "ela" por uma questão de simplicidade, e ao "Postulante" (mais tarde "Iniciado") como "ele" apesar de poder ser ao contrário, obviamente. O companheiro de trabalho do Iniciador, quer seja Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, tem certamente também deveres a desempenhar, e é referido como o "Companheiro".

A Preparação

Tudo é preparado como para um Círculo normal, com os itens adicionais seguintes também preparados:

Uma venda;

Uma distância de fio ou corda fina (pelo menos 2,50m);

Óleo de unção;

Um pequeno sino de mão;

Três comprimentos de corda vermelha: uma com 2,75m e duas com 1,45m.

Também é usual, mas não essencial, que o Postulante traga o seu próprio novo Athame, e corda vermelha, branca e azul para serem consagradas imediatamente após a sua Iniciação(1). Devem dizer-lhe, logo que saiba que vai ser Iniciado, que tem de adquirir qualquer faca de cabo preto com que se identifique. A maior parte das pessoas compra um punhal com bainha vulgar (a bainha é útil, para transportá-lo de e para o local de encontro) e pintam o cabo de preto (se já não for, claro). Pode não haver tempo para ele gravar os Símbolos tradicionais no cabo (ver Secção XXIV) antes de ser consagrado; isto pode ser feito mais tarde nos tempos livres. Alguns bruxos nunca chegam a inscrever quaisquer Símbolos, preferindo a Tradição alternativa, que diz que os instrumentos de trabalho não devem ser identificáveis como tal para algum estranho(2); ou porque o padrão do cabo do punhal escolhido não permite gravações. (O Athame do Stewart, agora com 12 anos, tem os Símbolos inscritos; o de Janet, com a mesma idade mas com um cabo com padrão, não tem; e temos outro Athame feito à mão por um artesão amigo que tem um cabo de pé de Veado que obviamente não dá para gravar). Sugerimos que as lâminas dos Athames sejam cegas, uma vez que nunca são usadas para cortar seja o que for mas são usadas para gestos rituais no que pode ser um Círculo apertado e populoso:

As três cordas que o iniciado tem que trazer devem ter 2,75m de comprimento cada. Gostamos de evitar que as pontes das cordas se desfaçam usando fita ou atando-as com fio da mesma cor. No entanto, Doreen diz: "Atamos nós às pontas para evitar que se soltem e a medida essencial calcula-se de nó em nó."

Também se lhe deve dizer para levar a sua própria garrafa de vinho tinto até para lhe dar a entender logo de princípio que as despesas de comida e bebida para o Coventículo, quer seja vinho para o Círculo ou alguma comida para antes ou depois do Círculo, não devem cair inteiramente para a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote!

Quanto aos itens adicionais listados em cima qualquer lenço servirá para utilizar como venda, mas deve ser opaco. E a escolha do óleo de unção cabe à Sumo-Sacerdotisa; o Coventículo de Gardner usava sempre Azeite virgem. O costume Alexandrino diz que o óleo deveria incluir um toque do suor da Sumo-Sacerdotisa e do Sumo-Sacerdote.

O Ritual

Antes do Círculo ser fechado, o Postulante é posto fora do Círculo a Nordeste, vendado e amarrado, por bruxos do sexo oposto. O acto de atar é feito com as três cordas vermelhas(3) - uma com 2,75m e as outras duas com 1,45m. A corda maior é dobrada ao meio para os pulsos serem amarrados juntos atrás das costas e as duas pontas são trazidas para a frente por cima dos ombros e atadas em frente ao pescoço, com as pontas caídas a formar uma pega por onde o Postulante pode ser dirigido(4). Uma corda pequena é atada no tornozelo direito e a outra por cima do joelho esquerdo cada uma com as pontas bem escondidas para que o não magoem. Enquanto se estiver a corda no tornozelo, o Iniciador diz:

"Pés nem presos nem livres."(5)

O Círculo está agora aberto, e o Ritual de Abertura procede como normalmente, exceptuando o "Portão" a Nordeste que não está ainda fechado e o exortação não ter sido dita. Depois do Atrair a Lua(6), o Iniciador dá a Cruz Cabalística(7), como se segue: "Ateh" (tocando na testa), "Malkuth" (tocando no peito), "ve-Geburah" (tocando no ombro direito), "ve-Gedulah" (tocando o ombro esquerdo), "le-olam" (apertando as mãos à altura do peito).

Depois das Runas das Feiticeiras, o Iniciador vai buscar a Espada (ou Athame) ao Altar. Ela e o Companheiro encaram o Postulante.

Então eles declamam o exortação (ver apêndice B, pp. 297-8).

O Iniciador então diz:

"Ó tu que estás na fronteira entre o agradável mundo dos homens e os Domínios Misteriosos do Senhor dos Espaços, tens tu a coragem de fazer o teste?"

O Iniciador coloca a ponta da Espada (ou Athame) contra o coração do Postulante e continua:

"Porque digo verdadeiramente, é melhor que avances na minha lâmina e pereças, que tentes com medo no teu coração."

O Postulante responde:

"Tenho duas Senhas. Perfeito Amor e Perfeita Confiança"(8).

O Iniciador diz:

"Todos os que assim estão são duplamente bem-vindos. Eu dou-te uma terceira para passares através desta misteriosa Porta".

O Iniciador entrega a Espada (ou Athame) ao seu Companheiro, beija o Postulante e passa para trás dele. Abraçando-o por detrás, empurra-o para a frente, com o seu próprio corpo, para dentro do Círculo. O seu Companheiro fecha ritualmente a "porta" com a Espada (ou Athame), que depois recoloca no Altar.

O Iniciador leva o Postulante aos pontos cardeais em volta e diz:

"Tomai nota, ó Senhores do Este[Sul/Oeste/Norte] que_________está devidamente preparado(a) para ser iniciado(a) Sacerdote (Sacerdotisa) e Bruxo(a)"(9).

Então o Iniciador guia o Postulante para o centro do Círculo. Ele e o Coventículo circulam à sua volta em sentido deosil, cantando:

"Eko, Eko, Azarak,
Eko, Eko, Zomelak,
Eko, Eko, Cernunnos(10),
Eko, Eko, Aradia(10)"

Repetido sempre, enquanto empurram o Postulante para a frente e para trás entre eles, virando-o às vezes um pouco para o desorientar, até o Iniciador o mandar parar com um "Alto!". O Companheiro toca o sino três vezes, enquanto o Iniciador vira o Postulante (que ainda está no centro) para o Altar.

O Iniciador então diz:

"Noutras religiões o Postulante ajoelha-se enquanto o Sacerdote o olha de cima. Mas na Arte Mágica somos ensinados a ser humildes, e ajoelhamo-nos para dar as boas-vindas e dizemos..."

O Iniciador ajoelha-se e dá o "Beijo Quíntuplo" ao Postulante, como se segue:

"Abençoados sejam os teus pés, que te trouxeram para estes caminhos" (beijando o pé direito e depois o esquerdo).

"Abençoados sejam os teus joelhos, que devem ajoelhar perante o Altar Sagrado" (beijando o joelho direito e depois o esquerdo).

"Abençoados sejam o teu falo (ventre) sem o qual não existiríamos" (beijando acima do pêlo púbico).

"Abençoado seja o teu peito, formado na força [seios, formados na beleza]" (11) (beijando o seio direito e depois o esquerdo).

"Abençoados sejam os teus lábios, que irão proferir os Nomes Sagrados" (abraçando-o e beijando-o nos lábios).

O Companheiro passa o comprimento de fio ao Iniciador, que diz:

"Agora vamos tirar a tua medida."

O Iniciador, com ajuda de outro bruxo do mesmo sexo, estica o fio do chão aos pés do Postulante até ao alto da sua cabeça, e corta esta medida com a faca de cabo branco (que o seu Companheiro lhe traz). O Iniciador então mede-o uma vez à volta da cabeça e ata um nó para marcar a medida; outra (da mesma ponta) à volta do peito e ata outro nó a marcar; outra à volta das ancas atravessando os genitais e dá um nó.

Então retira a medida e pousa-a no altar.

O Iniciador pergunta ao Postulante:

"Antes de jurares a Arte, estás preparado para passar a provação e ser purificado?"

O Postulante responde:

"Estou."

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo ajudam o Postulante a ajoelhar-se, e curvar a sua cabeça e ombros para a frente. Eles soltam as pontas das cordas que atam os tornozelos e os joelhos juntos(12). O Iniciador vai então buscar o chicote ao Altar.

O Companheiro toca o sino três vezes e diz: "Três."

O Iniciador dá três chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: "Sete." (Não volta a tocar o sino).

O Iniciador dá sete chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: "Nove."

O Iniciador dá nove chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: "Vinte e Um."

O Iniciador dá vinte e uma chicotadas leves ao Postulante (a vigésima primeira chicotada pode ser mais vigorosa, como lembrança que o Iniciador tem sido contido propositadamente.)

O Iniciador diz:

"Passaste o teste com valentia. Estás pronto a jurar que serás sempre verdadeiro com a Arte?"

O Postulante responde: "Estou."

O Iniciador diz (frase a frase):

"Então repete comigo: "Eu,__________, na presença dos Todo Poderosos, de minha livre vontade e da forma mais solene juro manter sempre secreto e nunca revelar os segredos da Arte, excepto se for a uma pessoa adequada, devidamente preparada num Círculo como aquele em que eu estou agora; e nunca negarei os segredos a uma pessoa como esta se ele ou ela provarem ser um Irmão ou Irmã da Arte. Tudo isto eu juro pelas minhas esperanças numa vida futura, ciente que a minha medida foi tirada; e que as minhas armas se virem contra mim se eu quebrar este juramento solene."

O Postulante repete cada frase depois do Iniciador.

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo ajudam agora o Postulante a pôr-se de pé.

O Companheiro traz o óleo de unção e o cálice de vinho.

O Iniciador molha a ponta do dedo no óleo e diz:

"Eu por este meio te marco com o Sinal Triplo. Consagro-te com óleo."

O Iniciador toca o Postulante com óleo logo acima do pêlo púbico, no seu seio direito, no seu seio esquerdo e outra vez acima do pêlo púbico, completando o triângulo invertido do 1.º Grau.

Depois molha a ponta do dedo no vinho, diz "Consagro-te com vinho" e toca-lhe nos mesmos locais com o vinho.

A seguir diz "Consagro-te com os meus lábios", beija o Postulante nos mesmos locais e continua "Sacerdote (sacerdotisa) e Bruxo(a)."

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo tiram-lhe a venda e desatam as cordas.

O Postulante é agora um bruxo iniciado, e o ritual é interrompido para cada membro do Coventículo lhe dar as boas-vindas e os parabéns. Quando acabarem, o ritual prossegue com a apresentação dos instrumentos de trabalho. À medida que cada instrumento é apresentado, o Iniciador trá-lo do Altar e dá-o ao Iniciado com um beijo. Outro bruxo do mesmo sexo do Iniciador aguarda, e à medida que se acaba a apresentação de cada instrumento este leva-o de volta ao Altar.

O Iniciador explica as ferramentas como se segue:

"Agora apresento-te os Instrumentos de Trabalho. Primeiro, a Espada Mágica. Com isto, como com o Athame, dás forma aos Círculos Mágicos, dominas, subjugas e punes todos os espíritos rebeldes e demónios, e podes até persuadir anjos e espíritos bons. Com isto na tua mão, lideras o Círculo."

"A seguir apresento-te o Athame. Esta é a verdadeira arma do bruxo, e tem todos os poderes da Espada Mágica."

"A seguir apresento-te a Faca de Cabo Branco. É usada para formar todos os instrumentos usados na Arte. Só pode ser usada num Círculo Mágico."

"A seguir apresento-te a Varinha. A sua utilidade é chamar e controlar certos anjos e génios quando não seja apropriado o uso da Espada Mágica."

"A seguir apresento-te o Cálice. Este é o receptáculo da Deusa, o Caldeirão de Cerridwen, o Santo Graal da Imortalidade. Neste bebemos em camaradagem, e em honra à Deusa."(13)

"A seguir apresento-te o Pentáculo. Este tem o objectivo de chamar os espíritos apropriados."

"A seguir apresento-te o Incensário. É usado para encorajar e dar as boas vindas aos espíritos bons e banir espíritos maus."

"A seguir apresento-te o Chicote. É o símbolo do poder e do domínio. Também é purificador e iluminador. Por isso está escrito, "Para aprender deves sofrer e ser purificado". Estás disposto a sofrer para aprender?"

O Iniciado responde: "Estou."

O Iniciador continua: "A seguir e por fim apresento-te as Cordas. Elas são usadas para prender os Sigilos da Arte; também a base do material; e também são necessárias para o Juramento."

O Iniciador diz: "Agora saúdo-te em nome de Aradia, novo Sacerdote(Sacerdotisa) e Bruxo(a)", e beija o Iniciado.

Finalmente, conduz o Iniciado a cada um dos pontos cardeais em volta e diz: "Ouçam ó Todos Poderosos do Este [Sul/Oeste/Norte]; ___________foi consagrado Sacerdote (Sacerdotisa), Bruxo(a) e criança escondida da Deusa."(14)

Se o Iniciado trouxe o seu novo Athame e/ou as Cordas, ele pode agora, como seu primeiro trabalho mágico, consagrá-los (ver Secção IV) com o Iniciador ou com a pessoa que irá ser o seu Companheiro de Trabalho, se já for conhecido, ou se (como no caso de Patricia e Arnold Crowther) eles foram iniciados na mesma ocasião.

Notas 

(1) Estas cordas são para trabalhar a 'magia da corda' e cada bruxa deve ter o seu próprio conjunto pessoal. (Não se deve confundir com a corda longa e duas curtas, mencionados na lista acima, que são usadas para atar o Postulante; sugerimos que coventículo deva manter um jogo destas cordas separadas das outras, para ser usado somente em iniciações). Um modo tradicional de usar uma corda de 2,74 m pode ser, de a atar em laço, pô-la sobre o athame espetado no solo, esticando o laço totalmente (1,36 m) e usa-lo como um compasso para desenhar o círculo mágico. Doreen diz: Este método era realizado antigamente em que os soalhos das casas era, constituídos de terra batida. penso que poderiam ter usado a faca branca ou giz para desenhar o círculo real, dependendo da superfície em que trabalhavam'.

(2) Uma das nossas bruxas, doméstica, que tivesse que realizar as suas práticas de uma forma secreta, tinha como athames, duas facas brancas entre o seu conjunto de cozinha, identificável somente por ela; o seu pentáculo era um determinado prato de prata no seu armário; e assim, por diante. Tal secretismo era necessário, nos dias de perseguição, e naturalmente a vassoura tradicional de bruxa num passe de mágica disfarçada num espanador.

(3) Na prática Alexandrina, utilizam-se somente duas cordas. Uma vermelha para a garganta e os pulsos e uma branca para um dos tornozelos. Ainda segundo Doreen: 'As nossas cordas eram geralmente vermelhas, a cor da vida, tendo sido também usadas outras cores,como o verde, azul ou preto. Nenhum significado particular foi unido a esta cor, excepto ser uma cor da nossa preferência vermelho apesar de não ser fácil encontrar corda de seda de qualidade apropriada para o efeito.

(4) Isto assemelha-se a uma característica da iniciação Maçónica, apontando ao peito do Postulante.

(5) Dos textos de Gardner, isto aparece somente no Hight Magic's Aid. O ritual Alexandrino usa-o, mas como uma regra.

(6) Drawing Down The Moon (Atrair a Lua) Se o Iniciador é o Sumo-Sacerdote, pode sentir ser uma altura apropriada para acrescentar o Drawing Down The Sun (ver Secção VI) ao Ritual tradicional.

(7) A Cruz Cabalística é pura prática da Aurora Dourada (ver Israel Regardie, The Golden Dawn, 3ª edição, vol. I, p. 106). Surge nos textos de Gardner, "mas na prática não me lembro de alguma vez termos feito isto" diz-nos Doreen. Incluímo-lo aqui para ficar mais completo, mas também não o usamos nas Iniciações; como muitos bruxos, usamos muitas vezes Magia Cabalística, mas sentimos que está fora do contexto em algo como tradicionalmente wiccano num Ritual de Iniciação. Malkuth, Geburah e Gedulah (de outra forma Chased) são obviamente Sephorith da Árvore da Vida, e a declaração Hebraica significa claramente "porque Teu é o Reino, e o Poder, e a Glória, para sempre" uma pista interessante de que Jesus conhecia a sua Cabala. Alguns cabalistas acreditam que foi este conhecimento, mesmo quando era rapaz, que espantou os doutores do Templo (Lucas II, 46-7).

(8) O High Magic's Aid dá esta forma; o Texto B descreve "Perfeito Amor para a Deusa, Perfeita Confiança na Deusa".Preferimos a forma mais curta, porque também significa Amor e Confiança para com o Coventículo, e pode ser citado e guradado como um modelo a manter.

(9) O High Magic's Aid dá esta forma; o Texto B descreve "Ó Senhores Misteriosos e gentis Deusas". Uma vez que os Guardiães das Torres de Vigia são os reconhecidos Guardiães dos Pontos Cardeais e foram invocados no ritual de fecho do Círculo, preferimos a forma do High Magic's Aid. Aqui é utilizado o nome vulgar do Postulante, uma vez que só se toma um nome mágico a partir do Segundo Grau.

(10) Ou qualquer nome de Deus ou Deusa que o Coventículo use (ver os nossos comentárioa aos nomes Cernunnos e Aradia na p.14).

(11) Os textos de Gradner utilizam a mesma expressão para ambos os sexos: "peitos formados na beleza e força." Doreen explica-nos: "Esta expressão era uma alusão ao corpo humano como uma forma de Árvore da Vida, com Gedulah de uma lado e Geburah do outro." Preferimos "peitos, formados na beleza" para uma mulher e "peito, formado na força" para um homem; este identifica-se mais com o Beijo Quíntuplo como uma saudação à polaridade homem/mulher, e com o tom essencialmente Wiccano (em vez do Cabalístico) das outras quatro declarações.

(12) Noutro ponto (ver p.54) o Livro das Sombras diz que enquanto se ajoelha a ponta do fio deve estar presa ao Altar.

(13) Esta é a nossa própria contribuição para a lista de apresentações do Livro das Sombras: fazê-mo-lo pelas razões que damos na página 258.


Fonte:Mortesubita.org/