terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Día de los Muertos, no México




Mexicanos celebram o Dia dos Mortos com muitos enfeites e comida gostosa.

“Tudo depende da forma como entendemos a morte. Pode ser o fim para uns, ou o começo de um novo ciclo para outros”

A HISTÓRIA E A TRADIÇÃO

No México o dia 02 de novembro é um dos mais festejados no ano e representa uma mistura da religiosidade pré-hispânica (Asteca e Maia) com a católica trazida pelos colonizadores espanhóis, mantendo viva as tradições nativas que foram proibidas pelos conquistadores.
O Dia dos Mortos é herança dos povos pré-hispânicos do México. É também época de colheita e de fartura. Por isso a festa e a alegria. É uma tradição milenar que a colônia espanhola incorporou.
 essa é uma forma de o povo demonstrar respeito e adoração pelos seus entes queridos. É como se os espíritos tivessem permissão para visitar sua família naquele dia para que todos possam conviver mais uma vez. Por isso os altares dos mortos são montados com as iguarias e os produtos que os defuntos mais gostam, como cigarros, comidas e bebidas.
O altar precisa ter os quatro elementos básicos representados. a água está lá para que o morto limpe seus pés após sair do reino dos mortos. Os frutos representam a terra. A vela é o fogo, que ilumina o caminho até o reino dos vivos. E o ar vem em forma de papel de seda picado. Outra peculiaridade é que a decoração da festa é à base de motivos sombrios, como caveiras. É tradição, inclusive, fazer uma caveira de açúcar e cravar o nome dos que já se foram. As pessoas escrevem também uma espécie de poesia com o nome do falecido. Essa estória é escrita de forma engraçada e divertida.
Para os mais saudosos, e menos medrosos, a homenagem é feita no cemitério, em cima do túmulo do ente querido. Lá, muitos fazem piqueniques, tocam músicas e dançam. As cidades ficam todas decoradas com caminhos de velas e pétalas de rosas. O comércio também fica agitado, com esqueletos, caveiras e pássaros preparados com sementes de abóbora, açúcar e chocolate, entre outros produtos.

Para os mexicanos, a morte é uma parte da vida, e não um momento de tristeza. Eles creem que ao morrermos, as almas vão para um lugar melhor – e por isso, não há motivo para chorar. Só que no Día de los Muertos  eles acreditam que as almas têm permissão para voltar ao mundo dos vivos e reencontrar seus entes queridos. Por isso esse dia é um motivo de festa para quem está vivo – e passar um dia e uma noite celebrando esse reencontro é uma forma de mostrar seu carinho e amor para os que passaram para o outro lado.
São muitos os sentimentos que podem explicar essa data: um deles é que a vida, e a passagem do morto pelo mundo dos vivos foi importante demais, que morreu e continua importante, e que a morte verdadeira só acontece quando ele não for mais lembrado. Por isso eles demonstram que esse amor continua a existir e que deve ser exaltado com alegria.

Bem diferente do que nós brasileiros estamos acostumados a ver e fazer no Dia de Finados, no México o Día de los Muertos (Dia dos Mortos) é uma festa, uma das maiores comemorações do país, que começa no dia 31 de Outubro e termina na noite do dia 2 de Novembro, embora possa se esticar até meados do dia 3 e 4. 

Segundo a tradição, os mexicanos comemoram a data da seguinte forma:

- No dia 30 de outubro começam os rituais, que incluem acender uma vela preta em seu altar, que simboliza todas as almas;

- Do meio-dia de 31 de outubro ao meio-dia de 01 de novembro: celebra-se a chegada dos “angelitos”, as almas das crianças que se foram cedo. Neste dia, as velas dos altares são brancas;

- Do meio dia de 01 de Novembro ao meio-dia de 02 de novembro: celebra-se a chegada das almas dos jovens e adultos. Nesse dia, as velas acesas são coloridas, buscando assim homenagear os mortos de todas as idades.

Em alguns lugares, existe um ritual em que a família vai para o cemitério e retira os ossos do morto do túmulo para limpa-los. Para eles, limpar os ossos do morto é a demonstração máxima do amor que ainda sentem. Após a limpeza os ossos são devolvidos ao túmulo.

Na comemoração, eles levam ao cemitério todas as comidas que o morto gostava em vida. Geralmente, as oferendas servidas são o “Pan de Muerto” (um pão duro, mas gostoso e que, na região de Oaxaca, é típico que tenha a imagem de uma pessoa, homem ou mulher, adornando-o, simbolizando o morto), um chocolate em formato de caveira (chocolates são típicos da região de Oaxaca, já que era bebida tradicional das civilizações astecas), e Mezcal, uma bebida alcoólica mais forte que tequila – e ótima para espantar o frio durante a vigília de noite no cemitério. As caveirinhas feitas de açúcar também são comuns – elas são decoradas com glacê e algumas vezes têm o nome do morto escrito. Há também frutas frescas, água e outros doces.
Os mexicanos fazem isso porque as almas atravessam um longo caminho, vindas do outro mundo, só para visita-los nestes dias. Portanto, todas as comidas são como oferendas para alimentá-las e agradá-las. Também dizem que como as almas vêm de um mundo melhor, toda a comida oferecida deve ser de qualidade, como um agrado.

É possível encontrar em todos os lugares a imagem de uma “mulher caveira”, toda enfeitada, representada em quadros, esculturas, pinturas de rosto e fantasias. Às vezes ela está vestida de noiva, às vezes vestida de nobre da corte. Segundo a tradição, ela se chama Katrina e representa a Morte. Katrina é uma forma de mostrar, com humor, que a morte chega para todas as pessoas: ricas, pobres, apaixonadas, descrentes…

Não há tristeza. Há música, muita comida, fantasias e risos. Tudo de forma muito respeitosa. As crianças também se envolvem na arrumação dos túmulos. Muitas fantasiadas e sem medo algum.
Pois é! O Día de los Muertos no México não tem nada a ver com o nosso Dia de Finados. Por lá, ele é cheio de vida! Já, aqui…

Conheça um pouco dos símbolos dessa tradição, cuja origem remonta há mais de 3000 anos


Caveira: Vida, Morte e Sátira - As ‘caveiras mexicanas’ que tanto vemos por aí (hoje é moda estampando tudo que é objeto – quem nunca viu uma linda camiseta com elas?) têm origem na festividade.
Em algumas culturas pré-hispânicas as celebrações no dia dos mortos remontam há mais de 3000 anos. Eram festas dedicadas às crianças e aos parentes mortos, presididas pela deusa Mictecacíhuatl, conhecida como a ‘Dama de la Muerte’ (dama da morte), atualmente relacionada com a personagem ‘La Catrina’, do pintor, ilustrador e cartunista mexicano, José Guadalupe Posada (1852-1913).
As caveiras do artista são cheias de vida. Vestidas de gala, à cavalo, em bicicletas etc, além de belas ilustrações também carregavam em si mensagem sociais e políticas.
A ‘La Catrina’, por exemplo, é uma sátira dos indígenas que, enriquecidos durante o Porfiriato (período no qual o México esteve no controle do general Porfírio Díaz) renegavam suas origens e costumes copiando modas europeias.



Originalmente chamada de La Calavera Garbancera, La Catrina foi rebatizada assim pelo pintor mexicano Diego Rivera (1886 – 1957).



Além da ‘caveira mãe’, as festividades contam com outras caveirinhas, que estão em ilustrações, artesanatos cerâmicos e até em forma de doce (de açúcar puro, chocolate etc). Há também as Caveiras literárias, versos bem humorados nos quais a morte (personificada) interage (muitas vezes satirizando) com personagens da vida real.



Calaveras de Dulce - A maioria das caveiras doces (geralmente as de açúcar) tem escrito o nome do morto. Os mais bem humorados também escrevem nome de vivos (para fazer piadinha com os amigos, por exemplo).


Flores - Assim como no Brasil, no México as famílias dedicam o 02 de novembro para limpar e enfeitar os túmulos dos parentes que se foram. As mais belas e variadas flores fazem parte da decoração e tanto lá como aqui, o Crisântemo tem destaque. Os mexicanos acreditam que essa flor, lá chamada de Cempasúchitl ou Flor de cuatrocientos pélalos (flor de quatrocentas pétalas), atrai e guia a alma dos mortos.

Pan de Muertos é um pão doce, adornado (com a própria massa) polvilhado de açúcar. Apesar de ser um simples pão, não é consumido durante todo o ano exatamente por estar associado à celebração do Día de Muertos.


Altares e Oferendas - por lá, acredita-se que a alma das crianças volte no dia 01 de novembro e que a dos adultos volte no dia 02.
Na impossibilidade de se visitar o túmulo (porque ele já não mais existe, ou pela distância ou outro empecilho) as famílias montam em suas próprias casas, altares bem enfeitados, inclusive com foto(s) do(s) morto(s) e ali deixam oferendas como comida, o pan de muerto, bebidas, cigarros e brinquedos (para a alma das crianças).

Na decoração dos altares, cheia de simbolismo há desenhos do que seria o purgatório (os quais servem para pedir que o defunto saia de lá, caso por ali esteja); a Cruz de terra para que o defunto lembre de sua fé (católica) em alusão à frase “Lembra-te que do pó viestes e ao pó, hás de retornar”, bastante proferida nas missas de Quarta-feira de Cinzas (daí as cinzas); o papel picado, típico artesanato mexicano (parece rendado) e variados doces de abóbora (importante alimento do país, ao lado do milho, do feijão e do chile); além de imagens católicas.



Balões “Guiam os Espíritos” - Na tradição mexicana, os balões iluminados soem ao céu para indicar aos espíritos a rota a se seguir para conseguirem chegar às suas antigas casas para o convívio de seus familiares, bem como mostrar-lhes o caminho de retorno, após a celebração.



Pan_de_Muerto




Pan de Muertos

Ingredientes:

5 xícaras de farinha de trigo
3 colheres de café de fermento em pó
2 tabletes de manteiga com sal
5 ovos inteiros
5 gemas
1 xícara de açúcar
Raspas de uma laranja
2 colheres de essência de anis
1 pitada de sal
2 gemas para pincelar

Modo de fazer:

Misturar o fermento em um pouco de água morna, acrescentar meia xícara de farinha de trigo e amassar até fazer uma bola. Deixar descansar por 15 minutos em uma vasilha coberta com papel filme. Paralelamente, misturar o resto da farinha com o açúcar e o sal. Fazer um “buraco” no centro da farinha e adicionar 3 dos 5 ovos, as 5 gemas, a manteiga, as raspas de laranja e o anis. Trabalhar bem a massa. Misturar a massa à bola fermentada e deixar descansar até que dobre de tamanho.

Dividir a massa em duas e fazer os pães. Colocá-los em uma forma untada e pincelar com as gemas. Decorar com pedaços de massa imitando ossos, caveiras e lágrimas. Pincelar com gema e pulverizar com açúcar. Assar no forno médio e
pré-aquecido, por 40 minutos.


Calabaza en Tacha

Ingredientes:

6 xícaras de água
2 xícaras de açúcar
4 canelas em pau
1 colher de chá de cravo
1 abóbora média cortada em pedaços médios
3 estrelas de anis
1 xícara de creme de leite
5 pedaços pequenos de rapadura



Modo de fazer:

Em uma panela colocar as 6 xícaras de água, a rapadura, o açúcar e deixar ferver. Depois, colocar a canela, o cravo e o anis.
Coloque a abóbora e deixar reduzir a calda pela metade. Servir acompanhada de creme de leite .